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ENTREVISTAS COM GRANDES MESTRES
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Entrevista
com Yamada Sensei
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Por
Wagner Büll Sensei
W.B.: Como o senhor se
sente agora que está chegando aos 60 anos? Seus objetivos
para o futuro mudaram?
Sensei: Eu me sinto melhor
do que nunca. Acho que meu objetivo é ser curioso
sobre quando vou poder me aposentar e parar de viajar
tanto. Estou brincando... Francamente, meus objetivos
não mudaram e são somente ser um bom mestre, assim
como melhorar como pessoa. |

Kamisa
do Dojo de Yamada Sensei |
W.B.: A USAF (Federação Americana
de Aikido) se desligou da IAF (Federação Internacional de
Aikido), mas o senhor permaneceu na IAF como indivíduo.
Por quê decidiu ficar?
Sensei: Não tive escolha. Eu
sou membro do conselho da IAF, uma posição designada para
mim diretamente pelo Doshu.
W.B.: Por que a USAF se desligou
da IAF?
Sensei: Simplesmente porque
estávamos cansados das ações da IAF. Na forma que é hoje,
a IAF é desnecessária.
W.B.: Qual a relação entre
o Doshu Kisshomaru Ueshiba e a IAF ?
Sensei: O Doshu é o presidente
da IAF, essa é a ligação. No entanto, a IAF quer funcionar
como uma organização completamente separada do quartel-general.
Essa é uma das razões pelas quais me opus à IAF.
W.B.: O que o Hombu Dojo acha
da USAF se desligar da IAF ?
Sensei: Acho que é melhor perguntar
ao Hombu Dojo.

Seminario
em São Paulo - 98 |
W.B.:
Todos os seminários que o senhor comparece no mundo
inteiro são sempre grandes eventos. Na sua opinião,
qual a razão dessa sua grande popularidade ?
Sensei: Espero que pelo
meu charme e simpatia... Bem, falando sério, eu realmente
não acho que é por minha causa, mas pelos esforços
dos organizadores dos seminários para promover o Aikido.
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W.B.: O Aikido começou pequeno
no Brasil. Após somente oito anos de sua ajuda, o Aikido
tem crescido enormemente aqui. Por exemplo, 709 pessoas
registraram-se no seminário de outubro de 97 em São Paulo,
ministrado pelo senhor e Tamura Sensei. Foi um dos maiores
eventos na história do Aikido. Qual a sua magia?
Sensei: É
a mesma que eu mencionei na resposta anterior. É o trabalho
do organizador promover o seminário, assim como reunir todos
os membros do Aikido. Além disso, sinto que existe um desejo
muito grande de estudar com discípulos diretos de O' Sensei,
como Tamura Sensei.
W.B.: O senhor é conhecido
como uma pessoa que realmente aprecia a vida. Gosta de viajar,
de comer bem, e de se divertir o máximo possível. Por outro
lado, é também uma pessoa extremamente responsável e altamente
comprometida com a disseminação do Aikido no mundo inteiro.
O senhor acha que essa capacidade de combinar uma vida de
diversão com uma vida de trabalho duro, de executivo de
uma organização e Shihan é algo que o senhor desenvolveu
ou é algo genético?
Sensei: Acho que nasci assim.
Minha família inteira é assim também.
W.B.: Quando o senhor ensina
o Aikido não enfatiza muito o treinamento com armas. Por
quê?
Sensei: Em primeiro lugar,
a verdade é que eu não sou muito bom no treinamento com
armas. Meu interesse até agora tem sido o Aikido, e só.
Mas quem sabe, talvez no futuro eu ensine com armas. Mas
falando seriamente, quando eu era uchideshi, O' Sensei nunca
nos ensinou com armas, exceto quando explicava o Aikido.
Para treinar com elas, todos nós tínhamos que praticar em
segredo e individualmente. Além disso, não gosto de ver
principiantes com muito interesse em armas, quer seja porque
os fascina ou porque simplesmente lhes é oferecido. Na minha
opinião, isso resulta em muito atraso no Aikido dos principiantes.
W.B.: Como o senhor acha que
o Aikido deve ser organizado internacionalmente ? Se pudesse
mudar alguma coisa no Hombu Dojo e na IAF, o que seria?
