ENTREVISTAS COM GRANDES MESTRES
Entrevista com Dang Thong Phong Sensei
por Lynn Seiser e John Tran

Dang Thong Phong Sensei, fundador e Presidente da Federação Internacional Tenshinkai de Aikido, detém o 6º dan em Aikido, a faixa preta 6º grau em Tae Kwon Do, o 5º dan em Judo e a faixa preta 8º grau em Han Bai Duong (Kung Fu Shaolin Vietnamita). Após 50 anos de dedicação às artes marciais ele continua dando aulas, diariamente, no seu dojo da cidade de Westminster, no Condado de Orange, Califórnia.
O segundo de três filhos de um pai revolucionário, Sensei Phong nasceu em 10 de feve-reiro de 1935 em Phu Le, antiga Cidade Imperial no Vietnã central. Ele cresceu durante a revolta vietnamita contra a ocupação Francesa.

Sensei, qual é a sua experiência no Aikido?

Eu comecei a praticar artes marciais em 1950 com 15 anos de idade. Meu cunhado, que é médico, tinha uma escola de artes marciais em Saigon aonde ensinava Judo e Kung Fu Shaolin Vietnamita.
Em 1958, meu irmão, Dang Tong Tri, retornou da França e introduziu o Aikido nesta escola. A princípio fiquei muito impressionado com a fluidez da técnica. Quando o Sensei Tri me introduziu ao Aikido percebi que a arte se adequava muito bem a minha estatura. (Eu tenho 1,65m e sou leve). A filosofia do Aikido também se mostrou adequada ao meu modo de vida.
Depois, quando fui para o Japão treinar com o O-Sensei, percebi que, despeito seu ta-manho, suas técnicas eram muito fortes e eficazes e fiquei profundamente impressionado com sua filosofia.

Aonde e quando começou a estudar o Aikido?

No final de 1959, o Sensei Tri inaugurou o seu primeiro dojo de Aikido. No ano se-guinte o Hombu Dojo enviou o Sensei Mutsuro Nakazono - que fora instrutor de Aikido na França - para ajudar o Sensei Tri ensinar e para difundir o Aikido no Vietnã.
O Sensei Nakazono e o Sensei Tri davam aulas na escola de artes marciais do Sensei Tri, em instalações das forças armadas e em instituições policiais. As técnicas ensinadas as forças armadas eram muito combativas, enquanto aquelas ensinadas as polícias ressaltavam técnicas de dominação.
A minha experiência no Judo fez de min um bom uke. Eu absorvia muito bem os arre-messos e as quedas. Nas competições de Judo não havia contagem de ponto se os ombros não encostassem no chão. Por isso, eu tinha o hábito de rolar ao invés de fazer uma queda com parada. Por este motivo, o Sensei Nakazano me pediu para ser seu uke quando ensina-va.
Receber as técnicas diretamente do Sensei Nakazano me ajudou melhorar as minhas próprias técnicas porque eu podia sentir como aplicá-las. Eu pude aprender novas técnicas - aplicações diferentes daquelas aprendidas com meu irmão, o Sensei Tri. Eu comecei a compreender realmente a versatilidade do Aikido, fazendo com que eu me interessasse mais ainda pela prática do Aikido.
Eu fui muito afortunado em poder seguir o Mestre Nakazano. Desde o início comecei a imaginar uma carreira nas artes marciais.
Em Outubro de 1964, quando o Sensei Tri veio para os EUA, eu assumi sua escola no Vietnã. Foi assim que minha carreira nas artes marciais começou e desde então não faço outra coisa.

Como foi sua vida crescendo no Vietnã?

Meu pai juntou-se à guerra revolucionária contra a colonização Francesa do Vietnã. Ele raramente estava em casa devido sua movimentação na luta contra os Franceses. Como éramos vigiados pelos colaboradores o tempo todo, sempre nos mudávamos.
Por ser jovem, eu ficava em casa para ajudar minha mãe com as despesas e para criar nossa família. Minha juventude não foi muito agradável - mas isso talhou o meu caráter. Esta luta na juventude me ensinou muito.

