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Aikido Técnico.
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por Mitsunari Kanai
O texto a seguir é um trecho e reimpressão do periódico
Aikido East, do prefácio e primeiro capítulo do próximo
livro e vídeo a ser lançado por Kanai Sensei.
No âmago da prática do Aikido, mais do que qualquer outra
coisa, está um processo contínuo de treino e disciplina
do corpo e da mente para desenvolver a sabedoria.
Em uma situação de conflito, um tipo de comportamento bestial
visando somente a proteção pessoal e machucar o seu oponente
deve ser evitado de toda a forma. O desenvolvimento da determinação
de resolver uma situação de conflito com onisciência e onipotência
(isto é, utilizando não somente a técnica, mas também aplicando
um todo de habilidades e sabedoria) denomina-se bugokoro
(o espírito e a mente do budo). Deve-se lembrar que o Aikido
é nada mais, nada menos que a incorporação deste bugokoro.
Pelo fato do Aikido incluir elementos de bugi (técnicas
de combate), é inevitável que, em certas ocasiões, o seu
praticante deva considerar a possibilidade e a realidade
de situações de conflito. Se um indivíduo procura, de uma
forma séria e contínua, a realidade de enfrentar uma situação
de vida-ou-morte e também de reconhecer, de uma forma aberta
e completa, o seu inter-relacionamento com o oponente, ele
é levado a descobrir a técnica de luta mais lógica e mais
eficiente para a resolução do conflito.
É verdade também, embora possa parecer paradoxal, que em
busca da perfeição deste princípio, o indivíduo pode atingir,
eventualmente, um estado de harmonia, originado da compreensão
de que não importa o quão forte ele possa ser, ele não será
capaz de manter-se vivo se combater toda a forma de existência
que estiver ao seu redor. Este é o "Caminho" (ou processo)
para atingir a harmonia, tal qual é defendido no Aikido.
Contudo, deve-se manter em mente que, durante o processo
de compreensão e fixação do princípio de harmonia, não é
possível a existência do budo sem haver um processo de transformação
interna. Tal transformação inicia-se em um estado de conflito
que, após todo um processo crítico de desenvolvimento, eventualmente
atinge o estado de ausência de conflito.
Sob condições normais, os seres vivos vivem em grupos e
não sozinhos. Uma característica básica da existência social
é o desenvolvimento de descrições e comparações relativas,
como por exemplo, forte versus fraco. Cada ser tenta utilizar-se
de suas qualidades individuais para otimizar as suas vantagens
sob a luz das forças e fraquezas relativas. O processo que
originou o budo teve início com os esforços em compensar
a fraqueza, desenvolvendo qualidades específicas, tais como
velocidade, força ou facilidade em utilizar armas. Desta
forma, sob condições normais, viver no mundo nos leva, em
alguns momentos, a situações de conflito e o desenvolvimento
de técnicas cada vez mais eficientes para enfrentar estes
conflitos nos levam, eventualmente, à compreensão de que
sempre existirá algo ou alguém maior ou mais forte que nós.
Em última instância, chega-se à conclusão de que a forma
de defesa mais eficiente corresponde a unir-se e tornar-se
parte de seu oponente. Esta é a forma como o princípio da
conflito evolui para o princípio da ausência de conflito.
Yamatogokoro é a idéia de que a razão para o desenvolvimento
de uma arte marcial é a de proteger aqueles que não são
capazes de se defenderem contra agressores. O proponente
desta filosofia aplica a sua devoção ao desenvolvimento
do budo para proteger as pessoas pacíficas da crueldade
e da violência. Esta idéia está no coração do Aikido.
Deve-se entender que o Aikido compreende uma filosofia e
idéias que transcendem a arte marcial definida como a prática
de técnicas de combate. Desta forma, as artes marciais estão
dentro do Aikido, mas este transcende as artes marciais.
O Aikido defende a idéia de que o budo e os princípios do
conflito e da ausência de conflito podem ser mescladas sem
terem as suas essências fundamentais comprometidas. Contudo,
é triste observar o quanto a chamada prática tem comprometido
estes elementos. O que se segue é uma descrição técnica
dos princípios físicos que devem guiar a verdadeira prática
do Aikido, para que esta possa atingir as realizações desta
arte de uma forma total, e não parcial.
