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Tenho
praticado Aikido por mais de 40 anos e ainda estou ponderando
o que aprendi. Eu vi as diferentes formas em que o Aikido
é retratado e percebido externamente e os problemas
por trás dos
panos que as maiores organizações de Aikido
passaram. Eu
me pergunto se nós como uma sociedade de Aikido estamos
realmente praticando o que o fundador nos ensinou. Me parece
que estamos perdendo sua mensagem de humanidade e amor.
Eu tenho observado instrutores e alunos que parecem estar
absortos e isolados em sua prática.
Parecem se concentrar primeiramente em seu próprio
desenvolvimento e promoção. Temo que este
seja um entendimento limitado do que o Aikido pode ser e
pode dar aos outros a impressão errada sobre a natureza
verdadeira do Aikido.O
mundo do Aikido não é governado, como outras
artes marciais, por torneios que determinam quem é
mais talentoso ou poderoso. Assim, qualquer um pode se aclamar
instrutor e justificar suas interpretações
pessoais. Tenho observado "analistas de Aikido"
amadores retratar o Aikido com palavras ao invés
de prática, cuja principal forma de experiência
de Aikido tem sido discussões na Internet. (Isto
não é uma referência ao Aikido Jornal
ou ás maiores publicações profissionais
on-line.) Muitos instrutores fazem discursos maravilhosos
sobre Aikido e a arte da paz, mas não muitos são
lideres ativos, que lideram fazendo e não pelo que
eles dizem que nós devemos fazer. Para mim, retirar-se
do mundo e construir uma comunidade de Aikido e praticar
Aiki profundamente nas montanhas é mais um indicativo
de auto glorificação do que real entendimento
do Aikido. Instrutores que pregam conceitos floreados não
baseados na realidade não lideram os outros a se
entenderem ou ao mundo. Usando as palavras do Fundador como
uma mortalha para se esconder atrás revela uma falta
de entendimento básica.
Simplesmente praticando Aikido em dojo, nos estamos mudando
ou melhorando o mundo à nossa volta? Apenas a um
passo fora do dojo você pode encontrar desabrigo,
pobreza, drogas, desemprego e crime. Praticar Aikido simplesmente,
não vai mudar isso. Toda vez que pisamos do lado
de fora, estamos em contato com a vida real. Não
podemos nos esquecer que Aikido é apenas uma pequena
parte de um mundo grande. Eu sempre deixo claro para meus
alunos que o verdadeiro entendimento não vem somente
da prática de artes marciais. Nós precisamos
ampliar nosso campo de estudo para verdadeiramente entender
o papel que as artes marciais desempenham no desenvolvimento
humano.
De
onde vem as artes marciais? Os seres humanos fazem as artes
marciais. As artes marciais não fazem os seres humanos.
Este é um ponto básico que deve ser entendido.
É muito importante estudar como a história,
política e ideologia tem afetado o desenvolvimento
das artes marciais. Sem compreender estes grandes tópicos
e suas aplicações é impossível
entender o propósito do Aikido que nós todos
praticamos.
Nós agora vivemos em uma fase de relativa paz nos
Estados Unidos e no Japão, desta forma, falamos de
Aikido em termos de amor e paz. No entanto, ao longo da
história do Japão e em outros países
cujas realidades políticas não tem sido tão
estáveis, as artes marciais tem sido estudadas como
meios de controlar os outros ou como meios de sobrevivência.
Há evidência disto na história de todas
as artes marciais, inclusive na história do Aikido.
Na Coréia e China principalmente, o papel que o Aikido
tem desempenhado na história possui aspectos a serem
lamentados.
Existem
mais exemplos atuais de Aikido que não são
baseados no "amor e harmonia". Em uma era onde
a base da filosofia do Aikido é de paz, o Aikido
é ensinado e usado pela milícia e governo
de Myanmar para suprimir as reformas democráticas
naquele país. O Ativista do Myanmar Tsu Yan Chi,
através de organizações japonesas de
suporte, pediram ao Doshu do Hambu dojo, Ueshiba, para parar
de enviar instrutores japoneses de Aikido para Myanmar.
