
|
|
ENTREVISTAS
COM GRANDES MESTRES
|
|
|
|
Entrevista
com Shihan Fumio Toyoda
(Traduzido
por Paulo C. G. Proença -Dojo Kokoro - Sorocaba)
|
O
Shihan Fumio Toyoda, chefe da AAA (Aikido Association of America)
é um homem forte com um riso generoso. Seu Aikido é rápido
e vigoroso e poderosamente direto. Em quase todo final de
semana ele está na estrada, para cima e para baixo em seu
caminho pelos Estados Unidos para dar seminários em um dos
120 dojos da AAA. A cada parada, não importando qual das técnicas
ele estiver demonstrando, este 6º Dan de 49 anos de idade,
enfatiza um ponto em particular ---- a transmissão do Aikido
de qualidade. Com o passara do tempo, ao se afastarem cada
vez mais de seu fundador, as artes marciais tendem a perder
sua essência. Fumio Toyoda acredita que o Aikido de Ueshiba
é uma arte que vale a pena se manter e aperfeiçoar.
Aikido Journal: Como voce acabou
se envolvendo com o Aikido? Voce pode nos dar uma breve biografia?
Sensei Toyoda: Eu me iniciei
no Aikido ainda quando era criança, em Tochigi, ao norte de
Tóquio. Meu irmão mais velho era aluno no dojo de Koichi Tohei
lá. A família Tohei é da mesma cidade que minha família, e
por isso desenvolvi um relacionamento com ele, sendo ele meu
primeiro instrutor.
AJ: Voce estudou Aikido porque
seu irmão mais velho te disse para estudar, ou porque voce
gostava?
ST: No início eu não tinha outro
lugar para ir, eu tinha que ficar com meu irmão [risos]. Meu
interesse, percepção e compreensão vieram mais tarde.
Mais tarde, fui para Tóquio e entrei na escola de Direito,
na Universidade Senshu. Foi nessa época que me tornei um jyoju,
ou um aluno residente, no Dojo Ichikukai em Tóquio. Era um
centro para o misogi e treinamento Zen, fundado por um aluno
do famoso espadachim e mestre Zen da era Meiji, chamado Yamaoka
Tesshu. Vivi no Dojo de Ichikukai durante uns três anos, enquanto
continuava meu treinamento de Aikido no Hombu Dojo. Após me
formar em Direito, decidi ter o Aikido como carreira.
AJ: Porque voce escolheu o Aikido
em vez do Direito?
ST: Minha família desejava que
eu fosse um professor escolar. Do lado da família de minha
mãe todos são professores escolares e meu pai queria que eu
voltasse para a cidade onde nasci para ser professor. E foi
o que fiz. Eu tinha licença para ser um professor escolar
ginasial. Fiz o teste local para o cargo e não passei. Meu
tio estava trabalhando na Secretaria de Educação, por isso
parecia ser fácil conseguir o emprego, mas um dos resultados
de meus testes não foi bom o suficiente. Ele queria que eu
fosse um professor substituto por um ano. Eu não estava interessado
em ser um professor substituto, então... [risos] eu decidi
que tentaria o Aikido. E foi assim que me tornei um uchideshi.
Fui aceito como o primeiro uchideshi sob a direção de Kisshomaru
Ueshiba. O-Sensei havia falecido recentemente, por isso os
uchideshi não estavam sendo aceitos por já algum tempo. Assim
que comecei minha residência lá, e com a ajuda do Sensei Osawa,
o programa ainda continua até os dias de hoje. Durante meu
treinamento, tive a felicidade de viajar com o Doshu como
seu otomo, ou assistente. Sensei Tohei ainda estava ligado
ao Hombu Dojo, por isso eu ainda continuava a treinar sob
seu comando e de outros shihan.
 |
AJ: Voce realmente não tinha
interesse em praticar o Direito....
ST: [Risos] Essa já é outra estória.
Eu me formei em Direito e trabalhava num escritório de advocacia
no verão. Mas esse trabalho era muito chato para mim. Eu só
preparava papéis e eu não tinha interesse nessas coisas. Como
um aluno, eu não tinha nenhum cliente. No Japão, somente seiscentos
ou setecentos alunos podem passar no exame de advogado por
ano. Em média, leva-se mais ou menos sete anos e meio para
estudar, após se formar na Universidade, para passar no teste.
Meu interesse não era o suficiente para esperar tanto.
AJ: Porque voce deixou o Hombu
Dojo?
ST: Quando o Sensei Tohei saiu
do Aikikai, eu o segui como meu sensei original. Nos anos
seguintes ao estabelecimento do Ki no Kenkyukai, eu fui instrutor
de onze dojos no Japão. Eu era o Instrutor Chefe no treinamento
de Aikido na Ki Society.
AJ: Voce veio aos Estados Unidos
com o Sensei Tohei?
ST: Com ele? Tecnicamente, não.
Eu já havia visitado Seattle por vários meses antes de ele
vir. Era para eu estar lá estudando inglês, conseguir minha
licença de motorista e para ensinar. Sensei Tohei veio mais
tarde, e fomos a um seminário na Filadélfia por uma semana.