Como que o Aikido mudou a sua vida?

A prática de artes marciais, incluindo o Aikido, me trouxe coragem e responsabilidade. Me mostrou o conceito de se entregar por completo a algo e a ter liderança Também fui influenciado pela idéia de harmonia do Aikido - pelo seu ideal de trabalhar com as pessoas sem causar-lhes danos.

Qual a diferença entre o Aikido agora e quando o senhor começou?

As técnicas básicas do Aikido não mudaram muito desde quando as aprendi pela primeira vez. Mas, com o passar dos anos, desenvolvi novas técnicas mais apropriadas para um homem do meu tamanho. No passado, ensinei muito as técnicas mais dinâmicas - especialmente técnicas como kote gaeshi e koshi nague que requerem quedas mais fortes. Essas técnicas são mais adequadas para os corpos mais jovens, que aguentam mais, mas nem sempre são apropriadas o para os alunos mais velhos. Hoje dou mais ênfase às técnicas de kokyu nague que não exigem quedas tão fortes. Particularmente, gosto muito de ensinar técnicas de kokyu nague; gosto de ensinar os movimentos dinâmicos com mudança de direções. Quando praticamos a dinâmica do kokyu nague, treinamos nosso ki.

Quais professores influenciaram mais o seu Aikido?

O O-Sensei e o Doshu Kishomaru Ueshiba são duas das minhas maiores influências.
Eu conheci o Doshu Kishomaru em 1967, na minha primeira ida ao Japão para estudar Aikido. Na primeira semana que estive lá o Doshu me levou para conhecer o escritório, a área de treinos e o local aonde o O-Sensei trabalhava. O calor da sua recepção e hospitali-dade causaram profunda impressão.
Eu trouxera comigo uma foto dos meus 200 alunos de Aikido para presentear o O-Sensei. Ele levantou a foto para a classe e falou durante algum tempo sobre ela. Mesmo sem entender uma palavra, fiquei muito emocionado naquele dia. Portanto, minha primeira impressão do O-Sensei foi muito afetuosa.
Desde a primeira vez em que vi o O-Sensei ensinar e praticar, fiquei muito impressio-nado. Observando-o, meu amor e respeito pelo Aikido como arte marcial se fortificaram.
Em 1993, o Doshu Kishomaru me convidou para a comemoração dos 50 anos do Aikido. Acredito que ele me convidou porque estava ciente do meu trabalho para manter a Federaçao Tenshinkai de Aikido funcionando, depois da minha mudança para os EUA em 1986. Mestres de Aikido de todo o mundo atenderam a cerimonia. Uns 10 foram convida-dos a subir no palco e apresentados. Eu estava honrado por ser o único professor não Japonês a subir no palco. Também fui convidado pessoalmente para uma recepção durante um jantar.
Dois alunos que me acompanhavam - um dos EUA e outro do Canada - também foram convidados para o jantar. Mais uma vez, o tratamento e a receptividade deixaram profunda impressão.

A Federação Tenshinkai de Aikido, sua organização, teve continuidade após o senhor ter deixado o Vietnã?

O Hombu Dojo tinha reconhecido a Federação no mapa mundial da organização mas a excluiu quando vim para os EUA. Depois, retornei e organizei uma viagem para o Sensei Masatake Fujita para que ele pudesse conhecer a organização e assistir a demonstrações dos seus membros. Ele enviou seu parecer sobre o Aikido Vietnamita para o Japao e conseguiu incluir a Tenshinkai Aikido de volta no mapa. Durante os últimos cinco anos eles mantive-ram seu próprio conselho de administração. O Hombu Dojo envia instrutores todos os anos para lá.
Em 2001, vou me juntar com a Tenshinkai Aikido do Vietnã para convidar o Doshu Moriteru Ueshiba e o Sensei Fujita para uma visita ao País.

