ARTIGOS E ENTREVISTAS
Perguntas mais frequentes
John Litchen

Por que você estuda Aikido? O que atrai você nesta arte marcial? O que o levou a fazê-la em primeiro lugar? O que há no Aikido que faz com que pessoas o pratique durante anos, se não por toda vida, uma vez que tenham iniciado?

Essas freqüentes questões são difíceis de responder, e existem inúmeras respostas assim como existem várias pessoas estudando e praticando Aikido.

Alguns dizem que praticam por saúde. Outros dizem que o fazem para manter a forma. Corridas, constantes caminhadas e exercícios aeróbicos farão isto, mas as pessoas freqüentemente os praticam até encontrarem outro exercício que as mantenham em forma, dança por exemplo. Por que as pessoas mantém-se estudando a Arte do Aikido?

"Estudo para autodefesa", outros dizem. O que algumas pessoas aprendem nas aulas de Aikido é aplicável para autodefesa, mas Aikido não é sempre usado com essa finalidade. Muitos professores são mais concentrados no movimento corporal (tai sabaki), conectando e harmonizando (musubi) os pensamentos para neutralizar, preferencialmente a defender ou incapacitar, o oponente.

Um dos inúmeros benefícios da prática regular do Aikido é o auto conhecimento e conscientização, que pode ajudar-nos a evitar conflitos. Aikido deve sempre auxiliar-nos caso o conflito não possa ser evitado. Mas um fato constantemente esquecido é que o Aikido pode ser tão ofensivo quanto defensivo. E quando esta pode ser um devastadora arte marcial, este aspecto da arte e raramente ensinado, exceto para níveis mais altos.
"Isto é filosofia", alguns dizem com seriedade. " É como conhecimento de meditação". Mas, como no Tai Chi, se for feito apropriadamente.

Se você pedir a alguém para refletir sobre essas vagas respostas elas geralmente o farão tornando-se confuso, por que eles realmente não podem responder a questão: "Por que você pratica Aikido?" Isso é verdadeiro para mim.

A seis anos atrás, quando estava em férias com minha família no Chile, fui por insistência do meu filho à Casa Del Aikido, o Dojo Central em Santiago, assistir a uma aula. Tinha ouvido sobre Aikido, e tinha lido o livro de Kishomaru Ueshiba, "O Espírito do Aikido". Mas, aos 50 anos nunca tinha pensado que seria capaz de fazê-lo. Nunca pensei que meus joelhos seriam capazes de lidar com suwariwaza.

Após a aula, houve um assombrosa demonstração. Eu fui arrebatado pelo movimento fluído, a turva velocidade da resposta a um ataque e a devastação destruidora do atacante que não souber como receber o ukemi. Eu sabia como cair e rolar devido ao treinamento anterior de Judô e Karatê. Assim, como assisti uke saltar para voltar ao ataque novamente, ficou óbvio para mim que receber bem era uma essencial parte da arte.

Talvez seja o centro, o canal de energia (Chi) que há em nosso corpos são fortes e vivem enquanto permanece suave e flexível. Com qual freqüência a filosofia por trás do Aikido é discutida nas aulas?O que O-Sensei escreveu é obscuro, e o conhecimento que ele quis comunicar, contém aforismos e poemas difíceis de decifrar (traduzir) e abertas a muitas interpretações. Como resultado, geralmente são enfatizadas nas aulas as técnicas, os princípios e aplicações.

Algumas pessoas encontram nessa simples aprendizagem de ukemi - cair e rolar de maneira relaxada para não serem atingidos - a maior atração. Essa é a parte mais apreciada do Aikido e certamente muito utilizado. Quantas vezes as pessoas caiem acidentalmente? Sabendo-se como cair instintivamente sem machucar-se pode prevenir muitas fraturas, especialmente os mais velhos.

Assim existem exercícios de respiração e purificação (misogi), os quais contribuem para uma boa oxigenação do sangue, e existe o reforço dos ossos e juntas através de técnicas como Nikyo, Sankyo e Kotegaeshi. A consciência de que todo o corpo relaciona-se com o ambiente e tudo a seu redor (zanshin) estão em toda parte do Aikido.

POR QUE ALGUMAS PESSOAS PRATICAM AIKIDO POR TODA VIDA?

A decisão de iniciar o treinamento não foi racional, mas simplesmente uma reação ao sentimento de que o Aikido abriria inúmeras possibilidades. Era apenas eu e meu filho procurando o que fazer. Nós conversamos com o instrutor, e com o seu encorajamento, começamos nosso treinamento no dia seguinte. Quando retornamos para Melbourne, Austrália, nós continuamos. Embora meu filho desistisse por várias razões, continuei. Aumentando o número de dias que eu praticava de três para quatro por semana. Hoje, como estou aposentado, treino seis dias por semana.

Um dos meus momentos mais orgulhosos foi quando, durante o verão escolar em Melbourne, Austrália (Janeiro de 1997) o Sensei Seiichi Sugano anunciou que eu havia passado no teste para Shodan. Isso foi a algumas semanas do meu aniversário de 57 anos, e eu tinha treinado por exatos seis anos.

Hoje estou mais flexível do que jamais estive nos meus 40 anos e , certamente, muito mais saudável. Mas, se você me perguntar porque pratico e estudo Aikido, temo não poder responder. A verdade é que eu não sei. Mas sei que continuarei praticando Aikido pelo resto da minha vida.

Talvez, se você me fizer o mesmo questionamento em outros 20 anos, eu seja capaz de respondê-lo.

Traduzido pelo instrutor Fernando Coutinho do Instituto Takemussu Maceió.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

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