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Sensei
Stanley Pranin está envolvido em contar sobre a história
e as raízes do Aikido desde 1974, através de suas publicações
da revista Aikido Journal (anteriormente Aiki News).
Dentre suas experiências, estão incluídas vastas pesquisas
sobre a vida do Fundador do Aikido, o Sensei Morihei
Ueshiba, seu treinamento em Daito Ryu Aiki Jujutsu e
seu envolvimento com a religião Omoto. Ele continua
a contribuir com a comunidade do Aikido através das
publicações em seu site.
Esta
entrevista foi conduzida no Summer Camp das Montanhas
Rochosas - Estados Unidos .
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AW: Quando o senhor começou a Aiki News?
Stanley Pranin:
Comecei coma Aiki News em 1974. A primeira edição foi publicada
em Abril e foi elaborada sobre uma série de traduções de artigos
de jornais japoneses. Alguns amigos japoneses e eu começamos
a traduzir os artigos um por um e mimiografá-los. Sempre haviam
pessoas pedindo cópias dos artigos, então pensei: "Poxa! já
temos 17 artigos nessa série, talvez pudéssemos fazer um folhetim
com eles". Os artigos juntamente com algumas notícias locais
foi o início da Aiki News em Monterrey - Califórnia.
AW: Qual era
sua intenção quando fazia essa coleção de artigos?
SP: Durante
alguns anos, fui interessado no O-Sensei como pessoa. Se houvessem
mais matérias publicadas em Japonês sobre ele naquela época,
eu até tentaria traduzi-los. Acho que eu não teria a motivação
suficiente para ter levado essa pesquisa tão longe.
Mas, naquela época, não havia quase nada em Japonês também.
Então, havia esse professor fenomenal que tinha idéias maravilhosas
e inovadoras, com uma dimensão ética que combinava esses dois
mundos do budo e da filosofia, que mais pareciam ser polaridades
opostas. Aquele ideal me foi muito atraente e eu quis conhecer
mais - eu queria descobrir o que acontecia com o Fundador.
Não foi fácil conseguir informações no início, então eu tentei
eu mesmo descobrir.
AW: Você
dá muita importância à história do Aikido em sua revista,
com menções freqüentes ao Daito Ryu e outros aspectos históricos
do Aikido. Porque você acha que a história do Aikido
é tão importante?
SP: A história
é importante da mesma maneira que a genealogia de uma família
seria importante. Ou, numa doutrina como a Bíblia; voce tem
toda aquela filosofia, tanto no lado Judeu como no lado Cristão,
mas ela também é um documento profundo e histórico.
A história do Aikido
não foi muito documentada. Em 1977, o segundo Doshu, Sensei
Kisshomaru Ueshiba, publicou a biografia do O-Sensei, que
foi a primeira biografia extensa de seu pai mas, certas áreas
muito importantes não foram abordadas com a profundidade necessária
e, certas pessoas que não estavam a favor do Aikikai, foram
negligenciadas ou até nem foram mencionadas nela. Pessoalmente
eu não acho que isso foi uma biografia balanceada, mas mesmo
assim o livro é essencial para qualquer pessoa interessada
na história do Aikido.
Eu achei que a história,
para mim, seria uma maneira de organizar um montante de documentos
e estabelecer suas raízes. É como uma âncora para as atividades,
a disciplina, a família, e outras coisas. Te dá uma ligação
para focalizar um ponto que ajuda voce a se guiar, te dá um
sentido de pertencer ou desejo de querer contribuir para essa
extensa família.
Outra coisa que
eu aprendi mais tarde, e que uma ferramenta muito interessante
para te dar a capacidade para avaliar uma pessoa com que voce
possa estar conversando. Se voce puder falar com ele sobre
o que se passou no passado, voce poderá compreender rapidamente
seus pontos de vista e nível de confiabilidade.