Sensei: Para responder a essa
pergunta, por favor leiam minha palestra e posição oficial
no último congresso da IAF (abaixo).
Palestra oficial proferida por Yamada Sensei na última reunião
da IAF.
Esta é a sétima reunião da assembléia geral da IAF. Todos
os participantes vieram aqui suportando despesas consideráveis
de tempo e dinheiro.
Antes da reunião os EUA fizeram uma análise cuidadosa de
como a IAF tem operado e qual é a sua situação atual. Como
resultado, gostaríamos de apresentar aqui nossas opiniões.
Retornemos ao ponto inicial para considerarmos a verdadeira
natureza da IAF. Nem é preciso falar que o nosso propósito
não é criticar pessoalmente os membros do conselho, que
até agora tem feito muitos esforços; e nem pretendemos causar
confusão na IAF. Nosso objetivo é dialogar com todos sobre
como vamos possibilitar a formação de uma IAF que possa
satisfazer a todos, e na qual todos os praticantes de Aikido
do mundo tenham voz ativa e possam se dar bem entre si.
Em primeiro lugar, permitam-me expressar a decisão feita
pela USAF: se esta assembléia não procurar mudar e progredir,
infelizmente a USAF se desligará dela.
Agora vou explicar a razão pelo qual esta decisão foi tomada.
Mas antes de entrar direto no assunto, queremos que todos
entendam certas coisas. Os Estados Unidos, assim como muitos
outros países, só tomaram conhecimento da IAF depois da
sua fundação. No entanto, não é nossa intenção reclamar
disso especificamente. Também não queremos aqui reclamar
do fato de que a idéia original de formar a IAF se tenha
baseado na mentalidade e nas necessidades européias.
No passado, a USAF organizou uma assembléia geral. Acredito
que foi a segunda assembléia. Naquela época, todos devem
ter participado com prazer e interesse.
Sim, houve dias melhores e felizes. Depois disso, no entanto,
a maior parte das reuniões têm se dedicado a assuntos internos
e a disputas entre países europeus, problemas que são totalmente
alheios à maioria dos demais países participantes. Como
conseqüência, ao invés de virmos às reuniões para fazer
amigos, fazemos inimigos. Eu, pessoalmente, também fiz inimigos
sem necessidade, e perdi amigos. Talvez este discurso resulte
em novos inimigos.
Com respeito ao conteúdo dessas reuniões, os principais
assuntos discutidos são sobre quem tem direito a voto, qual
organização de qual país está habilitada a participar, revisão
de regras, reeleição de membros do conselho, e isso é tudo.
Vocês sabiam que o número de grupos de Aikido no mundo que
não se associou ou que não são admitidos na IAF é maior
do que o número de membros associados? Por exemplo, na França,
Tamura Sensei é membro do conselho superior da IAF, mas
à sua própria organização não é permitida a participação.
É possível entender tal inconsistência? Todas as organizações
que são reconhecidas pelo Aikikai Hombu deveriam ser aceitas
pela IAF. É estranho que a IAF não dê a elas o reconhecimento
que é dado pelo Hombu.
A questão do reconhecimento do Hombu apresenta ainda outras
controvérsias. Tenho que lembrar àqueles que mantêm a idéia
de "um país, uma organização reconhecida", que já existem
mais de dez organizações reconhecidas pelo Hombu dentro
dos Estados Unidos. Sinceramente, no princípio eu já não
concordava com isso. E hoje não é como há trinta anos atrás
quando o Aikido ainda não havia se disseminado e as pessoas
não se movimentavam com tanta freqüência. Atualmente, não
há como evitar que várias organizações diferentes se formem
em cada país.
Dada a situação de hoje, pedir ao Hombu o reconhecimento
exclusivo de um só grupo e a rejeição de outros é um ato
egocêntrico. Eu acredito que o Doshu considera todo o estudante
de Aikido como seu próprio estudante. Devemos usar agora
o adágio "Nós, com os outros, juntos prosperamos", que foi
dito por Kano Sensei do Judo.