Um dos problemas mais básicos, crônicos e talvez inevitáveis,
na prática do Aikido, é o de que o seu treino pode ser reduzido
a um exercício fácil, baseado em um compromisso excessivo
entre os parceiros (nague e uke). Este problema surge pelo
fato dos aikidoístas basearem a prática do Aikido em filosofias
e teorias sinceras, mas infundadas. Exemplos de interpretações
incorretas podem ser vistas quando se enfatiza a idéia de
um ambiente "ao estilo do Aikido", expressando uma ideologia
desta arte e construindo de uma forma errônea o conceito
de "harmonia".
Devido à importância da compreensão correta do conceito
de harmonia no contexto específico do Aikido, darei uma
breve explicação. Tenha sempre em mente que eu analisarei
apenas uma pequena fração dos significados e aspectos da
harmonia no Aikido.
Primeiramente, é importante saber que a harmonia é o componente
central do Aikido. Fundamentalmente, representa a harmonia
com todo o universo, com toda a existência. Em termos de
mente e corpo, harmonia significa simplesmente que devemos
enfocar cada pessoa que nos rodeia, ao invés de enfocar
uma determinada pessoa em particular. Mas, em termos físicos,
a harmonia tem um significado técnico, referindo-se a uma
determinada maneira de utilizar-se o corpo, como um todo,
em todos os movimentos. Aplicando-se a uma situação de conflito,
é este significado técnico de harmonia que o praticante
deve pensar e aplicar em seu oponente, para trazê-lo a um
estado de harmonia.
Harmonia não significa simplesmente interagir com as pessoas,
baseando-se em um mínimo denominador comum ou criando um
acordo sem considerar algumas regras, somente para evitar
o conflito e manter um ambiente confortável e agradável.
A harmonia, tal qual é utilizada no Aikido, não compreende
o comprometimento, diminuição ou diluição de opostos e de
suas essências individuais. Este tipo de abordagem destrói
tudo, sacrifica a essência das coisas e corrói padrões de
comportamento e atitude, diminuindo cada indivíduo. A harmonia
do Aikido junta elementos diferentes e até mesmo opostos,
intensificando os seus potenciais, levando esta soma a um
nível superior.
Freqüentemente, é dito que o Aikido pode ser praticado por
homens e mulheres, adultos e crianças, velhos e jovens.
Isto é verdade. É verdade também, apesar de freqüentemente
isto não ser observado, que existe, dentro do Aikido, a
possibilidade de se praticar de várias formas, tal como
utilizando-se de exercícios mais rígidos para desenvolver
técnicas marciais. A extensão do Aikido não denota que a
sua prática seja fácil ou que aqueles que focam as suas
atenções e desenvolvem técnicas mais rígidas sejam menos
importantes ou menos legítimos que aqueles que estão interessados
em outros aspectos da arte.
Eu suspeito que o resultado destes erros origina um grande
problema no treinamento de Aikido, que é o de vários praticantes
não serem capazes de estabelecer um método de treinamento
baseado na compreensão fundamental de como utilizar o seu
corpo para produzir, aplicar e receber força.
O que se segue é uma teoria e sua explicação em como usar
o corpo corretamente. Parece-me necessário expressar em
detalhes esta lógica do Aikido. Pretende-se, com esta explicação
dos princípios físicos do Aikido, substituir as explicações
abstratas tipicamente divulgadas por vários aikidoístas
e praticantes de outras artes marciais.
O praticante de Aikido deve compreender como a fisiologia
e a estrutura íntima do corpo origina as leis e princípios
para a sua maior eficiência e otimização de suas funções.
A exatidão do movimento corporal é julgada unicamente pelo
seguinte critério: se o movimento, sob a luz da fisiologia
humana, utiliza todas as partes do corpo de uma forma organizada
e com a máxima economia e eficiência possível. A compreensão
desta teoria fundamental da utilização do corpo deve preceder
as explicações técnicas específicas do Aikido.
Qualquer sistema de movimentação corporal deve ser baseado
na fisiologia humana. As artes marciais, de uma forma geral,
possuem regras que definem as implicações da estrutura física
humana no contexto de situações de combate. O Aikido, que
é considerado a mais ampla abordagem das artes marciais,
deve ter um conjunto ainda mais preciso de princípios.