Daí fui mudado para Chicago - Illinois, em 19 de junho, de
1974. Na época, eu era um representante para a organização
do Sensei Tohei. O Sr. Nakamoto, que foi quem estabeleceu
a organização, me contratou para tomar conta do dojo da Ki
Society em Chicago, e foi um sucesso imediato. Eventualmente
eu criei minhas próprias organizações independentes, a Aikido
Association of America e a Aikido Association International,
que juntas, supervisionam treinamento em mais de 120 dojos
na América do Norte e na Europa. Essas organizações são hoje
filiadas ao Aikido World Headquarters, sob a direção do Doshu
Kisshomaru Ueshiba.
AJ: O que o levou a se tornar
independente da Ki Society?
ST: Eu não saí da Ki Society,
eu fui mandado embora. Tínhamos discordâncias no que diz respeito
à assuntos instrucionais.
AJ: Voce foi despedido? O que
aconteceu?
ST: O que aconteceu? [Risos]
Eu quase esqueci tudo agora...
Sensei Tohei me enviou uma carta de demissão. Eu perguntei
a ele porque eu havia sido demitido e ele disse que eu havia
violado as regras internas. Eu disse, “Oh, okay...” Eu havia
escrito as regras internas quando eu estava no Japão, por
eu ter sido um aluno de direito. “Sensei”, eu disse, “Eu estou
nos Estados Unidos, não no Japão. Voce tem regras internacionais?”
[Risos]
Ele respondeu, “Não, eu estou fazendo a regra internacional
agora, Toyoda. Voce está fora!”.
AJ: Qual foi a sua violação inicial?
ST: Houveram várias razões. Eu
estava no meio oeste. Fui para o Texas para dar um seminário
e o Sensei Tohei não gostou, porque outros Shihan queriam
estar no evento também. Então não era para eu ir também. Mas
o organizador também era de Chicago, então eu também acabei
indo, e isso foi uma violação. Também fui ao Hawai, não a
negócios ou coisas assim. Mesmo assim, algumas pessoas de
nível graduado me disseram, “Toyoda, se voce for ao Hawai,
nós queremos que voce ensine”. Eu disse, “Bem, okay. Pelo
menos voces mencionaram isso ao Sensei Tohei?”
“Não, não”, eles disseram, “não se preocupe, voce pode ensinar.
Voce tem a técnica, traga seu gi. Venha nos ensinar alguma
coisa.” Então eu fui, e isso foi o que ele não gostou.
AJ: Agora que voce tem sua própria
organização, como voce se sente sobre as pessoas de fora que
vem ensinar em seu próprio campo? Isso te incomoda?
ST: Nem um pouco. Todos estão
fazendo a mesma coisa. Se há alguém aqui da Aikido Federation
Americana e um de meus alunos disser, “Posso ir?” eu digo
sim, vá mesmo.
Sim vá a seminários, sim vá a outros instrutores. Eu os encorajo.
O problema é que se certas pessoas o reconhecem como meu aluno,
eles o vão mandar embora. Ali mesmo, na frente de todos. “Voce
é um aluno do Toyoda, suma daqui. Voce não pode ficar aqui!”
Porque eles chama isso de evento público? É por isso que eu
não gosto dessas coisas. Eu levo isso para o lado pessoal,
só estou falando sobre isso. É uma situação muito difícil...
AJ: Porque os Estados Unidos
necessitam de outra organização de Aikido? Qual é a missão
de sua associação?
ST: Os Estados Unidos necessitam
de instrução de qualidade; isso nunca vai mudar. Estamos trabalhando
para implementar isso, e para desenvolver a habilidade de
instrutores americanos para ensinar nos mais altos níveis
possíveis. Esse é o meu grande propósito para viver nesse
país e para me tronar um cidadão dos Estados Unidos; não só
para ensinar em meu próprio benefício, mas para certificar-me
da transmissão do Aikido de qualidade neste país. Nossa organização
tem uma metodologia e um sistema de treinamento que encoraja
ativamente a ascensão do instrutor profissional, de horário
integral, que eu creio ser crucial à viabilidade do Aikido.
No mínimo, há muito trabalho a ser feito, e por isso nós estamos
trabalhando. Para isso nossa associação existe.
AJ: Como a associação começou?
ST: Em 1981, Jon Takagi, o fundador
do Arizona Aikikai em Phoenix e eu formamos uma organização
preliminar, e naquela época eu era o estudante com ranking
mais alto.
AJ: A AAA foi fundada em 1984,
então demorou alguns anos para desenvolve-la da maneira que
voce queria?
ST: Sim.
AJ: O que voce queria fazer de
diferente?
ST: Naquela época, especialmente
na Califórnia e na Costa Oeste, haviam muito faixas pretas
que não pertenciam a nenhuma organização. Eles se desapontaram
com a Ki Society e se desligaram dela.
Jon e eu tivemos um encontro na Califórnia com mais de sessenta
faixas pretas. Eu acreditava que eles estariam interessados
em nossas idéias, ou desapontados com outras organizações
de Aikido. Isso foi no início dos anos oitenta. A Ki Society
tinha se separado, e as pessoas do Aikido não sabiam para
que lado ir. Costumava ser assim: para ranking e status, todos
iam do Sensei Tohei para o Doshu. Mas, nos Estados Unidos,
Sensei Tohei havia se desligado do Hombu e criado a Ki Society,
por isso existiam muitas pessoas que não sabiam que rumo tomar.