Até hoje esta situação não foi
remediada, e o Aikido tem sido ensinado como forma de repressão.Existem
muitas experiências interessantes na vida do Fundador
que precisam ser examinadas e entendidas para apreciarmos
suas últimas realizações. Sua importância
é principalmente histórica, mas é essencial
entender o Fundador, como um homem, um homem de muitos sonhos,
mas também de muitas provações e problemas
.
Em 1905, o Japão colonizou a Coréia e em 1906
invadiu e colonizou partes do que agora é o norte
da Manchúria. A Mongólia está ao norte
destas províncias entre o que agora é a China
ao sul e a Rússia ao norte. Koulong (atual Ulaanbaatar),
a capital da Mongólia, durante está época
tinha mais de 800 templos Budistas Tibetanos e monastérios
com milhares de monges vivendo neles. O Budismo Tibetano
estava florescendo e os monges conquistavam poder político
enquanto mantinham seus laços espirituais com o povo
da Mongólia.
Para manter o controle nestes territórios, os japoneses
precisavam aumentar sua presença militar. Eles precisavam
das reservas naturais e posições estratégicas
e eles voltaram seus interesses para a Mongólia.
A Rússia também tinha interesse na Mongólia
e havia começado a formar laços com o governo
Mongol. Os Japoneses estavam bem cientes de que os Russos
não seriam complacentes com os monges Budistas se
eles tomassem o controle da Mongólia. Esta era uma
abertura que o governo Japonês achou que poderia usar.
Na arena política mundial do início do século,
os Estados Unidos e a Europa haviam condenado o Japão
por ações militares na região, assim,
o Japão encontrou formas mais dissimuladas de manobra
nestes novos territórios.Neste tempo, a China não
era uma nação única e existiam muitas
lutas pelo poder entre facções rivais e clãs.
O Kanto Tokumukikan japonês (grupo disfarçado
do governo japonês) apoiava grupos revolucionários
chineses. Um grupo no norte da Manchúria era encabeçado
por um líder político chamado Cho, cujo objetivo
principal era conquistar toda a China. A seu serviço
estava o agente especial chamado Ro que tinha experiência
nos assuntos com a Mongólia.

Disfarçadamente,
através do Kanto Tokumukikan, a estratégia
era enviar Onisaburo Deguchi, o líder da Omoto Kyo,
junto com membros de elite de grupos revolucionários
da China do Norte para a Mongólia para tentar influenciar
os líderes religiosos a se unirem ao Japão.
Estrategicamente para os militares japoneses, uma forma
de tomar o controle sobre o país era tomar o controle
dos monges Budistas e sua influência sobre a Mongólia.
Em 1924, o Fundador Morihei Ueshiba partiu para a Mongólia
com Onisaburo Deguchi. O Fundador estava ensinando artes
marciais aos membros da Omoto kyo, naquele tempo. Era uma
época de tensão para o clã religioso
da Omoto Kyo e eles enfrentavam uma tremenda perseguição
do governo por suas ideologias populares, porém radicais,
uma das biografias de Deguchi diz que ele foi à Mongólia
depois de uma inspiração divina para encontrar
e construir uma utopia religiosa. Diz-se que ele partiu
durante a noite para escapar da perseguição
religiosa. Outra possibilidade é a de que ele conhecia
a estratégia militar e tinha negociado sua passagem.
Esta escrito que Onisaburo Deguchi e sua comitiva, incluindo
o Fundador Ueshiba, partiram para a Mongólia perseguindo
um sonho. A pergunta é, de quem era o sonho? Onisaburo
Deguchi tentou entrar na Mongólia com a desculpa
de ser o Dalai Lama reencarnado, Suzun Khan. O Fundador
Morihei Ueshiba também havia mudado seu nome e identidade.
