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ENTREVISTAS COM GRANDES MESTRES
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Entrevista
com Tohei Sensei - 9 Dan
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O Aikido cresceu explosivamente desde a Segunda Guerra Mundial.
Koichi Tohei, um destacado colaborador neste desenvolvimento,
é talvez uma das pessoas mais qualificadas para falar a
respeito da história do Aikido. A maioria dos shihan do
aikido da atualidade (mesmo aqueles de sétimo dan ou acima),
foram, em algum tempo, instruídos por Tohei.
Sentindo fortemente que as gerações futuras decidirão seu
próprio destino, Tohei optou por falar muito pouco durante
os anos. Afinal, com a condição de que nós mostrássemos
as atividades da sua organização e o seu pensamento como
são, Tohei Sensei finalmente concordou com esta entrevista
exclusiva para o Aikido Journal.
Como o único aluno de Morihei Ueshiba a ser oficialmente
detentor do décimo dan e uma figura que ocupou uma posição
de central importância no mundo do Aikido pós-guerra, Tohei
teve a oportunidade de falar francamente conosco a respeito
de suas opiniões e experiências.
Os Princípios do Céu e da Terra e a Minha Abordagem da Vida
AJ: Sensei, fale-nos a respeito
da sua abordagem do Aikido.
Tohei Sensei: Enquanto nos
movemos em direção ao século XXI, o mundo em que vivemos
vai se tornando mais e mais relativo. Por haver frente,
também existe atrás. Por haver acima, existe também abaixo.
Dentro deste mundo relativo, nada é absoluto em sua correção.
Não é possível, por exemplo, que o norte seja correto enquanto
que o sul não. Ambos são simplesmente "fatos".
O único caminho seguro para estar absolutamente correto
é evitar ser apanhado no redemoinho dos chamados fatos do
mundo relativo, e ao invés disso, estar em concordância
com os princípios absolutos do Céu e da Terra. Quando se
tornam o padrão de julgamento, que está de acordo com os
princípios do céu e da terra está correto, enquanto que
o contrário, não.
A ação decisiva nasce de um entendimento daquilo que está
de acordo com os princípios do Céu e da Terra. A falta desta
compreensão conduz ao "esforço não razoável" ou muri, cujo
significado literal é "ausência de princípio", e deve ser
evitado. Este sempre foi o meu modo de pensar e a razão
pela qual evitei escrupulosamente agir de forma que envolvesse
esforço inútil ou que fosse contra esses princípios.
O Aikido é essencialmente um caminho para estar em harmonia
com o ki do Céu e da Terra. No entanto, muitos daqueles
que estão envolvidos no budo tendem a falar de coisas que
são ilógicas e envolvem um esforço inútil, coisas que são
impossíveis. Mas o meu modo de vida é evitar fazer qualquer
coisa que não esteja de acordo com um princípio.
Estórias e Realidade: O que realmente aprendi com Mestre
Ueshiba?
AJ: Qual foi a coisa mais importante
que o senhor aprendeu com Morihei Ueshiba?
Tohei Sensei: A forma como
as pessoas falam a respeito de ki hoje em dia tende ao ocultismo,
mas eu diria que nunca fiz qualquer coisa, mesmo remotamente,
envolvendo o oculto. Muito daquilo que Ueshiba Sensei falava,
por outro lado, soava mesmo como oculto.
No meu caso, comecei a estudar Aikido porque vi que Ueshiba
Sensei havia dominado verdadeiramente a arte do relaxamento.
Era por estar relaxado de fato, que ele podia gerar tanto
poder. Me tornei seu aluno na intenção de aprender isto
com ele. Para ser honesto, nunca dei ouvidos para a maior
parte das outras coisas que ele dizia.
Estórias sobre Ueshiba Sensei movendo-se instantaneamente
ou arrancando pinheiros do chão e dobrando-os são apenas
estórias. Sempre adverti as pessoas no Aikido a evitarem
escrever sobre coisas como essa. Infelizmente, muitos pareceram
não ouvir. Ao invés disso, elas simplesmente diminuíam o
tamanho da árvore na estória, de algo enorme para somente
cerca de 10 cm de diâmetro. Na realidade, é muito difícil
arrancar até mesmo uma única raiz da terra, assim, como
alguém no mundo poderia extrair um pinheiro de dez centímetros,
especialmente estando de pé sobre seu sistema de raiz? Tais
coisas não são nada além de exageros do tipo que são usados
em contos à moda antiga.
As estórias se tornaram ainda mais incríveis desde que Ueshiba
Sensei faleceu e agora as pessoas o têm movendo-se instantaneamente
e reaparecendo de repente a um quilometro de distância e
outras loucuras. Estive com Ueshiba Sensei durante muito
tempo e posso dizer-lhes que ele não possuía poderes sobrenaturais.
