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Nota do editor: Esta é a segunda
parte da entrevista com Yamada Sensei dada ao Aikido On-line,
em agosto de 1998 no Summer Camp da Regional Leste da USAF,
na Universidade de New Hampshire em Durham, New Hampshire.
Os entrevistadores foram os co-fundadores do Aikido On-Line:
Peter Bernath, 6° Dan, Shidoin, Instrutor Principal do Flórida
Aikikai, e David Halprin, 5° Dan, Shidoin, Instrutor da New
England Aikikai.
Sensei, como aconteceu de você vir aos Estados Unidos?
Foram muitas as razões realmente. A número um, o idioma. Eu
já falava inglês, não tão bem quanto agora, mas falava. Esta
é uma razão. Em segundo lugar, tinha ensinado americanos nas
bases militares americanas no Japão, assim eu estava bastante
familiarizado com a men-talidade do povo americano. E também
quis vir para Nova Iorque. Eu sabia que Nova Iorque era meu
tipo de cidade. Eu encontrei algumas pessoas de Nova Iorque
que já estavam praticando e sabiam sobre Aikidô. Esta é a
razão principal. Eu vim na época Feira Mundial de 1964, realizada
em Nova Iorque. Originalmente, Tohei Sensei viria comigo na
feira para fazer algumas de-monstrações de Aikidô no pavilhão
japonês mas ele não pôde vir.
Por que ele não pôde vir?
Bem, não sei se deveria contar, mas ele embriagou-se uma noite,
caiu e quebrou as costas. Acho que aconteceu umas semanas
antes de nossa partida. É por isso que ele teve tantas dificuldades
com suas costas. Vem daquele acidente.
Então você ficou em Nova Iorque depois da Feira?
Bem, eu não sabia quanto tempo ficaria. Estava pensando em
alguns meses, tantos quanto pudesse, mas... estou aqui até
hoje. Como disse, nenhum de nós sabíamos se era possível viver
do ensino do Aikidô. Apenas aconteceu. Tamura sabia de algumas
pessoas na França, assim ele já teve uma apresentação. O mesmo
com Chiba na Inglaterra. Sugano casou-se com uma mulher da
Austrália e mudou-se para lá. Eu sei de algumas pessoas que
pensam que isto era parte de um grande plano executado pela
sede mas isto não é verdade. Não era planejado, nós fizemos
por nossa própria conta.
Você não era então casado ?
Sim, mas eu não pude trazer minha esposa senão mais tarde.
Não tinha nenhum dinheiro. E ainda estava tendo dificuldades
com meu visto. Eu tive um advogado estúpido. Se ele me conseguisse
um visto de turista em primeiro lugar, eu não teria tido nenhum
problema em conseguir um greencard. Naquele tempo era fácil.
Mas o visto que tinha era do tipo intercâmbio cultural. Hoje
não se tem mais este tipo de visto, mas porque o meu era assim,
tive todo o tipo de dificuldade para conseguir um greencard.
Eu nunca sabia quando iriam me deportar.
Mais tarde, com minha família aqui, especialmente minhas duas
crianças que nasceram e cresceram cidadãos norte-americanos,
eles tiveram que pensar antes de acabar por me deportar. Porque
têm a obrigação de proteger cidadãos americanos. Não se importaram
comigo, minha esposa ou Mika, minha primeira filha que nasceu
no Japão. Só se importaram com minhas crianças nascidas americanas.
Uma vez eles disseram, "OK, deixe suas duas crianças de cidadania
americana aqui e você vai para casa. Somente você, sua esposa
e a primeira filha vão para casa". Incrível! Então eu tive
que apresentar muitos pretextos com relação às minhas duas
crianças de por que eu não poderia partir. Esta foi a única
razão para me deixarem ficar.
O primeiro pretexto que usei era que se voltasse para o Japão,
eu não iria conseguir dinheiro suficiente para sustentar minha
família. Minha companhia, que era o Aikikai Hombu Dojo, não
podia me pagar o suficiente para sustentar dois cidadãos americanos.
Então eles tiveram que pensar sobre o assunto. Claro que tive
que solicitar à sede para que escrevessem uma carta dizendo
o quanto me pagariam se eu voltasse e ensinasse na sede. Então
eu levei a carta para Imigração e levaram 3 ou 4 meses para
tomar uma decisão. E finalmente eles disseram: não, você tem
que partir.
Então... próximo pretexto, como me lembro, era sobre a saúde
das crianças. Eu disse que o Japão era muito úmido, não era
um bom lugar para levar um bebê, um cidadão americano. E então
eles pensaram sobre isto novamente. Naquele tempo um de meus
estudantes estava trabalhando na imigração. Toda vez que ele
passava na mesa e via os meus documentos, ele punha na parte
inferior da pilha! (risos). Eu tentei de tudo, não sei quantas
vezes fui à imigração. Odiei tudo aquilo.