Mudando de assunto - o senhor tem família? Caso tenha, qual é o envolvimento deles com o Aikido? O senhor acha que é importante envolver os pais dos seus alunos com o dojo?

Eu cheguei em Sacramento, Califórnia, em 1986 vindo do Vietnã. Ali eu me reuni com minha família de novo. Minha mulher e meus filhos já viviam nos . Estados Unidos há 10 anos. Inicialmente ensinei Kung Fu Shaolin e Tae Kwon Do aos meus filhos porque não tínhamos tatames para treinar. Quando nos mudamos para o Condado de Orange, Califórnia, e montamos um dojo, tínhamos tatames. Então ensinei Aikido a ambos os filhos. Meu filho mais velho pegou a faixa preta. O mais novo alcançou a faixa marrom quando estava no colegial. Hoje eles tem 25 e 26 anos. Eu ainda tenho uma foto deles na parede do dojo, um jogando o outro.
Aproximadamente dois terços dos meus alunos são crianças. Eu acredito que o envolvimento dos pais com as atividades da escola ajude a retenção das crianças. Eu procuro manter os pais informados quanto as atividades e o pro- gresso dos seus filhos e tenho muitas atividades sociais no dojo.
Quando os pais decidem me enviar seus filhos, eu converso com eles e explico a filoso-fia do Aikido. Frequentemente, por ser o Aikido uma forma não violenta de arte marcial, os desejos dos pais são preenchidos. Estando familiarizados com a filosofia, eles trazem suas crianças e as estimulam a ficar e praticar. Eles sabem que seus filhos não vão sair para as ruas para brigar.
Fazer com que membros das famílias de alunos adultos entendam o Aikido também é importante. Dois dos meus alunos estavam tão envolvidos com o treinamento que seus companheiros os acusaram de passar mais tempo comigo do que com eles. Ambos tiveram que desistir, depois de receberem a faixa preta, porque o apoio familiar não existia. Por isso, de vez em quando me reuno com os familiares para explicar os benefícios e as vantagens da prática do Aikido e para conseguir apoio.

Na sua opinião, quais são estes benefícios?

Do Aikido, as pessoas aprendem a filosofia de se viver harmoniosamente e de se perdoar. Eu apliquei essas lições à minha própria vida. Quatorze meses depois do meu casamento, fui afastado da minha família. Eu era um oficial no Vietnã e, com o fim da guerra, fiquei preso durante 7 anos e meio. Minha mulher e meus dois filhos pequenos vieram para os EUA. Ficamos separados uns 10 anos. A princípio, devido ao longo tempo de separação, houve diferenças nas expectativas e problemas com a comunicação. Eu estivera em prisões para a reeducação, com os comunistas, por tanto tempo e passara por tantas adversidades que minha vida havia mudado, assim como a minha maneira de pensar. Enquanto isso, minha mulher e meus filhos viviam numa sociedade livre. Portanto, nossas expectativas eram muito diferentes. Havia muita coisa para ser revista e foi difícil nos unirmos de novo.
A prática do Aikido me ensinou a trabalhar duro e a manter minha família unida. Usando meu treinamento no Aikido fui capaz de resolver os conflitos familiares. Hoje, minha mulher sempre participa e apoia nossas atividades no dojo - sempre ajudando.
O Aikido, agora é o meu modo de vida. Eu venho para a escola para ensinar e depois volto para casa para tomar conta da minha família.

Em 1999 o senhor foi colocado, pela segunda vez, no Hall da Fama das Artes Marciais. Qual foi o significado disto para o senhor?

O Hall da Fama das Artes Marciais Mundial reconheceu os meus feitos. Eu pesso-almente fico muito lisonjeado por ter sido reconhecido por tantos mestres e professores. Eu estou feliz. Foi uma grande conquista na minha vida.

