ENTREVISTAS COM GRANDES MESTRES
Entrevista com THONG PHONG DE DANG
um exemplo de perseverança
(Traduzido por Paulo Proença - Dojo Kokoro - Sorocaba)

 

ikido Journal: Eu gostaria de agradecê-lo por convidar-me a vir hoje. Eu fiquei muito interessado em conhecê-lo melhor quando eu li carta que você me enviou, que descreve seu início no aikido. Para começar com, eu quero perguntar-lhe como você veio estabelecer este dojo aqui no condado alaranjado?
Sensei Dang: Parece ser meu karma. Depois de mais de quarenta anos da aprendizagem, praticando e ensinando várias artes marciais, o espírito delas envolveu meu sangue e meus ossos. Após muitos anos, percebi que é como se eu estivesse viciado nas artes marciais. Durante os últimos trinta anos, eu tentei instalar novos dojos onde fosse possível. Quatro meses depois de nos fixarmos na Califórnia, nos mudamos para a cidade de Garden Grove, em Orange County e, quando percebi que não havia nenhum dojo no local, decidi abrir um.

Onde você vivia no Vietnam?
Saigon.

Eu acredito que você começou a treinar Aikido muito cedo, talvez nos idos de 1950...?
Eu comecei a treinar judo e kung-fu shaolin nos anos cinquenta. Entretanto, em 1958 meu irmão, o Sensei Tri Thong Dang retornou ao Vietnam, vindo da França, e começou a ensinar Aikido. Pratico essa arte maravilhosa desde então. Mas nessa época, eu não podia dedicar-me inteiramente ao Aikido devido a minhas responsabilidades familiares. Meu pai havia falecido quando eu ainda era muito jovem. Minha mãe tinha que trabalhar dura para conseguir criar seus três filhos que estavam em casa. Por isso, além de ir à escola, eu tinha que passar minhas horas extras trabalhando para ajudar minha mãe. Eu também era professor assistente de judo e kung-fu shaolin na Han Bai Duong School of Martial Arts, uma das mais famosas escolas de artes marciais de Saigon, fundada elo falecido Dr. Nguyen Anh Tai. O Instrutor Chefe era meu professor, o Sensei Vu Ba Oai.
Somente em 1961 ou 1962, que um representante do Hombu Dojo, Sensei Mutsuro Nakazono, veio ao Vietnam para iniciar uma nova raiz de Aikido lá, é que fui capaz de passar mais tempo praticando a arte. Devido aos meus dez anos de treinamento de judo, fui capaz de absorver a essência do Aikido sem maiores dificuldades, e progredi rapidamente. Sensei Nakazono ensinava judo e aikido na Associação de Aikido e Judo, fundada por Tri Thong Dang. Por eu acompanhar freqüentemente o Sensei Nakazono aos seus seminários em centros de treinamento para as tropas do exército e oficiais de polícia, aprender muitas de suas técnicas especiais.

Sensei Nakazono é uma pessoa muito interessante, eu o encontrei uma vez em Paris em 1970, eu acho. Acredito que ele possuía uma base muito forte do Judo e que ele começou seu aprendizado de Aikido na Manchúria.
É verdade que ele era muito bom tanto no Judo quanto no Aikido., mas ele também era altamente graduado em outras artes marciais também, incluindo Kendo. Ele tinha um total de vinte e sete dan de ranking.

Quando o Sensei Nakazono estudou Aikido?
Não tenho certeza, mas meu irmão provavelmente saiba.

Por quanto tempo o Sensei Nakazono permaneceu no Vietnam?
Por uns dois anos.

Seu irmão também deixou do Vietnam nos anos 60?
Sim, ele deixou em 1964.

Daí voce então ficou encarregado do Dojo quando seu irmão foi para a América? Quando o Sensei Tri Thong Dang saiu, em 1964, eu era o responsável pelas escolas locais de Aikido e Judo. Naquela época não havia Federação. Mais tarde, comecei a implantar vários dojos, tanto normais como militares, por todo o país. Como eu tinha a esperança de um dia formar uma federação de Aikido, trabalhei duro durante dois anos para conseguir ajuntar um pouco de dinheiro para fazer uma viagem ao Hombu Dojo para aprimorar meus conhecimentos de Aikido. Lá eu fiz o exame para Sandan, um ranking alto o suficiente para eu liderar uma nova Federação. Em seguida retornei ao Vietnam e iniciei o processo oficial de formação da Federação de Aikido, no início de 1968.