Especialmente na Costa Oeste, que ainda não tinha muitos shihan
Japoneses, eles gostavam de ser independentes. Eles se interessaram
por nós porque eu era independente também.
AJ: Conte-nos sobre seu encontro inicial...
ST: Eu não os deixei falar por
mais de cinco minutos cada um. O que eles queriam? Qual era
a situação de seus dojos? Na reunião, cada um falou um pouco
do que eles queriam, e também do que não queriam. Muita emoção
foi demonstrada. Cada faixa preta falou por cinco minutos,
e assim, wooshh... duas ou três horas se foram [Risos].
A reunião na verdade não estabeleceu a organização. Foi somente
um encontro. Depois disso eu disse, “Oh meu Deus, se cinqüenta
faixas pretas falarem toda vez, quando nós conseguiríamos
fazer o trabalho administrativo?” Não conseguiríamos. Então
me juntei a alguns dos que possuíam níveis mais altos ---
sandan, godan e yondan --- e conversamos em particular.
Alguns deles disseram, “Bem, se voce quiser fazer isso, então
eu não estou interessado”. Outros disseram: “Se voce quiser
liderar, okay, eu vou te seguir”.
AJ: O que especificamente a associação
oferece a um dojo que se une a ela?
ST: Minha organização enfoca
na importância do instrutor de Aikido.
Quando eu cheguei em Chicago pela primeira vez em 1974, fiquei
surpreso ao ver que as Páginas Amarelas exibiam algumas centenas
de academias de artes marciais ensinando Aikido, Karate, Judo,
Kempo, Kung-fu. Tudo.
Eu sabia que eles não estavam realmente fazendo Aikido, e
eu não gostei daquele tipo de propaganda. Eu falei com alguns
deles. Alguém que não possui a experiência com o Aikido não
deveria estar ensinando.
“Tudo bem”, eles me disseram, “eu aprendi Aikido”.
“Quanto tempo voce estudou?”, eu perguntei.
“Eu fui a um seminário”. “De quantos dias?”
“Um seminário de um dia, foram seis horas. Mas eu sei Aikido.
Eu faço um pouco de Judo e Karate, então eu sei o que o Aikido
é para mim”.
Para mim isso é muito chocante. No Japão nós temos instrutores
shidoin e fuku shidoin. Mas nesse país, eu me surpreendi com
a falta de sensibilidade dispensada a o que faz uma pessoa
ser capacitada a ser um instrutor de artes marciais. Eu acho
que deveria haver um status de qualificação por uma pessoa
mais graduada, que diz que alguém está apto a ser um instrutor.
Em outras palavras, o público não sabe quem está qualificado
a ensinar e quem não está. Parece que por voce ter uma faixa
preta, voce já pode ensinar.
AJ: Sua associação está tentando
mudar isso?
ST: Em 1977, eu iniciei o primeiro
Seminário Nacional de Instrutores anual em Chicago. Nós estamos
ensinando professores a ensinar a arte marcial do Aikido.
Nós graduamos as pessoas, e certificamos quem pode ensinar.
A AAA confere o status e a certificação. Nós certificaremos
se um clube é um clube de Aikido ou um dojo ou não é. Meu
comitê de professores e eu como shihan, fornecemos a supervisão
da instrução aos dojos locais.
AT: É um tipo de rede de controle
de qualidade?
ST: Sim. Eu costumava entrar
em um dojo e perguntar ao professor: “Porque voce está ensinando
Aikido? Onde está seu certificado?”. A maioria deles não conseguia
me responder. Hoje, em Chicago, a maioria desses dojos não
chamam o que eles fazem de Aikido. Eles chamam de Hapkido
agora [risos]. Alguns até estão se chamando de Aikijujutsu
ou Aikijutsu. Eu tenho um pequeno problema com isso, mas não
há nada que eu possa fazer. Na área de Chicago, pelo menos,
algumas coisas mudaram.
A Aikido Association of America tenta ajudar as pessoas serem
as melhores. Minha organização não restringe as pessoas. Nosso
propósito é manter o Aikido em seu caminho.
Hoje, nós estamos sob a supervisão do Hombu Dojo, o qual sempre
foi minha esperança. Todos os meus membros, com vários instrutores,
uma organização autônoma, mas sob o guarda-chuva do Aikido
de Ueshiba. Nossa função é deixar claro para que no futuro
não vai haja muita confusão. Essa é minha responsabilidade.
AJ: Como voce conseguiu se reintegrar
gradativamente com o Hombu Dojo e obter total reconhecimento
por sua organização?
ST: Quando eu estava treinando
como uchideshi, e mais tarde quando eu era um jovem instrutor
no Hombu Dojo, eu tive um relacionamento especial com o falecido
Sensei Osawa. Ele foi realmente dedicado ao Doshu e ao Hombu
Dojo e tomou como sua responsabilidade, cuidar dos treinadores
mais jovens. Quando Sensei Tohei me pediu para seguí-lo para
criar a Ki Society, eu me senti obrigado a fazê-lo; no entanto,
eu sei que ao fazer isso, eu desapontei profundamente ao Sensei
Osawa, que me havia dado tanto carinho e coragem.