Em sua comitiva estavam membros dos grupos revolucionários
chineses apoiados pela japonesa Kanto Tokumukikan. No entanto,
sua missão não foi bem sucedida e eles nunca
alcançaram a Mongólia. Se eles tivessem sido
bem sucedidos estariam as forças militares japonesas
logo atrás? Países, até continentes
por todo mundo tem sido conquistados primeiro por missionários
seguidos pêlos militares. Ao longo da história,
a religião e a política tem em muitos casos
andado de mãos dadas. Esta correlação
não é mencionada em biografias do Fundador.
Este período da sua história foi registrado
como uma provação. Eu tenho dificuldades em
acreditar que o Fundador, na época com seus quarenta
anos, realmente acreditasse estar procurando por uma utopia
quando foi à Mongólia. Em uma época
de guerra e estratégia política ele deveria
saber dos outros motivos pêlos quais ele poderia ter
sido enviado à Mongólia. Se ele realmente
acreditava que ele poderia construir uma sociedade utópica
no país de outras pessoas, isto demonstra um pouco
de arrogância contra os povos e culturas que ele tentava
alcançar.
Felizmente para o desenvolvimento do Aikido, a comitiva
foi presa pelos chineses (que os haviam previamente apoiado)
antes de alcançarem a fronteira da Mongólia.
Sem temer as repercussões militares japonesas, os
chineses liderados pelo Sr. Cho, dispersaram Onisaburo Deguchi
e seu grupo e os enviou de volta para o Japão. Ironicamente,
alguns anos depois em 1928, o Sr. Cho foi morto pelo exército
Japonês. Após sua volta ao Japão, no
entanto, as relações do Fundador com a Manchúria
não estavam terminadas.
A
pressão para tomar a região continuou e, em
1931, os japoneses através da Kanto Tokumukikan executaram
um de seus próprios militares do alto escalão
e culparam os chineses. Esta foi uma desculpa para uma invasão
e com a ajuda do imperador chinês Fugi, da dinastia
Shin, os japoneses invadiram e declararam a Manchúria
sob domínio Japonês. Estabelecendo seu próprio
governo na Manchúria, os japoneses começaram
a tarefa de convertê-la em um estado japonês.
Naquele tempo, o Aikido era ensinado como uma matéria
de grande importância na Universidade de Kenkaku na
Manchúria. O Fundador, enquanto permanecia no Japão,
era um diretor conselheiro nesta universidade. Em 1941,
o Fundador também se tornou diretor conselheiro da
Associação Shim Buden de artes marciais da
Manchuria. Como parte do esforço japonês para
manter o controle da Manchúria, artes marciais, incluindo
o Aikido, foram utilizadas como formas de dominação
e não como artes de paz e harmonia. Esta imagem de
crueldade dos líderes militares japoneses durante
a 2a guerra tem sido um legado que o Japão ainda
sofre hoje em dia em muitas partes do mundo.
Enquanto
a guerra continuava, o fundador, sendo um homem muito inteligente
e também estando muito envolvido com o exército
japonês, podia ver a maré se voltando contra
o Japão. Ele começou a tomar atitudes para
se proteger e àqueles a sua volta. Em 1940, cinco
anos antes do fim da guerra, o Fundador estabeleceu o yagai
dojo ( uma área externa de treino ) no pequeno povoado
de Iwama a leste de Tóquio. Três anos antes
do fim da guerra em 1943, o Fundador, alegando iluminação,
deixou o quartel-general em Tóquio e retirou-se para
Iwama, onde construiu o dojo e o templo Aiki. Foi então
que ele começou a falar do Aikido como a arte do
amor e paz.