AJ: Sensei, o senhor parece
em muito boa forma para um homem perto dos setenta e seis
anos. Sempre foi assim?
Tohei Sensei: Na verdade, eu
era bastante frágil quando criança. Meu disse pai que eu
precisava ficar mais forte e me fez começar judo, que treinei
na Universidade Keio. Treinei duro e finalmente cresci mais
forte, mas depois de entrar para o programa preparatório
em Keio, um ataque de pleurite forçou um afastamento de
um ano. Meu vigor tão duramente conquistado começou a sumir
outra vez.
Incapaz de suportar o pensamento de perder aquilo pelo qual
eu tinha trabalhado tanto para conseguir, substituí o judo
por outras formas de treinamento tais como zazen (meditação
Zen sentada) e misogi (purificação). Eu jurei que não deixaria
minha força desaparecesse outra vez, mesmo que isso me matasse.
Preocupar-me com a minha saúde e viver como um semi-inválido
não fazia nada pela minha recuperação, e assim mandei tudo
para o alto, e disse a mim mesmo que eu deveria lançar-me
no treinamento, ainda que isso me matasse. O Aikido fazia
parte desse treinamento também. Concentrei-me em manter-me
forte e em algum ponto, os raios-X mostraram que a pleurite
estava completamente curada. Surpreendentemente, eu tinha
ficado bom.
Embora as idéias fossem um pouco vagas na época, eu tinha
uma sensação de que foram minha mente e espírito (kokoro)
que motivaram meu corpo. Compreendi que o estado mental
é importante. A doença física é normal (embora indesejável),
mas é inaceitável permitir que a doença se estenda à sua
mente ou ao seu ki.
Em japonês, quando o corpo sofre de alguma disfunção, chamamos
a isso yamai ou byo, que significa simplesmente "mal-estar";
mas quando o distúrbio se estende para o ki também, chamamos
byoki. Assim, embora meu corpo possa estar afetado por algum
tipo de mal-estar, não devo deixar que ele se estenda ao
meu ki. Se a mente estiver saudável, o corpo seguirá.
Além disso, estando afastado do judo por quase dois anos,
na época em que obtive o meu segundo dan, todos já tinham
sido promovidos a quarto ou quinto dan. Mesmo muitos dos
terceiro dan haviam progredido muito além de mim, e podiam
lançar-me por todo o lado. Aquilo não era muito interessante
e nem muito divertido.
Esperando fortalecer-me, fui para casa e comecei a chutar
levemente os pilares ao redor da construção. Depois de fazer
isso umas duas mil vezes por dia, contudo, as paredes começaram
a cair. Minha irmã mais velha não gostou muito disso e me
fez ir para fora, no jardim. Depois de umas poucas semanas,
eu conseguia mover meus pés com a mesma agilidade e destreza
que as mãos. Voltei ao dojo e era capaz de arremessar todos>
Conhecendo Morihei Ueshiba
AJ: Quando o senhor entrou
para o Ueshiba Dojo?
Tohei Sensei: Acho que foi
em 1940. Kisaburo Osawa entrou cerca de uma semana depois.
Eu pensava no quanto era pobre o estado de coisas, tanto
que eu podia treinar por minha conta por um par de semanas
e voltar e lançar todos no dojo de judo. "Por que me aborrecer
com uma arte marcial como essa? Pensei. Foi quando conheci
Ueshiba Sensei. Shohei Mori, um dos meus seniores no clube
de judo e que trabalhou na Manchurian Railway, me contou
a respeito de um professor com uma força fenomenal e me
perguntou se eu gostaria de conhecê-lo. Deu-me uma carta
de apresentação e eu fui.
Ueshiba Sensei estava fora quando cheguei ao dojo e fui
recebido por um uchideshi chamado Matsumoto. Perguntei a
ele o que era o Aikido afinal. Ele respondeu, "Dê-me a sua
mão e eu mostrarei." Eu sabia que ele ia fazer alguma coisa
comigo, assim estendi a minha mão esquerda ao invés da direita.
Ficando com a direita livre, eu queria manter a minha mão
mais forte na reserva. Ele agarrou meu pulso e aplicou um
nikkyo contundente. Eu não havia fortalecido aquela parte
do meu corpo, assim foi agonizante. Tenho certeza de que
fiquei pálido, mas eu não ia deixar que ele levasse a melhor,
assim agüentei a dor tanto quanto pude. Então desferi um
soco com a minha mão direita e ele ficou perturbado e largou.
Eu comecei a pensar que se o aikido era aquilo, deveria
esquecer e voltar para casa. Foi então que O Sensei retornou.
Mostrei minha carta de apresentação e ele disse " Ah, sim,
de Mr. Mori..." E então, como demonstração, começou a arremessar
um dos maiores uchideshi pelo dojo.