Aqueles que treinam Aikido nos Estados Unidos ou mesmo no Japão, estão acostumados com um tipo básico de treinamento, incluindo aquecimentos, técnicas básicas, e assim por diante. Quais são as diferenças na maneira em que o Aikido era ensinado no Vietnam ou era ensinado mais ou menos como é em outros dojos pelo mundo?
Devido a minha base instrutiva de judo, enfatizo muito os aquecimentos, incluindo aiki-taiso, alongamentos, trabalhos nas juntas, e treinamentos de rolamentos e quedas. Isso é muito importante. Tradicionalmente, minhas aulas sempre duram uma hora e meia, com mais ou menos trinta minutos de aquecimentos.

Isso é muito importante. Eu pessoalmente sinto que o treinamento que atingimos, simplesmente ao condicionarmos o corpo e o mantendo flexível, é tão importante quanto treinar as técnicas.
Isso é verdade, Uma pessoa que faz um bom aquecimento também obterá bons resultados durante o restante de seu treino.

Eu estou no Aikido agora há trinta anos. Professores que tinham seus quarenta anos quando iniciei, estão nos setenta agora, e eu observei ao mesmo tempo que alguns mantiveram um bom condicionamento físico, outros não. Eles ensinam, mas raramente treinam, e não acho que faziam alongamentos. Agora que estão mais velhos, ficou muito mais difícil para eles praticarem o Aikido mais vigorosamente. Sua observação é muito correta. Treinamento diário é necessário. Quando se ensina uma técnica, um bom professor tem que não somente demonstrar os detalhes do movimento e sua essência, mas também o poder intrínseco dessas técnicas. Treinar diariamente irá ajudar a desenvolver e manter bem esse ki, eu creio, até uma idade avançada.

Quando voce estava administrando o Dojo no Vietnam, imagino que as condições políticas eram muito severas. O Governo colocou alguma restrição na prática de Aikido naquela época?
No Vietnam, a maioria dos estilos tem uma presença forte porque os vietnamitas adoram as artes marciais. Qualquer pessoa que quiser operar um dojo deve primeiro provar que é eficiente em sua especialidade. Após uma revisão do Ministério da Juventude e Esportes, uma requisição é enviada ao Ministério do Interior, onde o histórico político e cívico do requisitante é investigado. Qualquer pessoa que tem um passado com prisão, etc... não obtêm permissão para ensinar. Em 1975, depois de os Comunistas tomarem o Sul, todas as formas de artes marciais foram proibidas. O Governo Comunista, não permitiu atividades de artes marciais até 1979. Todos os estilos de arte marcial estão sob a direção, em seu nível mais baixo, da Agência de Esportes e Jogos. Atualmente, dojos de propriedade particular são proibidos. Entretanto, eu acredito que num futuro próximo, o governo será mais tolerante quanto a abertura de dojos particulares.

Parece que vocês tem uma grande experiência com artes marciais no Vietnam, incluindo os estilos Chineses e Japoneses, e até os estilos indígenas. Sei que hoje, no Sudeste da Ásia ainda existe um forte ressentimento contra os Japoneses devido ao que se passou na 2ª Guerra Mundial. Ainda existem esses sentimentos, e voce já encontrou sentimentos de resistência quanto as coisas Japonesas entre seus estudantes?
Na verdade não existe tanto ressentimento aos Japoneses, ou contra as artes marciais Japonesas em particular, tanto sob o antigo Governo Sul Vietnamita quanto sob o atual governo. De fato, as artes marciais Japonesas foram mais aceitas do que as artes marciais Coreanas. Muitos estilos diferentes de artes marciais Japonesas são populares entre os Vietnamitas.

Qual foi a razão para isso?
Foi devido a influência de filmes Japoneses enfatizando o alto nível de nacionalismo deles. Essa foi a razão para a preferência. Um aluno obedeceria seu professor de artes marciais mais até do que seu professor escolar. Se seu professor de artes marciais dissesse a ele que ele deveria morrer, ele morreria. Por outro lado, os filmes Coreanos eram raramente mostrados no Vietnam e muitas pessoas não conheciam o estado patriótico dos Coreanos, que não deixa nada a desejar ao dos Japoneses.

Voce tinha algum tipo de ligação com o Japão quando voce foi autorizado a começar a ensinar novamente em 1980? Voce foi visitado por algum Shihan Japonês ou algum de seus alunos conseguiu viajar?
Naquele tempo era proibido para qualquer cidadão comum manter contato com pessoas de outros países, por isso eu não podia manter contato com professores no Japão. Somente quando eu consegui escapara para a América, na minha décima oitava tentativa, é que fui capaz de contatar aquelas pessoa novamente.

