ARTIGOS E ENTREVISTAS

O Ideograma Divino: KAMI
por Kazuaki Tanahashi


Kami é um som do japonês nativo que é representado pelo ideograma pronunciado Shen em Chinês, e Shin ou Jin em Sino-Japonês. É freqüentemente traduzido como "O Deus", ou "Deus".

Shintô é o caminho para Kami...(Tô é o mesmo que o Dô em Aikidô) E Jinja é o templo de Kami. (Como disse anteriormente, Jin é a pronuncia Sino-Japonesa de Kami).

Kami, significando
"Alto" ou "Altíssimo"

Etimologistas alegam que "Kami", significando "O Divino", tem a mesma raíz de "Kami[1]", significando "para cima", "Alto", ou "Elevado". Recentes estudos, principalmente a teoria que atualmente é largamente aceita, do brilhante estudioso da gramática Shinkichi Hashimoto, diz que a origem do termo moderno "Kami", significando "O significando "Alto", eram diferentes, e que eram inclusive pronunciadas de forma diferente no Japão antigo.

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Kami Sama

O ideograma para "Kami" é composto de dois elementos: O elemento da esquerda vem do pictograma indicando um pedaço de madeira erguido em solo sagrado para funcionar como uma "antena" para invocar o Divino[2]. O elemento da direita significa relâmpago[3]. Combinados, os dois elementos formam um ideograma que originalmente significava "O Deus Trovão"ou "Divindade Celestial".

Os japoneses freqüentemente chamam os Deuses "Kami Sama", usando "Sama"como um sufixo honorifico[4]. "Kami Sama" pode ser traduzido como "Honoráveis Deuses".

Em 1991, eu tive a oportunidade de entrevistar Terry Dobson, que - na década de 60 - foi um dos primeiros ushideshi ocidental. Nossa conversa foi intensa e durou vários dias, em sua casa na ilha de North Hiro, Vermont, conforme a sua saúde deteriorava. Terry falava sobre O-sensei com temor. O que pareceu tê-lo impressionado mais foi sua dedicação a Kami-Sama. . Quando Terry com O-Sensei como atendente, ele notou que O-Sensei não saia para beber ou para assistir a um filme, mas ele orava para Kami Sama constantemente.

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Por mais de uma década antes do inicio do treino de Terry com O-Sensei, minha família e eu morávamos no complexo do dojo em Iwama. Durante este período O-Sensei nunca falhou em trazer uma oferenda de sal, água, e arroz colocados num tipo de quadrado alto de madeira chamado de Sambô (Três Tesouros) até o templo de Aiki e o altar do Dojô. Sua casa, que também tinha um altar próprio, ficava a varias centenas de degraus distante do templo, que por sua vez ficava quase a mesma distancia do Dojô. Portanto ele tinha três altares (morada de Kami Sama), a quem ele oferecia uma prece todas as manhãs e anoitecer.

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Aiki O-kami

Um missionário cristão no Japão me disse uma vez que havia sifo um grande erro daqueles que traduziram a bíblia para o japonês, traduzir "Deus" para "Kami. E ele estava certo: embora God e Kami Sama sejam ambos objetos de reverencia e adoração, o conceito de Kami Sama freqüentemente entra em contradição com o de Deus.

Eu fiquei ciente deste problema de semântica em 1963 quando ( com Roy Maurer Jr.) eu traduzi "Memoir of the Master " - parte do livro "Aikido"de Ueshiba Kissomaru Sensei... Na época Roy e eu usamos a palavra "Kami" para traduzir "Deus", por falta de uma alternativa melhor. Atualmente, após traduzir algum material Shinto para o inglês, chego a conclusão que teria utilizado a palavra "O Divino", um termo que não é nem singular nem plural.

O japonês antigo aplica o termo "Kami"para qualquer coisa poderosa e além do seu controle. Isto inclui, tempestades, trovão, tigres, lobos, serpentes, e bandidos. Ele também inclui os espíritos invisíveis que algumas vezes possuem os humanos. As pessoas mantinham rituais e entregavam oferendas para acalmar a fúria do "Kami".

A mais popular prece de purificação Shintô Misogi no Norito, que é recitado no inicio de todas as preces, menciona Yao Yorozu no Kami Tachi - 8.000.000 deuses. Estes Kamis podem ser vistos como sendo antigos seres mitológicos. Entre elas há grandes divindades como Izanagi, criador da ilha do Japão, e sua esposa Izanami. A deusa Sol Amaterassu é tida como a ancestral da família imperial. Susanoo, seu irmão, e Takeikazuchi são os principais deuses da guerra.

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Aiki O-mikami

Um dos mais populares templos no Japão é Hachimam Jinja, que guarda como relíquia imperador Ojin (que esteve no trono de 270 a 310 d.c.).

Como mostra este exemplo, aparentemente não havia uma diferença grande entre humano e Kamis. De fato, o antigo imperador Hirohito era tido como divino até a rendição do Japão para as forças aliadas em 1945 - rendição esta que o forçou a se declarar humano. A principal divindade de um templo é um famoso ladrão. Quando os Shintoistas morriam, eles eram santificados como espíritos e eventualmente adorados como divindades ancestrais.

Diferente dos templos budistas, os templos Shintoistas não guardam normalmente imagens antropomórficas para serem adoradas. Um espelho, uma rocha, ou algumas vezes um ventilador quebrado é o principal objeto sagrado. Na maioria dos casos uma placa de madeira com o nome da divindade é colocada no centro do templo como objeto de adoração.

Não é incomum para seguidores do shintoismo criar uma divindade. Freqüentemente um sacerdote concebe uma divindade e lhe da um novo nome.

Aiki O-Kami[5] e aiki O-Mikami[6] - A grande Divindade de Aiki - eram nomes que O-sensei usou para expressar seu conceito de divino. (Mi in O-Mikami é um termo onorífico). E um pergaminho com este nomes é freqüentemente encontrado nos altares dos dojos de Aikido.




 

 

 

 

 

 


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