O senhor foi convidado para fazer uma demonstração no All Japan Aikido Demons-tration em 1999 em Tóquio. Como foi esta experiência?

Não entendo como fomos convidados. Foram poucos os convites e mais limitados ainda o número de demonstrações. Talvez tenham nos convidado porque o Sensei Fujita visitou nossa escola e viu as habilidades dos nossos alunos. Me senti muito honrado de estar ali.
Só havia uma outra escola Americana: a Associação Americana de Aikido sob Sensei Toyoda, que também fez demonstrações.
No dia da demonstração, o apresentador só falou em Japonês. Quando finalmente des-cobrimos a hora em que seriamos chamados, restavam apenas 4 ou 5 minutos para nos preparar. Foi preciso muita concentração. Eu não acho que fiz meu melhor, mas a apresentação não foi tão mal. Não durou mais que um minuto e meio.

Em 2000, o senhor celebrou seus 50 anos de artes marciais. O que significaram esses 50 anos para o senhor?

Eu sou muito grato a Fundacao Tenshinkai de Aikido e a todos os alunos que ajudaram a fazer daquele dia um dia especial para mim. Eu estava muito orgulhoso que vários servido-res públicos e dignitários locais celebraram conosco. Foi um dia importante.
Uma das minhas maiores conquistas nestes últimos 50 anos foi a oportunidade de com-partilhar as minhas experiências. Tempos atras, muitos bons instrutores ensinavam seus segredos apenas para a família e parentes. Só que desta maneira, ao longo do tempo, se perde a arte. Agora as coisas estão mudando. A experiência tem que ser compartilhada li-vremente para que a arte se prolifere. Eu ensino o que sei para todos os alunos que tenho. Eu sou muito feliz porque estabeleci uma organização para proliferar o Aikido.
Quando dou uma aula não tenho uma técnica específica para aquele dia. Não trabalho desta forma. O treino se baseia na técnica que me vem à cabeça. As vezes me lembro de alguma ou invento uma. Eu sempre tenho a esperança de que algum aluno perceba e guar-de a técnica. Deste jeito a arte não se perde. Minha filosofia é mostrar o máximo possível para que a arte não se perca.

O senhor é possuidor de faixas pretas de graus elevados em várias outras artes. Como foi que a prática destas outras artes afetaram o seu Aikido?

As outras artes enriqueceram o meu Aikido o tornando mais completo. Nas artes Shao-lin, por exemplo, é dado ênfase a postura. Por isso, tenho a tendência de manter minhas costas retas e meu centro baixo para manter o equilíbrio.
Até mesmo o O-Sensei adaptou para o Aikido aquilo que aprendeu com outras artes mar-ciais. É isto que eu quero fazer.

Como que o treinamento nos EUA difere do treinamento no Vietnã e no Japão?

Nos EUA as pessoas são maiores. Por isso, minhas técnicas tem que ser mais dinâmi-cas. Eu tenho que ter uma melhor percepção da resistência para poder mudar a direção. Conforme vou envelhecendo, percebo que minha técnica se torna mais forte. Antes não havia potência mas com a idade a minha técnica continua ficando mais suave e forte. Acho que desenvolvi mais Ki.

Quais conselhos o senhor daria para os alunos?

