ARTIGOS E ENTREVISTAS
A Politica no Aikido é necessária.
(Traduzido por Paulo C. G. Proença - aproenca@savis.com.br - Dojo Kokoro - Sorocaba).


Por Susan Perry
(Editora Chefe da Aikido Today Magazine)

Quando o O-Sensei faleceu, alguns de seus alunos mais antigos devolveram seus certificados de graduação ao Hombu Dojo. Eles previam os conflitos que estavam por vir, e não queria ter parte naquilo. Por isso, desistiram da arte.

Houveram conflitos, é claro, por exemplo o que houve entre o Sensei Koichi Tohei e o falecido Doshu Kisshomaru Ueshiba. Por ter sido o Sensei Koichi Tohei o instrumento de desenvolvimento do Aikido na costa oeste dos Estados Unidos, a separação foi profundamente sentida, por aqui. Muitas pessoas tiveram que escolher entra a lealdade a família do O-Sensei e a lealdade a seus próprios instrutores. Houveram discórdias, amizades rompidas, relacionamentos forçados. Pessoas em ambos os lados atiravam acusações entre si. As coisas se dividiam. E, enquanto alguns instrutores viravam as costas para outros, os alunos eram pegos no meio.

Uma vez, quando visitei um dojo próximo a onde eu estava treinando, o instrutor me viu e disse, "Voce está no lugar errado, não está?". Quando tentei ir a seminários oferecidos por outras organizações, aprendi que um de meus instrutores havia me ensinado um sistema diferente de nomes de técnicas, para isolar seus alunos do resto da comunidade do Aikido. Pessoas que eu conhecia foram forçadas a sair de suas organizações por estarem falando com Sensei de outras organizações ou indo a seminários de outros grupos.

Tudo isso parece ser algo que somente poderia ter acontecido há séculos atrás. Mas estou falando de minhas experiências no anos 80 --- e não há muitos anos atrás!!

Com a recente morte de outro líder no Aikido, o filho do O-Sensei, o Aikido terá que enfrentar novos problemas e mudanças.

É claro que a situação não é bem a mesma que passou nos anos 70. Nos "velhos tempos", o fluir de energia dentro da comunidade do Aikido foi bloqueado. Aikidoístas de uma cidade, não sabiam o que aikidoístas de outras cidades estavam fazendo. Agora as coisas se abriram. Mas energia demais também pode causar problemas, especialmente se não focadas direito.

Numa comunidade, como num corpo humano, quando a energia é bloqueada, a percepção é limitada, sistemas ficam mais lentos, e as coisas são obstruídas. Por outro lado, tanto em uma comunidade como em um corpo, quando a energia flui muito livre, a percepção se dispersa e os sistemas falham devido ao uso em excesso e à exaustão.

A saúde é o equilíbrio do Yin e Yang --- princípios que o O-Sensei tinha como princípios do Aikido. No que diz respeito a situação política do Aikido agora, muito Yang seria como o provérbio do touro na loja de cerâmica; muitos líderes usando força em demasia, destruirão a estrutura delicada do Aikido. E Yin demais, não será suficiente para direcionar a liderança que o Aikido necessita para progredir.

Recentemente, ouvi alguém dizer, "Política no Aikido!! Aikido é para ser a arte da paz e harmonia. Que piada!" Será que essa pessoa estaria sugerindo que a política no Aikido deveria ser toda leve e dócil? Ou estaria essa pessoa sugerindo que o Aikido deveria estar completamente acima da política? As políticas no Aikido são importantes; elas são o que nos mantém unidos. Por muitas razões, o Aikido foi quebrado entre vários grupos. Cada um tem sua função própria, seu lugar próprio, dentro do movimento do Aikido. Assim sendo, eles estão conectados como órgãos de um corpo humano. Os órgãos são separados, mas não independentes: se um para de funcionar, condenará o restante do organismo. Similarmente, grupos de Aikido são parte do próprio Aikido. Para vê-los como grupos completamente independentes, seria um convite a ter problemas.

Formar novas alianças pode ser saudável. Durante épocas difíceis, as situa,cões precisam ser revisadas e modificadas. Ao fazer isso, podemos aprender com a história. E uma das lições mais importantes é que nossos piores inimigos são nossos egos. O ego pode facilmente nos levar de volta à escuridão da discórdia e isolamento, comércio do poder e mentalidade fechada.

O Aikido cresceu nesse anos todos. Enquanto uma pequena parte tem seus próprios interesses, ainda há uma meta a ser atingida. A ameaça do futuro da arte, é que poderemos perder de vista a meta.

O Aikido nos ensina a compaixão e amplitude, transparência. Nos ensina a receber e aceitar o que vem em nosso caminho. Mas também nos ensina a controlar a situações e a liderar a outros. O que o Aikido necessita, em minha sugestão, é de professores que consigam guiar e liderar enquanto mantém sua mente aberta.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Copyright © 1996 Instituto Takemussu Brazil Aikikai.