Pensei que aquilo parecia algum tipo de farsa até que Ueshiba
Sensei me disse para tirar o casaco e ir até ele. Assumi
uma posição de judo e me movimentei para agarrá-lo. Para
minha grande surpresa, ele me arremessou tão suave e velozmente
que não pude sequer imaginar o que havia acontecido. Soube
na hora que era aquilo que eu queria fazer. Pedi permissão
para me inscrever imediatamente e comecei a ir ao dojo todos
os dias, a partir da manhã seguinte.
Achei o treinamento muito estranho e misterioso, e estava
ansioso para saber como as técnicas eram feitas. Quando
alguém usa força para lançar você, há sempre alguma coisa
que você pode fazer para reagir ou contra-atacar. Mas a
estória é diferente quando a pessoa não está fazendo nada
em particular e você continua a ser arremessado. Pensei,
"Uau, isso sim!"
No começo eu não tinha idéia do que estava acontecendo.
Até mesmo colegiais podiam me atirar sem qualquer problema.
Achando tudo aquilo bastante ímpar, tentei agarrar mais
e mais fortemente, mas é claro então que eu era apenas lançado
com muito mais facilidade.
Ao mesmo tempo, eu continuava a treinar no Ichikukai (veja
a entrevista com Hiroshi Tada para mais informações). Eu
costumava ficar lá a noite inteira praticando zazen e misogi.
O treinamento se dedicava a alcançar um estado iluminado
no qual tanto o corpo como a mente se tornassem inteiramente
livres de restrições. Era exaustivo e depois disso eu ia
praticar aikido, quase morto de cansaço. Para minha surpresa,
descobri que nesse estado, as pessoas que sempre podiam
me arremessar ficavam completamente incapazes de fazê-lo!
Além disso, eu não precisava fazer muito esforço para arremessá-los.
Todos acharam estranho e diziam coisas como, "O quê está
acontecendo com Tohei?. Ele "pula" a prática e volta mais
forte do que nunca.!"
É bem mais difícil ser arremessado por alguém se você esvazia
a sua força e também é muito mais fácil arremessar seu oponente.
Pensei sobre O Sensei e compreendi que ele, sem dúvida,
praticava o seu aikido relaxado. Foi quando de repente entendi
o verdadeiro significado do "relaxamento".
Meu aikido continuou a progredir à medida que eu continuava
com o meu misogi e zazen. Cerca de seis meses depois, eu
estava sendo até mesmo mandado para ensinar em lugares como
a academia da polícia militar em Nakano e em outras academias
particulares (juku) de Shumei Okawa. Ninguém exceto Sensei
podia me arremessar. Levou apenas meio ano para me tornar
capaz de obter aquele grau de habilidade, assim pensei que
levar cinco ou dez anos é devagar demais.
Mesmo hoje a maioria das pessoas estão lutando para aprender
as técnicas ao máximo, mas eu aprendia a respeito do ki
desde o começo.
AJ: Quando foi que o Senhor
entendeu que O Sensei havia dominado a "arte do relaxamento"?
Tohei Sensei: Provavelmente
foi quando ele vivia em Ayabe e estava profundamente envolvido
com a religião Omoto. Ueshiba Sensei sempre contava uma
estória sobre um dia em ele estava em pé próximo a um poço
se enxugando depois do treino quando de repente entendeu
que seu corpo se tornara perfeito e invencível, e compreendeu
com uma clareza notável o significado dos sons dos pássaros
e insetos e tudo o mais ao seu redor. Aparentemente, esse
estado durou cerca de cinco minutos, mas acho que foi quando
ele dominou a arte do relaxamento.
Infelizmente, ele sempre falava sobre essa experiência usando
expressões religiosas, que eram mais ou menos incompreensíveis
para os outros.
Antes da guerra, Sensei ensinava no Naval Staff College,
onde tinha por aluno o Príncipe Takamatsu (um irmão mais
novo do Imperador Showa). Em certa ocasião, o Príncipe apontou
para Ueshiba Sensei e disse, "Tente levantar aquele senhor
". Quatro fortes marinheiros tentaram de tudo para levantá-lo,
mas não conseguiram.
Sensei disse na época, "Todos os espíritos divinos do Céu
e da Terra entraram em meu corpo e eu me tornei imóvel como
uma rocha". Todos entenderam literalmente e acreditaram
nele. Eu o ouvi dizer esse tipo de coisa centenas de vezes.
Por meu lado, nunca tive seres divinos entrando em meu corpo.
Nunca pus muita fé nesse tipo de explicação ilógica.
Uma vez quando estava com Sensei no Havaí, havia uma demonstração
em que se esperava que dois fortes alunos havaianos tentariam
me levantar. Eles sentiam que não conseguiriam, assim não
estavam muito preocupados. Mas Sensei, que observava, levantou-se
dizendo, "Parem, vocês podem levantar Tohei, podem levantá-lo!!.
Parem, façam-nos parar! Esta demonstração não está boa!"