Por exemplo, uma
das coisas que eu freqüentemente fazia, era fazer uma pergunta
que eu já sabia bem qual era a resposta. \pela escolha de
palavras e approach que a outra pessoa usava, eu podia dizer
bastante sobre de onde ela vinha e talvez adaptar minhas questões
para fazê-los se sentir mais confortáveis ou realçar suas
idéias mais importantes para eles.
Eu percebi que a
história e uma atividade sempre presente. É uma atividade
muito política também.
AW: O que você
sente sobre o meio político do Aikido?
SP: Eu acho
que o meio político do Aikido é uma mera expressão da natureza
humana. Outras áreas com que eu tenho contato, tem o mesmo
fracionamento e as pessoas não se dão bem. Ás vezes, pessoas
de um mesmo nível técnico, não se dão bem socialmente.
Algumas pessoas
dizem, "Aikido fala sobre harmonia, mas mesmo assim voce vê
todos esses instrutores lutando e suas organizações não se
dão bem". Eu costumava me sentir dessa maneira, mas acabei
percebendo que esse tipo de coisa é normal. Uma das coisas
das quais o O-Sensei falava, era sobre as metas a serem atingidas,
mas no percurso do caminho voce vai achar muitos comportamentos
humanos. Existem muitos aspectos interessantes do comportamento
humano nisso; é um verdadeiro estudo da natureza humana.
AW: Você
fala muito na sua revista sobre o Daito-ryu aikijujutsu.
SP: A razão
de eu fazer essa cobertura sobre a arte é porque foi imperativo.
O-Sensei foi profundamente envolvido com essa arte, então
eu tive que pesquisá-la. A mesma coisa acontece com a religião
Omoto, O-Sensei também esteve envolvido com ela e foi um fator
chave para seu desenvolvimento pessoal. De uma maneira similar,
o treinamento do Daito-ryu e toda a associação com as pessoas
do Daito-ryu, foi absolutamente essencial em sua formação.
Daito-ryu aikijujutsu deu a ele os meios técnicos para se
expressar e mais tarde desenvolver o Aikido. Foi como a argila,
se voce quiser colocar desse modo, usada para criar as técnicas
de Aikido.
AW: Você
acha que ajudaria os praticantes atuais de Aikido, voltar
um pouco e aprender algumas técnicas de Daito-ryu?
SP: Acho
que isso seria mais uma escolha opcional e depende de cada
pessoa.
Poderia se estudar
Daito-ryu e tirar muito proveito e dizer: " Ah! Agora eu sei
de onde o Aikido veio e porque" e "Não é interessante como
nós mudamos as coisas".
Eu recomendaria
às pessoas que, pelo menos observem-no algumas vezes antes
para perceber de onde as raízes vem. Seria muito instrutivo.
As opiniões variam, mas se voce vem do lado do Daito-ryu,
poderia se dizer que o Aikido é um rebento do Daito-ryu. Se
voce vier do lado do Aikido, voce diria que o Daito-ryu é
muito cruel, jujutsu mecânico que não tem filosofia, e que
o Aikido é essa coisa altamente refinada, circular, moral
e é muito superior. Voce diria isso se não soubesse nada sobre
o Daito-ryu.
Acho que eu escrevi
uma vez num editorial, que eu não achava nada de superior
espiritualmente nos praticantes de Aikido, comparado aos praticantes
de Daito-ryu. De fato, eu acho muito mais coisas em comum
do que diferentes. A diferença entre o "do" e jutsu" pode
ser algo que somente um estudioso erudito descreveria em uma
tese, mas não tem muito a ver com a realidade presente.
AW: Também dizem
que o O-Sensei estudou várias outras artes Koryu fora do Daito-ryu.
SP: Eu não
diria que isso é verdade. Se voce olhar do ponto de vista
histórico, ele foi para Tóquio em 1901 e ficou um ano lá.
Durante sua estadia em Tóquio, enquanto treinava para se tornar
um comerciante, ele fez um pouco de Tenjin Shinryo-ruy jujutsu.
Foi provavelmente um "machi" dojo, em outras palavras, num
dojo pequeno na área de Asakuza, nos arredores de Tóquio.
