ARTIGOS E ENTREVISTAS

Relembrando Doshu Kisshomaru Ueshiba.
Por Stanley Pranin


Stanley Pranin é redator chefe e editor do Jornal Aikidô, consagrado como Aiki News em 1974 numa tentativa de fornecer informações corretas sobre Aikidô para um público que fala inglês. Ele iniciou seu treino de Aikidô em 1962 em Lomita, Califórnia e é agora quinto dan. Pranin trabalhou e treinou no Japão de 1977 até 1996, quando ele retornou com sua família aos E.U. Ele mantém um escritório no Japão, onde são publicadas a Revista de Aikidô e as Aiki News em japonês como também uma variedade de livros relacionados com Aikidô. Pranin é o autor da Enciclopédia de Aiki News de Aikidô, redator dos Mestres de Aikidô e Daito-ryu Aikijujutsu, assim como co-autor das Aiki News Dojo Finder e Takemusu Aikidô: Backgroud and Basics.

e-mail: ajmag@eathlink.net

Nesta edição nós estamos comemorando a passagem da figura que muitos consideram o principal responsável pelo desenvolvimento e pela expansão do Aikidô após a guerra. Durante sua longa administração do Zaidan Hojin Aikikai, seus numerosos livros e viagens extensas, Doshu Kisshomaru Ueshiba Segundo deixou seu forte carimbo pessoal no Aikidô como nós o conhecemos hoje em dia. Nós queremos preservar e continuar a herança do fundador, Morihei Ueshiba e acreditamos fortemente na importância da família Ueshiba como sendo o centro administrativo, espiritual e técnico da arte.

A personalidade de Kisshomaru Ueshiba como ponto focal da evolução do Aikidô assumiu uma quase magnificência durante seus anos finais de posse como Doshu do Aikidô. Também seu pai foi encaminhado como "Doshu" nos anos de desvanecimento de sua vida, foi Kisshomaru que definiu a natureza e o espaço do papel de Doshu como nós o conhecemos. O Doshu não é apenas o sucessor e administrador do Aikidô, mas também um embaixador e porta-voz do Aikidô para uma comunidade internacional com várias centenas e milhares de praticantes em mais de 70 países. O Doshu é freqüentemente consultado como mediador para resoluções de problemas inevitáveis que surgem em uma arte dinâmica como esta. Ele garante a integridade e continuidade do Aikidô de acordo com a visão da família Ueshiba.

Quando criança, Kisshomaru Ueshiba não parecia ser um bom candidato para suceder seu pai. De fato, embora conhecido por algumas pessoas hoje, o fundador realmente selecionou outro como seu sucessor em 1932 através do casamento de sua única filha com um kendoka famoso. Porém, essa união durou apenas alguns anos e a identidade do sucessor de O´Sensei permaneceu uma questão em aberto. Kisshomaru, que era frágil e fraco quando jovem, começou a praticar a arte seriamente no colegial. Mais tarde, em 1942, quando estava estudando na Universidade de Waseda em Tokio, ficou responsável pela administração do velho Kobukan Dojo, pois a guerra tornara-se pior e o O´Sensei foi obrigado a se retirar para Iwama. O Hombu Dojo foi virtualmente abandonado durante os anos de guerra e, por pouco, não foi totalmente destruído em um bombardeiro inimigo. Kisshomaru foi socorrido por visinhos que o ajudaram a salvar o dojo da destruição, jogando baldes de água contra o fogo.

Em 1948, depois do término da Segunda Guerra Mundial, Doshu assumiu o posto de dojo-cho do Hombu Dojo que foi reconhecido como o Zaidan Hojin Aikikai. Durante esta época a prática de artes marciais era proibida pelo "GHQ" e estas disciplinas eram vistas negativamente pelo público, pois eram associadas aos militares antes da guerra que deixaram o Japão as beiras da destruição. Nesta ocasião era virtualmente impossível ganhar a vida ensinando uma arte marcial e Kisshomaru logo pegou um emprego em Osaka Shoji, uma firma de segurança. Finalmente, por perto de 1955 a atividade no Hombu Dojo intensificou-se e Doshu estava hábil para deixar seu emprego e dedicar todo seu tempo para a direção do dojo.

Em 1957, Kisshomaru publicou seu primeiro livro com o título Aikidô, que desfrutou um sucesso imediato e foi para várias reimpressões. As atividades de Doshu como autor de mais de 20 livros no mundo do Aikidô teve um papel majoritário em formar o entendimento da arte ao público em geral. Além disso, esses livros introduziram para o público a figura do fundador, Morihei Ueshiba, e ajudaram a criar uma apreciação de seu gênio.