Alguns anos atrás, eu me aproximei dele e lhe disse de meu
desejo de estar novamente envolvido com o Aikikai Hombu Dojo.
Ele concordou imediatamente com esse plano. Antes de falecer,
ele fez o que pôde para isso acontecer. É claro que a decisão
final foi feita pelo Doshu. Como esse relacionamento de tornou
oficial, eu fui honrado com uma recepção maravilhosa.
AJ: Levou algum tempo para estabelecer
o relacionamento com o Hombu Dojo, não levou?
ST: Eu fiquei aguardando, oficialmente,
por mais de seis anos.
AJ: E daí, um dia ele disse sim?
ST: Eles disseram, “Okay, tudo
bem com a gente.” [Risos]
AJ: Uma das dificuldades que
voce teve ao falar conosco, e que o aikidoka em geral tem,
é discutir sobre a política. Sempre se fala sobre isso, mas
não se deve falar sobre isso.
ST: Mas de qualquer maneira,
nós estamos falando nisso. Precisamos da política. Sem ela
nós não poderíamos chegar ao fim comercial das coisas. Eu
estudei direito, por isso sei. As pessoas que fazem a política
e fazem as leis, ajudam as organizações a se expandirem e
a crescer. Esse é o lado positivo.
Mas a interpretação das leis em uma é área difícil. Se voce
interpretar uma lei de maneira errada, voce estará falhando
e pode ser preso. Nos Estados Unidos, voce dirige no lado
direito da rua, mas no Japão ou Inglaterra, se dirige no outro
lado. Quando voce vem para esse país, voce tem que seguir
essa lei. Então se sua interpretação é errada, voce terá problemas.
Mas isso não significa que voce seja uma pessoa má.
A dificuldade não está nas regras ou na política, mas em quando
as pessoas as interpretam de maneira diferente, as vezes se
falam deles como se elas fossem pessoas ruins. Eles não são
ruins, só fazem uma interpretação errônea. Ás vezes ela até
é corrigida também [risos]. A política é diferente em campos
diferentes. Nós estamos falando de materiais instrucionais
ou materiais comerciais? Ás vezes são a mesma coisa, ás vezes
não dá para serem separados. Ás vezes sou um shihan, ás vezes
sou um sensei, ás vezes sou um aluno e ás vezes sou um amigo.
Ás vezes eu gostaria de ter que me preocupar somente com o
treinamento de Aikido.
No Aikido, a maioria das coisas que falamos em política, é
sobre a influência do instrutor. Isso, ás vezes, é mais forte
do que a lei, porque não podemos mudar a mente de um aluno.
E algumas pessoas estão bem confusas. Ë por isso que se torna
difícil até de se discutir o que queremos dizer com a política
do Aikido.
A pior situação é onde alguns sensei comparam seu Aikido com
o de outra pessoa, dizendo “O meu é melhor”. É claro que não
podemos saber que o que ele está fazendo é melhor, mas se
ele está dizendo isso publicamente, ele perde. Ele perde como
pessoa. Ele pode ensinar o que ele acreditar, mas não deve
dizer nada assim de qualquer outro instrutor. Como sensei,
e como estudante, ele se auto destrói.
É difícil algumas vezes. Quando voce ensina, voce enfatiza
o que voce acredita e voce apresenta isso aos seus alunos.
Até aí, tudo bem. Mas se voce fala particularmente de uma
pessoa ou menciona nomes, já é outra coisa. Se voce não sabe
controlar seu ego, voce perde confiança e status.
AJ: Arriscando falar do Aikido
de outras pessoas, voce mencionou que gostava de viajar pelos
Estados Unidos. O que voce percebeu sobre como o Aikido varia
nas diferentes partes dos Estados Unidos?
ST: Em 1974, a Costa Leste era
liderada na maioria por shihans Japoneses, Sr. Kanai, Sr.
Yamada. Na Califórnia, havia somente o Sr. Chiba. Aqueles
da Costa Oeste eram influenciados em sua maioria por professores
Havaianos que viajavam para lá. Não havia supervisão direta
do treinamento diário por um instrutor Japonês. Eu pude sentir
a diferença. A Costa Oeste era mais relaxada, como uma atividade
social. A Costa Leste era mais tradicional, do estilo que
se pratica no Hombu Dojo, muito similar à maneira com que
eu faço as coisas.
Eu acho que isso hoje mudou, está mais moderado.
AJ: Voce diria que as diferenças
entre as duas Costas já se equalizaram desde então?
ST: Sim. A aparência e modo de
praticar e operar os dojos no Oeste e Leste estão se tornando
mais similares.
AJ: Voce notou alguma diferença
nos estilos?
ST: Sim, mas eu prefiro não adentrar
muito nesse assunto.
Quando eu ensino, eu insisto em minha interpretação do Aikido.
Bem, eu não insisto nela, mas é o meu trabalho, eu acredito,
ensinar a minha interpretação. Outras pessoas tem sua própria
metodologia. Quando voce está situado aqui nos Estados Unidos,
voce desenvolve suas próprias interpretações e expressão de
Aikido. E voce deve desenvolvê-las. Ainda é o Aikido de Ueshiba,
mas pode ser um pouquinho diferente... Com a personalidade
de cada indivíduo, os modos de se ensinar variam levemente.
Essa é uma evolução natural do ensinamento.
