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O Bushidô
é o Caminho espiritual, ético e basilar do
samurai. O aikidô é a forma pelo qual estas
virtudes se externam em forma de poder e energia. Ao contrário
do que muitos pensam, o Bushidô não é
um código frio e desumano, onde os sentimentos são
esquecidos e esmagados por uma lealdade cega e inominável.
O Bushidô é um caminho estabelecido em sua
forma mais pura, na era de Takamanohara (a idade dos deuses),
e seu verdadeiro fundamento é o espírito de
serviço e proteção da vida. Contam-nos
as escrituras sagradas do Xintô, que a espada dos
deuses, chamada Itsurugi, é uma espada usada para
pacificar o espírito animalesco e irracional do homem.
Suzanô-no-Mikoto usou a espada para destruir o dragão
da maldade que apavorava até os próprios deuses,
Take-no-Mikazuchi-no-Kami e Futsu-Nuchi-no-Mikoto, divindades
tutelares dos santuários de Kashima e Katori no Japão,
usaram a espada para pacificar e civilizar os homens primitivos.
Além
disso, no Budismo, se diz que a espada deve ser um instrumento
para cortar pela raiz as ilusões. A espada de Monju
Bosatsu (Manjushri, o bodisatva da Sabedoria iluminada),
corta os apegos e ilusões da mente entorpecida, e
a disciplina da espada conduz ao Satori (iluminação).
Existe um texto muito interessante de Takuan Zenji (mestre
zen, que tutelou Myamoto Musashi em suas práticas
espirituais) que diz: "Quando um jozu (adepto) cruza
a ponta de sua espada com outro, sem pensar mais em termos
de vitória ou derrota, faz-nos lembrar a tradição
segundo a qual Kasho Bosatsu sorriu, enquanto Buda pregava,
segurando entre os dedos uma flor". Sendo assim, vemos
o quão distante do verdadeiro espírito do
samurai, estão aquelas pessoas que buscam através
da prática marcial, a auto promoção,
a superioridade sobre outros seres humanos, e o orgulho.
No
aikido real, movido pelo espírito do Bushidô,
não podem existir competições, demonstrações
de ego, orgulho e comportamento incivilizado. Para um homem
movido pelo espírito samurai, só existe um
conflito, o dele contra seu próprio ego. Os conflitos
externos (físicos), ao contrário das competições,
só podem existir, por questões onde vida,
morte, saúde e preservação estejam
envolvidas.
Espero
que as pessoas que leiam esse texto conscientizem-se, de
que o Budô é um Caminho sagrado como todos
os outros, e que, portanto, não deve ser profanado,
desrespeitado ou tratado com leviandade. Devemos entrar
no dojô, como o fiel entra na igreja, devemos reverenciar
o dojô como um recinto sacrossanto, onde exorcizamos
nossos demônios interiores. Se conseguirmos este espírito,
em pouco tempo o mundo inteiro se tornará um dojô,
e o Budô desabrochará em nossa vida como a
flor de cerejeira aos raios do sol.
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