Me lembro de ler em sua mensagem que voce teve algumas experiências muito memoráveis e perigosas. Voce também tem experiência com outras artes marciais além do Judo e do Aikido, incluindo algumas artes mais orientadas aos combates. Em situações em que sua vida estava em perigo, quais técnicas ou treinamento voce acha que seria mais importantes para a sua sobrevivência?
Desde 1975 eu me encontrei em muitas situações perigosas, mas o que me ajudou mais foi a habilidade de me manter calmo. Isso tem me ajudado muito em situações perigosas.

Isso é muito interessante. As pessoas que se iniciam nas artes marciais --- especialmente os jovens --- estão sempre interessados em adquirir rapidamente as técnicas que eles poderiam usar nas ruas.
Eu pratico artes marciais há quarenta e três anos, mas nunca tive que aplicar técnicas em ninguém. Na maioria dos casos, quando as pessoas tentam começar uma briga comigo, sempre respondi com calma para evitar uma situação embaraçosa.

Isso é espantoso de se ouvir, especialmente devido a suas experiências em situações de guerra. Penso que isso conta como crédito para seu próprio treinamento e para a habilidade que a arte marcial tem de desenvolver um estado de calma interior numa pessoa.
Em 1967, a Federação Internacional de Taekwondo e convidou à Coréia do Sul para visitar e aprender mais sobre a organização da Federação. No final da minha visita de duas semanas, expressei meu desejo de visitar o Japão e Hong-Kong. Alguns instrutores Coreanos me aconselharam a não ir a Hong-Kong, dizendo que o lugar não era seguro devido a eu ser um estrangeiro e me transformar em um alvo fácil para assaltos. Mas eu decidi a fazer a viagem, não porque eu gosto de assumir riscos, mas porque eu tinha plena confiança em minha habilidade de me manter calmo e sob controle.

Recentemente, tive a oportunidade de entrevistar um professor de Karate de Okinawa. Ele não é famoso ou coisa parecida, mas é muito respeitado. Ele descreveu como era crescer em Okinawa cercado de condições perigosas. Seu irmão era um praticante bem formado de Goju-ryu Karate e sempre chamado para lutar ou decidir disputas de alguma coisa. Perguntei a ele quais técnicas ou estratégias seu irmão tinha para entrar em tais disputas. Ele respondeu que seu irmão era tão forte e tão hábil, que tudo o que tinha que fazer era aparecer nos locais que as coisas já se acalmavam, e não haveria mais briga... Eu sei que foi muito difícil para voce deixar o Vietnam sob o governo atual e que voce tentou por várias vezes escapar. Voce poderia nos relatar a história de sua fuga quando voce finalmente pôde sair do Vietnam para vir aos Estados Unidos?
Quinze de minhas dezoito tentativas de fuga foram feitas pelo mar, enquanto que as outras três foram pela terra. Durante cinco fugas, fui perseguido pelas Patrulhas Comunistas ou pela Polícia. Fui preso por duas vezes e fiquei detido por oito meses da primeira vez e por trinta e sete meses na segunda vez. Durante esses trinta e sete meses eu ficava um tempo na prisão e um tempo era levado aos campos para trabalhos forçados, um ciclo que se repetia sempre. Antes de minha décima oitava tentativa, um de meus alunos que havia conseguido escapar do Vietnam com sucesso, escreveu à sua mãe dizendo que a viagem havia sido muito bem planejada. Sua mãe me contatou e me disse para usar o mesmo método. Eu já não queria mais ir porque da última vez em que eu havia sido preso, minha família não conseguiu obter notícias minhas por mais de um ano. Por isso relutei muito.
Nessa época, as pessoas já estavam podendo sair livremente, e eu tinha esperança de poder sair legalmente. Mas isso se tornou impossível devido as minhas prévias tentativa de fuga. Devido ao meu status de oficial nas Forças Armadas do Sul do Vietnam ensinando algumas pessoas da Embaixada Americana, consegui evacuar minha família no último minuto através da Embaixada Americana. Eu tive que aguardar por um novo vôo de resgate que nunca veio...e fui forçado a ficar para trás.
Minha fuga acabou sendo pelo mar. Passamos dois meses, vagando de ilha para ilha, passando por um total de cinco, até chegarmos na Ilha de Galang, na Indonésia, onde o Comissário para Refugiados das Nações Unidas estava localizado. Finalmente cheguei ni Aeroporto Internacional de São Francisco, no dia 25 de fevereiro de 1986, e fui recebido por minha esposa e dois filhos, depois de onze anos de separação. Primeiro nos estabelecemos em Sacramento, mas era muito difícil para eu encontrar trabalho lá. Fiquei por lá por uns dois meses e fui convidado por alguns ex-alunos a visitar Orange County. Fui até lá para dar uma olhada na área e decidi retornar à São Francisco para buscar minha família.
Assim que mudei para Orange County eu não tinha dinheiro suficiente para abrir um dojo na hora, então consegui um emprego ganhando cinco dólares por hora, trabalhando de dez a doze horas por dia. Fiz isso por mais ou menos um ano e meio e acabei emprestando dinheiro para abrir o dojo. Depois de um mês e meio nesse primeiro dojo, que era em Brookhurst Way em Garden Grove, o proprietário do imóvel pediu o imóvel de volta para demoli-lo e vender a terra, e eu perdi tudo. Comecei a procurar por outro local imediatamente e dois meses depois assinei um contrato de 5 anos pelo meu dojo atual, que mede 900,00 metros quadrados. Inicialmente eu me envolvi em sérios problemas financeiros, o dojo era muito novo e ninguém o conhecia. Durante o primeiro ano e meio, eu trabalhava sem salário e ainda tinha que colocar muito dinheiro no dojo. Eventualmente, o número de alunos cresceu, e daí eu consegui cobrir as despesas.