Fui à Inglaterra em agosto para o seminário de verão. Membros
de nove organizações diferentes da Inglaterra participaram
e praticaram juntos. Acho que isso foi maravilhoso. Em contraste,
tenho ouvido estórias tristes de outros países. Por exemplo,
uma pessoa queria participar de um seminário em que o Doshu
era convidado. Esse estudante foi rejeitado porque era filiado
a uma organização diferente. Nesses casos, acho que o organizador
deveria permitir a participação de pessoas de fora. Se isso
afeta, de alguma maneira, os organizadores, então, por exemplo,
pessoas não filiadas devessem talvez pagar uns 10 dólares
extras pela sua participação. De agora em diante, quando
o Doshu estiver presente nesses seminários, que tais situações
jamais se repitam, uma vez que ele é o líder mundial.
Eis
outra estória semelhante que ouvi. Se um membro de
uma organização participa de um seminário de um Shihan
de outra organização, ele/ela estará impedido de participar
dos seminários de sua própria organização por um ano.
Mesmo que dois Shihan não se dêem bem, a questão da
participação em um seminário deve ser opção independente
de cada estudante. Além disso, não há como criar uma
IAF amigável com a mentalidade que acabo de descrever. |

Yamada
Sensei sendo arremenado pelo Nidan Doshu Kishumaru
Ueshiba, no início da década de 50
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Voltemos ao assunto principal. Nossa preocupação é a de
que há pessoas que consideram a IAF uma organização como
outras organizações de artes marciais ou para a preparação
dos jogos olímpicos. Portanto, tememos a possibilidade da
IAF se separar do Hombu no futuro e continuar sozinha. Certa
vez a IAF tentou até controlar os exames de kyu e o sistema
shidoin de cada país.
Outra preocupação nossa é a de que a IAF corra o risco de
tornar-se excessivamente política, pois há pessoas que usam
esta organização para realizar ambições pessoais.O que não
podemos esquecer é que as organizações de Aikido são fundamentalmente
diferentes das de outras artes marciais como Judo, Karate
e outros esportes competitivos. Simplesmente falando, não
há competição em Aikido. Neste grupo tão único, o relacionamento
entre professor e estudante é mais importante, e a solidez
desse relacionamento é mais poderosa do que qualquer outra
coisa e é da mais alta prioridade. Em outras palavras, mesmo
que a IAF estabeleça regras, cada estudante simplesmente
seguirá as regras do seu próprio Sensei.
Não faz sentido a IAF discutir regras que sejam impossíveis
de ser seguidas pelo Hombu Dojo. Se houvesse uma competição
internacional, seriam necessários vários acordos internacionais.
Mas nós não precisamos de tais acordos. A única coisa a
ser padronizada internacionalmente são os graus de dan,
e isso deve estar sob o controle restrito do Hombu, e não
da IAF.
Nossa situação financeira também é diferente da de outras
organizações baseadas na competição, que têm receitas como
taxas de admissão e entrada. Não podemos contar com esse
tipo de receita. Portanto, nossa organização naturalmente
mostra diferenças em relação às demais.
O presidente da IAF é o Doshu. Se a IAF se tornar como as
outras organizações e por esse motivo, ocorrer algum problema
legal a nível internacional, o responsável legal também
será o Doshu. Mas como não é este o caso, o Doshu permanece
protegido dessas situações, mesmo sendo o presidente.
A postura da USAF é a de que não há necessidade de integrar
o GAIF, nem de participar do World Games. Propaganda dessa
natureza é dispensável. Da forma como tem sido até agora,
é suficiente para o Aikido tornar-se amplamente conhecido
- profundamente, mas sem muito alarde - e ser praticado.
Quanto aos World Games que aconteceram na Holanda há uns
três anos atrás, nós na USAF, desde o início, fomos contra
a idéia de participar. Mas perdemos na contagem de votos.
Eu gostaria de saber, quando essa questão foi aberta a voto,
quantos países representantes entenderam realmente as questões
que votavam? Como resultado, a decisão foi que a IAF teria
que cobrir o déficit se o país organizador ficasse devedor.
A IAF, assim como os países, não se beneficiou das demonstrações
de Aikido nos World Games. Poderia ter sido boa publicidade
para o país organizador. Até aí, tudo bem. Então o déficit
causado por falha de cálculo ou mau planejamento do país
organizador teria que ser coberto pelo próprio país. É um
absurdo pedir pagamento aos outros países, incluindo aqueles
que estão impossibilitados de associarem-se à IAF.