Uma técnica específica, baseado nestes princípios, utilizará
cada parte do corpo, de uma forma organizada e seqüencial,
visando a otimização na geração de força. Se isto for feito,
a técnica será correta e "funcionará". A não-compreensão
e aplicação dos princípios citados fará a técnica ser ineficiente.
Deve-se compreender que o treinamento em Aikido deve ser
baseado unicamente neste princípio imutável da máxima eficiência
originada da fisiologia humana. Com esta compreensão, o
aikidoísta pode determinar imediatamente se as técnicas,
aparentemente fluídas e corretas, estão baseadas nos verdadeiros
princípios do treinamento do Aikido. Técnicas incorretas
são muitos comuns devido à não-compreensão deste princípio.
A não-compreensão dos princípios do movimento corporal eficiente
tem outras implicações, como por exemplo, a falta de uma
consistência teórica dos principais grupos de técnicas características
do Aikido (arremessos, imobilizações e golpes) fazendo com
que eles pareçam ser distintos entre si.
Entenda-se que eu não estou propondo a restrição do Aikido
em um molde rígido mas, pelo contrário, estou sugerindo
que é necessário quebrá-lo; molde este feito de maus hábitos.
O resultados destes maus hábitos podem ser facilmente observados
no que se chama atualmente de prática de Aikido.
Existe um outro grande problema no treinamento de Aikido,
que surge no relacionamento entre nague e uke.
Muito freqüentemente o treinamento é conduzido simulando
uma espécie de confronto coreografado, sem estar realmente
combatendo, nem treinando de uma forma totalmente descompromissada.
Por este motivo, o aikidoísta começa a sentir uma crescente
dependência em relação à cooperação de seu parceiro. Esta
cooperação excessiva corrompe a relação entre nague e uke,
e apesar aparentar estar dando dramáticos resultados, ela
arruina a oportunidade de se aprimorar as técnicas ou treinar
os olhos.
Pelo fato dos princípios fundamentais do Aikido não terem
sido claramente estabelecidos, os nagues freqüentemente
não tem aplicado técnicas de boa qualidade e de forma correta
que realmente arremessariam o uke; mesmo assim, o uke aparentemente
está sendo arremessado. Nestes casos, o uke concorda implicitamente
em agir como se a técnica estivesse sendo eficiente, não
se importando com a sua real eficiência (a eficiência é
determinada primariamente pela correta utilização do corpo
em gerar força). Por esta razão, a eficiência da aplicação
da técnica tem sido reduzido ao nível da irrelevância.
Muito embora seja óbvio que uma relação corrompida entre
uke e nague tem implicações extremamente negativas para
uma arte marcial, este tipo de treinamento é muito comum.
Todos devem se conscientizar de que o verdadeiro Aikido
nunca será aprendido ou compreendido enquanto as pessoas
se aplicarem a práticas irreais onde elas estão, na realidade,
apenas representando o papel de artistas marciais.
A unidade da relação entre nague e uke é chamado de sotai
kankei, e é estruturado no princípio básico de que esta
relação é fundamentalmente de conflito. Cada parceiro deve
abandonar as idéias de egoísmo e deve aceitar que o propósito
fundamental de sua atividade é o de fazer uso de seu conhecimento
de Aikido para interagir com o uke através do uso eficiente
e correto de técnicas baseadas nos princípios do Aikido.
É absolutamente imperativo que cada técnica aplicada seja
real, quer dizer, que ela interaja com a estrutura corporal
de seu oponente (e com cada uma de suas 5 principais partes
do corpo) de uma maneira eficiente e dinâmica.
Se as pessoas puderem entender estas idéias e puderem utilizá-las
como a base de sua prática de Aikido, as portas para a compreensão
estarão abertas. É através desta porta que o praticante
de Aikido deve passar para aprender como executar o verdadeiro
Aikido de uma maneira racional, considerando todos os aspectos
dos princípios do corpo e do sotai kankei. Sem isso, o praticante
estará fadado a juntar a má-prática com técnicas incorretas.