Eu estive em centenas de dojos durante esses anos e posso dizer que sempre sinto quando alguém tem um bom sentido de profissionalismo. Por exemplo, eu vejo a limpeza desse dojo e sua aparência aqui. Eu sei que voce é muito sincero em seus ensinamentos e eu também penso que voce tem uma boa noção de como apresentar a sua arte ao público de maneira atrativa.
Muito obrigado.

Voce não tem muita experiência com a cultura Americana ou de como fazer negócios por aqui, mas me faz pensar que um dos princípios mais importantes para se dirigir um dojo é o bom senso, e ele é bom em qualquer lugar.
Tive muitas experiências em ensinar e organizar nos últimos trinta anos. Antes de 1975, fui chefe da Federação no Sul do Vietnam, que consistia em mais de trinta dojos e tinha dez mil membros. Eu também fui Secretário Geral das federações de Judo e Taekwondo. Comecei a ensinar há mais de trinta anos atrás. Aprendi através de minha experiência que as pessoas tem que se sacrificar no presente, no início, se elas quiserem chegar a seu objetivo mais adiante, no futuro. Descobri que na América, habilidade não é o suficiente --- sabedoria e conhecimento em organizações às vezes é o mais importante para se chegar ao sucesso. Atualmente, além da minha responsabilidade com as aulas e \o funcionamento diário de nossa federação, estou me preparando para escrever um livro e, se possível, produzir um vídeo de técnicas de Aikido, para aqueles que querem aprender mais sobre a Tenshinkai Aikido. Isso também será meu presente para as gerações futuras.

Se um Americano procura por uma academia numa lista telefônica, por exemplo, e encontra um Americano ensinando qualquer arte marcial, penso que ele não teria nenhum problema com o treinamento com aquele professor. Mas, um Americano nos Estados Unidos pode considerar meio estranho se aprender uma arte marcial Japonesa com um professor Vietnamita. Voce já teve que lidar com uma situação desse tipo e se já teve, como voce respondeu?
O que voce diz é uma grande verdade. Um Americano que vem para este dojo para aprender uma arte marcial Japonesa com um professor Vietnamita --- especialmente uma pessoa Vietnamita muito pequena --- deve ficar com algumas dúvidas. No entanto, muitas pessoas que já haviam visitado vários dojos antes de vir aqui, gostam da maneira que eu ensino Aikido porque meu estilo é muito mais leve do que os outros, com muitos movimentos leves.

Creio que a maioria dos membros de seu dojo vem de comunidades Vietnamitas daqui de Orange County. Em que língua voce normalmente ensina?
Para aulas em geral, eu falo em Vietnamita, exceto quando estou interagindo de maneira individual, aí eu uso o Inglês. Algumas vezes preciso de intérprete para explicar um ponto difícil. Hoje em dia uns setenta por cento de meus alunos adultos são Americanos ou orientais, enquanto que noventa por cento dos alunos nas aulas para crianças são Vietnamitas.