Após o fim da guerra durante a ocupação
do Japão, a polícia militar não encontrou
muito para questionar no dojo de Iwama. No interior, cercada
por nogueiras, os suwariwaza (técnicas de joelhos)
eram praticadas lá. Para o quartel-general, parecia
mais uma dança do que uma arte marcial. Secretamente,
Ueshiba e seus alunos praticavam suburi (treinamento com
armas) usando cabos de enxada como bokken e outros cabos
de ferramentas como jo. Armazenadas nos paióis de
ferramentas, estes cabos não pareciam com nada para
prática de artes marciais. Esta prática tornou-se
a origem do estilo Iwama de Aikido. Durante este período
em Iwama, a prática generosa do Fundador era sempre
secreta. Geralmente, a prática era realizada em chãos
de madeira, que eram duros para cair. Mesmo se praticando
no tatami, o Kiai não era permitido. Pelo resto se
sua vida, o Fundador continuou a praticar desta forma em
Iwama.
É neste ponto da história que começamos
a ver uma separação entre os estilos de Aikido
praticados em Tóquio e em Iwama. Em Tóquio,
após a 2a guerra e de acordo com minhas lembranças,
em 1967, o bokken e o jo não eram usados para treinos
públicos. O Aikido praticado no Hombu dojo parecia
muito suave para manter uma imagem pacífica e não
era de forma alguma marcial na aparência. Esta era
uma estratégica intencional para aquietar as suspeitas
do quartel-general, mas na minha opinião, também
foi um ato deliberado por parte do Fundador. Tendo em mente
que são as pessoas que fazem as artes marciais, eu
creio que neste ponto, o Fundador plantou duas sementes,
cada uma brotando em dois estilos diferentes de Aikido.
Na diversificação está a força.
Saltando à frente no tempo para 1964, a demonstração
nas olimpíadas de Tóquio havia tornado o Aikido
famoso aumentando sua popularidade no E.U.A. e na Europa.
Bruce Lee estava estreando nas telas e começou um
"boom" nas artes marciais que duraria por décadas.
Nos anos setenta, ainda desfrutando de um período
de crescimento, havia pouca organização, estrutura
ou padrões de ensino de Aikido. As técnicas
eram chamadas por nomes diferentes dependendo de onde estavam
sendo ensinadas e todos ensinavam independentemente. Nos
Estados Unidos a demanda por instrutores era grande e a
graduação ou a qualificação
não eram de grande importância. Qualquer um
que fosse japonês poderia ensinar Aikido nos E.U.A.
Obviamente a qualidade dos instrutores caiu.
Percebeu-se que uma estrutura unificadora era necessária
e uma organização foi criada. Infelizmente,
até que esta estrutura tivesse sido colocada em ação,
instrutores já haviam estabelecido seus territórios.
Especificamente nos E.U.A., quando a nova organização
desenhou novas linhas territoriais, brigas internas começaram
pelos territórios, dinheiro e alunos. Os objetivos
de praticar Aikido e as tentativas de descobrir seus significados
e aplicação estavam perdidos em uma luta por
dinheiro e poder.

Eu
tenho dito que o homem faz o Aikido, e que o Aikido não
faz o homem. O Fundador Ueshiba contribuiu imensamente para
o nosso mundo, mas sua vida também teve seus problemas.
Sua jornada foi cheia de viagens, provações
e agruras, é em uma vida cheia de provações
que se pode encontrar os maiores significados. Existe uma
estória famosa sobre Zen Roshi que passou anos em
treinos, meditação e dedicação
aos outros. Uma noite enquanto passeava pelo jardim do templo
ele bateu com sua tíbia em uma pedra. Naquele momento
ele alcançou a iluminação e relatou
sua experiência aos monges mais novos no templo. Na
noite seguinte, todos os monges correram para o jardim e
começaram a bater suas pernas na pedra.
Para nós tentarmos entender a mensagem do Fundador
sem entender sua jornada é como os monges tentando
alcançar a iluminação batendo com as
pernas na pedra.
A mensagem final do Fundador foi que o "Budo é
amor". De certa forma, ele etiquetou o "pacote",
mas nunca realmente revelou seu significado ou o seu conteúdo
. Ele deixou muitos poemas e muitos tentaram interpretá-los,
mas estas interpretações me lembram os jovens
monges e a pedra.
