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ENTREVISTAS
COM GRANDES MESTRES
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Entrevista
com Doshu Kishomaru Ueshiba.
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Tradução feita por S. M. Keira.
Dojo Central- Instituto Takemussu Brazil Aikikai.
Esta entrevista aconteceu em 30 de maio de 1978, em Shinjuku,
Tokyo, na residência do Doshu Kishomaru Ueshiba. O assunto
desta entrevista foi a biografia lançada pelo Doshu, a respeito
de seu pai, O-Sensei. Estavam presentes nesta entrevista
o Doshu, Stanley Pranin (editor do Aiki News) e Midori Yamamoto
(intérprete).
Stanley Pranin: Quando foi
publicado a primeira edição de seu livro O Fundador do Aikido,
Morihei Ueshiba?
Doshu: No final de setembro,
28 de setembro de 1978.
SP: Quando o senhor começou
a escrever esta biografia?
D: Eu não posso precisar quando
exatamente comecei a escrever esta biografia. Já fazem 9
anos que meu pai faleceu. Dois ou três anos após a sua morte,
eu comecei a organizar o material. Então, no início de 1976,
eu me propus seriamente a levar adiante este projeto e pedi
ajuda a uma companhia de publicações. Eu fiz isto num curto
período de tempo. De qualquer maneira, antes disto, eu já
tinha ido a Hokkaido, de Wakayama a Ayabe e Kameoka, e também
para Tajima. Eu percorri alguns lugares para encontrar pistas
a respeito de meu pai. Para mim, especialmente, foi a primeira
vez que estive em Hokkaido, onde fui para o alto das montanhas.
Eu visitei um templo no vilarejo de Shirataki. Mesmo as
pessoas do vilarejo não tinham noção de que havia uma conexão
entre o templo e Morihei Ueshiba. Eu fui até o chefe do
vilarejo pedir para que fosse tirado o lacre - embora fosse
descortês perturbar o templo - uma vez que não havia ninguém
morando lá e o templo frontal estava lacrado. Quando entramos
no templo, havia algo escrito a respeito de uma doação feita
por Morihei Ueshiba em uma determinada data. Desta forma,
conseguimos algum material novo e, pouco a pouco, o livro
foi tomando forma.
SP: De acordo com o prefácio
de seu livro, o senhor encontrou em Shirataki um ancião
que mudou-se de Tanabe para Shirataki com o seu pai, não
é mesmo? Eu imagino que o senhor tenha ouvido alguns relatos
preciosos dentre as estórias contadas por este ancião. O
senhor gostaria de nos falar algo a respeito?
D: Foi um homem chamado Takeda.
Este ancião faleceu pouco depois de eu ter conversado com
ele. Meu pai organizou uma Associação de Exploradores em
Tanabe e este grupo foi para Hokkaido. Meu pai era o líder
do grupo e o Sr. Takeda era um de seus membros. Ele era
um homem jovem, provavelmente um adolescente. Ele se lembrava
daqueles dias pelo fato dele ter convivido com o meu pai,
compartilhando tanto os bons momentos quanto os momentos
difíceis. Depois que o Aikido se tornou popular, muitos
praticantes foram para Shirataki, pensando em desvendar
as raízes do Aikido. Eles sempre procuravam o Sr. Takeda
para ouvir as estórias a respeito daqueles tempos, fazendo
com que o Sr. Takeda desenvolvesse um estilo de contar estórias.
Embora elas fossem repetitivas, eram muito interessantes.
SP: Qual era o primeiro nome
do Sr. Takeda?
D: Se você procurar em um dos
números mais antigos do Aiki Shimbun, você vai encontrar
este nome.
SP: Shirataki é ainda um pequeno
vilarejo hoje, ou ele cresceu?
D: Atualmente, Shirataki é
uma região que está em processo de se tornar uma área despovoada.