Sabe, eu fiquei na rua bebendo até três horas da manhã na
noite anterior e Sensei sabia das condições em que voltei
para casa. Ele disse, "É claro que os deuses não vão entrar
em um bêbado como você! Se o fizerem, todos ficarão tontos!"
É por isso que ele achava que eram capazes de me levantar.
Na realidade, este tipo de coisa nada tem a ver com deuses
ou espíritos. É apenas uma questão de possuir um centro
de gravidade baixo. Sei disso e é o que ensino a todos os
meus alunos. Isso não significaria nada se apenas algumas
pessoas especiais possam fazer isso. Estas coisas têm que
ser acessíveis para todos se realmente têm significado.
As pessoas com os chamados "poderes sobrenaturais" são normalmente
as únicas que podem fazer aquilo que afirmam. Os outros
não podem fazer o que elas fazem e elas não podem ensinar,
porque aquilo que fazem não é real; é farsa. Qualquer um
pode fazer o que ensino. Elas estão vivas nas técnicas do
aikido tal como são. Tudo o que você precisa saber é como
fazer certo, e vê-las como poderes sobrenaturais que requerem
a presença de algum deus ou outra coisa assim é um grande
engano. Vejo isto como minha responsabilidade para ensinar
corretamente.
A personalidade de Morihei Ueshiba
AJ: Havia algumas personalidades
notáveis no dojo em 1940 ou 1941 - alguém que pudesse mais
tarde fazer um nome por si mesmo?
Tohei Sensei: Não havia ninguém
assim quando cheguei. Não havia alunos e raramente algum
uchideshi.
AJ: Quais foram as suas impressões
mais fortes de Ueshiba Sensei?
Tohei Sensei: Ele me parecia
um senhor muito simpático. Sorrindo, você sabe. De muitas
maneiras, ele tinha uma personalidade bastante infantil.
AJ: Temos uns poucos documentos
a respeito de O Sensei, mas é ainda muito difícil conseguir
uma foto dele em seu dia-a-dia. Ele conversava sobre coisas
corriqueiras, assuntos de todo o dia? Nas gravações que
temos, ele quase que parece ser de outro planeta.
Tohei Sensei: Sim, entendo
o quê você quer dizer. Certamente ele falava.
AJ: Ouvi dizer que algumas
vezes, ele explodia de raiva de repente.
Tohei Sensei: Sim, isso acontecia
com freqüência. Ele era gentil com as mulheres, todavia.
Curiosamente, sua raiva nunca era direcionada em especial
à pessoa com quem se supunha, estivesse zangado. Era como
se ele estivesse apenas furioso consigo mesmo, incapaz de
ou não desejando dirigir sua raiva ao objeto.
Uma vez um jovem aluno chamado Kurita notou que Sensei moveu-se
um pouco em sua cadeira e foi ajustá-la para ele. Sensei
explodiu e pediu para saber o que ele estava fazendo. O
pobre rapaz não tinha idéia do que estava acontecendo até
que eu expliquei que Sensei interpretou mal a ação, tomando-a
como algum tipo de brincadeira.
AJ: Qual foi a atitude de O
Sensei quando o senhor começou a basear seus ensinamentos
nos princípios do ki?
Tohei Sensei: Ele ficou enciumado
e disse às pessoas que não me dessem ouvidos. Ele dizia,
"O aikido é meu, e não de Tohei. Não escutem o que Tohei
diz." Ele aparecia no dojo dizendo coisas assim, especialmente
quando eu ensinava um grupo de mulheres. A esse respeito,
ele era bastante infantil, em sua objetividade e falta de
sofisticação - muito espontâneo e inocente.
Pessoas ligadas a várias religiões vinham ao dojo e tiravam
dinheiro dele , bajulando-o com nomes como "Morihei Ueshiba,
o kami do aikido." Dificilmente ele gastava dinheiro consigo
mesmo, mas parecia sempre estar sempre atrás de dinheiro
porque continuava a desperdiçá-lo com pessoas como aquelas.
Recebendo o Décimo Dan
Fui o primeiro a ser oficialmente promovido a décimo dan.
Originariamente, o oitavo dan era o grau máximo, mas Gozo
Shioda , do Yoshinkan começou a promover muitas pessoas.
Kisshomaru Ueshiba e o Sr.Osawa decidiram que seria útil
para estabelecer mais firmemente o Hombu Dojo se criássemos
o nono dan, que ofereceram para mim. Disse-lhes que eu achava
desnecessário criar qualquer graduação mas alta do que as
que já tínhamos, mas eles insistiram que isso ajudaria a
fortalecer o Hombu Dojo, assim, finalmente concordei. Comemoramos
a nova graduação em Ginza, um bairro de entretenimentos.
Tanto Gozo Shioda como Kenji Tomiki estavam lá.
