PALAVRAS DE KISHOMARU UESHIBA.
A recente expansão do Aikidô em uma escala mundial, é algo fenomenal. A população total aikidoísta atinge mais de 1 milhão e a Federação Internacional de Aikidô está crescendo mais do que nunca. A razão para este fato reside no próprio Aikidô, que expressa na teoria e na prática a mais alta forma de arte marcial que envolve o espírito e a estética que a Cultura Japonesa produziu. O Aikidô expressa a última realidade, o fluxo de movimentos espontâneos da natureza que são combinados com o poder do Ki. Seu ideal é a formação do princípio humano da unificação do corpo com a mente, que é realizado através de vigoroso treinamento físico e mental, e a percepção de dinâmica da vida seja na atividade ou na alma, no repouso. A espiritualidade de seus princípios fundamentais, e na racionalidade de sua execução são o coração de seu renomado conceito em níveis internacionais.

Acompanhando o desenvolvimento dramático da ciência, tecnologia e civilização material nos tempos modernos está o agravamento das condições do espírito humano, que experimenta a inquietude, a insegurança, e a perda de direção. Isto tudo é potencializado pela ameaça de um holocausto nuclear; a Humanidade hoje está diante de um desastre global eminente.

Nesta era de desumanização racial, o Aikidô representa uma atração especial. Especialmente apelando para o fato de que cada pessoa, independentemente da idade, sexo, ou condição atlética, pode realizar através da prática da arte a unificação do princípio criativo fundamental, "KI", que permeia o Universo, e o "Ki" individual, manifestado no Kokyu. Esta unificação é fonte da energia vital, que não somente preenche o vácuo espiritual, mas fornece ao processo vital a necessária substância e significado.

As artes marciais japonesas foram inspiradas originalmente pelo ideal de vitória nos campos de batalhas. Mas as vitórias tem vida curta; elas passam rapidamente e desaparecem. Pode-se exultar na batalha que se ganhou, mas isto nunca é a verdadeira vitória. Portanto, uma contradição existia quando alguém se dedicava toda a vida treinando vigorosamente em um objetivo que seria algum dia frustrado.

Esta contradição foi resolvida pela formação do BUDO (O Caminho das Artes Marciais), e seu mais moderno expoente, o AIKIDÔ. O Aikidô ensina o caminho de realizar a vitória absoluta baseada no filosofia da não competição. Não competição significando retirar o instinto combativo e agressivo, destrutivo de uma pessoa e transformá-lo em um poder de amor criativo e produtivo. Esta filosofia fica aparentemente muito difícil de ser ensinada através de uma arte marcial (que tem na opinião pública, o desejo de combate, e vitória), mas é a essência do BUDO.

Devido a rápida expansão do Aikidô no mundo todo, nos sentimos que este verdadeiro significado da arte não tem sido entendido e a prática não vem sendo feita muitas vezes convenientemente. Desta maneira, da mesma forma que recebemos com júbilo a internacionalização do Aikidô, se esta expansão não preserva a filosofia básica e os ideais do fundador, Morihei Ueshida, ela seria reprovável. Pôr esta razão, nos sentimos um forte senso de responsabilidade, e nós estamos constantemente trabalhando para melhorar a situação. KISHOMARU UESHIDA - Filho do fundador (Prefácio se seu livro "Aikidô-no-Kokoromo")

As técnicas de Aikidô empregam movimentos circulares no lugar de lineares, com a pessoa que se defende movendo-se fora da linha de ataque e usando o próprio impulso do atacante para ajudar a sobrepujá-lo. O aikidoísta não tenta bloquear o ímpede do adversário ou ir contra mesmo, chocando-se com a sua força. Muito pelo contrário, o aikidoísta "libera" a força do oponente bem como sua mente, sua intenção. Desta maneira, é essencial ao estudo o aprendizado da percepção da direção do ataque para poder, em primeira instância evitá-lo e em seguida usá-lo em seu favor. Esta é a razão pelo qual é impossível aprender Aikidô sem praticar com outra pessoa, e porque deve existir uma harmonia entre as pessoas que estejam aprendendo Aikidô juntas. O estudante deve aprender a compreender seu oponente, senti-lo e até que não seja capaz de desenvolver este sentimento não poderá "liberar" a mente do atacante e conseqüentemente, sua força agressiva.

Não existem competições em Aikidô ou força bruta, nem tampouco se empregam golpes traumáticos, ou técnicas para quebrar ossos, ou articulações. Para ilustrar: No Aikidô quando diversas técnicas de articulações são empregadas, as mesmas são dobradas sempre na direção natural, provocando um alongamento muscular e jamais no sentido contrário a seu movimento articular. Na minha opinião, as técnicas de articulações do Aikidô, na verdade, não são nada mais do que exercícios. Para os principiantes elas parecem ser o "máximo" em termos de eficácia e devastadoras quando usadas contra o oponente. Na realidade, porém, elas são apenas métodos para fortalecer e preparar o indivíduo. A prática destas formas, educa e desenvolve o estudante, e quando ele atinge certo grau de domínio das mesmas, seu oponente eventual, não conseguirá encontrar uma falha em sua guarda onde possa atacar.

O Aikidô como foi desenvolvido pôr Morihei Ueshiba, não tem como seu objetivo principal derrotar ou machucar o adversário. Pelo contrário, as técnicas foram projetadas para remover a idéia agressiva do adversário através da ligação com sua força agressora de maneira que ela se volte contra ele próprio. Para praticar o Aikidô o parceiro deve usar alguma forma de ataque para que as técnicas defensivas possam ser aplicadas, porém a atitude mental que é cultivada durante a parte da arte é de um estado permanente de alerta, com o corpo totalmente relaxado, bem como o espírito. Também nenhum pensamento conflitante deve ser permitido para evitar que haja interferência na resposta imediata ao ataque. A atitude mental é muito importante, e o aikidoísta deve saber que se treinar o corpo é importante, a mente o é muito mais. Algumas pessoas se concentram apenas nos treinamentos físicos, mas é possível que se assim o fizerem e se forem algum dia atacados nas ruas pôr várias pessoas, que sejam incapazes de aplicar uma técnica comum, devido a confusão mental e "stress", que surgirá, falta exatamente deste treinamento espiritual. Somente pela constante disciplina da sua mente é que o praticante será possível de permanecer calmo diante de uma situação difícil e com condições de reagir convenientemente em um estado de alerta que os condicionem a mudar rapidamente de um atacante para outro.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

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