ENTREVISTAS COM GRANDES MESTRES
Gaku Homa Shihan fala sobre seu Aikido e Projetos:
Jornada para a união ativa e humanitária no Aikido

Por Gaku Homma, fundador do Nippon Kan


Tenho praticado Aikido por mais de 40 anos e ainda estou ponderando o que aprendi. Eu vi as diferentes formas em que o Aikido é retratado e percebido externamente e os problemas por trás dos panos que as maiores organizações de Aikido passaram. Eu me pergunto se nós como uma sociedade de Aikido estamos realmente praticando o que o fundador nos ensinou. Me parece que estamos perdendo sua mensagem de humanidade e amor. Eu tenho observado instrutores e alunos que parecem estar absortos e isolados em sua prática.

Parecem se concentrar primeiramente em seu próprio desenvolvimento e promoção. Temo que este seja um entendimento limitado do que o Aikido pode ser e pode dar aos outros a impressão errada sobre a natureza verdadeira do Aikido.
O mundo do Aikido não é governado, como outras artes marciais, por torneios que determinam quem é mais talentoso ou poderoso. Assim, qualquer um pode se aclamar instrutor e justificar suas interpretações pessoais. Tenho observado "analistas de Aikido" amadores retratar o Aikido com palavras ao invés de prática, cuja principal forma de experiência de Aikido tem sido discussões na Internet. (Isto não é uma referência ao Aikido Jornal ou ás maiores publicações profissionais on-line.) Muitos instrutores fazem discursos maravilhosos sobre Aikido e a arte da paz, mas não muitos são lideres ativos, que lideram fazendo e não pelo que eles dizem que nós devemos fazer. Para mim, retirar-se do mundo e construir uma comunidade de Aikido e praticar Aiki profundamente nas montanhas é mais um indicativo de auto glorificação do que real entendimento do Aikido. Instrutores que pregam conceitos floreados não baseados na realidade não lideram os outros a se entenderem ou ao mundo. Usando as palavras do Fundador como uma mortalha para se esconder atrás revela uma falta de entendimento básica.

Simplesmente praticando Aikido em dojo, nos estamos mudando ou melhorando o mundo à nossa volta? Apenas a um passo fora do dojo você pode encontrar desabrigo, pobreza, drogas, desemprego e crime. Praticar Aikido simplesmente, não vai mudar isso. Toda vez que pisamos do lado de fora, estamos em contato com a vida real. Não podemos nos esquecer que Aikido é apenas uma pequena parte de um mundo grande. Eu sempre deixo claro para meus alunos que o verdadeiro entendimento não vem somente da prática de artes marciais. Nós precisamos ampliar nosso campo de estudo para verdadeiramente entender o papel que as artes marciais desempenham no desenvolvimento humano.

De onde vem as artes marciais? Os seres humanos fazem as artes marciais. As artes marciais não fazem os seres humanos. Este é um ponto básico que deve ser entendido. É muito importante estudar como a história, política e ideologia tem afetado o desenvolvimento das artes marciais. Sem compreender estes grandes tópicos e suas aplicações é impossível entender o propósito do Aikido que nós todos praticamos.

Nós agora vivemos em uma fase de relativa paz nos Estados Unidos e no Japão, desta forma, falamos de Aikido em termos de amor e paz. No entanto, ao longo da história do Japão e em outros países cujas realidades políticas não tem sido tão estáveis, as artes marciais tem sido estudadas como meios de controlar os outros ou como meios de sobrevivência. Há evidência disto na história de todas as artes marciais, inclusive na história do Aikido. Na Coréia e China principalmente, o papel que o Aikido tem desempenhado na história possui aspectos a serem lamentados.


Existem mais exemplos atuais de Aikido que não são baseados no "amor e harmonia". Em uma era onde a base da filosofia do Aikido é de paz, o Aikido é ensinado e usado pela milícia e governo de Myanmar para suprimir as reformas democráticas naquele país. O Ativista do Myanmar Tsu Yan Chi, através de organizações japonesas de suporte, pediram ao Doshu do Hambu dojo, Ueshiba, para parar de enviar instrutores japoneses de Aikido para Myanmar. Até hoje esta situação não foi remediada, e o Aikido tem sido ensinado como forma de repressão.Existem muitas experiências interessantes na vida do Fundador que precisam ser examinadas e entendidas para apreciarmos suas últimas realizações. Sua importância é principalmente histórica, mas é essencial entender o Fundador, como um homem, um homem de muitos sonhos, mas também de muitas provações e problemas
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Em 1905, o Japão colonizou a Coréia e em 1906 invadiu e colonizou partes do que agora é o norte da Manchúria. A Mongólia está ao norte destas províncias entre o que agora é a China ao sul e a Rússia ao norte. Koulong (atual Ulaanbaatar), a capital da Mongólia, durante está época tinha mais de 800 templos Budistas Tibetanos e monastérios com milhares de monges vivendo neles. O Budismo Tibetano estava florescendo e os monges conquistavam poder político enquanto mantinham seus laços espirituais com o povo da Mongólia.