Eu acredito que ela não venha a ter qualquer desenvolvimento
no futuro. Acho que a sua população está diminuindo. Você
começa a ter neve no final de setembro ou início de outubro,
logo é uma região muito fria. Contudo, é um lugar muito
bonito. Tem até mesmo um balneário de águas térmicas. Eu
fui lá na época de setembro e houve um banquete em minha
homenagem oferecido pelo chefe do vilarejo, pelo líder do
conselho local e por algumas figuras de destaque local.
Foi realmente muito agradável.
SP: Eles deram uma grande recepção
ao Sr., não é mesmo?
D: Com certeza. Dentre as estórias
que o Sr. Takeda me contou, ele me mostrou as terras que
pertenceram ao meu pai. Ele me disse que o meu pai cultivava
uma grande área comprada do governo. E de acordo com ele,
o meu avô, que foi um membro do conselho de Tanabe durante
muito tempo, era uma pessoa abonada. Este era o motivo pelo
qual meu pai, o fundador do Aikido, podia fazer o que ele
quisesse, mudando-se para Hokkaido, financiado pelo meu
avô. O Sr. Takeda disse - "Seu avô era um grande homem.
Por esta razão, seu pai tinha a liberdade de fazer Aiki
como ele fez. Seu avô deu ao seu filho quanto dinheiro ele
precisasse." Eu já tinha ouvido isto antes mas, desta vez,
foi a primeira vez que eu ouvi isto de uma pessoa que realmente
viveu aquela época. Quando eles viajaram de Tanabe para
Hokkaido, eles foram por Aomori, via ferrovia de Kampu (atualmente
ferrovia de Seikan). Não havia qualquer ferrovia para Shirataki.
Você tinha que ir por Asahigawa em direção a Abashiri, para
chegar lá. Eles foram então em carroças. Ele me contou várias
estórias das dificuldades quando as carroças viravam na
neve, quando os cavalos se agitavam. Eu acho que aquela
época foi muito difícil.
SP: O Sr., alguma vez, visitou
Hokkaido com o seu pai?
D: Não. Aquela foi a primeira
vez que fui a Hokkaido, na minha vida.
SP: Eu compreendo.
D: Meu pai esteve em Hokkaido
antes de eu nascer. Depois que ele saiu de Hokkaido, eu
nasci em Ayabe, uma prefeitura de Kyoto. Ele nunca mais
visitou Hokkaido. Contudo, depois disto, ele foi para Mongólia
em 1924 e durante a guerra, ele foi para a Manchúria. Ele
viajou também para o Hawaii, depois da guerra, mas ele nunca
mais retornou para Hokkaido.
SP: O-Sensei visitou a Mongólia
e a Manchúria. Ele foi para Pequim também?
D: Sim, ele foi para Pequim,
mas não como a Pequim atual. Isto foi a muito tempo, por
volta de 1940 ou 1941, e, por volta de 1924 ou 1925, ele
visitou a Mongólia. Esta região era infestada de bandidos.
Foi uma época muito difícil.
SP: Com certeza. No seu prefácio,
o Sr. menciona que O-Sensei exigiu que o Sr. escrevesse
a biografia dele. O Sr. poderia, por favor, falar-nos mais
a respeito?
D: Houve mais uma ou duas biografias
que foram escritas a respeito de meu pai. Mas os autores
foram sempre pegos pela subjetividade de seus pontos de
vista. Elas contém passagens que foram, de certa forma,
dramatizadas. Logo, o meu pai pediu para que eu escrevesse
uma biografia precisa, baseados em materiais também precisos.
Contudo, era muito difícil, para mim, começar a trabalhar
em uma biografia de meu pai enquanto ele estivesse vivo,
logo eu adiei este projeto. Após o seu falecimento, eu passei
a considerar este projeto como uma tarefa urgente, mas eu
não pude começar imediatamente. Bem, passaram-se 8 ou 9
anos. Eu acredito que tenha escrito o livro juntando a maior
quantidade de material possível. Eu acho que as pessoas
vêem Morihei Ueshiba de diversas maneiras, cada uma de acordo
com a sua própria imagem. Contudo, esta biografia foi montada
gradualmente, baseado em materiais fidedignos e, mais ainda,
usando tudo que vi e ouvi, como núcleo principal.