Ele iria lá à noite, mas foi só por uns três ou quatro meses,
pois logo ele ficou muito doente com beriberi e teve que sair
de Tóquio e retornar a Tanabe. Ele estava praticando e trabalhando
muito durante o dia e foi num período curto, que durou somente
alguns meses. Seria difícil imaginar que aquilo tenha exercido
uma influência técnica tão grande sobre ele.
No mesmo assunto,
quando ele esteve no exército, ele também começou a estudar
Yagyu-ryu jujutsu. Existem algumas questões sobre o que o
nome verdadeiro da arte era. O-Sensei se referiu a ele como
Yagyu-ryu jujutsu, enquanto que [Kisshomaru Ueshiba] Doshu
fez algumas pesquisas e disse que era Goto-ha Yagyu-ryu Shingan-ryu
ou outro nome similar.
Ele estava no exército
na época em que ele foi enviado para a Manchúria por um tempo.
Era difícil para eu imaginar que ele ia regularmente treinar
enquanto estava no exército, então eu não sei com certeza
se ele treinava somente nos finais de semana. Ele aparentemente
estava entusiasmado sobre seu treinamento mas, não haviam
circunstâncias adequadas para se fazer um estudo mais detalhado
sobre isso.
No entanto, ele
continuou a estudar um pouco de Yagyu-ryu após sair do exército,
mas ele estava em Tanabe, que era umas duzentas milhas de
distância e ele tinha que ir de ferry boat (balsa)! Novamente,
talvez ele foi umas três quatro ou meia dúzia de vezes, mas
não foi o tipo de coisa intensa, que ele estudou ano após
ano.
Bem, mas ele tinha
um makimono (manuscrito/diploma) também --- entretanto, não
foi selado. Pode-se somente especular o que ele significava.
Algumas vezes, o que acontece é que uma pessoa foi ordenada
a preparar um makimono ou a pedir a alguém que preparasse
para ele e, por uma razão ou circunstância, o professor nunca
chega a assiná-lo. No entanto, o manuscrito não pode ser considerado
oficial.
Então, pode parecer
que ele estudou mesmo essa forma Yagyu-ryu mais do que o Tenjin
Shinryo-ryu jujutsu, mas provavelmente por um dois anos, somente.
A outra arte que
ele estudou, mas novamente não muito a fundo, seria o judo.
A primeira descrição do professor que foi enviado do Kodokan
para Tanabe pelo pai do O-Sensei para ensinar a Morihei e
a vários parentes e amigos, deu a impressão de que esse professor
de judo fosse um expert na arte. Na verdade, ele tinha 17
anos. Eu encontrei sua esposa nos anos 80 e ele me disse isso
diretamente. Ele seria no máximo um shodan. Também, o O-Sensei
estava envolvido com outras coisas nessa fase de transição
de sua vida, tentando descobrir o que ele escolheria como
carreira. Uma das razões, de acordo com o Doshu, que esse
judoka foi trazido, era para ajudá-lo a focalizar e a canalizar
suas energias. Mas, o O-Sensei acabou tendo que ir para Hokkaido.
Então, voce tem
esse breve período de Tanjin Shinryo-ryu, um pouco de treinamento
em Yagyu-ryu jujutsu enquanto estava no exército, uma pincelada
em judo, e daí o Daito-ryu. É isso. A idéia de que ele estudou
muitas artes diferentes do Daito-ryu e que se tornou mestre
em todas elas é completamente falsa.
AW: Então, toda
essa conversa sobre ele ser um mestre na espada ou mestre
no yari (lança) é infundada?
SP: Bem,
no caso do yari, por exemplo. Ele recebeu algum treinamento
com juken (baioneta) no exército, mas eu também tive! Tenho
certeza de que ele teve mais do que eu tive, mas nesse contexto,
voce não está treinando como ser fosse uma arte marcial. O
yari provavelmente foi uma extensão do treinamento com a baioneta
e outras coisas mais que ele aprendeu no caminho. Sabemos
que ele treinou muito só com ele mesmo durante sua época em
Ayabe na Omoto. Existem leves evidências de que ele usaria
o yari em seus treinos, mas não há nada escrito que prove
que ele teve algum treinamento formal disso.