Percebi ao ler sua mensagem e conversas com Eric Womack no caminho para cá, que voce se esforçou para se expandir e fazer intercâmbio com professores de outros dojos, por exemplo Kim Peuser e Hoa Newen do Oakland Aikido Institute e com Frank McGourik. Eu acho que tais intercâmbios são muito positivos e que ajudam a tornar seu dojo e suas atividades mais divulgadas, e a expor seus alunos a outras maneiras de se ver a arte.
Eu gosto da idéia de meus alunos poderem ampliar seus conhecimentos e terem a chance de treinar com outros professores.

Devido a cultura violenta em que vivemos, imagino que muitos dos estudantes de Aikido estão interessados em defesa pessoal. Técnicas de Aikido, ou alguma aproximação leve no Aikido, são sempre criticados por outros artistas marciais como não sendo eficientes em situações reais. Como voce responde às dúvidas que os alunos devem ter quanto a eficiência do Aikido?
Quando os filmes de Steven Seagal começaram, tivemos muitos estudantes novos, mas muitos deles acabaram parando porque esperavam estar lutando tão bem quanto Steven Seagal após poucos meses de treinamento. Eu freqüentemente enfatizava aos iniciantes que para se conseguir aplicar as técnicas de Aikido eficientemente após somente alguns meses de prática é algo irreal. Somente após um ou dois anos de trabalho árduo é que alguém pode começar a apreciar a eficiência e beleza dessa arte. E isso é só o começo! O caminho do Aikido é tão longo, que às vezes temos que viajar durante toda vida nele. Quanto mais praticamos, descobrimos mais de sua beleza oculta. Isso é porque o Aikido é mais do que um sistema de defesa pessoal; também é uma arte que promove o aspecto humanístico das artes marciais.

O Aikido, na visão do O-Sensei, é uma arte marcial muito espiritual e os ideais do Aikido enfatizam muito a ética, a aprender como conviver com outras pessoas, evitando confronto sempre que possível e assim por diante...
Quando estou ensinando, enfatizo a não criação de situações perigosas e a não ferir o oponente ou parceiro de treino. Não quero mencionar o nome de nenhuma escola, mas existem vários instrutores de artes marciais que querem aparecer machucando seus alunos duramente, às vezes até ferindo-os. Não aprovo esse tipo de atitude.

Eu toquei nesse assunto várias vezes durante anos na Aiki News/Aikido Journal, mas apesar da filosofia do O-Sensei, mesmo entre professores de Aikido existem muitos indivíduos altamente graduados , que regularmente machucam as pessoas durante os treinos de Aikido. Esse tipo de coisa me perturba, porque não é uma ocorrência isolada, e não está sendo feito por pessoas de fora, mas por alguns dos professores graduados.
Sim, eu concordo.

Parece existir uma linha muito fina por onde estamos caminhando entre aprender uma arte marcial que seja eficiente, e sermos capazes de aplicá-la de maneira humana, sempre exercitando o domínio completo. Sensei, concluindo, existe alguma área da qual voce gostaria de falar ou enfatizar?
Como um Vietnamita expatriado, minha mente sempre está no Vietnam e minha meta é um dia retornar lá para ensinar outros alunos. Alguns deles não conseguiram aprender nada de novo nos últimos dezoito anos, e estão esperando por mim. Esse é o meu sonho mais desejado. Meus alunos atualmente estão operando todos os dojos do Vietnam, e esperam por meu retorno breve. O sistema de Aikido do Vietnam pertence ao Tenshinkai Aikido Federation e quando eu retornar distribuirei diplomas sob a Tenshinkai Aikido Federation.

Voce tem planos para viajar ao Japão no futuro?
Se eu tiver a oportunidade, eu gostaria de retornar ao Japão para aprender mais e expandir minha experiência, para me tornar um professor melhor. Mesmo sofrendo de dificuldades financeiras na maioria das vezes, sempre dou ênfase à técnica e nunca distribuo diplomas ou títulos para aqueles que não atingiram o nível necessário. Finalmente, eu gostaria de expressar minha sincera gratidão a voce por aceitar meu convite para visitar-nos, apesar da longa distância. Em nome da Tenshinkai Aikido Federation, eu lhe desejo muita saúde e sucesso na continuidade de seu trabalho editando uma das mais profissionais revistas de artes marciais no mundo atual.



 

 

 

 

 

 

 

 

 

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