Agora, se existe uma coisa que o Presidente Nixon fez de bom,
foi cancelar aquele visto de intercâmbio cultural. Então,
de repente, eu não estava mais naquela situação. Eu estava
livre. Porque, uma vez que você é residente, você não pode
ter esta situação mudada. Ponto final. É a lei. Naquela época
a primeira coisa você tinha que conseguir é permissão do Departamento
de Trabalho. Eu consegui a permissão dos Departamentos de
Imigração e do Trabalho. O que fizeram foi pôr um anún-cio
nos New York Times... queriam verificar se alguém tinha um
grau mais alto que eu em Aikidô... nesse caso, se isto se
aplicasse a um americano, eu não conseguiria o visto. Eles
não queriam que você ficasse para tirar trabalho dos americanos.
Entretanto, depois de tudo livre, um, dois, três... consegui
permissão para ficar. É por isso que tive que enviar a minha
família de volta ao Japão, embora eles fossem cidadãos americanos
e tivessem passaportes americanos, porque eu poderia saber
quando iriam me expulsar e eu não quis minha família pega
aqui sem mim. Naquele tempo você podia entrar no Canadá por
um dia e voltar como turista. Mas eu não tinha um visto de
turista. Não podia fazer isto. Se deixasse o país, estava
acabado. Não poderia voltar para cá por dois anos. É por isso
que tive que enviar a minha família de volta ao Japão.
Por quanto tempo eles se ausentaram?
Bem, eles começaram a escola lá. Felizmente meus parentes
puderam cuidar deles. Na época, de modo algum poderia sustentá-los
com minha renda do Aikidô. Como poderia? Sinto-me mal com
relação a minha família. Não tenho muitas lembranças de meus
filhos quando crianças. Nós estávamos separados e depois deles
voltarem, eu estava ocupado, e não estávamos tão prósperos
como hoje. Eu não podia levá-los a todos lugares em que fui.
Para um seminário ... de jeito nenhum, impossível. Eu levei
Mika uma vez para um Summer Camp quan-do ela era pequena.
Este é meu um grande remorso, o tempo que perdi sem contato
com minha família.
Como eram as turmas no início do New York Aikikai?
No começo, como havia dito, todos os estudantes eram ex-judocas
e ex-caratecas. Eles eram as únicas pessoas que estavam interessadas.
Nós não anunciávamos publicamente. Haviam pessoas do Tai Chi
também. Enquanto estava dando aula, podia ouvi-los discutindo
no vestiário: as técnicas, a efetividade. Havia um sujeito,
Lou Kleinsmith, era um instrutor de judo e professor de Tai
Chi e também um tanto quanto enganador. Ele estava sempre
dizendo a eles, "Isto é como ele realmente faz, blá, blá,
blá", e mostrava a eles algum pequeno truque ou algo assim.
Claro que não era Aikidô (risos) Naquela época, o Caratê começou
o boom. Eu tinha boas relações com todos os professores de
caratê americano, então toda vez que organizavam um torneio,
sempre me convidavam para ir e demonstrar no Madison Square
Garden ou em algum outro lugar. Quase toda semana me convidavam.
Claro que não me pagavam nada, mas era uma boa oportunidade
para divulgar o Aikidô.
Então as pessoas que viram as demonstrações...
Sim. Toda vez que eu dava uma demonstração, eles adoravam.
Depois de assistir Caratê por três ou quatro horas, as pessoas
ficavam cansadas e queriam ver algo novo, diferente. Eu subia
ao palco, não era muito demorado, apenas bam, bam, bam, terminava
e saía fora. As pessoas nunca tinham visto nada assim. Elas
adoravam. No dia seguinte viriam para o dojo.
Assim isso acabou por ajudar o dojo prosseguir...
Sim, porque era o único meio de divulgação. Era o único caminho
para que as pessoas soubessem o que era Aikidô. É porisso
que não gosto mais de fazer demonstrações. Fiz tantas, enjoei
delas. Foram muitas. Entretanto iríamos sempre em qualquer
oportunidade. Demonstrei nas ruas do sul do Bronx, no concreto.
Foi no inverno, então usei luvas pretas. Lembro-me de um sujeito
dizendo algo como, "Oh ele é um assassino, ele pegou as luvas
pretas!" (risos). Naquela época, muitas pessoas tiveram idéias
loucas sobre artes marciais. Sabe, eles copiariam Bruce Lee
da série de TV que ele participou.
O Besouro Verde?
Isso. Esta série ajudou muito ao trazer popularidade às artes
marciais, trouxe mais interesse. E este outro sujeito ...
fiz uma demonstração com ele, aquele que foi estrela de um
filme ... ele interpreta Texas Ranger agora.
Chuck Norris?