Por exemplo, eu me lembro de uma foto que costumava ser
popular entitulada " Paz", que mostrava um close
de dois homens de armas na mão prontos para se envolveram
em um Kokyudosa. Olhando para esta foto com olhos literais,
eu acho a foto amedrontadora. Se você pensar desta
forma, um segundo após esta foto ser tirada, os dois
homens devem ter lutado até que um tivesse uma posição
dominante sobre o outro no tatame. Eu realmente não
acho isso muito pacífico. O foco da foto é
estreito demais para que nós compreendamos completamente
o conceito de "Paz" como o Fundador o via.
Para verdadeiramente compreender o significado de "Budo
é amor", eu creio que nos devamos olhar para
estas palavras em um contexto mais amplo. Aceitar estas
palavras sem uma reflexão mais profunda é
perder o significado delas. Nós temos que estudar
o que pode estar dentro do " pacote" e como podemos
aplicar isso à nossas vidas. Este é o objetivo
de nossa prática. Recitar a " etiqueta"
não nos faz alcançar isso. No " pacote"
está outra pista do Fundador sobre a origem do Aikido:
que o Aikido é derivado dos movimentos de bokken
e jo. Ele não nos deixou a relação
entre estas duas armas ou kata para praticar. Os kata de
bokken e jo praticados no Iwama-ryu foram criados pela lembrança
do Fundador que possui Morihiro Saito, 9º dan.
Como aikidoistas, existem dois tópicos de estudo
e descoberta no " pacote" que o Fundador nos deixou.
Um filosófico e outro físico. " Budo
é amor" é um " pacote" muito
grande. O fato de que as artes marciais tenham sido usadas
para dominar os outros, como os monges na Mongólia,
não é amor. Ou é? São as discrepância
que nós temos que investigar e pensar a respeito.
Nós temos que descobri-las por nós mesmos
e não apenas aceitar os slogans cegamente. A foto
dos dois homens praticando Kokyudosa é bela, mas
é preciso olhar além das margens da foto.
Aceitação cega não é entendimento.
Como
um Koan na prática do Zen, é importante questionar
por você mesmo. Este tipo de treinamento e auto-descoberta
pode soar difícil, mas é na realidade, mais
fácil porque você pode realizá-los sozinho.
Para uma auto- descoberta você nem sempre precisa
de outras pessoas.
Existe uma estória Zen sobre um povoado que procurava
uma vaca perdida. Uma vaca que andava pelo templo, no centro
da vila , desapareceu. Grupos de busca foram enviados e
eles procuraram e procuraram pela vaca. Por cada caminho
que eles procuravam eles encontravam mais e mais caminhos
até que não havia mais aldeões suficientes
para procurar em cada caminho e todos voltaram para o templo.
Do lado de fora, o sacerdote olhou para os aldeões
entristecidos e disse, " Não se preocupem, a
vaca não está perdida, nunca esteve. A vaca
está aqui, e sempre esteve aqui".Aplicando isto
ao presente do Aikido, eu vejo instrutores lutando como
os aldeões procurando pela vaca. A vaca, neste caso,
sendo o significado da pratica do Aikido. Na verdade, você
não deve buscá-lo longe de você mesmo.
Coletivamente falando, se você puder entender isso
como o dojo, ele crescerá e se tornará forte
como também cada indivíduo dentro do dojo.
Quanto mais velho eu fico, mais eu penso que o que está
no "pacote" , nós devemos descobrir por
nós mesmos. Seres Humanos fazem o Aikido, o Aikido
não faz os Seres Humanos. O Fundador nos deixou o
" pacote etiquetado" , mas cabe a nós enchermos
o pacote. O pacote somo nós mesmos.