AJ: Quando voce fala sobre expressões
individuais de Aikido, estou curioso para saber, como voce
caracteriza sua própria expressão de Aikido?
ST: Se voce assiste a minhas
aulas, ficará claro para voce [risos]. Se eu insistir verbalmente
em meus pontos de vista numa entrevista, as pessoas podem
falar, “Quem é esse cara? Eu também estou fazendo Aikido”
. Se voce assistir às minhas aulas voce vai ver.
AJ: Existe alguma maneira de
se expressar isso às pessoas que podem até não ter ido nunca
aos seus seminários, ou para deixá-los interessados em vir?
ST: O que fazemos no Aikido é
harmonizar. Eu gosto disso. Cooperação mútua, e treinamento
em harmonia. Eu acho que a harmonia é uma filosofia tremendamente
significativa. Voce a traz para dentro do dojo e para dentro
do tatami. Nós temos cooperação mútua em nossos treinos.
Mas às vezes, o Aikido é Budo, uma arte marcial. Nós dizemos
que estamos aprendendo uma arte de defesa pessoal, mas não
sofremos nenhuma ofensiva. No treinamento de artes marciais,
se voce não tem nenhuma ofensiva, então voce não pode praticar
a defesa.
Quando trabalhamos com iniciantes, ensinando os fundamentos,
se fizermos ataques com toda a força, eles podem se assustar
e ficar confusos. É por isso que ao ensinar, temos que considerar
a harmonia e a cooperação. Mas, como resultado final, ao passo
em que treinamos defesas, com o tempo precisaremos de um ataque
mais consistente. Eu creio que se não temos um ataque firme,
não temos a clareza e a precisão da verdadeira arte marcial.
Se o Aikido é suposto a ser um Budo, pode ser que a arte esteja
desaparecendo.
Ataques consistente sempre estão em meus seminários, e após
isso é que aplicamos as técnicas de arremesso ou imobilização.
Voce também tem que desenvolver a técnica do ukemi. Se voce
está desenvolvendo uma técnica de um uke, isso significa a
verdade de sua arte, voce pode ser sensível, voce poderá se
tornar um mestre em artes defensivas.
Essa é minha interpretação. Algumas pessoas não concordam.
Elas dizem que alunos de Aikido não devem atacar. Temos que
cooperar, e cair. Daí nós os imobilizamos. Sem ataques. Algumas
vezes é surpreendente para mim, que esse tipo de filosofia
tenha se desenvolvido. Se um instrutor não é um professor
forte, esse tipo de filosofia funciona para a vantagem do
próprio professor.
AJ: Em outras palavras, se os
professores não são eficientes o suficiente em seu próprio
Aikido, provavelmente eles não vão ensinar um ataque consistente?
ST: É isso. E se o instrutor
não consegue ensinar ataques firmes e consistentes, eles não
estarão ensinando o Aikido, que é Budo.
Há uma maneira de se ensinar nos Estados Unidos, onde o professor
fala primeiro. Eles falarão o que vai acontecer bem antes
de demonstra-lo. Em outras palavras, “Se alguém estiver socando
aqui, então segura a mão....” Eles não estão em contato com
o movimento, e voce tem uma condição muito estática. E mais,
eles atarão falando sobre isso ---- por um longo tempo.
Numa situação tradicional de ensino, um sensei demonstrará
primeiro, sem falar. O uke atacará numa condição ofensiva/defensiva
forte. Não quer dizer que eles estão tentando matar um ao
outro, mas a convenção é de se fazer um ataque forte e preciso,
pelo menos pelas primeiras vezes da demonstração. Aí os alunos
terão uma imagem do que eles estarão praticando. Daí nós deixamos
que eles tentem. Vão em frente. O professor vê em que pontos
voce estará com maiores dificuldades, e aí o instrutor trará
o material para a instrução. Acontece depois do ataque.
Nesse modo tradicional, as demonstrações são quase como situações
de vida ou morte. Quando o uke ataca e cai inteiramente, o
nage demonstra o nível mais alto da técnica. Daí as pessoas
vêm, “Oh, então é dessa maneira que se deve fazer”.
Depois disso, nós poderemos mostrar novamente, desde o início.
Coloque esse pé aqui, essa mão lá. Esse é, acredite, o método
mais forte e eficiente de instrução. Mas às vezes também funciona
de outro modo. Às vezes voce também tem que falar um pouco.
Eu sei que há uma grande diferença no modo Ocidental de se
ensinar. No Japão, os instrutores não falam. Eles estão fazendo
algo, daí eles se aproximam e dizem algumas palavras, me tocam
ou me ajudam, dizem algo mais e daí saem andando. Pode ficar
um pouco confuso.
É claro que, para algumas pessoas nos Estados Unidos, instrução
quer dizer escrever tudo num quadro negro [risos].
AJ: Voce prefere demonstrar primeiro
e falar mais tarde?
ST: Eu m ostro a técnica e o
timing e a velocidade --- mostra alguma coisa. Essa é a sua
imagem a ser desenvolvida como aluno. Esse é a metodologia
do ensinamento que eu estou fornecendo. Em seguida eu posso
falar sobre o que estou demonstrando, e como as coisas aconteceram.