SP: É
realmente um livro excelente. Apesar do Sr. ter compilado
e organizado o material durante um certo tempo, o Sr. escreveu
o livro em pouco mais de um ano. Imagino que o Sr. tenha
se dedicado durante 1 ou 2 meses em tempo integral ao livro.
D: Sim, esta biografia consumiu
um longo período para ser escrita. Eu escrevi, ao todo,
por volta de 11 ou 12 livros a respeito de técnicas de Aikido.
Este deve ser o 12? livro. Dentre os livros que escrevi,
o primeiro, escrito há aproximadamente 20 anos, chamado
Aikido, e este livro atual, foram os que consumiram mais
tempo.
SP: Por que motivo é importante,
para aqueles que aspiram aprender Aikido, estudar a biografia
de O-Sensei ou, falando de uma outra forma, o caminho que
o Fundador trilhou?
D: Eu acho que é uma coisa
positiva estudar Aikido ou tomar a decisão de estudar Aikido
e continuar a praticá-lo, quer seja porque você ache que
ele é algo maravilhoso, ou porque você o considere algo
que se encaixa perfeitamente às suas necessidades. E eu
acredito que seja apropriado e necessário praticar o Aikido
tendo bem em mente a sua origem. Atualmente, contudo, você
freqüentemente encontra pessoas que desistiram, após experimentarem
o Aikido por um curto período de tempo. Eles não tem qualquer
noção do que é o Aikido. Se as pessoas acham que o Aikido
consiste somente em mexer os braços e as pernas e se o que
se desenvolve, a partir daí, é algo que lembra de uma maneira
vaga o Aikido original, teremos algo para nos lamentar profundamente.
Isto ofenderia a essência do Aikido. Portanto, é importante
conhecer as dificuldades que Morihei Ueshiba teve de enfrentar
para criar esta arte. É evidente que o aspecto físico do
Aikido é importante. Contudo, o principal não é simplesmente
mover os seus braços e suas pernas. Mais do que isso, é
uma questão de espírito, uma questão de coração. Se este
treinamento espiritual não é expresso nos movimentos do
corpo, então tudo que se faz não corresponderá à verdade.
É errado imaginar que você está praticando Aikido porque
você pode arremessar o seu oponente e subjulgá-lo, ou porque
a sua técnica é forte. Por exemplo, no Judo e no Karate
existem pessoas fortes, assim como no Sumo. No Aikido, existem
pessoas fortes também. Contudo, o verdadeiro Aiki não consiste
somente em ter um corpo forte, não é somente força muscular.
É a unificação da mente e do corpo. Se não for cultivado
um espírito que permaneça sereno, não importe qual seja
a dificuldade ou situação, uma pessoa não poderá ser classificada
como forte. Logo, se uma pessoa pratica o Aikido entendendo
como O-Sensei criou o seu caminho, a partir de seu ponto-de-vista
a respeito de humanidade ou mesmo da vida, ela não se enganará
em relação ao verdadeiro caminho do Aikido. Este é o motivo
pelo qual gostaria que todos lessem obras como esta biografia.
E tem mais uma coisa que gostaria de falar. Existem muitas
pessoas que idolatram Morihei Ueshiba como um "todo-poderoso"
ou como um kami (um ser divino). Eu acho que isto é algo
positivo, na medida que isto trouxer inspiração para treinar
arduamente. Entretanto, como ele é um ser humano, ele não
pode ser "todo-poderoso". Eu acho que a coisa mais importante
em Aikido é cultivar a sua própria individualidade, ou melhor,
melhorar as suas características através de seu próprio
treinamento de Aiki, compreendendo os esforços feitos pelo
fundador para construir o caminho do Aiki.
SP: No primeiro capítulo de
sua biografia, o Sr. também mencionou o perigo de considerar
O-Sensei como um kami e as suas técnicas como algo divino.