Vamos falar da nossa segunda preocupação, que a IAF é usada
para a realização de ambições pessoais. Vocês se lembram
do que aconteceu na seleção do Vice Presidente? Um candidato
de cada continente deveria ser escolhido. A América do Norte
já havia escolhido um. O representante do México não foi
escolhido como candidato. Depois houve um movimento para
fazer o México parte da América do Sul, de maneira que essa
pessoa pudesse ser candidata pela América do Sul. Para encerrar
o assunto, durante uma assembléia geral, nós tivemos que
determinar por voto se o México pertencia à América do Norte
ou à América do Sul, geograficamente falando. Ganhou a proposta
de ser parte da América do Sul. Para a nossa surpresa, cada
país representante da América do Sul votou a favor. Isso
foi pura política. Eu pessoalmente não me importo se o México
é parte da América do Norte ou da América do Sul. Mas julgando
pelo o que aprendi na escola primária, eu pensava que o
Canal do Panamá dividia as Américas. Foi inacreditável decidir
isso por voto numa assembléia geral. Parece que não existe
um julgamento sensato.
Há mais um ponto. Não é certo discutir qualquer problema
interno de um país na assembléia geral da IAF. A IAF não
é uma corte de julgamento. Ninguém pode determinar qual
dos vários dojos num país é o certo e qual é o errado. Se
alguém tem que tomar uma decisão, isso cabe ao Hombu Dojo.
Julgando pelo o que acabei de falar, os EUA não vêem no
futuro da IAF nada mais do que desconfiança e incerteza.
No entanto, ainda queremos achar uma forma de manter a IAF,
uma vez que foi estabelecida com tanto esforço. O que mais
gostaríamos de saber é se o Hombu está realmente satisfeito
com a IAF atual. E gostaríamos sinceramente de ouvir opiniões
e pedidos, se houver algum, do Hombu, no que se refere ao
futuro da IAF. Prometemos a cooperar o máximo possível.
Os Estados Unidos propõem que a secretaria geral da IAF
seja no Hombu. No momento, estamos preocupados, pois a comunicação
entre o Hombu e a Secretaria Geral da IAF não é boa. Sobretudo
esperamos que o Departamento de Assuntos Internacionais
do Hombu seja fortalecido e enriquecido.
Para finalizar, quero lhes falar o seguinte. Recentemente,
a pedido dos membros associados, organizei uma associação
independente composta de países sul-americanos, apenas com
o propósito de desenvolver a amizade entre eles. Não importa
que essa associação sul-americana não seja reconhecida pelo
Hombu, desde que cada dojo ou grupo individual seja por
ele reconhecido. Não há dinheiro envolvido, regras, ou oficiais
nessa associação. Existe somente um secretário geral. O
título, secretário geral, soa respeitável, mas essa pessoa
é, de fato, um assistente de todos, e seu papel é mandar
informações a todos os membros. Pessoas que se dão bem se
encontram, praticam juntas, bebem, conversam juntas e retornam
para o seu país de origem. Isso é tudo.
Portanto, eu proponho uma idéia à IAF. Algo como, no futuro,
qualquer grupo no mundo pode se tornar membro, sem nenhuma
condição. Cada país paga uma taxa de adesão estabelecida.
Não há assembléia geral. Ao invés das regras existentes,
ainda não determinadas, que se estabeleça um acordo simples
e mútuo. Os membros se reúnem no Japão durante a All-Japan
Aikido Exhibition na primavera, cada dois ou quatro anos.
Voluntários participam da demonstração. O Hombu organiza
uma festa para os membros. O Doshu dirá palavras de encorajamento.
E os participantes retornam a seus países com lembranças
felizes.
Alternativamente, o local da reunião, ao invés do Japão,
poderia ser em qualquer país onde o Aikido precisasse ser
promovido. Pode-se conduzir uma demonstração. Acho muito
simples.
E, se vocês concordam comigo nesse direcionamento para o
futuro da IAF, e decidirem seguí-lo, eu ficaria feliz em
aconselhar e conversar sobre maiores detalhes a qualquer
hora.
Concluo, com a esperança sincera de não mais perder amigos.
Federação de Aikido dos Estados Unidos
Yoshimitsu Yamada
W.B.: Na sua opinião, qual
deveria ser o critério para promover pessoas a Shihan ?
