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Nota: Esta entrevista, conduzida
pelos instrutores acima, durante o seminário anual de Barcelona,e
foi originariamente publicada na edição da revista Budo International/Cinturón
Negro, em maio de 2000.
Sensei, o que o levou a começar a praticar Aikido?
Meu tio, Tadashi Abe, era uchi-deshi do O-Sensei e, desde
minha infância eu conhecia o Aikido. Eu mal podia esperar
para começar a praticar. Quando o momento chegou, eu comecei
a treinar e agora estou aqui. Devido aos laços familiares
de meu tio com a família do O-Sensei, eu fui aceito como uchi-deshi.
Minha situação foi atípica, piso meu primeiro dia como aluno
foi também meu primeiro dia como uchi-deshi.
O senhor se recorda da primeira vez que viu o O-Sensei?
O que o senhor poderia nos contar desse momento?
Foi numa demonstração particular para um determinado círculo
de pessoas, em sua casa. Eu fui convidado graças ao relacionamento
entre meu tio e a família do Fundador. Assim como todos os
presentes, eu fiquei tão deslumbrado com a demonstração, que
eu praticamente não conseguia pensar em outra coisa.
Qual foi o ensinamento mais importante que voce recebeu
do O-Sensei?
Obviamente, depois da técnica, eu aprendi a ser uma pessoa
boa, a ser generoso e gentil com os alunos.
O senhor acha que o Aikido de hoje é muito diferente do
Aikido que o senhor praticava com o O-Sensei?
Definitivamente sim. Se o O-Sensei pudesse ver o Aikido de
hoje, ele ficaria muito surpreso. Dentro do mundo do Aikido,
existem muitos indivíduos de caráter diferente, e por isso,
com muitos estilos diferentes. Isso é inevitável, devido a
natureza criativa do Aikido. A coisa mais importante é definir-se
por um estilo. O mundo todo é livre para seguir o que ele
quiser, para escolher o que é bom para ele ou ela própria.
Existem muitas formas de Aikido. Ninguém deve dizer que certo
estilo é o correto ou não. É como traduzir uma grande obra
de arte. Cada um vai expressar as diferentes situações, baseadas
em suas próprias interpretações. Existem muitos intérpretes
do O-Sensei e, evidentemente, a única maneira de se conhecer
o O-Sensei e sua obra, é através de seus intérpretes.
Quais personalidades do Aikido mais influenciaram seu desenvolvimento
pessoal, tanto no nível técnico como no espiritual?
Bem, eu não gosto de copiar ninguém. Eu tento pegar partes
de todos e integrar tudo dentro de meu corpo e digerir como
uma boa refeição. Muitas pessoas pensam que meu estilo é muito
ortodoxo, com movimentos circulares dinâmicos, seguindo o
estilo de Kisshomaru Ueshiba. Isso é o que as pessoas pensam.
Como o senhor definiria sua técnica?
Dinâmica e elegante. Bem, pelo menos é o que eu acho!
O que o Aikikai Hombu Dojo representa em nosso tempo?
Basicamente, para nós, o Aikikai Hombu Dojo deveria ser um
símbolo espiritual. Eu sinto muito ao dizer que esse tipo
de relacionamento não existe entre o Aikikai Hombu Dojo e
os aikidoístas. Hoje, é mais uma relação comercial (graduações,
certificados, etc...). Eu percebo que o link espiritual está
se perdendo. Mesmo assim, existem pessoas que sentem esse
relacionamento, mas existem muitos que nem ligam para isso.
No futuro, isso pode vir a representar um problema, especialmente
quando as ligações unificadoras, ou intérpretes do O-Sensei
não estiverem mais por aqui.
O que o senhor pensa sobre a proliferação das Federações
e Associações pelo mundo, seguido diferentes Shihan? Em que
essa situação poderia afetar a unidade e desenvolvimento do
Aikido em um futuro próximo?
A situação ideal seria uma Federação que unifique tudo, mas
isso é absolutamente impossível. È como os estilos de Aikido.
É agora que percebemos claramente que isso é impossível, e
deveria ser agora que deveríamos tomar decisões para enfrentar
essa situação. Todos nós sabemos que nós não podemos unificar
tudo, no entanto, algumas entidades ainda estão tentando,
como por exemplo a IAF (International Aikido Federation).
Todos deveriam ter o direito de ser membros da IAF.
