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Todo o praticante de Aikido já deve saber que a prática
desta arte marcial está ligada ao emprego da energia
interna do homem ao que, comumente no Dojo, chamamos de
KI, portanto necessitamos que sua compreensão que
não deva ser abstrata ou baseada em conceitos esotéricos,
mitológicos ou folclóricos.
O
universo, e tudo quanto existe nele incluindo o homem, está
constituído de uma mesma substância ou energia
que se manifesta de múltiplas maneiras e com incontáveis
graus de concentração (magnética, eólica,
geotérmica, calórica, luminosa. gravitacional,
cinética, nuclear, radioativa, etc.)
A
palavra energia provém do grego: en = dentro e ergón
= ação e significa que toda ação
é a manifestação de uma força.
O KI, em japonês, significa: coração,
éter, alento, sopro, vapor, temperatura, etc. Mas
se refere verdadeiramente ao fluído vital ou energia
que emana da fonte de energia universal que dá vida,
anima e conserva tudo o que existe. Se encontra em todas
as partes, em fluxo contínuo ou movimento manifestando-se
de infinitas maneiras conservando a ordem das leis naturais
com equilíbrio e harmonia.
O
maestro Fuji Nokajima afirmava que todo homem, inclusive
o mais débil possui um KI, uma força interna
muito grande que nos é dada com a vida e que se regenera
captando os elementos ao nosso redor.
Quando
esta energia é capturada e circula livremente pelos
meridianos de nosso corpo, faz com que nos encontremos em
um ótimo estado bioenergético e psicosomático.
O KI se encontra em todos os processos vitais, mas não
se mistura com a matéria ou substância que
anima. Ele infunde vida, dá atividade, movimento,
otimismo, valor, decisão, amor e estabelece o equilíbrio
e a paz entre o sistema nervoso central e o autônomo
(entenda-se como consciente e inconsciente).
O
KI é constante, tem sempre o mesmo valor, não
diminui nem aumenta e é o meio de intercâmbio
e comunicação com o nosso meio e o universo
e através dele percebemos suas influências.
Quando
respiramos, a superfície de troca gasosa das paredes
dos alvéolos pulmonares constitui uma espécie
de captador de íons, capaz de captar a energia magnética
contida nos núcleos dos átomos dos gases nobres
da atmosfera.
O
KI chega ao corpo com a respiração, estabelecendo
uma troca contínua e ininterrupta desta energia com
a fonte original de onde procede e para onde volta, porque
não se pode armazená-lo nem detê-lo.
O
aikidoista procura compassar a respiração
com os movimentos que realiza, evitando que seu fluxo ou
seu ritmo seja perturbado por nenhuma emoção
visualizando, mentalmente, como seu corpo se enche de KI
durante a fase respiratória e como flui ao exterior
através de seus braços, tronco, etc, durante
a expiração.

Ao
respirar, não apenas nos concentramos em absorver
oxigênio, como também em encher cada célula
do corpo da energia que preenchem espaço universal.
Esta energia não desaparece, nem se dissipa e nem
pode ser armazenada, simplesmente se transforma, se transmite
e pode ser canalizada, ou dirigir-se na direção
do movimento que se está realizando acompanhada da
visualização mental.
Buscar
uma energia mágica e todo poderosa de caráter
misterioso, pseudomístico ou esotérico, cuja
posse depende de um certo grau de desenvolvimento místico
da personalidade é um erro, posto que o KI se refere
a energia natural que anima cada coisa e que se manifesta
pela ação do princípio dinâmico
do Yin e do Yang.
No
início de cada treino, durante os exercícios
de Kokyu Dosa, o aikidoista busca a recepção
ótima desta energia através da respiração
abdominal durante uns minutos, tratando de estabelecer o
equilíbrio psicossomático que permitirá
a circulação
da mesma de uma maneira livre, fluída e expontânea
e que se manifestará pela agudeza das sensações
exteroreceptivas e interoreceptiva, pela adoção
de uma atitude e a postura corretas, delas surgirá
o movimento potente, eficaz e harmônico.
É
possível captar, de forma ótima, a energia
do KI quando se está receptivo e se crê, com
muita sinceridade, que a energia magnética, contida
nos gases nobres que respiramos, vivifica as células
do organismo. A mente pode influenciar o corpo e
originar sobre as mudanças fisiológicas através
da respiração.
O
cérebro (a mente) tem a capacidade para alterar a
natureza da energia procedente do KI, fazendo-a adquirir
um caráter positivo ou negativo. O mestre Koichi
Tohei, um dos destacados estudiosos da natureza do KI e
seus efeitos, distingue várias situações
ou estados:
Unificar o corpo e a mente para captar a energia através
da respiração e conduzi-la ao 'Hara",
de onde fluirá a todo o organismo.
O fluxo do KI se interrompe e diminui seu poder com a mente
fixa na razão, nos desejos e nos impulsos.
Quando se abandona a concentração no "Hara",
ou se interrompe seu fluxo exterior, por causa de estados
anímicos negativos (preocupações, mau
humor, medos, decepções, rancor, etc.) se
perde o KI ou ele não é recebido com normalidade.
O movimentos do Aikido nascem no "Hara" e se materializam
em trajetórias circulares ou espirais até
o infinito, permitindo que o KI flua ao exterior através
dos braços, pernas, tronco, etc., de maneira ininterrupta
com o auxílio da visualização
mental de um fluxo energético que segue a direção
requerida pela técnica que se está realizando.
Projetar o Ki para o exterior com a visualização
mental e a imaginação ante ao oponente para
evitar ser influenciado por ele.
Quando
os membros do corpo estão rígidos, por causa
do medo ou excitação nervosa ou quando o estado
mental é negativo, os canais de recepção
e fluxo do KI se "obstruem", a vitalidade decresce
e os movimentos são torpes e pesados.
Uma
boa recepção, circulação e irradiação
do KI exige a observância destes requisitos:
Postura do corpo bem vertical, em qualquer posição
que estejamos.
O tônus muscular geral semi-relaxado.
Concentração no "Hara".
Respiração abdominal profunda e tranqüila.
A mente em estado receptivo (capaz de perceber e
visualizar).
A calma e a paz interior (harmonia consigo mesmo)

Já
que estamos falando de KI e da respiração,
gostaria de recomendar inspirar e expirar pelo nariz pelas
seguintes
Ao inspirar, as paredes das narinas filtram as impurezas
do ar e regulam sua temperatura para que este chegue aos
pulmões com a menor diferença de temperatura
possível, esfriando, pela sua passagem, a mucosa
do nariz.
Ao se expirar, se expulsam as impurezas retidas nos filtros
do nariz e se esquenta novamente a mucos para que, a seu
tempo, possa esquentar novamente o ar que vamos captar do
exterior na próxima inspiração.
Sem
dúvida, existem mestres que ensinam a inspirar pelo
nariz e expirar pela boca, todavia, recomendo a todo aikidoista
que confie, obedeça e imite com sinceridade os métodos
de respiração de seu mestre que conhece os
atalhos que facilitam o aprendizado.
Um
grande abraço a todos
Traduzido
do espanhol por Sidney Coldibelli
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