É claro, ele viu
muitas artes marciais. Ele deu demonstrações por muitos anos.
Mais tarde, em 1937, ele formalmente se juntou a um ryuha
Japonês, o Kashima Shinto-ryu. Na verdade, ele fez seu keppan,
seu juramento de sangue, juntamente com o de Akazawa Zenzaburo.
Ele aparentemente não treinava, mas organizava com os mestres
da arte, para trazerem professores ao dojo. Esses professores
visitariam o Kodokan e também o Kobukan dojo do O-Sensei.
Isso foi por um ano, ou um ano e meio, com Ueshiba observando
cuidadosamente o treinamento. Akazawa, Kisshomaru e talvez
outros jovens deshi praticavam a arte. A prova disso é que
se voce olhar o primeiro kumitachi do Saito Sensei e o segundo,
eles são praticamente idênticos a essas formas da escola Kashima.
A descoberta do Keppan e minha entrevista com o mestre daquela
forma, me mostrou a estória toda.
AW: Então ele
não recebeu o menkyo kaiden?
SP: Não,
ele não recebeu nada. Mas, ele formalmente entrou no dojo
e aparentemente observou o treinamento muito bem. Obviamente,
muito do que ele tirou disso foram as formas mais grosseiras
que ele utilizava nos anos de treinamento Iwama, treinando
para desenvolver e expressar a si mesmo através das armas.
AW: Isso é muito
interessante, pois muitas pessoas dizem que o Aikido é baseado
nas artes com a espada e que todos os movimentos que fazemos
são movimentos com a espada.
SP: Eu não
discordo disso. Devemos nos lembrar que enquanto estamos conversando
sobre Daito-ryu aikijujutsu, isso era somente uma fatia do
conhecimento do Sensei Takeda Sokaku; suas maiores artes eram
artes com a espada. Então, enquanto Takeda aparentemente não
ensinava muito de espadas, toda a idéia da espada permeia
seu jujutsu. O-Sensei certamente percebera dessa maneira.
Existe um ponto
de vista muito comum nas artes marciais japonesas. Muitos
professores de outras artes se basearam seus pensamentos na
espada. Como diz o ditado, "A espada é a alma do Japão".
Menos no sentido
técnico, mas certamente no sentido espiritual, simbólico,
a espada é crucial para o Aikido --- não porque eu estou dizendo,
mas porque O-Sensei disse. Vejam o swari-waza kokyu-ho; o
movimento inteiro e o uso do braço pode ser comparado ao levantar
e atacar com a espada, como uma analogia. Na aula do Sensei
Saotome ontem, ele fez todas as artes baseadas nisso; é a
mentalidade da espada e o sentimento da espada. Seria interessante
perguntar ao Sensei Saotome como ele percebe isso. Eu sei
que ele fez treinamento com espada no Yagyu-ryu também. Eu
me lembro dele em 1973, com aqueles fukuro shinai vermelhos
em couro. Eu chego a pensar que ele teria um ponto de vista
similar.
AW: Tenho certeza
de que você ouviu falar das lendas do O-Sensei de quando
ele viu as luzes das balas de revólver antes delas serem disparadas
ou de quando ele pulou do chão para a viga do telhado e fugiu
correndo como um ninja. O que é fato e o que é ficção?
SP: Eu acho
que voce está citando um certo livro. Até ver as luzes de
balas, O-Sensei dizia coisas assim. Obviamente, eu não entrei
dentro de sua mente, mas ele era uma pessoa muito espiritual.
Podemos olhá-lo do ponto de vista do século 20 ou agora, do
século 21, mas temos que colocá-lo num contexto histórico.