(Observação quanto a terminologia - As palavras "uke", "oponente",
"outro" e "parceiro" tem uma relação muito próxima, contudo
cada uma tem um significado específico. Se alguém está sendo
atacado ou está em uma situação de conflito, a palavra "oponente"
(ou "aite") é o mais apropriado. O termo "outro" assemelha-se
a "oponente", mas com a conotação de tudo que não esteja
incorporado à sua própria pessoa, por exemplo, o conceito
de maai ou a distância entre a sua pessoa e o outro. Quando
descrevemos a prática de técnicas, incluindo as quedas,
é preferível dizer uke. Finalmente o termo "parceiro" é
mais apropriado quando se descrevem exercícios (e não técnicas),
por exemplo, quando se realiza exercícios de alongamento
ou de tenkan.)
Aikido East - Primavera 1998
tradução - S. M. Keira
AIKIDO TÉCNICO
por Mitsunari Kanai Cap. 3 - Princípio do Movimento Corporal
(Untai No Genri)
Muito da linguagem comumente utilizada na descrição de técnicas
de Aikido tem uma ênfase exagerada no movimento dos pés.
Algumas expressões comuns deste ponto-de-vista excessivamente
restrito incluem movimento de pés-perna (hakobiashi), movimento
de pés (ashisabaki) e deslizamento (ashibumi).
O aspecto crítico de uma técnica não está no movimento dos
pés e das pernas. Isto porque, quando o movimento do corpo
ultrapassa uma certa velocidade, é impossível fazer os pés
e as pernas acompanharem o movimento. (O movimento no escuro,
onde é necessário sentir o caminho com os pés, é uma exceção
a esta regra).
Os movimentos corporais nascem no koshi que é a região de
maior massa no corpo humano. (O koshi deve ser entendido
como a região compreendida pelo quadril, incluindo a região
glútea). O centro do koshi é o tanden, e o tanden é o centro
de todo o corpo.
Para que o corpo mantenha o seu equilíbrio, o koshi e a
cabeça (que é a região de segunda maior massa do corpo)
devem estar corretamente alinhados. Quando os pesos da cabeça
e do koshi ficam desalinhados, a postura pode ser reequilibrada
ou corrigida (de uma maneira bem sutil, em muitos casos)
movendo e realinhando o koshi e as pernas em uma nova posição.
A execução de movimentos corporais complexos possibilita
a existência deste ciclo de movimentos do koshi e da cabeça,
desestabilizando a postura, e o realinhamento do peso destas
duas regiões, movendo-se as pernas e o quadril para uma
nova postura estável.
É importante que se compreenda a relação existente entre
a cabeça e o koshi. Todavia, pelo fato do relacionamento
entre eles poder vir a se tornar extremamente complexa,
a sua explicação detalhada será postergada. Para o mérito
desta discussão, definiremos o koshi como a região que inclui
tanto a cabeça como o tronco, isto é, todo o peso do corpo
que se apoia sobre o koshi.
Todo o peso da porção superior do corpo apoia-se inicialmente
sobre o koshi, mas depois divide-se em duas metades, extendendo-se
às pernas, apoiando-se finalmente nos dois pés. Desta forma,
quando o koshi se move, o peso do corpo vai se mover automaticamente.
Isto resulta no movimento, primeiramente, das pernas e dos
pés, e então, do corpo como um todo. Se o deslocamento do
corpo for lento, a reação das duas pernas também será lenta.
Por outro lado, se o deslocamento do corpo for rápido, então
a resposta também será rápida.
Quer se perceba ou não, a habilidade de se mover livremente
em qualquer direção é possibilitado e deflagrado pelo movimento
do koshi que gera um momento de força e, por sua vez, é
seguido pelo movimento das pernas. Qualquer pessoa que deseje
executar um movimento refinado deve ter consciência da importância
do koshi e utilizá-lo em todo o seu potencial.
Movimentos básicos para frente e para trás podem ilustrar
este processo.
Primeiro, consideremos o movimento em sentido anterior.
Comecemos pelo chokuritsu shizentai, isto é, uma postura
natural em pé, onde o peso do koshi está apoiado nas duas
pernas de forma equilibrada. Se o koshi se move para frente,
o peso do corpo cairia para a frente (a não ser que a cabeça
fosse jogada para trás, para equilibrar o corpo). Para controlar
a instabilidade do peso do corpo, uma perna tende a mover
para a frente. A repetição suave desta seqüência cria um
movimento suave para a frente (zenshin undo).