Agora, aqui há um passo a passo. Se voce pratica isso, voce
será capaz de chegar ao nível necessário daquela técnica.
Seu uke ou parceiro deveria ter também a técnica para cair
ao ser arremessado. Se o professor está demonstrando e exibindo,
então de uma vez só, os alunos terão uma imagem. Eu acho que
é mais fácil de se entender, alcançar o domínio.
AJ: Parece que uma das razões
por que os ukes têm receio de atacar é por que se eles atacarem
forte, eles poderão ser arremessados forte.
ST: É isso mesmo [risos]. É por
isso que voce não vai querer atacar forte.
Novamente, o método de treinamento para iniciantes é diferente.
Talvez algumas vezes trabalharemos estáticos, sentados ou
de pé parados, e daí começar. Talvez não seja uma má idéia.
Existem diferentes níveis de técnica para o que estamos fazendo.
Algumas vezes, quando ensino um curso introdutório de seis
semanas, eu gastarei os primeiros quinze ou vinte minutos
falando. Eu direi a eles o que estou ensinando, sobre o que
o curso de seis semanas é, o que o Aikido significa e quais
os princípios que eu tenho para falar.
Só fazer alguma coisa sem dar explicação pode ser também uma
situação muito complicada.
Eu acho que no seminário de meus instrutores, nós tentamos
padronizar os métodos de ensino. Não estamos falando que esse
é o único caminho, mas que esse é um padrão. Cada professor
pode acrescentar o que ele gostar de fazer mais frequentemente
ou menos. Depende da pessoa.
Eu sinto que é importante para instrutores e seniors serem
capazes de demonstrar em frente de seus alunos. Se eles não
conseguem demonstrar, fica muito mais difícil de se ensinar.
Essa é a natureza de nosso negócio,. Aqueles rapazes começam
a falar primeiro ---- e continuam a falar, falar .... ----
até que finalmente eles fazem um pouco da técnica. Não há
timing, velocidade e força. Não é real.
Sua arte não sai.
AJ: Mas sobre o ukemi....
ST: A palavra em Japonês quer
dizer “receber com seu corpo ou segurar com seu corpo”. Essa
é a tradução direta. Algumas pessoas acreditam que ukemi quer
dizer cair no tatami ou no chão, e que se voce cair, voce
falhou --- ou algo do gênero, senão voce não cairia no chão.
Sim, esse é um ponto de vista. Mas para o propósito de treinar,
se essa é a sua filosofia, então voce se machucará toda a
vez [risos]. É por isso que se deve treinar a arte marcial
do ukemi. Para se segurar, voce tem que estar inteiramente
sob controle --- sejam qual forem as condições, seja como
for a aplicação da técnica do nage. Voce tem que sobreviver,
voce tem que estar a salvo.
Esse princípio é importante quando voce começa com um aluno.
Um instrutor que não enfatiza ukemi, não consegue desenvolver
suas técnicas defensivas de Aikido e demais técnicas até um
nível mais alto. Esse é o meu entendimento sobre o treinamento
de ukemi. Se voce sabe bem uma técnica, voce também deve ser
capaz de fazer bem o ukemi.
Quando seu ukemi progride, voce se trona mais sensitivo. Por
isso está a salvo, e além disso voce terá a vantagem de aprender
as técnicas mais precisamente. Mesmo que voce não saiba o
que está vindo, ou se voce está tendo problemas para manter
seu equilíbrio, ainda assim voce conseguirá voltar rapidamente
ao seu centro, força e energia.
É por isso que, tradicionalmente, ser um uke de um sensei
é uma honra. Quando voce tem agilidade suficiente para estar
recebendo a técnica de um instrutor, significa que voce está
chegando mais perto de conseguir copiar a técnica dele.
AJ: Nos conte um pouco sobre
os seminários de seus instrutores. Quantos instrutores assistem?
ST: Entre 120 e 150. Eu tenho
seminários de instrutores em Chicago anualmente, e a cada
dois anos, nos estados do Oeste. Logo começarei a alternar
com a Costa Leste.
AJ: O que se passa no seminário?
ST: Basicamente, é como se deve
ensinar o Aikido. Nos primeiros quatro ou cinco anos, eu ensinava
tudo, mas nos últimos três ou quatro anos, outros graduados
também têm ensinado seus métodos de instrução. Então, nem
tudo vem de mim.
Nós demonstramos exemplos da instrução passo-a-passo. Por
exemplo, nós mostramos como um curso de seis semanas é feito.
Então, essa é a maneira como uma classe normal de iniciantes
é ensinada. É assim que eu ensino instrução para classes avançadas.
AJ: Os chefes de dojo também
ensinam outros instrutores aulas de iniciantes?
ST: Isso mesmo. Eles ensinam
uma classe de iniciantes ou aula de armas. Nós ensinamos os
instrutores como nós ensinamos. Durante o seminário, o enfoque
é na metodologia do ensino. Essa á a coisa principal.
Também trabalhamos em aperfeiçoamento nas demonstrações públicas.
Ensinamos como se prepara uma demonstração, como se organiza
uma, e em seguida como fazer a demonstração para o público.
Daí discutimos como ela foi.