Para encher o pacote, primeiramente, temos que encontrar
um estilo de vida positiva e uma auto imagem positiva. Temos
que ouvir a nós mesmos constantemente. Desta forma,
a caixa vai se encher naturalmente. O Fundador disse que
todo dia é Misogi Waza, que pode ser traduzido como
"controlando-se o jaki" , um conceito que tem
sido passado desde os tempos mais remotos no Japão.
Jaki significa uma mente negativa que persegue desejos materiais,
o desejo da fama resultando em ódio e inveja etc.
A frase Shinto, " Masakatsu Agatsu Katsu Hayabi"
tem o mesmo significado.
Para encher o pacote, nós devemos começar
com as coisas que nós podemos fazer hoje. Este é
o primeiro passo. Ontem e amanhã não são
tão importantes quanto o que fazemos hoje. Por exemplo,
digamos que seu objetivo seja se tornar um corredor de maratona.
Este é um objetivo positivo. Você não
estar pronto para uma competição, mas você
pode alongar e andar uma distância curta. Este é
o primeiro passo e é um passo positivo em direção
a seu objetivo.
Em 1990, eu me vi, em um Domingo, em pé na cozinha
na Missão de Resgate de Denver. Sendo o "Sensei",
eu geralmente estou ensinado em frente aos alunos. Mas,
um dia eu me perguntei, " Está certo ser o Sensei
o tempo todo?" Então eu me coloquei em uma posição
diferente e comecei a me oferecer para cozinhar para os
sem teto. Este foi o meu primeiro passo.
Hoje, tenho cozinhado na missão já a 11 anos
e até hoje nós servimos mais de 25.000 refeições.
É bem mais fácil agora. Muitos dos meus alunos
ajudam a preparar e servir o jantar e a cada ano fazemos
um seminário para levantar fundos para sustentar
este projeto. Os esforços voluntários da Nippon
Kan tem se expandido para incluir serviço voluntário
duas vezes por ano ajudando o Departamento de Parques e
Recreação de Denver. Ao longo dos últimos
dez anos economizamos à prefeitura de Denver mais
de U$ 500.000,00 em custos trabalhistas e recebemos duas
recomendações da Prefeitura de Denver. Isso
tudo começou com um primeiro passo.
Em Denver, o Nippon Kan não é reconhecido
apenas como um dojo de artes marciais. O " pacote"
do Nippon Kan tem sido enchido com muitas outras atividades
positivas. A recompensa pela participação
em atividades positivas é uma circulação
de energia positiva. Os membros do dojo são orgulhosos
de seus feitos e contribuições à comunidade.
Esta energia atrai outros alunos com os mesmos objetivos
e ideais. O dojo cresce, enchendo o "pacote" com
idéias positivas. E, enquanto o pacote se enche de
trocas com a comunidade e comunicação, o tamanho
e forma do " pacote" também mudam. É
por esta razão que o Nippon Kan começou um
novo projeto este ano, um projeto mundial AHAN (União
Ativa Humanitária do Aikido).
Em Julho de 2000, o Nippon Kan começou a construir
uma "ponte" que se estende em volta de todo o
globo até a Mongólia. Nós fizemos as
fundações através de trocas culturais
com uma turnê amistosa recepcionada por nossos novos
amigos da Mongólia. Este ano, em Julho, nós
expandimos o projeto procurando por uma aplicação
mais humanitária. Através de nossos contatos
em Ulaanbaatar ( capital da Mongólia), nós
pudemos fazer contato com a Associação Nacional
de Apoio aos Órfãos da Mongólia, uma
organização patrocinada pelo Departamento
do Trabalho e pela Agência Geral de Inteligência.

Nós fomos tocados pelo que vimos quando visitamos
o orfanato e o campo de verão. Nós conhecemos
250 crianças que viviam com 41 centavos por dia para
comida, vestuário, abrigo, tratamento médico
e educação. Nós pudemos doar roupas,
suprimento médicos e U$ 1.500,00 que permitiram ao
orfanato comprar um computador. Antes de deixarmos o lugar,
o Nippon Kan e a AHAN fizeram a promessa de doar U$ 1.500,00
por mês para esta instituição pelos
próximos cinco anos, o que totaliza U$ 18.000,00
por ano. Nós também nos comprometemos a continuar
com a doação de roupas e medicamentos. Aumentando
o orçamento destas crianças em mais de 50
centavos por dia, sua qualidade de vida vai aumentar drasticamente.