Eu lembraria os iniciantes que o Aikido é uma forma de arte marcial não competitiva. No começo há muito treino de movimentos básicos. É necessário treinar o básico para ad-quirir uma base sólida para as técnicas mais avançadas. Os iniciantes precisam ter expec-tativas realistas para si mesmos e a arte do Aikido.
Toda vez que o Esteven Seagal lança um filme, o número de alunos novos aumenta. Passados alguns meses a maioria abandona a escola porque a arte não era o que eles espera-vam. É necessário compreensão para praticar os movimentos do Aikido. Os movimentos usados no Aikido são muito diferentes daqueles usados em outras artes marciais, como o Karate e o Tae Kwon Do. Os iniciantes precisam compreender o significado e a filosofia do treinamento.
Meu conselho para os intermediários é voltar para o básico. O básico é a fundação para as técnicas mais avançadas. O básico tem que ser forte. Saber muitas técnicas não ajuda muito. Volte sempre para o básico. O bom de se treinar o básico por um longo tempo é que cria-se reflexos automáticos. Nada mais cria estes reflexos. Mas, sem eles o aluno não conseguirá executar contra ataques com eficiência.
Eu diria a mesma coisa para os avançados. Voltem para o básico para criar reflexos naturais e automáticos. Voltando ao básico, os alunos aprendem fazer a transição de uma técnica para outra com mais fluidez. E, o básico ajuda na movimentação do corpo; até mesmo os mais graduados precisam ser lembrados de manterem as costas retas, o centro de gravidade próximo ao parceiro e o equilíbrio.
Eu aconselho os mais graduados, da faixa preta em diante, ajudar no treino dos mais novos. Esta é a melhor maneira de se reciclar nas técnicas básicas. De fato, por causa do hábito de ajudar os outros, todos os instrutores daqui compreendem muito bem as técnicas básicas.

Quais caracteristicas, de personalidade ou crença, indicam que uma pessoa será um bom aluno ou, talvez, um futuro instrutor da Tenshinkai Aikido?

Não é suficiente as pessoas praticarem o Aikido apenas para melhorar sua saúde ou co-mo exercício ou para aliviar o estresse. Eles também precisam de apoio e entusiasmo para treinar. Ajuda muito ter o apoio e a compreensão da família, permitindo que se con-centrem no treino.
Outro fator que ajuda os alunos se tornarem bons instrutores é serem honestos consigo mesmos. Os bons instrutores são honestos e sinceros.
Bons instrutores são pacientes, também. Paciência é muito importante porque são muitos os desafios a encarar. A maioria dos nossos alunos são crianças por exemplo. Mui-tas vezes eles não estão focados, o tempo de atencao é curto e eles até retrucam. Os instru-tores precisam ter paciência para lidar com estes comportamentos. Eles precisam saber li-dar com crianças de diferentes idades e origens. Os instrutores tem que conseguir trabalhar com todos eles.
Os instrutores tem que ensinar as técnicas básicas o tempo todo. Aqui, de novo, ajuda muito ter paciência.
Instrutores que conseguem manter estas características serão muito bons. Enquanto treinarem e ensinarem, eles mudarão. Mesmo após o nível de faixa preta, eles continuarão crescendo. Quando questionados sobre alguma técnica eles tem que pensar e revisar para ensinar. Ensinar os ajuda se tornarem melhores. Ensinar é uma ótima maneira de melhorar a própria técnica.

Recentemente, o senhor estabeleceu a Fundação Tenshinkai de Aikido, uma corpora-ção não lucrativa e beneficente. O que o senhor espera alcançar com esta iniciativa?

Até a alguns anos atras, o Tenshinkai Aikido era organizado e dirigido por mim. A Fundação Tenshinkai de Aikido foi estabelecida para expandir o Aikido. A Federação ensi-nará os instrutores terem suas próprias escolas ou darem aulas em lugares diversos como faculdades e universidades. No passado, tivemos alunos que queriam dar aulas mas o orçamento era o grande problema. A Fundação pode apoiar a expansão da arte. Este é o propósito da Fundação, ajudar a disseminar a arte do Aikido.
A Fundação Tenshinkai de Aikido é uma organização pública. Ela está aberta a todas as pessoas que queiram ingressar e ajudar na sua administração. Atualmente, sou o Presiden-te. Devido a quantidade de trabalho da Federação Internacional de Aikido, espero encon-trar alguem para me ajudar administrar a Fundação. A idéia é que a Federação se ocupe com os aspectos técnicos da arte e a Fundação se ocupe com a expansão da arte.
Suponhamos, por exemplo, que um aluno mude para um outro estado e queira abrir uma nova escola. Isto pode ser muito difícil por não ter uma reputação estabelecida. A Funda-cao pode ajudar com conselhos, contatos e, esperamos, com finanças.