Para manter o controle nestes territórios, os japoneses precisavam aumentar sua presença militar. Eles precisavam das reservas naturais e posições estratégicas e eles voltaram seus interesses para a Mongólia. A Rússia também tinha interesse na Mongólia e havia começado a formar laços com o governo Mongol. Os Japoneses estavam bem cientes de que os Russos não seriam complacentes com os monges Budistas se eles tomassem o controle da Mongólia. Esta era uma abertura que o governo Japonês achou que poderia usar.

Na arena política mundial do início do século, os Estados Unidos e a Europa haviam condenado o Japão por ações militares na região, assim, o Japão encontrou formas mais dissimuladas de manobra nestes novos territórios.Neste tempo, a China não era uma nação única e existiam muitas lutas pelo poder entre facções rivais e clãs. O Kanto Tokumukikan japonês (grupo disfarçado do governo japonês) apoiava grupos revolucionários chineses. Um grupo no norte da Manchúria era encabeçado por um líder político chamado Cho, cujo objetivo principal era conquistar toda a China. A seu serviço estava o agente especial chamado Ro que tinha experiência nos assuntos com a Mongólia.

Disfarçadamente, através do Kanto Tokumukikan, a estratégia era enviar Onisaburo Deguchi, o líder da Omoto Kyo, junto com membros de elite de grupos revolucionários da China do Norte para a Mongólia para tentar influenciar os líderes religiosos a se unirem ao Japão. Estrategicamente para os militares japoneses, uma forma de tomar o controle sobre o país era tomar o controle dos monges Budistas e sua influência sobre a Mongólia. Em 1924, o Fundador Morihei Ueshiba partiu para a Mongólia com Onisaburo Deguchi. O Fundador estava ensinando artes marciais aos membros da Omoto kyo, naquele tempo. Era uma época de tensão para o clã religioso da Omoto Kyo e eles enfrentavam uma tremenda perseguição do governo por suas ideologias populares, porém radicais, uma das biografias de Deguchi diz que ele foi à Mongólia depois de uma inspiração divina para encontrar e construir uma utopia religiosa. Diz-se que ele partiu durante a noite para escapar da perseguição religiosa. Outra possibilidade é a de que ele conhecia a estratégia militar e tinha negociado sua passagem. Esta escrito que Onisaburo Deguchi e sua comitiva, incluindo o Fundador Ueshiba, partiram para a Mongólia perseguindo um sonho. A pergunta é, de quem era o sonho? Onisaburo Deguchi tentou entrar na Mongólia com a desculpa de ser o Dalai Lama reencarnado, Suzun Khan. O Fundador Morihei Ueshiba também havia mudado seu nome e identidade. Em sua comitiva estavam membros dos grupos revolucionários chineses apoiados pela japonesa Kanto Tokumukikan. No entanto, sua missão não foi bem sucedida e eles nunca alcançaram a Mongólia. Se eles tivessem sido bem sucedidos estariam as forças militares japonesas logo atrás? Países, até continentes por todo mundo tem sido conquistados primeiro por missionários seguidos pêlos militares. Ao longo da história, a religião e a política tem em muitos casos andado de mãos dadas. Esta correlação não é mencionada em biografias do Fundador. Este período da sua história foi registrado como uma provação. Eu tenho dificuldades em acreditar que o Fundador, na época com seus quarenta anos, realmente acreditasse estar procurando por uma utopia quando foi à Mongólia. Em uma época de guerra e estratégia política ele deveria saber dos outros motivos pêlos quais ele poderia ter sido enviado à Mongólia. Se ele realmente acreditava que ele poderia construir uma sociedade utópica no país de outras pessoas, isto demonstra um pouco de arrogância contra os povos e culturas que ele tentava alcançar.