Ele foi um homem profundamente envolvido na religião Omoto,
uma seita baseada no Shintoísmo. Seu ponto de vista era baseado
nessas coisas. Voce tem que fazer referências a livros como
o Kojiki e o Nihonshiki para compreender seu pensamento. Era
nesses símbolos e metáforas que as pessoas de sua religião
costumava pensar e de como eles entendiam o relacionamento
entre o universo e a natureza.
O-Sensei explicaria
que ele era um Kamigakari (uma pessoa divinamente possuída)
ou um veículo através do qual o Kami se expressava, quase
como uma reencarnação, que esses espíritos superiores possuíam
seu corpo e expressavam-no através de seu Aikido. Era assim
que ele explicava todas as coisas maravilhosas que ele estava
fazendo. Era essa sua cosmologia.
Quanto a ele pular
para cima do telhado nas vigas e coisas assim, eu não sei
de onde essa veio. O Doshu dispensava esse tipo de história
e expressava desdém por esse tipo de bobagem. E, até onde
eu sei, O-Sensei não contava esse tipo de estórias.
AW: Vamos dizer
que o O-Sensei estivesse vivo hoje, se você pudesse
fazê-lo uma pergunta, o que voce perguntaria?
SP: Eu acho
que eu não teria uma resposta, porque estou tentando visualizar
a cena, eu estaria numa sala com ele só ouvindo. Eu sou um
gaijin (estrangeiro) com 1,85m de altura de uma cultura diferente.
Normalmente, uma pessoa como eu nunca se acharia nessa situação.
E, mesmo que eu fosse fazer uma pergunta, as próximas duas
horas seriam ele falando sobre o que ele quisesse e a conversa
seria, sem dúvida, espontaneamente.
Certamente não se
teria uma resposta direta da parte dele, seja qual fosse a
pergunta. Ele não era o tipo de pessoa que se focalizava em
fatos e coisas assim. Se voce perguntasse sobre sua compreensão
espiritual, voce teria uma palestra sobre o universo em termos
Shinto. E é claro, eu não perguntaria " Em que ano o Senhor
fez....", já que não significaria nada!! (Risos)
Mas, eu adoraria
tê-lo encontrado. Eu perdi isso por dois meses. Eu cheguei
quase dois meses depois dele haver falecido. Cheguei um dia
antes ou depois do dia em que sua esposa havia falecido, que
foi dois meses depois do dia em que ele se foi.
AW: Voce já passou
por muitas experiências, obviamente, tanto na América quanto
no Japão em dojos de Aikido, treinando e observando. Quais
as diferenças que você nota entre os dojos Americanos
e os Japoneses? Você acha que essas diferenças podem
ser atribuídas as diferenças sociais entre as Americanos e
os Japoneses?
SP: Sim,
e muito. Os comentários que farei hoje são generalidades,
é claro.
Devido a ética de
trabalho Japonês ter pessoas, especialmente homens, trabalhando
da manhã até a noite --- freqüentemente todas as noites da
semana --- e às vezes trabalhando nos finais de semana, não
é uma sociedade que conduza a prática intensiva das artes
marciais. Por isso, o que voce tem são pessoas que podem praticar
artes marciais talvez para relaxamento, por hobby, ou uma
desculpa para interagir socialmente.
Como as propriedades,
especialmente nas cidades grandes, é tão cara, não existem
dojos tipo lojas como na América ou talvez Europa. Por isso,
o número de dojos profissionais é mínimo no Japão. Eu odiaria
ter que numerá-los, mas certamente existem menos do que cem.
Só aqui na América, acho que teríamos pelo menos uns 1500
a 2000 dojos profissionais, sem mencionar os outros grupos
que existem.
Quando voce tem
um dojo que é dedicado ao Aikido, que oferece aulas diariamente
durante a semana, e em alguns locais, várias aulas por dia,
voce tem pessoas que talvez não estejam trabalhando tantas
horas quanto os Japoneses, e que têm consciência de que vivem
numa sociedade violenta, voce tem um nível muito mais sério
de compromisso com o treinamento.
