ARTIGOS E ENTREVISTAS

Aikido - A mente sem luta.
por George Simcox Sensei

Enquanto dava uma carona para um grupo de estudantes em uma de minhas viagens este verão, o assunto de lutas surgiu e eu comentei que "Aikidoístas não lutam". Alguns de vocês podem estar se perguntando, "Se isso não vai me ajudar a lutar, por que estou treinando?" É uma pergunta justa. Vamos explorar a resposta.

Mesmo sendo o Aikido uma arte marcial, isso não a torna automaticamente uma arte de luta. Nós somos uma arte de paz, não de luta. Nosso objetivo é não lutar, e sim restaurar a paz onde ela está ausente. Isto não se consegue batendo no nosso antagonista até ele sangrar. Nossas técnicas são desenvolvidas almejando a calma e não a tempestade. Nós trabalhamos para relacionamentos harmoniosos e não contidos. Nós treinamos o relaxamento ao invés da tensão. Nenhum comportamento nosso suporta o conceito de luta.

O que é lutar? Lutar é "Brigar contra em batalha ou combate físico" (Britannica World Language Dictionary). No meu ponto de vista, são necessárias duas ou mais pessoas para se ter uma luta. Um antagonista pode tentar lutar conosco mas seus esforços não surtem efeito pois sua perspectiva está errada. Enquanto ele está lutando ou brigando contra nós, nós estamos simplesmente tentando encontrar uma ação final para trazer o indivíduo à harmonia conosco e com a natureza que nos rodeia. Se nós escolhemos lutar, nós mudamos a nossa mentalidade para uma que é inconsistente com a filosofia do Aikido, e então deixamos de treinar Aikido.

Esse "ajuste de atitude" é o que mais demora para a maioria de nós que estudamos Aikido. As técnicas podem ser aprendidas em um período relativamente curto, mas pode demorar anos até que elas se tornem o mais eficazes possível, porque aprender e internalizar o espírito do Aikido leva tempo. Até conseguirmos isso, a maioria de nós está simplesmente usando técnicas de Aikido para lutar com maior eficácia, mas não estamos treinando o verdadeiro Aikido, como o fundador, O Sensei, e o Mestre Tohei visualizaram.

Eto Sensei, durante seus seminários na Virgínia e em Maryland, reforçou a idéia de ausência de uma "mentalidade lutadora". Quando ele aprendeu a jogar fora a "mentalidade lutadora", ele foi capaz de realmente encontrar o poder do Aikido. Devemos nós fazer menos em nossas vidas?

Se você estuda Aikido para se tornar um melhor lutador, você vai aprender algumas boas técnicas para te ajudar na sua jornada, mas você nunca vai encontrar o verdadeiro caminho do Aikido. Somente quando deixarmos de lado o objetivo de nos tornarmos melhores lutadores e adotarmos o objetivo de desenvolver uma mentalidade não-lutadora é que encontraremos o verdadeiro caminho do Aikido e sua mensagem para o mundo.

Durante o treino diário você vai encontrar este caminho procurando o fluxo associado a uma técnica: Aonde está a energia do oponente e como ela pode me ajudar a criar uma harmonia de movimento? Como eu posso direcionar esta energia dentro da técnica? Se eu entendi errado a energia ou se ela mudou, como eu posso encontrar o caminho para conseguir um estado de harmonia? Estas são as verdadeiras perguntas, e não o quão rápido eu posso derrubar ou derrotar o oponente. Estas últimas perguntas são de luta, enquanto as perguntas mais complexas que levantamos antes são aquelas de alguém que procura a verdade do Aikido. Tohei Sensei diz que não importa quantas vezes nós dividimos, o número um nunca pode se tornar o número zero. Isto é verdade, e me diz que não importa o quão importante ou o quão insignificante eu me tornar, eu nunca serei nada - e isso é confortante. Não importa o quanto eu tentar, eu nunca serei perfeito e isso também é bom, pois eu sei que a perfeição é, na melhor das hipóteses, volúvel, constantemente sendo buscada e nunca sendo realmente encontrada, mas eu posso chegar perto às vezes, e quando eu chego, eu funciono maravilhosamente. Estes momentos devem ser valorizados e buscados com grande entusiasmo. Como buscar é a verdadeira pergunta.

Cada um de nós tem Mestres que nos oferecem uma imagem da perfeição. Eles são perfeitos? Na verdade, não, mas eles parecem oferecer um caminho que nós nos vemos capazes de seguir, logo seguimos. Alguns descobrem, mais tarde, que escolheram mal, e deixam o caminho por opções mais atraentes. Outros sentem que escolheram com sabedoria, e continuam a treinar com seu Mestre. Quem está certo? Somente no final da jornada é que irão descobrir se escolheram o trem correto, mas existem pistas e sinais que dão uma dica. Mapas e tabelas nos ajudam em uma jornada física, enquanto que na nossa jornada de Aikido nós podemos ser auxiliados por livros, conversas com outros, seminários que nos fazem abrir os olhos, e o nosso bom senso.

Traduzido por Mariana Studart - Instituto Takemussu Dojo Central.




 

 

 

 

 

 

 

 

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