Felizmente para o desenvolvimento do Aikido, a comitiva foi presa pelos chineses (que os haviam previamente apoiado) antes de alcançarem a fronteira da Mongólia. Sem temer as repercussões militares japonesas, os chineses liderados pelo Sr. Cho, dispersaram Onisaburo Deguchi e seu grupo e os enviou de volta para o Japão. Ironicamente, alguns anos depois em 1928, o Sr. Cho foi morto pelo exército Japonês. Após sua volta ao Japão, no entanto, as relações do Fundador com a Manchúria não estavam terminadas.

A pressão para tomar a região continuou e, em 1931, os japoneses através da Kanto Tokumukikan executaram um de seus próprios militares do alto escalão e culparam os chineses. Esta foi uma desculpa para uma invasão e com a ajuda do imperador chinês Fugi, da dinastia Shin, os japoneses invadiram e declararam a Manchúria sob domínio Japonês. Estabelecendo seu próprio governo na Manchúria, os japoneses começaram a tarefa de convertê-la em um estado japonês. Naquele tempo, o Aikido era ensinado como uma matéria de grande importância na Universidade de Kenkaku na Manchúria. O Fundador, enquanto permanecia no Japão, era um diretor conselheiro nesta universidade. Em 1941, o Fundador também se tornou diretor conselheiro da Associação Shim Buden de artes marciais da Manchuria. Como parte do esforço japonês para manter o controle da Manchúria, artes marciais, incluindo o Aikido, foram utilizadas como formas de dominação e não como artes de paz e harmonia. Esta imagem de crueldade dos líderes militares japoneses durante a 2a guerra tem sido um legado que o Japão ainda sofre hoje em dia em muitas partes do mundo.

Enquanto a guerra continuava, o fundador, sendo um homem muito inteligente e também estando muito envolvido com o exército japonês, podia ver a maré se voltando contra o Japão. Ele começou a tomar atitudes para se proteger e àqueles a sua volta. Em 1940, cinco anos antes do fim da guerra, o Fundador estabeleceu o yagai dojo ( uma área externa de treino ) no pequeno povoado de Iwama a leste de Tóquio. Três anos antes do fim da guerra em 1943, o Fundador, alegando iluminação, deixou o quartel-general em Tóquio e retirou-se para Iwama, onde construiu o dojo e o templo Aiki. Foi então que ele começou a falar do Aikido como a arte do amor e paz.

Após o fim da guerra durante a ocupação do Japão, a polícia militar não encontrou muito para questionar no dojo de Iwama. No interior, cercada por nogueiras, os suwariwaza (técnicas de joelhos) eram praticadas lá. Para o quartel-general, parecia mais uma dança do que uma arte marcial. Secretamente, Ueshiba e seus alunos praticavam suburi (treinamento com armas) usando cabos de enxada como bokken e outros cabos de ferramentas como jo. Armazenadas nos paióis de ferramentas, estes cabos não pareciam com nada para prática de artes marciais. Esta prática tornou-se a origem do estilo Iwama de Aikido. Durante este período em Iwama, a prática generosa do Fundador era sempre secreta. Geralmente, a prática era realizada em chãos de madeira, que eram duros para cair. Mesmo se praticando no tatami, o Kiai não era permitido. Pelo resto se sua vida, o Fundador continuou a praticar desta forma em Iwama.

É neste ponto da história que começamos a ver uma separação entre os estilos de Aikido praticados em Tóquio e em Iwama. Em Tóquio, após a 2a guerra e de acordo com minhas lembranças, em 1967, o bokken e o jo não eram usados para treinos públicos. O Aikido praticado no Hombu dojo parecia muito suave para manter uma imagem pacífica e não era de forma alguma marcial na aparência. Esta era uma estratégica intencional para aquietar as suspeitas do quartel-general, mas na minha opinião, também foi um ato deliberado por parte do Fundador. Tendo em mente que são as pessoas que fazem as artes marciais, eu creio que neste ponto, o Fundador plantou duas sementes, cada uma brotando em dois estilos diferentes de Aikido. Na diversificação está a força.

Saltando à frente no tempo para 1964, a demonstração nas olimpíadas de Tóquio havia tornado o Aikido famoso aumentando sua popularidade no E.U.A. e na Europa. Bruce Lee estava estreando nas telas e começou um "boom" nas artes marciais que duraria por décadas. Nos anos setenta, ainda desfrutando de um período de crescimento, havia pouca organização, estrutura ou padrões de ensino de Aikido. As técnicas eram chamadas por nomes diferentes dependendo de onde estavam sendo ensinadas e todos ensinavam independentemente. Nos Estados Unidos a demanda por instrutores era grande e a graduação ou a qualificação não eram de grande importância. Qualquer um que fosse japonês poderia ensinar Aikido nos E.U.A. Obviamente a qualidade dos instrutores caiu.