D: Bem, de certa forma, as
suas técnicas eram "técnicas divinas". Eram simplesmente
inacreditáveis. No Japão, de uma maneira geral, acredita-se
que o kami esteja presente em tudo. O xintoísmo japonês
não é monoteísta. Logo, de certa forma, é natural que O-Sensei
seja um kami nas artes marciais, um kami do Aiki. Isto é
positivo, se olharmos desta forma. Mas eu acho que é extremamente
perigoso considerar alguém como "todo-poderoso". Isto pode
evoluir para um extremo, tal qual durante a II Guerra Mundial,
quando o Japão considerava-se uma "nação divina". Mais importante
do que ter este tipo de atitude, é compreender a verdadeira
natureza do Aikido, tendo em mente as dificuldades que o
Fundador, Morihei Ueshiba Sensei, enfrentou para forjar
o seu caminho e como ele preparou este mesmo caminho para
nós.
SP: Durante a longa experiência
em artes marciais de O-Sensei, ele passou por algumas mudanças.
No início, ele enfatizava a força e a técnica e, mais tarde,
ele passou a dar maior importância aos aspectos espirituais.
Como a forma de ensinar de O-Sensei mudou juntamente com
a sua arte marcial?
D: Nos seus últimos anos, ao
invés de ensinar, meu pai demonstrava os seus movimentos,
que estavam em concordância com o fluxo do universo e em
sintonia com a natureza. Logo, era uma questão dos estudantes
assistirem aos seus movimentos, aprendendo por si e, desta
forma, aprendendo suas técnicas. Ele não se importava muito
em ensinar aos seus alunos ... seus movimentos eram tão
espontâneos e naturais. Eu acho que nós devemos atingir
aquele ponto no final. Contudo, uma vez que nós temos nossos
dojos, nós temos uma tendência em pensar de uma forma articulada
em palavras, como fazer as pessoas entenderem, como desenvolver
uma porção de alunos fortes ... e nós acabamos sendo envolvidos
neste ambiente egoísta e mesquinho. Mas isto não acontecia
com o Fundador. Ele era a própria inocência em seus últimos
anos, expressando os seus movimentos espontaneamente, mantendo
uma atitude que atraía as pessoas que queriam aprender com
ele ... assim era a sua técnica. Eu acho que isto é algo
que deve ser respeitado. O mundo onde vivemos atualmente
é egoísta, um mundo onde damos algo esperando receber algo
também. É um mundo muito calculista ... onde as pessoas
pensam em quanta vantagem podem obter fazendo algo. Mas
isto não é satisfatório para o treinamento espiritual do
ser humano ... Isto está se tornando cada vez mais animalesco.
Nestas circunstâncias, nós somos fortemente atraídos por
este tipo de movimento que se originava do âmago do Fundador.
Meu pai era um homem muito forte, quando jovem, apesar de
ser baixinho ... eu quero dizer quando ele tinha 30, 40
ou 50 anos. Ele tinha um vigor muito maior do que as pessoas
comuns e, desta forma, as suas técnicas eram mais fluidas
e poderosas. Mas, a medida que ele envelheceu, o seu poder
e a sua força passaram a ser mais discretas e as suas técnicas
tornaram-se mais suaves e circulares. Eu acredito que aquilo
é a verdadeira técnica. O Aikido deve ser assim. O Aikido
deve ser forte em seu núcleo ao invés de ser forte na sua
superfície. Dentro deste núcleo, uma quantidade tremenda
de energia está sempre ardendo, mas na superfície tem-se
movimentos suaves que englobam as pessoas. Qualquer outra
forma de Aikido não é o verdadeiro Aiki. Com os seus esforços
em relação à disciplina de treino e disciplina espiritual,
o Aiki do Fundador desenvolveu-se em um conjunto de movimentos
suaves e elegantes, que escondiam o aspecto severo de seu
interior. Eu acredito que esta seja a razão pela qual o
Aikido atrai tantas pessoas. Se o Aikido tratar somente
de violência, as pessoas não o seguirão. Esta é a minha
opinião.