Enquanto estive nos Estados Unidos, entretanto, cinco outras
pessoas foram também promovidas ao nono dan, e eles tentaram
manter o fato em segredo de mim. Pensei que não havia nada
a ser feito a respeito - coisas como essa iriam fatalmente
acontecer com um professor como aquele - e decidi não me
preocupar com isso.
Quando voltei a Tokyo, fiquei surpreso por encontrar Ueshiba
Sensei me esperando no aeroporto - a primeira e única vez
que ele havia feito isso. Quando chegamos em casa, ele me
pegou para uns drinques e pouco depois eu sorria e começava
a ficar alegre. Ele pareceu apreciar isso e até mesmo levantou-se
para fazer uma dança tradicional que o divertia. Tudo isto,
é claro, era porque ele pensou que eu devia estar irritado(irado?)
com o fato dele ter promovido cinco outra pessoas ao nono
dan, depois de me dizer que eu seria o único. Ao ver que
eu não estava absolutamente irritado a respeito, ficou de
bom humor outra vez.
Dois ou três dias depois, ele começou a me pedir que aceitasse
o décimo dan. Eu disse, "Sensei, por favor não me peça para
fazer isso. Se o senhor fizer de mim décimo dan, isso não
terá mais fim!" Ele concordou com o meu pedido e assim permaneci
nono dan por um tempo. Cerca de três anos depois, entretanto,
pouco antes do câncer tomá-lo, ele me pediu outra vez. Disse
"Koichi-chan, por favor, aceite o décimo dan." Me senti
obrigado a concordar, porque seria desrespeitoso continuar
a recusar e fazê-lo implorar para que eu o aceitasse.
Não demorou muito para que as pessoas dissessem que eu não
era o único a receber o décimo dan. Para evitar problemas,
ofereci-ma para devolver o grau, mas Mr. Osawa interveio
e conseguiu que fosse colocado o numero "1" em meu certificado
para atestar este, e não os outros, era oficial. Houve também
uma grande festa no Akasaka Prince Hotel para celebrar a
promoção.
Desde que me separei do Aikikai, ninguém mais foi admitido
ao grau de décimo dan, mas tão logo parti, todos começaram
a reclamá-lo.
AJ: O Senhor disse que ao começar
a fundamentar os seus ensinamentos nos princípios do ki,
O Sensei ficou enciumado e disse a todos que não lhe dessem
ouvidos. Por outro lado, ele o promoveu a décimo dan. Quais
eram suas intenções ao agir assim? Ele o estava reconhecendo
ou não?
Tohei Sensei: Acho que ele
me reconheceu e aceitou. Ele estava bem consciente de que
não havia outro igual a mim na época, e provavelmente sentiu
que caso não me promovesse, não poderia promover outros.
Mas por possuir aquela qualidade infantil, ele não pode
esperar e foi adiante, fazendo-o de qualquer maneira.
AJ: Como Kisshomaru (o atual
Doshu) viu a questão?
Tohei Sensei: Em princípio,
Kisshomaru pretendeu manter uma certa distância do Aikido.
Ele teria dito, "Meu pai e pessoas como o Sr. Tohei vieram
a este mundo para fazer o Aikido". Embora eu tenha nascido
nesta família e com as suas tarefas, prefiro mais uma casa
em uma colina da qual eu possa ir para o trabalho pela manhã
e voltar à noite." Ele esperava assumir um papel mais administrativo
como diretor geral da organização, mais do que ser um centro
dos ensinamentos. Quando Ueshiba Sensei faleceu, o Sr. Nao
Sonoda veio com uma proposta de fazer de Kisshomaru um diretor
geral e de mim, o Segundo Doshu. No entanto, Ueshiba Sensei
havia me pedido para fazer tudo o que pudesse por Kisshomaru,
e assim fiz todos os esforços para que ele assumisse o papel
que o colocava tanto como o centro dos ensinamentos como
da administração, que é como finalmente funcionou.
Tive o privilégio de estar ao lado de Sensei durante as
suas últimas horas. Disse-me, "Koichi-chan, é você? Quero
pedir-lhe para, por favor, fazer aquilo que puder por meu
filho." Respondi que embora eu nada tivesse com aquilo,
ele não tinha nada com que se preocupar. "Está bem... Peço
isto a você", ele disse, e pouco depois, deu seu último
suspiro.
O Sr. Sonoda sugeriu muitas vezes que eu deveria me tornar
o Doshu, mas eu estava determinado a cumprir minha promessa.
Para permitir que Kisshomaru assumisse um papel estável
, lancei a idéia de que ele deveria ser tanto o Doshu como
o diretor administrativo. Ele expressou sua gratidão por
meus esforços na época, mas cerca de um ano mais tarde,
sua atitude mudou. Foi exatamente nessa época que ele foi
aos Estados Unidos e começou a tirar minha foto das paredes
dos dojos lá.
Separação do Aikikai
AJ: Isso foi por volta de quando?