Percebeu-se que uma estrutura unificadora era necessária e uma organização foi criada. Infelizmente, até que esta estrutura tivesse sido colocada em ação, instrutores já haviam estabelecido seus territórios. Especificamente nos E.U.A., quando a nova organização desenhou novas linhas territoriais, brigas internas começaram pelos territórios, dinheiro e alunos. Os objetivos de praticar Aikido e as tentativas de descobrir seus significados e aplicação estavam perdidos em uma luta por dinheiro e poder.

Eu tenho dito que o homem faz o Aikido, e que o Aikido não faz o homem. O Fundador Ueshiba contribuiu imensamente para o nosso mundo, mas sua vida também teve seus problemas. Sua jornada foi cheia de viagens, provações e agruras, é em uma vida cheia de provações que se pode encontrar os maiores significados. Existe uma estória famosa sobre Zen Roshi que passou anos em treinos, meditação e dedicação aos outros. Uma noite enquanto passeava pelo jardim do templo ele bateu com sua tíbia em uma pedra. Naquele momento ele alcançou a iluminação e relatou sua experiência aos monges mais novos no templo. Na noite seguinte, todos os monges correram para o jardim e começaram a bater suas pernas na pedra.

Para nós tentarmos entender a mensagem do Fundador sem entender sua jornada é como os monges tentando alcançar a iluminação batendo com as pernas na pedra.

A mensagem final do Fundador foi que o "Budo é amor". De certa forma, ele etiquetou o "pacote", mas nunca realmente revelou seu significado ou o seu conteúdo . Ele deixou muitos poemas e muitos tentaram interpretá-los, mas estas interpretações me lembram os jovens monges e a pedra.

Por exemplo, eu me lembro de uma foto que costumava ser popular entitulada " Paz", que mostrava um close de dois homens de armas na mão prontos para se envolveram em um Kokyudosa. Olhando para esta foto com olhos literais, eu acho a foto amedrontadora. Se você pensar desta forma, um segundo após esta foto ser tirada, os dois homens devem ter lutado até que um tivesse uma posição dominante sobre o outro no tatame. Eu realmente não acho isso muito pacífico. O foco da foto é estreito demais para que nós compreendamos completamente o conceito de "Paz" como o Fundador o via.

Para verdadeiramente compreender o significado de "Budo é amor", eu creio que nos devamos olhar para estas palavras em um contexto mais amplo. Aceitar estas palavras sem uma reflexão mais profunda é perder o significado delas. Nós temos que estudar o que pode estar dentro do " pacote" e como podemos aplicar isso à nossas vidas. Este é o objetivo de nossa prática. Recitar a " etiqueta" não nos faz alcançar isso. No " pacote" está outra pista do Fundador sobre a origem do Aikido: que o Aikido é derivado dos movimentos de bokken e jo. Ele não nos deixou a relação entre estas duas armas ou kata para praticar. Os kata de bokken e jo praticados no Iwama-ryu foram criados pela lembrança do Fundador que possui Morihiro Saito, 9º dan.

Como aikidoistas, existem dois tópicos de estudo e descoberta no " pacote" que o Fundador nos deixou. Um filosófico e outro físico. " Budo é amor" é um " pacote" muito grande. O fato de que as artes marciais tenham sido usadas para dominar os outros, como os monges na Mongólia, não é amor. Ou é? São as discrepância que nós temos que investigar e pensar a respeito. Nós temos que descobri-las por nós mesmos e não apenas aceitar os slogans cegamente. A foto dos dois homens praticando Kokyudosa é bela, mas é preciso olhar além das margens da foto. Aceitação cega não é entendimento.


Como um Koan na prática do Zen, é importante questionar por você mesmo. Este tipo de treinamento e auto-descoberta pode soar difícil, mas é na realidade, mais fácil porque você pode realizá-los sozinho. Para uma auto- descoberta você nem sempre precisa de outras pessoas.