Sim, isso mesmo, Chuck Norris. Sujeito simpático. Nós costumávamos
demonstrar juntos. Ele gosta de Aikidô. Uma vez fizemos uma
demonstração no New York Hilton. Certa vez fiz uma demonstração
com este professor de Caratê. A demonstração foi depois da
dele. Foi engraçado, meus estudantes eram muito ruins. Ele
fez a demonstração onde batendo com as mãos ia tirando as
tampas de garrafas de uísque...bam, bam bam. Então, todos
os meus estudantes acharam graça: "O pessoal do caratê vêm
primeiro e tiram fora as tampas do uísque e o pessoal do Aikidô
vem depois e nós bebemos tudo." (risos)
Isto soa como aqueles dias selvagens.
Sim ... era selvagem...
Quais foram os primeiros a entrar no dojo ?
Bem, vamos ver. No início eu não tinha lugar para morar, então
dormia no dojo, no vestiário... com Angel Alvarez. Angel foi
uchideshi. Era uma criança de treze anos. Estava indo para
escola. Eu não me lembro exatamente como ele acabou por parar
no dojo. Terei que perguntar a ele. Mas no velho dojo nós
moramos juntos. Ele ia para a escola depois da aula de Aikidô.
Ele era um garoto esperto, inocente, sabe?
Isso é difícil de acreditar (risos). Ele foi o primeiro
uchideshi do New York Aikikai?
Sim. Ele foi o primeiro.
Então ele estava lá antes de Harvey.
Sim. Harvey veio depois de Harry McCormack. Acho que Harry
o iniciou no Aikidô. Mike Abrams já havia começado. Estava
no último ano da faculdade, ou algo assim.
Quantos membros existiam no New York Aikikai nos primeiros
anos?
Talvez cinqüenta membros pagantes regulares. Como eu disse
foi um tempo em que não tinha condições de alugar um apartamento
para mim. Não havia dinheiro extra... só o suficiente para
pagar o aluguel e as luzes. Eu trouxe alguns dólares comigo
do Japão. Caso contrário não teria durado.
Menti a meu pai dizendo que estava vindo para frequentar a
Universidade da Colúmbia. Foi assim que consegui o dinheiro
de meu pai para ficar. Eu fui uma vez (riso). Fiz um curso
inglês. Tudo que estavam me ensinando era: "Isto é uma caneta
... É isto uma caneta?". Pensei: "que diabos... (risos) não
preciso gastar para ter uma instrução como esta. Já sei o
que é uma caneta ! (risos) Prefiro ir um bar para aprender
inglês vivendo". Foi o que fiz. Foi assim que melhorei meu
inglês. Mas tive que mostrar a meu pai que estava indo à faculdade.
É por isso que ele me enviou o dinheiro.
Quando você começou a pensar em fundar a USAF?
Diria que por duas razões: uma por causa de separação de Tohei
Sensei com o Aikikai. Nós tínhamos que ter nossa própria identidade.
Outra: por causa do estabelecimento da Federação Internacional
de Aikidô. Fomos meio que forçados a nos juntar depressa.
Não fomos informados sobre a situação até depois de tudo ter
acontecido porque era uma situação mais européia. Então Chiba
perguntou se iríamos nos juntar. Dissemos OK, então ele disse
que deveríamos formar uma federação nacional para nos candidatarmos
como membros. É por isso que começamos. Tivemos muitas reuniões
para examinar tudo cuidadosamente. Yoshioka no Havaí cooperou.
Reunimos um grupo satisfatório de pessoas. Bill Witt, Frank
Doran, Bob Nadeau ... o grupo de Costa do Oeste.
Quem era Shihan aqui naquele tempo?
Kanai Sensei claro. Akira Tohei Sen-sei estava em Chicago
naquela época... ele esteve no Havaí por muito tem-po. Efetivamente,
ele estava no Havaí quando eu estava a caminho de Nova Iorque
em 1964. Parei por lá e o encontrei. Ele foi mandado para
ficar por dois anos no Havaí. Naquela época ele era estudante
direto de Koichi Tohei. Foi por isso que Tohei Sensei o enviou
para lá. Então ele voltou para o Japão, ficou durante algum
tempo e mais tarde foi a Chicago.
Então o USAF foi formado depois que Koichi Tohei Sensei
dividiu o Aikikai?
Sim, depois. Já tínhamos a afiliação na Costa Leste, mas
nada a nível nacional.
Foi uma época difícil quando Koichi Tohei saiu ?
Sim. Foi uma grande divisão. Alguns dos instrutores japoneses
foram com ele. Principalmente os alunos mais antigos de Tohei
Sensei, que ele formou em sua terra natal. Toyoda foi um dos
que saíram. Também Shuji Maruyama. Ele estava em Cleveland
no início. Ele foi contratado por alguma escola de artes marciais
de lá. E então mais tarde se mudou para Filadélfia. Ele ficou
com Tohei, o que foi bom para mim e Kanai. Ele era carne de
pescoço (risos).