E, no final, existe o reconhecimento. Fornecemos certificados
de instrutor que dizem que voce esteve pelo uma vez no ano
ou a cada dois anos num seminário para instrutores. Nós temos
certificados de shidoin (instrutor), fuku shidoin (instrutor
assistente) e joshu (assistente). Creio que isso dará um apoio
às pessoas quando estiverem ensinando em sua própria cidade,
em seu próprio dojo.
AJ: O que voce ensina aos instrutores
em relação a organização das demonstrações? O que voce descobriu
que não funcionava antes e que agora voce faz diferente?
ST: Instrutores que trazem todos
ao tatami para fazer uma demonstração pública, às vezes parecem
pouco profissionais e os espectadores não compreendem o que
o Aikido é.
Eu gosto que quando o instrutor, ou faixa preta ----- todos
bem treinados ----- fazem uma demonstração que é curta, mas
muito profissional, com algumas técnicas consistentes e fluentes
e dão algumas explicações intelectuais sobre os princípios
que foram demonstrados. Como eu disse, quando eu faço o seminário
de instrutores aqui em Chicago, nós fazemos com que os chefes
dos dojos dêem uma demonstração, e todos vêm como nós praticamos
a demonstração, como nós realmente a apresentamos, como fazemos
a ordem da programação.
Meu conselho é ter certeza de que tudo fique bem claro.
AJ: Voce está dizendo que à vezes
quando os professores fazem uma demonstração eles simplesmente
trazem todos para o tatami. E por isso, fica difícil para
se ver o que está realmente sendo demonstrado?
ST: Ou muito difícil. Alguns
instrutores não tem a experiência suficiente para enfrentar
público. Eles precisam saber dos diferentes tipos de demonstrações
e talvez usar diferentes tipos de técnica.
AJ: O que voce quer dizer?
ST: Algumas pessoas conseguem
demonstrar sua técnicas em aula mas, ou não tem o treinamento
suficiente, ou às vezes perdem o controle durante uma demonstração
por causa do público. Eles não apresentam o que eles queriam
demonstrar. Isso não vale somente para iniciantes, até com
professores avançados isso pode acontecer. Por causa do público,
nada sai direito. Eles ficam chateados ou nervosos com tudo.
Penso que devemos evitar esse tipo de demonstração, porque
o público irá mal interpretá-la. Eles pensam que o que viram,
é o que o Aikido realmente é.
AJ: Voce tem algum conselho para
os instrutores que estão fazendo com que os alunos se interessem
pelo Aikido?
ST: Eu recentemente descobri
como manter os alunos. De tempos em tempos, perguntamos, “Como
voce achou o dojo?” Os homens dizem, através das Páginas Amarelas
ou coisa parecida. As mulheres, no entanto, não vem diretamente
ao dojo. Elas nos acham de um modo indireto. Elas ouvem dizer
de nossos cursos de seis ou oito semanas na ACM (Associação
Cristã de Moços), e falam com alguém. Elas vão a uma aula,
e falam com o instrutor de Aikido. Ficam sabendo que o instrutor
tem um dojo de Aikido. Após isso, elas se envolvem e acabam
se tornando faixa preta.
Muitas pessoas pensam que dojo quer dizer escola de Karate.
Eles ainda acreditam que o Aikido é como o Karate. Se eles
vão a um, pode parecer muito complicado. As pessoas acham
que é muito difícil. Mas se voce dá um curso introdutório
de seis semanas, “Bem, eu queria tentar um tipo de arte marcial
diferente. Vou tentar o Aikido.” Eles tem pouca informação.
Eles só viram um instrutor demonstrar durante as aulas. Ele
é um instrutor profissional.
Creio que esse método introdutório é o que manterá os alunos.
Durante meus oito anos aqui, sempre tivemos os cursos introdutórios
de seis semanas, duas ou três classes por semana. Cada classe
tem dez ou doze alunos. Isso quer dizer entre trinta e quarenta
alunos a cada seis semanas.
Durante esse tempo eu os encorajo a ver outros programas que
já estão em andamento. Acabam ficando amigos de outros alunos,
ficam encorajados. É isso que estamos fazendo, e sempre tivemos
sucesso com esse programa.
AJ: Quantos alunos voce tem atualmente?
ST: Eu administro atualmente
três dojos. Tenho trezentos e cinqüenta alunos fixos e a cada
seis semanas, outros sessenta alunos se juntam. Agora mesmo,
temos uns quatrocentos nos três dojos.
AJ: Qual voce acha que é a razão
principal por que os Americanos param de praticar o Aikido?
ST: Parar de praticar o Aikido
não é só Americano. É japonês também!! [risos]. Mas, Japoneses
fazem Aikido em grupos de comunidades. O Aikido Japonês é
mais orientado a comunidade. Às vezes eles começam por que
seu vizinho ou o filho de seu vizinho está fazendo. Eles sempre
estão juntos.
Nos Estados Unidos, cada comunidade pode ser uma raça diferente.
Algumas vezes, sua própria cultura é mais forte. Eles pensam
que o Aikido é uma arte marcial Japonesa, ou Chinesa ou até
Coreana. É o que eu ouvi aqui da maioria dos alunos Asiáticos.
Agora, existem os Caucasianos, Negros, Hispânicos e Asiáticos
em meu dojo. Por isso, acho que o Aikido pode ser um intercâmbio
cultural.