Existe uma estória Zen sobre um povoado que procurava uma vaca perdida. Uma vaca que andava pelo templo, no centro da vila , desapareceu. Grupos de busca foram enviados e eles procuraram e procuraram pela vaca. Por cada caminho que eles procuravam eles encontravam mais e mais caminhos até que não havia mais aldeões suficientes para procurar em cada caminho e todos voltaram para o templo. Do lado de fora, o sacerdote olhou para os aldeões entristecidos e disse, " Não se preocupem, a vaca não está perdida, nunca esteve. A vaca está aqui, e sempre esteve aqui".Aplicando isto ao presente do Aikido, eu vejo instrutores lutando como os aldeões procurando pela vaca. A vaca, neste caso, sendo o significado da pratica do Aikido. Na verdade, você não deve buscá-lo longe de você mesmo.

Coletivamente falando, se você puder entender isso como o dojo, ele crescerá e se tornará forte como também cada indivíduo dentro do dojo.

Quanto mais velho eu fico, mais eu penso que o que está no "pacote" , nós devemos descobrir por nós mesmos. Seres Humanos fazem o Aikido, o Aikido não faz os Seres Humanos. O Fundador nos deixou o " pacote etiquetado" , mas cabe a nós enchermos o pacote. O pacote somo nós mesmos.

Para encher o pacote, primeiramente, temos que encontrar um estilo de vida positiva e uma auto imagem positiva. Temos que ouvir a nós mesmos constantemente. Desta forma, a caixa vai se encher naturalmente. O Fundador disse que todo dia é Misogi Waza, que pode ser traduzido como "controlando-se o jaki" , um conceito que tem sido passado desde os tempos mais remotos no Japão. Jaki significa uma mente negativa que persegue desejos materiais, o desejo da fama resultando em ódio e inveja etc. A frase Shinto, " Masakatsu Agatsu Katsu Hayabi" tem o mesmo significado.

Para encher o pacote, nós devemos começar com as coisas que nós podemos fazer hoje. Este é o primeiro passo. Ontem e amanhã não são tão importantes quanto o que fazemos hoje. Por exemplo, digamos que seu objetivo seja se tornar um corredor de maratona. Este é um objetivo positivo. Você não estar pronto para uma competição, mas você pode alongar e andar uma distância curta. Este é o primeiro passo e é um passo positivo em direção a seu objetivo.

Em 1990, eu me vi, em um Domingo, em pé na cozinha na Missão de Resgate de Denver. Sendo o "Sensei", eu geralmente estou ensinado em frente aos alunos. Mas, um dia eu me perguntei, " Está certo ser o Sensei o tempo todo?" Então eu me coloquei em uma posição diferente e comecei a me oferecer para cozinhar para os sem teto. Este foi o meu primeiro passo.

Hoje, tenho cozinhado na missão já a 11 anos e até hoje nós servimos mais de 25.000 refeições. É bem mais fácil agora. Muitos dos meus alunos ajudam a preparar e servir o jantar e a cada ano fazemos um seminário para levantar fundos para sustentar este projeto. Os esforços voluntários da Nippon Kan tem se expandido para incluir serviço voluntário duas vezes por ano ajudando o Departamento de Parques e Recreação de Denver. Ao longo dos últimos dez anos economizamos à prefeitura de Denver mais de U$ 500.000,00 em custos trabalhistas e recebemos duas recomendações da Prefeitura de Denver. Isso tudo começou com um primeiro passo.

Em Denver, o Nippon Kan não é reconhecido apenas como um dojo de artes marciais. O " pacote" do Nippon Kan tem sido enchido com muitas outras atividades positivas. A recompensa pela participação em atividades positivas é uma circulação de energia positiva. Os membros do dojo são orgulhosos de seus feitos e contribuições à comunidade. Esta energia atrai outros alunos com os mesmos objetivos e ideais. O dojo cresce, enchendo o "pacote" com idéias positivas. E, enquanto o pacote se enche de trocas com a comunidade e comunicação, o tamanho e forma do " pacote" também mudam. É por esta razão que o Nippon Kan começou um novo projeto este ano, um projeto mundial AHAN (União Ativa Humanitária do Aikido).

Em Julho de 2000, o Nippon Kan começou a construir uma "ponte" que se estende em volta de todo o globo até a Mongólia. Nós fizemos as fundações através de trocas culturais com uma turnê amistosa recepcionada por nossos novos amigos da Mongólia. Este ano, em Julho, nós expandimos o projeto procurando por uma aplicação mais humanitária. Através de nossos contatos em Ulaanbaatar ( capital da Mongólia), nós pudemos fazer contato com a Associação Nacional de Apoio aos Órfãos da Mongólia, uma organização patrocinada pelo Departamento do Trabalho e pela Agência Geral de Inteligência.

