ARTIGOS E ENTREVISTAS
O caminho espiritual de onde veio o Aikido.
Para se compreender o Aikido é necessário compreender as bases em que ele foi criado, daí seguem algumas noções de Shintoísmo para o leitor absorver. O fundador do Aikido conforme já se disse era um homem muito religioso, ele fora membro da religião shintoísta no Japão e companheiro de Onisaburo Degushi, que foi um grande líder espiritual na década de 20 e 30 no Japão. Ele queria criar uma sociedade ideal perfeita, e com grande carisma, reuniu milhares de pessoas nesta empreitada. O governo japonês, que na época vivia sob o domínio dos militares ditadores, temeroso com o rápido crescimento da religião e com o grande número de adeptos, decidiu extingui-la, e pela força, queimou templos e prendeu seus principais líderes. Não se sabe ainda ao certo como Morihei Ueshiba escapou da prisão, diz-se que talvez, devido a sua ligação com altas autoridades policiais e militares que haviam sido seus alunos ele acabou sendo poupado. Acreditamos nesta versão.

O Shintoísmo prega que o homem nasce como uma manifestação da divindade, portanto é um Deus, porém devido a "poluições" (tsumi), seus sentidos e percepções ficam enevoados e ele não consegue perceber a criação divina. Assim no Shintoísmo o homem deve se purificar começando por "harae tamae, kiyome tamae rokkon shojo". "Harae Tamae", significa organizar e polir os locais perto de onde a pessoa está, bem como ela própria em seu corpo e mente, de forma a sair da condição de impureza estagnada (todokoori)." Kiyome Tamae", significa esvaziar-se, abandonar o ego, após feita a purificação. Este abandono do ego, este esvaziamento, fará com que nasça algo novo do nada, e assim nova energia (KI), irá surgir. "Kiyome" traz a criatividade. "Rokkon shojo" significa restaurar a mente e o corpo da pessoa de forma pura e integral, através de um refinamento dos sentidos, dos olhos, dos ouvidos, da língua , do nariz, dos membros e da mente através de uma ação sobre os 5 orgãos, o coração, os rins, o fígado, o pâncreas e o estômago. Neste estado de pureza a natureza divina poderá emergir e ser restaurada, e assim o indivíduo passa a entrar em ressonância com a criação, com o divino. Para se tornarem pacíficos e felizes, diz o Shintoísmo, as pessoas têm que manter uma atitude mental positiva e assim receber "Ohmitama", a sabedoria e a força que a Grande Natureza contém.

Para recebermos este maravilhoso estado de percepção, nós temos que estar sempre agradecidos por estarmos vivos, e nos esforçarmos para levar avante a missão nesta terra que o mundo divino nos deu. Em outras palavras, nós viveremos seguindo as leis da Grande Natureza, unidos com ela , seguindo seu fluxo, seu kokyu (ritmo pulsatório).

"Kannagara" é o movimento contínuo e infinito dos corpos divinos, que vão acontecendo junto com os "Kami", forças divinas, que com sua ação geram tudo o que ocorre na Terra, que é um mundo material e concreto. "Kannagara" provavelmente seria denominada por nós ocidentais provavelmente com a expressão "religião natural", constratando com as religiões do ocidente que seriam "reveladas", dependendo da fé. O Shintoísta acredita no que percebe, no que sente, não necessita de dogmas ou crenças que não constata. A vida do homem existe no "Daishizen", (Grande Natureza), onde ele vive e encontra significado para sua existência. Para se purificarem os shintoísta usam um ritual chamado " Missogui".

Para o Fundador do Aikido, a arte seria um exercício similar a um "Missogui".



 

 

 

 

 

 

 

 

 

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