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ENTREVISTAS
COM GRANDES MESTRES
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Lembranças
do Fundador
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Shihans e veteranos do Aikido que tiveram muito contato
pessoal com o Fundador, Morihei Ueshiba, relembram seus
momentos inesquecíveis com O-Sensei.
H. Tada, Hombu Shihan
O
Fundador sempre deu suas instruções usando linguagem cortês.
Suponho que seja porque provavelmente estava acostumado
a ensinar a membros que estavam em destaque na sociedade
Japonesa naquela época, como Príncipes Reais, Almirantes
do Exército e da Marinha e outros. Mas com certeza essa
não é a única razão, porque as palavras são, na verdade,
energia. Esse jeito educado e a disciplina de se manter
tal atitude sob quaisquer circunstâncias, faz nascer uma
personalidade refinada, a qual, se torna diretamente ligada
as técnicas de arte marcial qque ele fundou.
Me lembro de que uma vez, perceber uma coisa que na época
achei ser muito estranho: a cada vez que eu avançava para
perto do Fundador, eu me sentia como se meu corpo e espírito
de repente ficavam transparentes. Não só isso, mas quando
eu chegava a tocar o Fundador, essa sensação ficava mais
clara, e eu sentia a distinção entre meu próprio corpo e
espírito e o do Fundador era repentinamente removido. Acredito
que isso é atribuível ao grande poder do Ki, desenvolvido
com muitos anos de prática, que emanava do espírito do Fundador,
e que estava se expandindo e nos envolvendo.
Uma coisa que o Fundador sempre nos corrigia era, "Não faça
a técnica!". Isso se referia aos casos em que o Uke seria
atirado, quando seu equilíbrio não havia sido quebrado,
ou acompanhar a técnica sozinho, etc... Porque o Fundador
se referia a isso como "fazer a técnica'? Creio que era
porque, estando acostumado a algumas técnicas, nós a fazemos
em nossa mente ao invés de simplesmente seguir a técnica
que está sendo aplicada, ou atiramos o uke sem mesmo nos
concentrar ou caímos ukemi sem estarmos com nossa mente
limpa como uma folha em branco. Quando se pensa sobre isso
dessa maneira, com o Fundador gritando "Não faça a técnica!",
e nos corrigindo, significa nada mais do que nos avisar
que estávamos 'Abertos ao ataque!'.
Y. Hojo, 5º Dan
Normalmente íamos direto a uma cafeteria após o treino,
ainda usando nossos uniformes, como para dizer aos demais
que estávamos praticando Aikido. Outra coisa que fazíamos
para indicar que estávamos estudando Aikido, era segurar
os pulsos de alguns jovens no Dojo e apertá-los até ficarem
com hematomas azuis. O Fundador nos corrigia, dizendo "Jovens
Tolos! Aikido não é disputa ou competição. Se mostrando
com essas pessoas desse jeito, ou causando hematomas nos
outros, não é Aikido".
Uma vez me lembro que eu estava comendo bolo. O Fundador,
que estava deitado em seu lado, me disse, 'me pegue um bolo
também'. Eu me estiquei para pegar outro bolo para dar ao
Fundador em resposta ao seu pedido, até que ele me disse
em voz alta, "Seu tolo!". "Voce não sabe porque eu estou
chamando sua atenção? Vou te dizer: voce tem que pensar
que se eu tivesse uma faca escondida sob meu travesseiro
e a usasse para cortar sua perna enquanto voce se esticava
com suas duas mãos para me pegar o bolo!' Ao compreender
o que ele estava me dizendo, comecei a chorar em agradecimento
ao professor que não perdia oportunidade para instruir seus
alunos na essência do Aikido sem dar sequer uma única abertura
para o ataque. Isso mais tarde se tornou uma lição importante
para mim nos ensinamentos do Fundador, 'Aikido é para dar
prazer aos outros, e é também um maneira de se obter prazer
para si mesmo.
M. Shimada, 6º Dan
Há um ditado que diz que "O Monte Fuji parece ser lindo
à distância, mas que de perto é uma pilha de pedras", O
fundador (O-Sensei) costumava referir a si mesmo da mesma
maneira. Para mim, no entanto, O-Sensei foi uma grande existência
melhor descrita como o 'extraordinário Monte Fuji das Artes
Marciais'.
Para mim, que nunca havia levantado nada mais pesado do
que uma caneta até aquele dia, o ensinamento de que 'a força
física - segue a força, quanto mais força voce fizer, mais
força seguirá', foi particularmente memorável.
Quando o Fundador gritava com seus alunos, ele o fazia de
um modo que as paredes e o teto balançassem. Em seguida,
passado o fato, ele retornava a sua calma normal. O Fundador
sempre tratava as pessoas com piedade e gentileza, como
uma brisa fresca.
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Aikikai.
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