De qualquer modo eu detestei ver a divisão porque não sabia
como ou exatamente por que Koichi Tohei mudou de idéia sobre
o Aikikai. Mas ... ele foi um bom líder. Tinha carisma. Era
forte, positivo. Sempre disse tudo diretamente. Era muito
agradável, um líder fácil. Assim, por um lado odiei ver isto
acontecer, mas por outro lado, foi uma mudança positiva. O
Aikidô tornou-se claro, no aspecto da técnica em si. Hoje
está muito claro o que se está ensinando. Sabe o que quero
dizer: aquela expansão, relaxamento do braço de Tohei Sensei,
ki, ki, ki ... filosofia demais, sem uma base técnica suficiente.
Então, de uma certa maneira, foi bom o que aconteceu. De certo
modo foi bom o que aconteceu com Saotome também. As pessoas
que foram com ele ... isto limpou nossa casa, de uma certa
maneira.
Então embora você tivesse relações muito estreitas com
Koichi Tohei você não quis a divisão.
Eu disse a ele diretamente. Ele estava muito certo de que
eu iria com ele. Foi um grande, grande, grande erro de cálculo
de sua parte. Para ele, não havia dúvida nenhuma em sua mente
de que eu o apoiaria. Eu tinha muita influência ... ele pensou
que poderia conseguir os Estados Unidos inteiro. Escrevi para
ele: "definitiva-mente respeito você, eu o considero muito
como professor, mas ouvi diferentes lados para a história
de por que você está deixando a sede. Tenho minhas responsabilidades
para com meus estudantes. Se dependesse apenas de mim, poderia
ir com você, mas não posso". E (isso é outra boa coisa nele)
ele me respondeu com uma carta gen-til dizendo: "eu entendo
sua situação, que é muito clara". Ele foi muito gentil, então
não tive nenhum problema com ele. Mas ele ima-ginava, sem
a menor dúvida, de que o acompanharia.
Ele pensou que vários outros o acompanhariam também?
Isto eu não sei. Provavelmente. Ele é uma pessoa muito confiante
... ele acha-va que os Estados Unidos estavam com ele, ou
supôs algo assim, mas não foi o que aconteceu. Até no Havaí,
que era considerava seu próprio território, não se pensava
assim. Yoshioka estava lá a cargo de Tohei, mas ele não iria
se separar. Yoshioka era um sujeito muito antiquado. Sua mentalidade
era de muita lealdade, sabe, a sede era a sede. A sede vem
em primeiro lugar. É o nosso dever. Pessoalmente eu gosto
de Tohei Sensei. Mas estou em uma organização. Algumas pessoas
separaram-se e foram com ele, mas mais tarde separaram-se
dele também. Todo mundo fez a mesma coisa que ele.
Isso é interessante. Quando as pessoas separam-se, eles
separam-se freqüentemente novamente.
É como uma reação nuclear, divisão, seguida de divisão, seguida
de mais divisão.
Você pensa que, como resultado final, as pessoas que ficaram
enfatizaram mais o aspecto técnico de Aikidô?
Sim. As pessoas que pensaram mais facilmente em sair tinham
uma atração por Tohei Sensei. Pessoas que não queriam uma
prática muito dura, que não queriam sofrer. Então ele os atraiu
com aquela filosofia de ensino. Era fácil de fazer. O treinamento
não era tão duro. É por isso que digo que foi boa a maneira
como aconteceu. Estas pessoas foram com ele e nós não precisamos
delas. Claro que Tohei Sensei teve muitas boas coisas a oferecer.
Muitas coisas que faço hoje apren-di com ele. Mas de modo
algum faço somente isto, cem por cento do tempo. Impossível.
Contudo ele nos deu algumas boas direções. Coisas realmente
úteis. Não há a menor dúvida. Eu, porém, não gosto de ficar
em apenas um aspecto e insistir que tenha que ser feito apenas
de uma certa maneira.
Sensei, poderia nos falar um pouco mais sobre o grupo
que ficou. Sobre nosso modo de praticar enfatizando mais o
aspecto técnico, uma prática pesada. Por que você pensa que
isto é importante?
Porque fala-se sobre os aspectos espirituais das artes marciais,
do budo, mas, antes de tudo, budo é um comprometi-mento físico,
um contato físico. Você aprende através de seu cor-po praticando
o movimento físico. É por isso que digo que não gosto de uma
abordagem de um só lado, apenas destacando o lado espiritual.
Eu também pretendo manter a pureza da arte tal como aprendi
com Ô-Sensei, que é o que acredito estar fazendo.
E os outros uchideshi de seu grupo compartilham esta abordagem?
Penso que sim. Em ângulos diferentes, claro, mas é isto que
é bom no Aikidô. Todos são diferentes e podem fazer diferente,
desde que não se vá muito longe. Existem estilos diferentes,
pessoas que estudaram em períodos diferentes com Ô-Sensei,
assim eles foram expostos a coisas diferentes. Existe uma
semelhança básica entre nós... Sugano Sensei, Chiba Sensei,
Kanai Sensei, abordagens diferentes, ângulos diferentes, mas
isto é natural.