O Japão não tem
uma sociedade violenta. Não há tempo para esse tipo de coisa
a não ser que seja um hobby, com poucas exceções. E, devido
a economia, as possibilidades (a não ser que voce seja rico
ou por outra razão), de se abrir um estabelecimento comercial
profissional, e ter sucesso com ele, é quase nula.
Uma outra coisa
é que, francamente, ser um instrutor de artes marciais não
é uma posição considerada muito importante socialmente no
Japão. Se voce é pai e sua filha vai se casar com uma pessoa
que tem um dojo, voce não ficaria, em primeiro momento, muito
encantado com essa perspectiva. Não estou dizendo que é uma
profissão marginalizada, mas não é como se fosse um engenheiro
numa compania ou um tradutor ou algo de status social mais
alto.
Aqui, se voce é
bom no que faz e tem sucesso, as pessoa o julgarão mais no
que voce fez e no nível de sucesso que obteve, do que negligenciá-lo
dizendo, "Bem, ele é só um professor de artes marciais..."
. No entanto, mesmo na América, a imagem pode ser um pouco
manchada devido a natureza comercial de algumas escolas de
artes marciais, eu não acredito que teríamos uma discriminação
tão negativa quanto eles têm no Japão.
O Aikido irá se
desenvolver mais fora do Japão como já ocorre, na América
e Europa, devido as estruturas econômicas e sociais e devido
ao nível de compromisso ser mais sério. Não há dúvidas
em minha mente.
AW: Se você
pudesse mudar uma coisa no Aikido do Japão, o que seria?
SP: Na verdade,
eu penso que eu já fiz isso através do meu trabalho. Não foi
minha intenção mas foi um produto fazê-los mais conscientes
de sua maravilhosa herança cultural. O Aikido é um tesouro
cultural. Através de nossas pesquisas, nós documentamos alguns
de seus aspectos e os disseminamos em nossas publicações.
Ainda está em pequena escala, mas as pessoas que estão seriamente
no Aikido no Japão, já conhecem nosso trabalho. Eles sabem
o que Daito-ryu é. Sabem quem Takeda Sokaku foi. Eles sabem
alguma coisa da religião Omoto. Eles conhecem Koichi Tohei.
Tomiki. Mochizuki. Eles conhecem essas coisas. E se, talvez
há uns vinte ou quarenta anos atrás, a não ser que eles realmente
soubessem dessas coisas, eles não teriam esse tipo de conhecimento.
AW: Eu só queria
dizer que, conversando com as pessoas na Internet, muitas
delas queriam expressar suas mais altas congratulações e apreciações
por tudo que voce já fez pela arte. E eu também, é claro,
por toda a energia que voce coloca no Aikido Journal e em
seu Website da internet - eu acho maravilhoso.
SP: Eu realmente
agradeço tudo isso, muito obrigado.
Existe muito mais
coisas que devem ser feitas que eu gostaria de clonar a mim
mesmo duas ou três vezes --- muito mais coisas seriam feitas!
(risos). Estamos sempre seguindo em frente e tentando conseguir
o que queremos.
Eu tenho na consciência
nesse estágio de minha vida --- espero Ter muitos anos bons
pela frente --- de que a vida é uma situação finita, por isso
tenho que pensar agora, " OK, eu não vou conseguir levar todos
esses conhecimentos, documentos, fotografias, estórias comigo,
então o que é realmente importante, de que maneira vou assegurar
que isso vá além de meu tempo e da próxima geração de pessoas
interessadas terão o material". Esse é um assunto que é preocupante
para mim hoje em dia, e espero colocara mais e mais energia
preservando-os documentos, e também disponibilizando-os de
forma que os torne mais acessíveis por outras pessoas como
pela Internet, provavelmente mais do que através das publicações
impressas.
AW: Muito obrigado
pela entrevista.
Esta
entrevista foi traduzida por Paulo Proença- Insitututo Takemussu
-Kokoro Dojo.
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