Tohei Sensei: Cerca de três
anos depois que Ueshiba Sensei faleceu, em 1971 ou 1972.
Antes disso, quase todos os dojos americanos mostravam ambas
as fotos, mas Kisshomaru começou a mandar tirar a minha,
colocando a sua no lugar.
Parece que o senhor gozou de um bom relacionamento durante
o período imediatamente posterior à morte de O Sensei. Por
que esse relacionamento se deteriorou depois?
Em 1971 , propus que ensinássemos especificamente o conceito
de ki dentro do Aikikai. Senti que simplesmente ir através
dos movimentos de prática das técnicas, mais ou menos num
nível superficial não resultaria em Aikido, porque o aikido
envolve ki. Sugeri a Mr. Osawa que criássemos uma aula de
ki, como base para as pessoas no Aikido. Ele rejeitou a
idéia no interesse do Aikikai, dizendo que o Aikido do Aikikai
é o de Kisshomaru, e que por isso, os ensinamentos dele
é que deveriam formar o núcleo do treinamento. Compreendi
que não havia espaço para ensinar nesse ambiente e perguntei
se estaria bem se eu continuasse com a minha sugestão fora
do dojo. Isso seria ótimo, disseram, assim saí e criei uma
aula que enfocou os ensinamentos sobre o ki e não as técnicas
do Aikido.
Acho que os meus ensinamentos de ki contribuíram muito para
o crescimento do Aikido. Simplesmente ir e vir na prática
das técnicas do Aikido está bem para estudantes e outros
jovens, mas as pessoas mais velhas com menos vigor tendem
a abandonar pouco depois. Minhas palestras sobre ki eram
bem recebidas por vários tipos de pessoas, incluindo grupos
de executivos de alto nível - gerentes e presidentes e pessoas
assim. Entretanto, tanto Mr. Osawa como Kisshomaru encararam
aquilo que eu fazia com algo tirado do Aikido.
Nos Estados Unidos, as pessoas entendem o Aikido em termos
de expressões como " um questão de mente". No Japão, contudo,
o Aikido é simplesmente chamado de Aikido, assim achei que
era necessário estabelecer o conceito de ki também no Japão.
O Sr. Osawa era um homem muito bom e ouviu o que eu tinha
a dizer. Na época, no entanto, ele se esforçava para apoiar
Kisshomaru e tentou prevenir as pessoas de participarem
do meu treinamento.
Eles me recusaram permissão para ensinar sobre ki dentro
do Aikikai, mas eu disse que era livre para fazer o que
quisesse fora. Com esse entendimento, comecei minha aula
no Olympic Center. Provou ser muito popular e em três meses,
cem alunos estavam inscritos. O Sr. Osawa ficou surpreso
quando ouviu a respeito e veio a mim perguntar se eu estaria
interessado em dar essa aula dentro do Aikikai! Fiquei muito
irritado e disse que achava ser um pouco tarde para isso.
Nenhuma das pessoas que freqüentavam minha aula de ki sabia
qualquer coisa sobre Aikido e não estavam interessadas,
na verdade, em saber, já que não era aquilo que elas vinham
aprender. Isso não teria acontecido se eu pudesse ter criado
uma aula de ki dentro do Aikikai para começar. Dada a posição
em que Mr. Osawa se encontrava, eu sabia que ele teve que
recusar, mas acho que ele sempre se sentiu mal a respeito.
Quando o quartel-general do Ki no Kenkyukai (Ki Society)
foi construído na Prefeitura de Tochigi em 1990, o Sr. Osawa
me contatou em particular e fez uma pequena contribuição.
Estórias do Aikido no pós-guerra
AJ: Que tipo de pessoa entrou
para o Aikikai depois da guerra?
Tohei Sensei: Ensinei muitas
das pessoas que hoje são professores... Tada, Arikawa, Yamaguchi,
Okumura, Yamada, Chiba. Yamada ainda aparece de vez em quando.
AJ: O Senhor tem estórias memoráveis
do treinamento na época ?
Tohei Sensei: Bem, nada que
seja tão interessante.
Uma vez quando tomei uma bebedeira, eu treinava com Tamura,
que está na França agora. Eu disse, "Veja, algumas vezes
vou arremessá-lo forte, por isso, tenha cuidado." Ele deve
ter subestimado minhas palavras, pois quando o arremessei
, ele foi voando pelo dojo e atravessou a janela de vidro
com o braço. Ele deveria ter tentado parar nesse momento,
mas ao invés disso, tentou puxar o braço imediatamente e
acabou se ferindo nos cacos. Quando vi o que ele havia feito,
fiquei zangado e sem pensar, gritei com ele por não ter
esperado até que ele pudesse tirar o braço com segurança.
Me arrependi imediatamente e compreendi que era cruel gritar
com ele daquela maneira, no instante do ferimento. Me desculpei,
levando-o para uma noitada na cidade.