Nós fomos tocados pelo que vimos quando visitamos o orfanato e o campo de verão. Nós conhecemos 250 crianças que viviam com 41 centavos por dia para comida, vestuário, abrigo, tratamento médico e educação. Nós pudemos doar roupas, suprimento médicos e U$ 1.500,00 que permitiram ao orfanato comprar um computador. Antes de deixarmos o lugar, o Nippon Kan e a AHAN fizeram a promessa de doar U$ 1.500,00 por mês para esta instituição pelos próximos cinco anos, o que totaliza U$ 18.000,00 por ano. Nós também nos comprometemos a continuar com a doação de roupas e medicamentos. Aumentando o orçamento destas crianças em mais de 50 centavos por dia, sua qualidade de vida vai aumentar drasticamente. Também vai permitir ao orfanato tirar mais crianças das ruas. Esta doação inicial foi recolhida dos lucros do meu livro , outras publicações e doações dos alunos. Nosso objetivo agora é honrar nossa promessa e ajudar o nosso " pacote" a crescer pelo mundo. Muitos de nossos alunos se comprometeram a apoiar o AHAN com U$ 10,00 por mês ou U$ 120,00 por ano. Nós esperamos que vocês se unam a nós neste levantamento de fundos.

www.nippon-kan.org/ahan_membership.html

A Nippon Kan também tem muitos planos para levantar fundos no futuro. No próximo dia do trabalho, 3 de setembro de 2001, uma apresentação de Taiko (bateria) vai acontecer no Domo Restaurant and Graden na Nippon Kan para promover uma troca inter-cultural a fim de apoiar nossa causa humanitária. Este show vai apresentar o internacionalmente renomado grupo de baterias Kyo Gaku de Matsukawa, Japão. Os bateristas do Kyo Gaku se apresentaram na cerimônia de abertura dos jogos Olímpicos de Inverno de 1998 em Nagano, Japão. Esperamos o comparecimento de mais de 300 pessoas.

No próximo ano o Nippon Kan tem outros eventos no horizonte. Outro evento musical inter-cultural apresentando um grupo Mongol de cantores folclóricos da Universidade Nacional de Música de Ulaanbaatar.

Outra turnê está marcada para a Mongólia em Julho de 2002. O título é " A grande turnê da caravana Mongol" e o objetivo da é continuar o sonho do Fundador com uma caravana de treinos de Aikido. Todos os aikidoistas, não importa o estilo ou linha, de todas as partes do mundo estão convidados e são benvindos a se unirem a nós neste evento especial. Esta jornada especial vai combinar trocas inter-culturais, esforços humanitários e prática de Aikido.

www.nippon-kan.org/mongolia_2002.html

Eu acredito que a chave para o sucesso de qualquer dojo seja a combinação ativa da prática do Aikido, das trocas inter-culturais e dos esforços humanitários. Os benefícios deste tipo de esforço individual não podem ser alcançados nem em cem seminários com mil instrutores.

Desde o seu início nos E.U.A., o Nippon kan tem sido um dojo independente. Eu não tive nenhum Sensei ou instrutores para me orientar. É pelo esforço individual, meu e de meus alunos que o Nippon Kan é a organização que é hoje. Um dos principais objetivos do treinamento no Nippon Kan tem sido a pesquisa e o desenvolvimento do Aikido do Fundador. Compreender isso tem sido um processo de contribuição com nossa comunidade. Isto é verdadeiramente Aikido para a vida.

Cabe a cada um de nós escolher nosso caminho de treino. Ficando trancado no dojo ou contribuindo com nossa sociedade é uma decisão que nós temos que tomar. Trancados no dojo nos somos como a luz de uma pequena vela. Saindo de lá juntos, a luz de um vela torna-se a luz de dez e depois de 100 até que a luz brilhe o suficiente para que nós vejamos o que pode ser conseguido através do Aikido. Eu convido a todos os aikidoistas do mundo a se unirem à AHAN para nos tornarmos uma luz para um mundo melhor.

Espero que vocês entendam minha filosofia e ponto de vista na prática do Aikido.

Obrigado,
Gaku Homma


Traduzido pelo Prof de Aikido Luis Ricardo Silva - Instituto Takemussu.




 

 

 

 

 

 


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