Mas todos vocês gostavam da prática pesada? Muito físico,
muita técnica?
Sim. Não suporto quando as pessoas não praticam de verdade...
por que vêm treinar então? Sempre digo a mim mesmo que se
não puder mais me movimentar como quero, fisicamente, eu irei
parar. Só por estar ficando mais velho, não quer dizer que
não possa me movimentar bem... eu não quero mudar meu estilo.
Se -me perceber fisicamente em deterioração, eu simplesmente
pararei. Eu não quero mudar, negando a importância da prática
pesada, "Oh, não é desta maneira, você tem que praticar suave";
eu não quero fazer as pessoas efetuarem uma prática con-dizente
unicamente com minha idade ou condição física. Eu não farei
isto. Simplesmente irei parar. Isto acontece... quando as
pessoas não podem mais se movimentar da maneira que se acos-tumaram,
começam a negar o fato. Eu não quero que isto acon-teça comigo.
Algumas pessoas dizem:
"Não vá para aquele dojo. Você não tem
que praticar de maneira dura. Você deveria ser suave". Mas
real-mente dizem isto que -por-que eles não podem fazer do
modo como realmente deveria ser feito. Ou então você ouve
algum sujeito dizendo, "Ô-Sensei nunca fez um koshinage."
Isso é estupidez. Só diz isto que porque não consegue fazê-lo...
começa então a negar o fato.
Claro, quando você fica mais velho, você precisa de fazer
algum ajuste, mas você sempre pode manter a pureza, a postura
sólida, a técnica clara, limpa. Você deve sempre manter isto.
Você não tem que fazer malfeito. Olhe para Osawa Sensei. Ele
não era desleixado embora fosse velho; sempre teve um bom
equilíbrio. Esta é uma razão para a qual eu o admiro e respeito
porque, mesmo com a idade avançada, ele foi sempre forte.
Na época em que Tohei Sensei esta se separando, você imaginava
que aquele tipo de abordagem do Ki se tornaria popular?
Não imaginava, mas, mesmo assim, isso teria sido bom. Tornaria
clara as diferenças. É por isso que fiquei contente que ele
tenha chamado seu estilo como Ki Society, que ele não tenha
usado Aikidô no nome de seu estilo.
Sabe, depois do falecimento de Tohei Sensei, não acho que
alguém possa fazer o que ele fez. Você não pode aprender algo
sobre o que ele fêz apenas imaginando o que ele fazia. Não
é possível. Lembre-se, na época da cisão, ele era muito forte
fisicamente. Ele foi bom, com uma técnica poderosa. As pessoas
o viam demonstrando ... e ele podia convencê-las de que estava
usando só o seu Ki mas na realidade ele era muito forte.
Existem muitas federações de Aikidô hoje ...
Isto é bom. Nossa federação é importante para nós por algumas
boas razões. Para a união, o compartilhamento de idéias...
falando de outra maneira, estou contente por ver outras federações
também. É bom. É impossível esperar que todo mundo trabalhe
junto. Eles têm idéias diferentes. Os mem-bros de nossa federação
gostam pessoalmente de mim e Kanai Sensei e os outros Shihan,
e gostam de nosso Aikidô. Isso é bom. Se as pessoas gostaram
de se juntar a nós porque eles gostaram de nossa técnica,
isto é bom. Isso é como nós somos. É por isso que nós temos
menos dificuldades que outras organizações porque não envolvemos
o praticante no meio político. É por isso que nós fazemos
do modo como fazemos. O ponto principal é que você deve se
manter praticando, isso é tudo o que você precisa. Você não
precisa estar entrando em aborrecimentos ou con-flitos com
outras pessoas. Você só vem principalmente para praticar,
certo? É por isso que alguns, especialmente na Europa, nos
invejam. Do nosso modo há mais tempo para prática em vez de
ir a mais reuniões o tempo todo.
Você ficou surpreso que o Aikidô crescesse tanto?
Sim e não. Penso que até Ô-Sensei não achava que conseguiria
tanta popularidade no mundo inteiro. Por outro lado eu penso
que existem boas razões que o Aikidô seja bem aceito pelo
público.
Por que o Aikidô se tornou tão popular?
Bem, por muitas razões ... os aspectos espirituais, claro,
mas na realidade simplesmente por causa da movimentação do
Aikidô. Todo mundo tem o desejo de efetuar o contato físico
... mas o Judô pode ser muito rude e cheio de dificuldades
e rusgas, e no Caratê não se faz praticamente nenhum contato
físico, muito esporadicamente. Com Aikidô você tem contato
físico mas com um movimento fluido. Você aprecia praticar...
fazendo o contato físico. Parece bom. Às vezes você pode ser
machucado, ou às vezes machuca alguém... entretanto você tem
muito prazer em fazê-lo (risos).