Temos a esperança que as pessoas aceitem a todas as culturas,
mas para se envolver em cada cultura.... Já é uma coisa diferente.
O Aikido é a criação do fundador, O-Sensei Morihei Ueshiba,
e sue expressão era de que o Aikido é Budo. Para tanto, é
uma técnica de arte marcial, mas vai além do combate para
uma aplicação ainda mais ampla: treinar para beneficiar aos
outros.
AJ: O Aikido é treinar para beneficiar
aos outros? O que voce quer dizer com isso? Voce pode nos
dar algum exemplo?
ST: O Aikido é uma forma de treinamento
marcial, mas também é auto-desenvolvimento. Se voce se torna
uma pessoa melhor, voce pode passar isso para os outros. Outras
pessoas, quero dizer, em seu trabalho. Se voce possui uma
compreensão mais aprofundada, e um nível de experiência mais
profundo, voce pode passar isso aos outros. Por isso, seu
treinamento beneficia aos outros.
AJ: Voce está falando da filosofia?
ST: Não, dos pontos técnicos
também. Por exemplo, o que é essa arte? É algo que pode ser
aplicado em qualquer situação? O seu desenvolvimento pessoal
depende do quão profundamente voce a compreende e do quanto
sua arte pode ser aplicada em qualquer outra ocasião. Se voce
tem uma compreensão profunda, voce pode passá-la aos outros.
Se voce não tem, voce não tem muito a passar para os outros.
AJ: Voce pode dar um exemplo
mais concreto?
ST: Algumas pessoa acreditam
que o treinamento de artes marciais é para se tornar um campeão.
Não no Aikido.
Se as artes marciais são para competição, voce poderá se tornar
um campeão. E daí? O que esse campeão pode fazer pelos outros?
O campeão, para mim, é o fim da estrada. Voce se tornou o
número um de seu treinamento, e ninguém mais é igual a você.
Voce está acabado. No Aikido, nós não temos um único campeão.
Nós não estamos tentando selecionar uma pessoa como a melhor.
Com o treinamento do Aikido, cada indivíduo se desenvolve.
Então cada indivíduo tem que se tornar um campeão. Desse modo,
o mais velhos no Aikido estarão ajudando aos mais novos. Os
mais novos respeitam os mais velhos. As relações humanas se
tornam mais fortes.
Daí envelhecemos. Nossa fisicalidade vai embora. Ainda precisamos
do físico, mas mesmo sem força, nós ainda estaremos desenvolvendo
ou repartindo nossas próprias artes.
Então nosso mais novo se torna mais velho, agora ele está
passando à frente, uma melhor qualidade, um melhor e mais
profundo entendimento das artes, que espalhará nossa influência.
Nós crescemos e ainda há mais para se aprender. A vida continua
para nos encher de entusiasmo.
Se voce não faz esse tipo de repasse de experiência, o ciclo
então se torna: campeão --- fim. Aí o próximo se torna campeão
--- e ele estará acabado.
Se tornar um campeão é uma classe baixa de campeão. Isso não
é bom. No Aikido, ao contrário, todos se tornam campeões.
AJ: Como voce continua a aprender,
crescer e a manter sua técnica sempre ativa?
ST: Essa é uma boa pergunta.
Primeiro voce tem que aprender pelo exemplo de algum instrutor,
e voce dá o seu melhor. Aprender técnica através de exemplos
é um estágio de formação que voce deverá atravessar. Depois
disso, quando voce se unificar com a arte, voce deve transcender
sua formação, ir além do kata. Voce estará fazendo a sua própria
forma, seu próprio estilo. Então assim voce se tornará ativo
novamente.
Em outras palavras, voce tem que descobrir o seu ikkyo voce
mesmo. Isso o mantém vigoroso. Se funcionar, ótimo. Ou talvez
precise de um pouco ou de mais esforço, mais ou menos força
física. Talvez voce devesse tentar dominar, ou usar mais seu
controle. Esse tipo de coisa.
Seja o que for que voce deseje fazer voce o terá.
Para mim é a mesma coisa. Eu aprendo com muitos instrutores.
Daí voce aprende com voce mesmo.
Alguém diz, “Voce não faz Aikido”. “Oh, então o que eu estou
fazendo?”, eu respondo. Eles me dizem, “Voce está fazendo
voce mesmo.” [risos]
Algumas pessoas dirão isso. Então, eu digo, “Sim, é assim
mesmo que deve ser.” Nós respeitaremos nosso professores,
mas quando estivermos praticando além daquilo, ou sobre aquilo,
deveríamos ir mais profundo. Tudo o que voce aprende voce
tem que fazer dar certo para voce.
AJ: Qual é a sua técnica favorita?
ST: Minha favorita? Kokyunage.
Qualquer kokyunage. [risos]
AJ: Por que isso?
ST: Eu gosto de arremessar as
pessoas para todos os lados [risos].
Quando sai bem, com rapidez e timing ---- me faz sentir bem.
Quando eu era mais jovem, eu gostava de shihonage, nikyo,
sankyo aqueles arremessos físicos com “YAAAH!”.
Mas estamos ficando um pouco velhos, e eu gosto de ficar um
pouco mais tranquilo [risos]. |
| |
 |
|


|
|
Copyright © 1996 Instituto Takemussu Brazil
Aikikai.
|
|
|