SP: O Sr. mencionou que, nos
seus últimos anos, O-Sensei demonstrava as suas técnicas
aos alunos e que eles aprendiam Aikido mais vendo e tendo
as suas atenções presas pelos seus movimentos. O método
de ensino de O- Sensei sempre foi assim desde o princípio?
D: Não. A princípio, ele ensinava
as técnicas ponto-a-ponto, embora não parecesse que focasse
as sua atenção em algum ponto específico. Mas ele enfatizava
que você precisa fazer as coisas de uma forma exata, passo
a passo, para não incorrer em erros. Recentemente, está
havendo uma tendência do treino em Aikido tornar-se suave
e fluido demais e alguns iniciantes não passam pela etapa
severa do treinamento. Não é desta maneira que deveria ser.
Se você vai praticar Aikido, você deve praticar os princípios
básicos muito bem. Ele me disse isto várias vezes em seus
últimos anos ... praticar com exatidão, sem mudar qualquer
aspecto ... se você não atinge o nível de suavidade além
da técnica através de uma prática intensiva dos aspectos
básicos, você não desenvolverá a verdadeira força. Se, desde
o início, você pratica um estilo suave como tofu (queijo
de soja), você será vulnerável a um ataque. Portanto, é
necessário realizar um treino sólido no início. Com o passar
do tempo, através deste tipo de treinamento sólido, sua
técnica se tornará eficiente. Uma eficiência suave emergirá.
SP: Existe uma história interessante
que diz que, quando Sokaku Takeda Sensei retornou a Ayabe,
ele ficou muito bravo ao ver o Daito-ryu Aiki-jujutsu que
o Fundador estava ensinando nesta cidade. Eu acredito que
o motivo pelo qual o Sr. Takeda ficou chateado tenha sido
porque O-Sensei, que já tinha começado a desenvolver o Aikido,
mudou a técnica que ele tinha aprendido de Takeda Sensei.
Esta estória é verdadeira?
D: Bem, o Aikido e o Daito-ryu
Jujutsu - agora que o Aikido se tornou mais conhecido, o
segundo chama-se Daito-ryu Aiki-jujutsu - são completamente
diferentes. Existe uma pequena semelhança nos movimentos
e nas técnicas. Mas eu acho que o treinamento espiritual
- eu quero dizer, do coração e do espírito - e suas interpretações
são completamente diferentes. O Fundador foi à Ayabe no
final de 1919 e estabeleceu-se lá em 1920. Ele abriu um
pequeno dojo chamado "Ueshiba Juku", em 1920. Era um dojo
de 20 tatami, pelo que me lembro. Era a primeira vez que
o meu pai construía um dojo. Nesta época, ainda era chamado
de Daito-ryu Jujutsu. Por volta de 1921, o Sr. Sosaku Takeda
apareceu por lá - esta é a ocasião sobre a qual você me
perguntou - e pensou que a técnica tinha mudado. Como ela
era diferente do Daito-ryu Jujutsu, eles discutiram sobre
acrescentar Aiki ao nome e, com a permissão temporária do
Sr. Takeda, o Fundador mudou o nome para Daito-ryu Aikijutsu.