É engraçado, mas em seus pensamentos você gostaria de bater
em alguém. No Aikidô você tem contato físico. Quando você
arremessa ou prende alguém com uma chave, você consegue satisfação.
Claro que com Judô é outra história. Se você quer competir,
vai ser duro. Não são todos que podem fazê-lo. Você tem que
estar realmente em boa forma. É difícil se você for mais velho
ou pequeno. O Aikidô está num plano intermediário. Você pode
fazer como você gosta. De um jeito pesado ou suave. Eu imagino
que por isso é tão popular, porque as pessoas conseguem satisfação
não importando sua condição física ou suas limitações ...
e é efetivo.
Pode nos falar um pouco sobre a importância de sua relação
com o Hombu dojo e os outros uchideshi. Você traz freqüentemente
Shihan's do Japão e de outros países para nossos seminários
e acampamentos. Por favor explique sobre os contatos atuais
com o Hombu e suas relações com aqueles professores.
Bem, como você sabe, existe alguma discordância sobre certos
assuntos, algo como uma Guerra Fria às vezes. Mas, não sei,
talvez nós estamos perguntando demais sobre eles, sabe? Eles
têm sua própria situação e considerações. Isso é compreensível.
Cometeram alguns enganos conosco que hoje reconhecem. Têm
suas próprias desculpas, suas próprias circunstâncias. Entendo
que é difícil porque eu sei como é. Quando você é o chefe,
você tem certas responsabilidades. Então algumas coisas entendo,
embora pessoalmente eu proceda numa escala diferente, mas
estou nesta posição também. Porém, algumas coisas têm que
ser corrigidas.
Mas não importa o que aconteceu, nós nos mantemos em contato.
Isso é uma coisa interessante sobre sociedade aikidoísta,
nós temos um fundamento forte ... uma forte conexão com a
família do fundador. Só no Aikidô. No Judô, já se perdeu isto.
Quem se importa com a família Kano hoje em dia? Talvez o Aikidô
torne-se assim também. Uma geração após a nossa, talvez até
não saibam mais quem foi Ueshiba. Não imagino que em todos
os dojos vá-se pôr o retrato do Moriteru. Duvido disto. Mas
o que posso fazer? Tanto quanto posso, tento manter a tradição
e conexão. Uma linha direta. É por isso que em todo Summercamp
nós tentamos convidar aqueles que estão trabalhando para a
sede.
Talvez parte do problema tenha sido que nós todos partimos.
Eu, Tamura, Kanai, Chiba, Sugano. A nova geração nunca encontrou
Ô-Sensei. Então, para a geração mais jovem, talvez seja importante
que nós mantenhamos contato com a sede, ensinemos sua história,
como era com Ô-Sensei naquela época. Houve um buraco entre
a segunda e terceira geração. Nós havíamos todos partido.
Nós nos sentimos um tanto quanto culpados. É por isso que
sentimos a responsabilidade de manter o contato.
Parece que o mundo do Aikidô cresceu tremendamente ao longo
dos anos. Hoje, todos os Shihan que partiram tem grandes organizações
de Aikidô fora do Japão. Muito da experiência do Aikidô está
agora fora do Japão ao invés de estar no Japão. Você pensa
que exista uma maneira em que os Shihan internacionais possam
vir a ser úteis ao Hombu dojo compartilhando sua experiência?
É uma questão de um confiar no outro.
Em sua viagem recente para o Japão em maio você ensinou
uma turma no Hombu dojo. Esta foi a primeira vez. A primeira
vez, desde que nós deixamos o Japão, que um de nós Shihan
ensinou numa classe regular no Hombu Dojo.
Você espera que algo como isto comece a acontecer mais
freqüentemente?
Como eu disse antes e depois da aula, espero que esta tenha
sido a primeira das muitas oportunidades, tanto para mim como
para outros Shihan. Senti que abri uma nova ponte e, de agora
em diante, quando meu Sempai ou meu Kohai voltar, espero que
eles recebam a mesma oportunidade.
Deste modo o conhecimento poderia ser compartilhado. Sim.
Você poderia falar um pouco sobre o Shihankai que foi recentemente
formado?
Alguns fatos importantes ... claro, somos todos indivíduos
diferentes, temos maneiras diferentes de pensar, maneiras
diferentes de educar pessoas, estilos diferentes de Aikidô.
Mas, se algo acontecesse entre nós, algum conflito, penso
que os estudantes seriam os quem mais sofreriam porque, vamos
dizer que Chiba Sensei discuta comigo e decido que não vamos
mais trabalhar juntos. Nossos estudantes são os que mais vão
sofrer. É importante que nós fiquemos juntos, não para nossas
causas mas para todos os outros, os estudantes. É importante
que nós estejamos de algum modo trabalhando juntos e mostrar
que temos boas relações, em vez de brigar. Porque senão você
seria forçado a fazer uma escolha. Como entre eu e Kanai Sensei.