Por outro lado, se a partir do chokuritsu shizentai, o koshi
é puxado para trás, o peso do corpo cairia para trás, a
não ser que uma das pernas fosse para trás. A repetição
desta seqüência dá origem ao movimento em sentido posterior
(kotai).
De maneira semelhante, se a partir do chokuritsu shizentai,
o koshi for deslocado para a direita, o corpo cairia na
mesma direção do deslocamento. Para manter o equilíbrio,
a perna direita deve deslocar-se no mesmo sentido do koshi.
Na seqüência, se a perna esquerda seguir o movimento, isto
originará um movimento lateral.
Consideremos, agora, um segundo exemplo, partindo novamente
do chokuritsu shizentai. Se o koshi for movimentado de forma
circular para a esquerda, é evidente que ele pode se movimentar
somente até um determinado ponto, antes de iniciar-se um
movimento de pivô com o pé. Continuando o movimento circular
do koshi para a esquerda, além deste ponto, isto provoca
um movimento da ponta do 1° artelho na mesma direção.
Logo, quando o koshi e o pé já rodaram ao máximo, os artelhos
e o koshi estarão voltados para a mesma direção. (Observe
que a direção do koshi é definida pela direção do tanden.
Nota-se isto especialmente na perna de trás (no nosso exemplo,
a perna direita). Conseqüentemente, todo o corpo vira-se
para a esquerda, criando uma postura natural à esquerda
(hidari shizentai).
Consideremos um terceiro exemplo, a partir da posição em
seiza. A partir desta posição, inicia-se um movimento de
elevação do corpo, primeiramente, sentando-se nos artelhos
e então, colocando os joelhos no chão, alongando o koshi.
Desta posição, move-se o koshi para a frente e dá-se um
passo à frente com a perna direita, para que o joelho assuma
uma posição mais superior.
Pode-se levantar facilmente desta posição, alongando-se
a coluna e os músculos das costas, e criando uma postura
na qual três partes do corpo assumam ângulos de 90 graus
- o ângulo interno do joelho colocado em posição superior,
o ângulo interno do joelho apoiado no solo e o ângulo externo
da planta do pé (que já está alinhado verticalmente sobre
os seus artelhos) e o tornozelo (incluindo o tendão de Aquiles).
Se as pontas de ambos os artelhos estiverem apontando para
a mesma direção que o koshi, então, alinhando a perna posterior
e extendendo-a, pode-se levantar rapidamente em pé.
Uma vez em pé, a postura básica deve ser a seguinte - o
joelho direito deve estar discretamente dobrado e a perna
deve estar alinhado verticalmente. A perna de trás deve
estar esticada, funcionando como um bastão de apoio (shinbari
bo). Finalmente, a parte superior do corpo (com as costas
eretas) deve estar alinhado com o koshi, de tal forma que
o peso do corpo esteja apoiado uniformemente sobre as duas
pernas. Esta posição é a mais firme em pé, e especialmente
crítica no momento de conclusão de uma técnica, quando se
projeta o máximo de energia no oponente. Logo, no momento
de conclusão de uma técnica, deve-se estar nesta posição.
Um outro aspecto desta posição é o de que, se a perna anterior
desliza para a frente (com uma distância suficiente entre
as duas pernas), é fácil abaixar imediatamente um joelho
em direção ao solo, formando novamente uma postura formidavelmente
estável. Desta forma, quando se quer utilizar uma técnica
dinâmica de rápido movimento, saindo de uma posição ereta
para uma posição ajoelhada sobre um dos joelhos, é importante
que exista uma distância adequada entre os pés. Se isto
é obedecido, pode-se realizar de maneira correta o movimento
requerido neste tipo de técnica.
Em todos estes exemplos, pudemos notar que os movimentos
corporais são iniciados pelo movimento do koshi, que por
sua vez, causa um deslocamento do peso, e se o equilíbrio
e a estabilidade é restabelecida, há necessariamente um
movimento das pernas e dos pés. Este é o Princípio do Movimento
Corporal (untai no genri).
Aikido East - Verão 1998
tradução - S. M. Keira
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Aikikai.
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