Em sua organização, o Aikikai certifica todas as graduações
fornecidas pelo senhor. Na Europa, existem Graduações Nacionais
emitidas pelas Federações, Associações, e as do Aikikai. Qual
é sua opinião quanto a essa separação de graduações?
Eu entendo que cada país tem sua própria administração
(Ministérios diferentes, etc...). Alguns países não tem outra
opção, mas eu acho que no que diz respeito as graduações de
Dan, elas deveriam vir da fonte original, por terem um significado
espiritual. Para isso, o Aikikai deveria compreender essas
diferentes realidades, ajustar-se, e ser flexível. Isso se
dá porque cada país tem diferentes situações econômicas e
administrativas. Pessoalmente, eu penso que, se o Aikikai
Hombu Dojo não fizer nada a respeito desse problema, qualquer
país ou o mesmo Shihan irá emitir os certificados. E isso
irá acontecer se o Aikikai não oferecer uma solução.
Felizmente, suas visitas à Europa, em especial à Espanha,
são cada vez mais freqüentes. Como está evoluindo o Aikido
na Europa, em nosso país?
A Europa, como um continente, tem uma longa história no Aikido,
mas ao mesmo tempo, muito confusa. Existem muitos Shihan e
professores. Obviamente, existem muitos pensamentos, estilos
e filosofias. Atualmente, há mais informação, viajar é mais
fácil, e as pessoa tem mais oportunidade de ver os Shihan,
permitindo a eles o acesso a linhas diferentes de Aikido de
todo o mundo. As pessoas tem mais oportunidade de ver o que
está acontecendo no Aikido. Por exemplo, em meu país (USA),
os alunos de Aikido não vêm somente a mim e outros Shihan
que vivem na América, eles também tem oportunidades de ver
o Sensei Tamura (que vive na Europa) ou encontrar alunos que
viajam da Europa para a América.
Eu sei que não conheço bem a situação na Espanha, mas cada
vez que eu venho aqui, eu aprecio muito dar aulas. Eu sinto
que as pessoas daqui estão muito interessadas em aprender
o Aikido.
Depois do que vimos pelo mundo, seus seminários são caracterizados
pela presença de pessoas de outros países. O que o senhor
sente quando vê alunos que moram muito longe, viajar para
vir aos seus seminários para aprender sob sua tutela?
Naturalmente, isso me faz muito feliz. Para mim, isso
significa que eu faço um bom trabalho. Isso não é só bom para
mim, é bom também para meu Dojo e meus alunos, que pessoas
de todo o mundo não vem somente para meus seminários, mas
também vão para o meu Dojo. Isso cria amizades.
Como o senhor vê a evolução técnica e espiritual das pessoa
mais graduadas em seus seminários e pelo mundo? O senhor gostaria
de dar a eles algum conselho?
Todos eles estão seguindo o caminho certo, mas eu acho que,
às vezes, eles deveriam voltar a fonte e ser mais humildes.
Durante esses anos (trinta e seis anos), o New York Aikikai
se tornou um local de peregrinação de um grande número de
Aikidoístas do mundo inteiro, que vêm ao seu dojo para aprofundar
seu treinamento no Aikido. Que tipo de espírito o senhor gostaria
de passar para esse praticantes?
Como eu já disse anteriormente, , me dá muito prazer ver
pessoas de tantos países diferentes vindo ao New York Aikikai.
Eu não acho que eles vem só para me ver, mas também para encontrar
meus alunos, dos quais eu tenho muito orgulho. Meu dojo tem
uma atmosfera especial, não sei como descrever isso, ou como
explicar como criei isso. Bem, meu slogan é fazer de meu dojo
um lugar em que uma pessoa possa praticar sinceramente e,
ao mesmo tempo se divertir. Dessa maneira, eles criam laços
de amizade duradouros. É muito bom ser capaz de amar e ao
mesmo tempo sentir-se ser amado. Talvez, essa seja a atmosfera
da qual estamos falando.
Quais objetivos o senhor gostaria de alcançar no Aikido?
Objetivos...hummm. Espero que um dia eu possa projetar as
pessoas sem tocá-las!!. (Risos)
Defina em uma palavra e três segundos as seguintes personalidades
do mundo do Aikido:
Ueshiba: um cavalheiro
Sensei Tohei: carismático
Sensei Osawa: compreensivo
Sensei Tamura: um trabalhador árduo
Sensei Kanai: um samurai
Sensei Chiba: apaixonado
Sensei Yamada: flexível
(Traduzido por Paulo C. G.
Proença -- Dojo Kokoro -Instituto Takemussu Sorocaba)
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