Se algo acontecesse entre nós, existiria separação completa.
Então você seria forçado a tomar uma decisão, uma escolha.
Isso é ruim.
Por isso o Shihankai é bom. Não por razões políticas, mas
para amizade, o trabalho e o aprendizado conjunto. Cada de
nós tem um modo diferente de educar nossos estudantes, e é
muito difícil de padronizar isto. Os professores têm maneiras
diferentes de educar seus estudantes, têm filosofias diferentes.
Especialmente por causa do tamanho de nosso país, ele é tão
grande. Nós não conseguimos ter tanto contato quanto deveríamos.
Então, é bom que trabalhemos juntos, façamos seminários uns
com os outros.
Então o Shihankai foi formado como um caminho para continuar
amizades e criar uma comunicação positiva?
Assim penso. Idealmente, seria agra-dável que todos os Shihan
reunissem-se freqüentemente para grandes seminários. Isso
seria agra-dável. Mas novamente, por causa do tamanho de nosso
país, isto é difícil. Em um país como a França, é possível.
Eles todos seguem juntos com Tamura, todos os Shidoin, mas
aqui não é tão fácil. Por razões econômicas, não se pode fazer
tão facilmente.
Às vezes os Shihan reúnem-se todos.
Sim, isso é bom. Como em meu aniversário de trinta anos [de
carreira] na Universidade de Colgate. Às vezes conseguimos
um númeno suficiente pessoas para sustentar um evento deste
tamanho. É muito agradável.
É um grande benefício para os estudantes poderem treinar
sob todos vocês juntos.
É uma boa oportunidade para mostrar aos estudantes que todos
os Shihan estão trabalhando juntos.
Uma coisa sempre interessante é que embora nós houvéssemos
tido primariamente um professor, como Kanai Sensei ou você,
nós tivemos também muito tempo para aprender com outros Shihan,
como Sugano Sensei, Chiba Sensei e Tamura Sensei. Nós tivemos
o benefício de ter tido muitos professores e tem sido um grande
aprendizado para nós.
É bom. Você é muito sortudo.
Mas foi-nos também importante saber que houve um professor
onde realmente aprendemos nosso fundamentos.
Isso é importante; assim não se fica confuso. É dessa maneira
que vê?
Sim. Você sempre tem uma oportunidade para obter algo de bom
de todos, mas seus fundamentos devem vir de seu próprio professor,
no dia-a-dia.
Esta é uma das razões para o fato de que por muitos anos,
desde o início, você trouxe professores do Hombu?
Esta é a razão. É uma oportunidade para manter boas relações
com outros Shihan. Se eu me tornar muito dogmático, como não
preciso de qualquer outra pessoa ou quero ser um grande chefe
ou algo assim, o que vai acontecer? Suas oportunidades vão
ser limitadas. É por isso que man-tenho boas relações com
Tamura Sensei, para que ele venha para Nova Iorque ou Summercamp.
Por sua vez, tenho minha oportunidade para assistir seu Summercamp.
É bom para diversificar, mais oportunidades podem acontecer
em um nível internacional, global. Porém, se eu estabelecer
somente minha própria família, como não preciso de qualquer
outro Shihan porque tenho ciúmes dele ou algo assim, isto
não é bom. Sua habilidade em aprender torna-se limitada. Este
é um mundo pequeno e penso que todos nós deveríamos nos juntar.
Esta atitude parece ter sido benéfica. A qualidade de seus
estudantes é alta.... se não pudermos dizer isto de nós mesmos!
(risos)
Isso acontece porque você foi exposto a bons professores.
Naturalmente, tenho que fazer um juízo sobre o que penso que
seja bom. Não vou convidar alguém que não é bom só porque
ele é meu amigo ou coisa assim. Eu não faria isto. É um desperdício
de tempo e de dinheiro. Ainda que particularmente não goste
de um Shihan, eu o convidarei se pensar que é benéfico para
vocês.
Que tal examinar o futuro, Sensei?
Bem, diga-me você; vocês são o futuro.... (risos)
O que você iria gostar que fizéssemos no futuro ou que
direção gostaria que tomássemos ?
Só não quero que vocês se percam. Quero que saibam para onde
ir. Qualquer que seja o assunto ou argumento, nada é mais
importante que ter uma conexão com a sede, não importa o que
lá esteja acontecendo, é isso que o público vê. Aquela é nossa
Sede, nenhuma outra coisa o é. É de lá que nós conseguimos
nossos certificados. Se nós tomássemos uma decisão de nos
separarmos da sede, é porque nos preocupamos sobre seu futuro.
Mas não sei se seria uma boa decisão. Por exemplo, se nos
tornássemos independentes e responsáveis por nossos próprios
graus de Dan. Enquanto estamos aqui, OK, mas e depois de nós,
o que vai acontecer? Mais tarde as pessoas vão dizer:"Qual
a validade deste certificado? É só um pedaço de papel." Mas
se ele vem da sede, ele tem um valor, não importa qual. Há
uma tradição.