Uma outra vez, levei Tamura e Chiba para uma demonstração
em Hiratsuka. Foi durante a Ocupação e por isso, a maioria
das demonstrações de vários tipos de artes marciais estavam
proibidas. Para uma demonstração de Aikido, no entanto,
foi dada permissão e a realizamos diante do comando da guarnição
naquela área. Nossa explicação do princípio da não-competição
no Aikido foi bem recebida e pareceu encontrar simpatia
junto à audiência.
Durante a demonstração, fiz uma técnica na qual eu dei uma
rasteira em Chiba com um jo. Ele próprio se ajustou para
acompanhar o movimento. Mas eu detesto quando as pessoas
fazem a queda desnecessária e propositadamente assim, então
eu disse a ele que deixasse de fazer coisas desnecessárias
e arremessei-o com toda a minha força. Ele virou completamente
de ponta-cabeça a baixo e quase veio ao chão de cabeça.
Por um momento, temi ter feito algo terrível a ele, e fiquei
aliviado ao ver que , de alguma forma, ele aterrissara em
segurança.
Havia um aluno meu que entrou para o Aikikai e era elogiado
por seu bom ukemi e acompanhava Ueshiba Sensei com freqüência.
Eu o usava como uke durante uma demonstração no Hibiya Kokaido
(local de demonstrações de Aikido de todo o Japão antes
do Budokan começar a ser usado), mas ele começou a rolar
antes que eu tivesse feito o arremesso. Eu disse, "O quê
diabos você está fazendo, caindo antes mesmo de começar
a lançá-lo? Saia daqui!" Havia muitos espectadores presentes
e acho que eles ficaram bem surpresos, mas foi também uma
oportunidade inesperada para que vissem que as técnicas
do Aikido não são uma farsa nem tampouco pré-arrajandas.
Quando eu estava com quarenta e nove anos, fiz um filme
educativo de no qual pessoas como Masando Sasaki e Seishiro
Endo aparecem como meus uke. Endo apareceu também num livro
chamado Shinshin Toitsu Aikido, que é, na maior parte, de
fotografias. Ensinei Saotome e Ichihashi também, vez ou
outra.
AJ: O senhor tem alguma anedota
interessante da época posterior à sua saída do Aikikai?
Tohei Sensei: Cerca de dez
anos atrás na França, a grupo de alunos de Tamura veio para
me ver. Aparentemente, Tamura pensou que devido a minha
idade, eu provavelmente não estaria mais fazendo Aikido
e deveria estar só trabalhando com ki. Parece que eles vieram
para ver com seus próprias olhos se isso era realmente verdade
e acho que também para dar uma olhada em um décimo dan.
Escolhi oito deles para me atacarem em randori. Foram para
casa dizendo, "Bem, parece que Tamura Sensei está enganado!"
Compreensão de uma simples afirmação de Tempu Nakamura.
AJ: De que maneira o Shinshin
Toitsu Aikido é diferente daquele do fundador Morihei Ueshiba?
Tohei Sensei: Quando fui ao
Havaí e tentei usar as técnicas que havia aprendido com
Ueshiba Sensei, descobri que muitas delas eram ineficientes.
O que Sensei dizia e aquilo que fazia eram duas coisas diferentes.
Por exemplo, a despeito do fato de que ele próprio estava
muito relaxado, dizia aos seus alunos para fazer técnicas
contundentes e poderosas. Quando cheguei ao Havaí, no entanto,
havia dois sujeitos tão fortes quanto Akebono e Konishi
(dois conhecidos lutadores de sumo havaianos) por todo o
lugar. Simplesmente não há como usar força ou poder para
triunfar contra esse tipo de força.
Quando você está firmemente imobilizado ou controlado, as
partes do seu corpo que estão diretamente imobilizadas não
podem se mover. Tudo o que você tem a fazer é iniciar um
movimento com aquelas partes que você pode mexer, e a única
maneira de fazer isso com sucesso é relaxar. Mesmo que o
seu oponente o tenha preso com toda a sua força, você ainda
pode lançá-lo num vôo se estiver relaxado ao fazer o arremesso.
Isto é algo que experimentei em primeira-mão, durante aquela
viagem ao Havaí e quando retornei ao Japão e dei uma outra
olhada em Ueshiba Sensei, compreendi que ele, sem dúvida,
aplicava sua técnicas em um estado muito relaxado.
Tohei Sensei: Enquanto estive
com Ueshiba Sensei, estudava também com Tempu Nakamura.
Foi ele quem primeiro me ensinou que " a mente move o corpo".
Essas palavras me atingiram como um raio de eletricidade
e me abriram os olhos para o verdadeiro conhecimento do
Aikido. A partir desse ponto, comecei a rever todas as minhas
técnicas de Aikido. Joguei fora técnicas que iam contra
a lógica, selecionando e reorganizando aquelas que senti
que eram utilizáveis.