Sensei: Somente o Doshu pode
dar o título de Shihan. Portanto, não tenho nenhum envolvimento,
e não cabe a mim julgar a situação. Por favor perguntem
ao Doshu.
W.B.: O Hombu Dojo recebe anualmente
bastante dinheiro proveniente de certificados de Dan. Como
eles usam esse dinheiro? Eles ajudam os Shihan locais a
promover o desenvolvimento do Aikido em seus respectivos
países ?
Sensei: Eu não sei como eles
gastam o dinheiro. Só desejo que eles o usem para promover
o Aikido no mundo.
W.B.: O Hombu Dojo recebe alguma
contribuição externa do governo japonês e também da IAF
?
Sensei: A IAF deve bastante
dinheiro ao Hombu Dojo. Sei que Hombu recebe um tipo de
suporte financeiro do governo japonês, mas não sei o valor
exato.
W.B.: O senhor acha que a voz
da IAF é a voz do Doshu hoje em dia?
Sensei: Não, não é.
W.B.: Quantos dojos ou grupos
de Aikido estão ligados ao senhor no mundo todo?
Sensei: Realmente não sei quantos,
mas sei que são muitos.
W.B: Diz-se que a popularidade
do Aikido se baseia no fato de não ser apenas uma arte de
defesa pessoal, mas um modo de vida. É também algo que as
pessoas estão procurando neste final de século e na transição
para o próximo. Portanto, a filosofia do Aikido ou o seu
lado religioso torna-se muito importante. Quando o senhor
ministra seminários ou aulas, raramente fala sobre os conceitos
Shinto em que se baseia o Aikido. O senhor favorece o lado
técnico, enquanto parece não apreciar o aspecto da meditação
ou da filosofia. Isso é simplesmente uma imagem que o senhor
quer passar, ou acha desnecessário ensinar a teoria ou a
filosofia que permeiam o Aikido? Antigos estudantes do fundador
dizem que O' Sensei, com freqüência, ensinava filosofia
Shinto.
Sensei: Em primeiro lugar eu
não sou filósofo, ou uma pessoa religiosa. Ainda que O'
Sensei em sua idade avançada tenha sido extremamente religioso,
nunca nos forçou a pensar do mesmo jeito. Compreendo e concordo
que o Aikido não é somente uma arte marcial mas também um
modo de vida. No entanto, Aikido é Budo. Portanto, creio
que os praticantes de Aikido não devem colocar muito peso
na sua relação como dogma espiritual ou cair na armadilha
de transformá-lo em uma religião.
A razão pela qual não falo sobre Shinto é porque não sou
autoridade no assunto; e também acredito que Aikido, em
si mesmo, tem pouco a ver com o Shinto.
Gosto de meditação. Para mim, a prática da meditação é algo
que alguém deve fazer sozinho e não em público. No entanto,
a meditação é também algo que podemos praticar em todos
os momentos. Da forma como vejo, meditação é consciência,
a consciência da vida. É a percepção da vida no momento.
Podemos fazer da nossa vida uma meditação em todo e qualquer
lugar, e a qualquer hora.
Eu não sei quem falou que O'Sensei ensinava muito Shinto.
Que eu saiba, não. Temos que compreender que as pessoas
atualmente envolvidas com o Aikido têm maneiras diferentes
de ser e pensar. Cada um vem com o seu próprio entendimento
e credo, baseado na sua cultura, religião, ou experiência
de vida. Como resultado, cada pessoa se conecta e interpreta
os princípios do Aikido a seu próprio modo, segundo direções
baseadas em suas origens. As pessoas vêem e estudam o Aikido
como uma manifestação de suas próprias crenças. Conseqüentemente,
também usam seu aprendizado dos princípios do Aikido para
melhorar ou aprimorar suas crenças. Por exemplo, um adepto
do Shinto pode usar o seu conhecimento de Aikido para aumentar
e melhorar o seu desenvolvimento e compreensão do Shinto.
O mesmo se aplica aos budistas, ou a qualquer pessoa de
qualquer religião ou filosofia. Eu não tenho aspirações
de ser um líder espiritual.
W.B: Muito obrigado.
Instituto Takemussu
São Paulo, Brasil, em 28 de outubro de 1997.
(Traduzido por Cilon Estigarribia - Dojo Central) |
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Aikikai.
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