É por isso que na Europa existem dois exames para graus de
Dan. Um nacional e um da sede. Eles têm que fazer o nacional,
mas os estudantes querem fazer o exame do Aikikai e conseguir
um certificado do Aikikai. A realidade é assim. As pessoas
vêem um valor na conexão com a sede. Não sei o que acontecerá
depois que nos aposentarmos. Veremos o que acontece. Eu sei
que vocês provavelmente continuarão a trabalhar juntos com
seus amigos em nossas organizações aqui nos EUA e no estrangeiro.
Existe algum conselho que nos daria para lidar com esta
situação?
A solução? Eu tenho que ficar jovem. Eu tenho que viver mais.
(risos)
Parece que já existe uma conexão sólida entre os estudantes
dos Shihan internacionais. As pessoas viajam freqüentemente
para os seminários e acampamentos de outros grupos. Muitos
Shidoin ensinam em uma base internacional. As relações já
estão se formando entre os instrutores mais jovens. Parece
como nosso futuro já está instalado e manteremos estas conexões
fluindo. O modo como você trabalhou todos juntos está sendo
passado até a nossa geração.
Imagino que se existir uma amizade estreita no grupo,
isso manterá um vínculo. Espero que construamos algo que durará.
Mas nunca se sabe. Nem eu sei exatamente o que acontecerá
em meu próprio dojo quando eu me for. Quem assumirá o comando
? Tentarei não deixar qualquer conflito, não sei como, mas
é da natureza humana haver diferenças. Talvez algumas pessoas
comecem a lutar pelo dojo.
O Havaí é um bom exemplo. Eles lutaram sobre quem poderia
usar o dojo. Aquele dojo pertenceu aos associados e mais tarde
eles lutaram sobre isto, sobre quem poderia usá-lo. O New
York Aikikai também é dos associados. Então pode haver problemas.
Seria uma história diferente se eu tivesse um filho para assumir
o comando. Como a família de Ueshiba. Mas meu filho não está
envolvido com o Aikidô. Então é difícil predizer o futuro
até onde nossa federação preocupa-se. Pode acontecer de também
haver uma divisão, mas sempre existirá uma boa parte que ficará
junta e manterá a ordem. Eu não sei quantos, eu não sei quem
sejam exatamente mas penso que incluiria você, David, e também
Peter, Claude [Bert-hiaume] e Harvey [Konigsberg].
Eu acho que é algo que nós devíamos começar a pensar um
pouco mais.
Sim. De agora em diante quero gastar mais tempo para isto
também. Como manter vocês e a organização juntos. É por isso
que quero estabelecer comunicações diretas entre vocês e a
sede, para o futuro. Não importa o que aconteça, vocês devem
manter a comunicação com a sede. Para onde mais iriam quan-do
fossem ao Japão? O sonho de todo praticante é ir ao Japão
e praticar na sede. Você não pode negar isto a eles.
Você imagina que Hombu dojo está tentando manter uma boa
conexão conosco também?
Sim, penso que eles também estão vendo a importância disto
também e estão tentando. Eles se preocupam com as relações
comigo e com os outros Shihan. Nós conversamos sobre estes
assuntos. Se eles cometerem algum engano, nós deveremos nos
aproximar deles diretamente. Temos que poder dizer não, se
discordamos. Escrevi em um artigo dizendo que, sendo um líder,
você deve ter pessoas que podem dizer não para você. Não é
bom estar cercado pelas pessoas que sempre dizem sim. Nós
precisamos de pessoas que diga,:"Ei, Sensei, isso está errado,
eu não acho que seja uma boa idéia". É importante ter estas
pessoas e vocês têm que escutá-los. Ninguém está sempre certo.
Eu cometo enganos. Peter, às vezes você vem e me diz, legitimamente,
que você discorda de mim. Eu não me importo, se eu pensar
que é uma boa idéia, estou com você. Se eu não concordo, vou
dizer a você para ir para o inferno! (risos)
Sensei, nós queremos lhe dizer muito obrigado por nos dar
esta entrevista. Nós cobrimos muitos assuntos diferentes.
Foi uma conversa meio que desgovernada.
Acho que uma coisa importante é deixar o público saber quem
e o que somos. Falar francamente. Para dizer a eles que existem
alguns grupos que estão no caminho correto. Agora mesmo, muitas
pessoas estão perdidas. Existe muita coisa jogada lá fora.
Não sabem onde achar o Aikidô real. Deste modo pelo menos
eles têm algumas informações para poder fazer uma escolha.
É uma boa idéia. Eu sempre me tornarei disponível para entrevistas
como esta.
extraído do site http://aikidoonline.com/archive/f_yy2_998.html
tradução de Bala &Satie
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