Também vai permitir ao orfanato tirar mais crianças
das ruas. Esta doação inicial foi recolhida
dos lucros do meu livro , outras publicações
e doações dos alunos. Nosso objetivo agora
é honrar nossa promessa e ajudar o nosso " pacote"
a crescer pelo mundo. Muitos de nossos alunos se comprometeram
a apoiar o AHAN com U$ 10,00 por mês ou U$ 120,00
por ano. Nós esperamos que vocês se unam a
nós neste levantamento de fundos.
www.nippon-kan.org/ahan_membership.html
A Nippon
Kan também tem muitos planos para levantar fundos
no futuro. No próximo dia do trabalho, 3 de setembro
de 2001, uma apresentação de Taiko (bateria)
vai acontecer no Domo Restaurant and Graden na Nippon Kan
para promover uma troca inter-cultural a fim de apoiar nossa
causa humanitária. Este show vai apresentar o internacionalmente
renomado grupo de baterias Kyo Gaku de Matsukawa, Japão.
Os bateristas do Kyo Gaku se apresentaram na cerimônia
de abertura dos jogos Olímpicos de Inverno de 1998
em Nagano, Japão. Esperamos o comparecimento de mais
de 300 pessoas.
No próximo ano o Nippon Kan tem outros eventos no
horizonte. Outro evento musical inter-cultural apresentando
um grupo Mongol de cantores folclóricos da Universidade
Nacional de Música de Ulaanbaatar.
Outra turnê está marcada para a Mongólia
em Julho de 2002. O título é " A grande
turnê da caravana Mongol" e o objetivo da é
continuar o sonho do Fundador com uma caravana de treinos
de Aikido. Todos os aikidoistas, não importa o estilo
ou linha, de todas as partes do mundo estão convidados
e são benvindos a se unirem a nós neste evento
especial. Esta jornada especial vai combinar trocas inter-culturais,
esforços humanitários e prática de
Aikido.
www.nippon-kan.org/mongolia_2002.html
Eu
acredito que a chave para o sucesso de qualquer dojo seja
a combinação ativa da prática do Aikido,
das trocas inter-culturais e dos esforços humanitários.
Os benefícios deste tipo de esforço individual
não podem ser alcançados nem em cem seminários
com mil instrutores.
Desde o seu início nos E.U.A., o Nippon kan tem sido
um dojo independente. Eu não tive nenhum Sensei ou
instrutores para me orientar. É pelo esforço
individual, meu e de meus alunos que o Nippon Kan é
a organização que é hoje. Um dos principais
objetivos do treinamento no Nippon Kan tem sido a pesquisa
e o desenvolvimento do Aikido do Fundador. Compreender isso
tem sido um processo de contribuição com nossa
comunidade. Isto é verdadeiramente Aikido para a
vida.
Cabe a cada um de nós escolher nosso caminho de treino.
Ficando trancado no dojo ou contribuindo com nossa sociedade
é uma decisão que nós temos que tomar.
Trancados no dojo nos somos como a luz de uma pequena vela.
Saindo de lá juntos, a luz de um vela torna-se a
luz de dez e depois de 100 até que a luz brilhe o
suficiente para que nós vejamos o que pode ser conseguido
através do Aikido. Eu convido a todos os aikidoistas
do mundo a se unirem à AHAN para nos tornarmos uma
luz para um mundo melhor.

Espero
que vocês entendam minha filosofia e ponto de vista
na prática do Aikido.
Obrigado,
Gaku Homma
Traduzido
pelo Prof de Aikido Luis Ricardo Silva - Instituto Takemussu.
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