Hoje o meu Aikido consiste de cerca de 30% das técnicas
de Ueshiba Sensei e de 70% minhas próprias.
Provavelmente, você pode dizer que foi no Havaí que fiz
o meu treinamento mais importante (shugyo). A propósito,
razão pela qual fui ao Havaí em primeiro lugar, foi a convite
do Nishikai, um grupo dedicado ao Método Nishi de Saúde.
Entretanto, suas intenções tinham a ver com competir com
as minhas habilidades marciais contra alguns lutadores e
para usar a renda do evento na construção do seu auditório.
Não sabia disso até a véspera da minha partida e então já
era tarde demais para recusar , assim me conformei e fui
mesmo assim.
Os havaianos foram muito francos ao expressarem suas primeiras
impressões a meu respeito. Disseram, "Nossa. Sensei, você
é bem jovem, não é?" Então disseram, "Nossa, Sensei, você
é bem pequeno..." Então foram direto ao ponto dizendo, "Sensei,
você tem certeza de que pode realmente fazer isso?" Pensei
que a única coisa a fazer era mostrar-lhes que eu podia
e deixar que vissem por si mesmos. Depois daquilo, todos
os artistas marciais do local e lutadores se tornaram meus
alunos. O Hawaii Aikikai foi fundado oito meses depois e
me fizeram um capitão honorário vitalício da força policial
local. Ueshiba Sensei nunca foi testado dessa forma em sua
vida inteira.
AJ: Gostaríamos de perguntar
a respeito de técnicas com armas. No Aikikai Hombu Dojo
há alguns shihan que afirmam que o Aikido moderno não tem
técnicas com armas. Por outro lado, há professores como
Morihiro Saito que integram as armas ao ensino de técnicas
desarmadas (taijutsu). Na sua visão, as técnicas com armas
são parte do Aikido ou não?
Tohei Sensei: Dizer que não
há técnicas com armas em Aikido é ridículo. As pessoas dizem
isso porque não as conhecem. Venha ver o que fazemos com
as armas na Ki Society. Há também um vídeo educativo. Que
no Aikido existem técnicas com armas é apenas senso comum
e é uma vergonha que as pessoas digam o contrário. Fico
pensando, será que devo ir lá e ensiná-los?
O Sr. Yoshio Sugino (Dojo-cho do ramo do Kawasaki Aikikai,
Yushin Dojo, e décimo dan em Katori Shinto-ryu) assistiu
a um dos nossos exames de treinamento físico. Vendo as técnicas
com armas dos nossos membros, ele os elogiou, "Vejo que
você tem dezenas de aspirantes a O-Sensei aqui."
AJ: Tohei Sensei, agradecemos
por seu tempo em conversar conosco.
(Excerto do Aikido Journal, ed. #107 - Traduzido por Emy
Yoshida - Dojo Central)
Biografia de Koichi Tohei:
Nascido em 1920 em Tóquio, mudou-se quando jovem para a
Prefeitura de Tochigi, onde passou sua juventude. Sua saúde
frágil durante a infância forçou-o a visitar o hospital
com freqüencia. Pela insistência de seu pai, começou a praticar
judo. Fortalecendo-se em certo grau, aos quinze anos obteve
sua faixa preta e aos dezesseis, entrou para o programa
preparatório da Universidade Keio. Continuou a praticar
judo entusiásticamente, mas contraiu uma pleurite como resultado
do treinamento excessivo e foi forçado a deixar a escola
por um ano. Durante esse período, dedicou-se ao treinamento
pessoal em misogi kokyuho, Zen e outros tipos de disciplina.
Aos dezenove anos, conheceu Morihei Ueshiba e se tornou
seu aluno. No curto período de meio ano, tornou-se o representante
do fundador (dairi) e, sem ter recebido ainda qualquer grau
oficial em aikido, foi enviado para ensinar na Academia
de Polícia de Nakano e na escola particular de Shumei Okawa.
Aos vinte e três anos, foi convocado para o serviço militar
e aprendeu sob fogo o segredo de dirigir o ki para um ponto
no baixo abdomen (seika no ittem).
Entre 1953 e 1971 visitou os Estados Unidos em quinze ocasiões,
ensinando e divulgando o Aikido e os princípios do ki .
Tohei recebeu o décimo dan do Aikido em 1969. Serviu como
Diretor dos Shihan (Shihan Bucho) e Diretor (Riji) do Aikikai
até deixar essa organização em 1974.
Tohei fundou a Ki Society (Ki no Kenkyukai) em 1971 (reconhecida
como uma organização sem fins lucrativos em 1977), a qual
ainda preside. A Ki Society é a única organização no Japão
especializada em treinamento de ki que foi reconhecida como
entidade sem fins lucrativos pelo Ministério do Bem-Estar
Público. |
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Aikikai.
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