Deste momento em diante, o Sr. Takeda começou também a usar
o nome Daito-ryu Aiki Jujutsu. Então, desde 1922 até 1924
ou 1925, as pessoas já chamavam-na de Ueshiba-ryu Jujutsu
ou Aikijujutsu - suprimindo Daito-ryu - Aikijujutsu ou Aiki
Budo. Ao redor de 1925 ou 1926, ela foi chamada pelo nome
de Ueshiba-ryu Aiki Budo. Meu pai veio para Tokyo por volta
de 1926 ou 1927 e, deste período em diante, ela passou a
ser conhecida como Aiki Budo ou Aikijujutsu. Cinco anos
após, em 1930, foi construído um dojo de madeira aqui. Havia
um dojo aqui, nossa casa era mais para lá (apontando para
a atual localização do Hombu Dojo). Tudo isso era a minha
casa. Eu comprei esta parte do lote após a guerra e aqui
era o dojo. Ela se tornou Aikido em 1943. Ele a chamou de
Aikido por vários motivos. Após a guerra, ele pensou que
poderia ensinar e divulgar o verdadeiro Aikido. Por esta
razão, a arte nasceu em Iwama, pois era onde ele estava
nesta ocasião. Ele foi para Iwama em 1941 ou 1942. No final
do ano de 1942, ele ficou muito doente e, após se recuperar,
ele começou a cultivar a sua barba. Então, em 1945, ele
construiu o dojo de Iwama. O Sr. Saito começou a treinar
por volta de 1946. Eu me lembro disto pois, no início, eu
o ajudei. Em 1948, nós organizamos a Aikikai Foundation
e começamos as nossas atividades. Antes disto, nós organizamos
este dojo (Hombu Dojo) como a Fundação Kobukai, por volta
de 1941, quando paralisamos temporariamente as atividades,
após a guerra. Mas ela foi reativada em 1948 como a Aikikai
Foundation. Nós nos tornamos uma organização de caráter
nacional, característica esta mantida até o presente. Meu
pai recebeu a Medalha da Fita Púrpura em 1960 ou 1961 e,
motivado pela conquista deste prêmio, ele começou a vir
para Tokyo com maior freqüência. A partir de 1965, ele esteve
quase sempre em Tokyo, falecendo em 1969. Portanto, ele
foi de Hokkaido para Ayabe, na prefeitura de Kyoto; treinou
em Ayabe; veio para Tokyo, onde ele ficou, vejamos 14 ou
15 anos; foi para Iwama e ficou durante 10 anos lá; e voltou
para Tokyo, por 5 ou 6 anos, até o seu falecimento. Esta
foi a sua história.
SP: A próxima pergunta é a
respeito do futuro do Aikido. Eu gostaria de perguntar quais
são as suas perspectivas para o futuro do Aikido em nível
internacional. Eu entendo que o objetivo atual da Federação
Internacional de Aikido é propagar um método padronizado
de ensino que sirva como base para o que se pode denominar
"o verdadeiro Aikido". Temos vários professores brilhantes
no Hombu Dojo; contudo, cada qual tem a sua própria técnica
individual. Sob estas condições, como o Sr. acha que o verdadeiro
Aikido pode ser propagado pelo mundo, juntamente com um
método de ensino?
D: Bem, eu acho que propagar
um método de ensino ou algo do gênero é secundário. O mais
importante é cultivar a amizade através do Aikido. Atacar
alguém dizendo "O que você está fazendo está errado!" ou
"Você não deve fazer isto porque isto não é o verdadeiro
Aikido!", ou criticar dizendo "A sua maneira está errada!"
é algo que nós não devemos fazer. O Fundador passou por
várias dificuldades para desenvolver o Caminho do Aiki e
isto fez com que todos praticássemos o Aikido. Se as pessoas
praticam o Aikido, elas estão conscientes de alguma ligação
com este local (Hombu Dojo). Desta forma, eu espero que
todos dêem as mãos ao redor deste centro através do Aiki,
apesar das diferenças de técnica e nacionalidade, praticando
e treinando diariamente esta arte. Para aperfeiçoar as técnicas,
nós devemos modificar o método de ensino pouco a pouco,
mas eu não acho que faremos algo insensato, tal como estabelecer
um padrão fixo e forçar todos a segui-lo. Eu acho que nós
não devemos fazer isto. A forma como o Aikido deve ser é
espontâneo e natural. O Aikido existe como um movimento
ordenado de um princípio divino que é a própria natureza.
As técnicas de Aiki são variáveis e multifacetadas. Elas
parecem ser distintas uma das outras, contudo existe uma
unidade e uma ordem única entre elas. É aí que, acredito,
está a particularidade do Aikido. Logo, nós não temos qualquer
intenção de fixar um padrão, quer seja político, ideológico
ou econômico, isto é, formar uma organização estrutural
e forçar tudo e todos a seguí-la. Logo, a Federação de Aikido
deve crescer e cultivar a amizade, acima de tudo.
Aikido News - 30.SET.1978 |
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