Os anos 50 e 60 são vistos por alguns como a Era de Ouro do Aikikai Hombu Dojo. Doshu e Koichi Tohei dividiram a liderança do Aikikai e estavam ambos unidos por um elo sanguíneo devido os casamentos com suas irmãs. Os dois dividiram a liderança durante este período de crescimento intensivo da arte, Kisshomaru como diretor do dojo e Tohei como técnico inovador e cabeça dos professores técnicos assistentes (shihan bucho). Eles brigaram e Tohei conformadamente deixou o Aikikai em 1974.

Essa cisão dividiu o mundo do aikidô mas resultou em Doshu assumindo uma posição imune de liderança no Aikikai. No início da metade dos anos 70, ele começou a produzir uma corrente firme de livros técnicos que progressivamente redefiniram o currículo técnico do Hombu Dojo de acordo com sua interpretação pessoal. O número de técnicas geralmente praticadas, diminuiu gradualmente, comparado a uma era anterior, enquanto a nomenclatura de técnicas se tornou padronizada. Técnicas tendem a ser executadas de uma maneira fluida (ki no nagare) com ênfase em movimentos circulares. A meta é tornar as técnicas do aikidô facilmente compreensivas e atrativas para o público em geral. Também foi durante este mesmo período que Doshu iniciou a preparação de seu filho Moriteru para assumir a liderança futura da arte. Este processo durou mais de 20 anos. A transição suave da soberania de poder de pai para filho atende ao pedido de formação de Doshu para sucessor.

Em 1970 foi criada a Federação Internacional de Aikidô sendo Doshu o presidente. Embora essa organização nunca tenha feito questão de exercer grande influência política, ela apenas serve para reforçar o status de Doshu como líder internacional de aikidô. Ele começou a viajar com mais freqüência para aparecer nas Federações Internacionais de Aikidô e liderar um ar de autoridade e prestigio nestas multidões. Em suas viagens, Doshu ensinava e era visto pessoalmente por dez de mil praticantes.

Nos anos 80 e 90 ocorreu a solidificação do papel do Aikidô do Hombu Dojo mundo a fora. Foi durante estes anos que Doshu oficializou a política de abertura e reconciliações em um nível político. Ainda mais, Doshu aceitou várias associações de volta para a organização mãe que uma fez fizeram parte da órbita de Tohei. Certamente esse erudito aproximou estados políticos bem posicionados sendo esta uma de suas conquistas finais.

Como Doshu estava primeiramente ocupado com as demandas de seu papel de liderança envolvendo aparições incontáveis em público e viagens extensas, é fácil de notar sua importância como historiador e pesquisador. Sua biografia sobre o fundador, Aikido Kaiso Ueshiba Morihei Den, publicada em 1977, está como o trabalho mais autêntico sobre o fundador, seu pai, já produzido até hoje. Este trabalho essencial está listado para republicação nesta primavera depois de não ter sido imprenso por muitos anos. Doshu também produziu uma corrente estudiosa de artigos e conduziu inúmeras entrevistas com amigos e conhecidos do fundador, muitas das quais foram publicadas durante anos na Aikikai Shimbun e depois Aikido Shinzui, uma revista Hombu publicada em anos recentes. Ele foi um participante chave na história recente e moderna do aikidô. Assim, a perda de sua vasta soma de conhecimento é certamente uma grande tristeza.

Uma revisão das várias cronologias de Doshu enumera seus vários postos importantes, prêmios recebidos, e várias viagens ao exterior. Estes fatos são certamente notável de se mencionar e são realmente mais umas outras manifestações de suas atividades como Doshu. Sua herança está na transformação da percepção do aikidô, obedecendo a sua visão de uma arte designada a aparecer para o público geral em uma escala internacional. O foco de Doshu não é no aikidô como arte de auto defesa, mais antes de tudo, como uma ferramenta para promover harmonia social e cooperação entre nações.

Doshu Kisshomaru Ueshiba foi sucedido pelo seu filho, Moriteru, 48 anos, coincidentemente com a mesma idade que seu pai tinha quando ele assumiu a posição de Doshu. O Terceiro Doshu através de preparações e conhecimentos extensos do estado do aikidô mundo a fora não irá hesitar no desenvolvimento e integração da arte do O´Sensei no mundo da cultura.

Traduzido por Simone-Corinn Czech Agatsu Dojo - São Paulo, Brasil.




 

 

 

 

 

 

 

 

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