Como o senhor vê o futuro do Aikido?

O Aikido teve origem com o O-Sensei. Não importa quantas linhas ou estilos o Aikido desenvolva, sempre haverá uma ligação com o Aikikai original. Não importa quais nomes as pessoas escolham para suas organizações e estilos, somos todos filiados ao Aikido Hombu Dojo original do O-Sensei.
Muitas vezes, fui convidado para ensinar em escolas que não são formalmente associa-das ao Aikikai. Quero que todos nós sejamos unidos. Todos nós praticamos o Aikido e todas as nossas artes tem a mesma origem. "Ai" significa "harmonia".
O Aikido continuará se desenvolvendo lentamente porque não é uma arte competitiva. Uma maneira de assegurar que ele se desenvolva mais rapidamente é fazendo mais de-monstrações para que mais pessoas vejam a arte.
O ambiente no Dojo de Aikido é amigável e não competitivo, nós nos juntamos para a-judar uns aos outros. É isso que os visitantes observam, e é isso que dará continuidade a ar-te.
O Aikido necessita de instrutores mais dedicados. É difícil encontrar professores que re-almente amam ensinar, professores dedicados. Um faixa preta não está, necessariamente, pronto para abrir uma escola. As pessoas precisam treinar regularmente durante uns 10 a-nos para adquirir experiência suficiente para abrir um dojo. E, as pessoas já deveriam ter uma certa experiência em ensinar. Esta é uma das vantagens no meu dojo. Eu posso ajudar as pessoas observando suas aulas e oferecendo conselhos. Eu comecei a ensinar depois de apenas dois anos de estudos. Foi difícil porque era muito cedo. Meus alunos não precisam passar por isto. Eu posso ajuda-los se tornarem bons instrutores.
E também, professores dedicados devem conseguir aceitar alunos de origens diferentes. Eles tem que ter braços abertos - serem dedicados e atenciosos. Aikido não é apenas a-prender técnicas. É aprender a ser uma pessoa melhor e viver harmoniosamente com todos.

Qual é o futuro do Tenshinkai Aikido?

Eu reconheço que o Tenshinkai não é muito abrangente nem reconhecido. A maioria de seus membros estão no sul da Califórnia, porque aqui estou eu. O que precisamos é estabe-lecer comunicação com outros dojos. Eu deveria ir a outros dojos e outras pessoas preci-sam ter a chance de vir aqui. Isto ajudaria o Tenshinkai se tornar mais popular.
Muitas escolas são abertas, mantém as atividades por um tempo e fecham. Eu acho que, geralmente, elas fecham porque os instrutores não possuem o treinamento necessário. Eles precisam de grande habilidade no ensino e nas execuções das técnicas, assim como abilida-de para organizar e administrar o negócio do dojo. Eu acho que a Federação pode ajudar oferecendo treinamento e auxiliando na abertura de novos dojos. Nós estaremos realizando mais seminários aqui, também. É muito importante
Eu também tenho a intenção de produzir vídeos e livros didáticos. Isto abrirá mais ca-minhos para a divulgação e preservação do Tenshinkai Aikido.

Algum último comentário?

Tenshinkai, que significa "do centro dos céus" (from the heart of heaven), é o nome que o próprio O-Sensei deu a este Aikido. Eu quero manter o Tenshinkai do jeito que foi origi-nalmente idealizado - sem tendências políticas e sem tomar partido. Eu quero manter a or-ganização aberta a todos aqueles que querem treinar e procurar uma vida melhor. Eu dese-jaria que todos pudessem treinar para viver harmoniosamente, com amor e compreensão.


(Traduzido por Édson Basso - Instituto Takemussu SJC)



 

 

 

 

 








 

 










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