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Em
Ikyo, Nikyo, Sankyo e Yonkyo, nague controla o centro de
uke através de seu braço. Em Irimi Nague, no momento do
arremesso, nague pode não ter qualquer contato com o pulso
ou cotovelo de uke. Aqui, uke cai devido ao movimento penetrante
de nague, movendo seu tronco em direção ao uke e não devido
a transmissão da força para o centro de uke através de seu
braço.
Escrito em kanji - ideograma japonês -, o termo Irimi Nague
contém três ideogramas.
O primeiro, iri - que é pronunciado nyu em outros contextos
- aparece em palavras que significam "porta de entrada",
"entrada" e "penetração". Os seus traços direcionados inferiormente
lembram a imagem das raízes de uma árvore abrindo o seu
caminho no solo. As antigas formas deste ideograma parecem
indicar, contudo, que ele deriva da imagem de uma porta.
O segundo ideograma é pronunciado mi neste contexto, mas
também shin em outros. Derivado da imagem de uma mulher,
ele aparece na formação da palavra shintai significando
"corpo". Outro ideograma que também é pronunciado shin significa
"mente" ou "coração". Logo, o porque da frase, "shin shin"
- "com a mente e o corpo" - que aparece no nome japonês
do Aikido da Ki Society.
O último ideograma, nague - significa "arremesso" - é composto
de duas partes: o radical à esquerda significando "mão"
e o radical à direita que pode significar "machado" ou "arma".
Logo, nos meandros da história deste ideograma, podemos
ter a imagem - apropriadamente desconsiderada pelos aikidoístas?
- de golpear com um machado.
O uso do termo Irimi Nague difere entre os vários grupos
praticantes de Aikido. Alguns reservam este termo para as
técnicas que terminam na postura classica .
Outros aplicam este termo tanto para estas técnicas como
para uma outra, algumas vezes denominadas de Kokyu Nague,
que é um pouco diferente Embora esta variação de terminologia
seja às vezes incômoda ou confusa, ela não gera qualquer
problema. Seja qual for o nome dado para estes arremessos,
concorda-se que ambos baseiam-se no princípio de irimi,
o princípio da entrada.
Neste artigo nós centramos as atenções nas técnicas que
terminam na postura classica, ilustrando a discussão com
palavras dos Senseis Hiroshi Ikeda, Frank Doran e Mary Heiny.
Embora estes professores mostrem variações diferentes, cada
uma delas pode ser vista como sendo composta de 3 estágios.
Primeiro, à medida que o uke ataca, o nague realiza uma
entrada inicial, movendo-se para a região posterior de uke.
Segundo, nague desequilibra uke. Terceiro, nague entra novamente,
desta vez em direção frontal ao uke.
Os iniciantes tendem a realizar estes três estágios com
força bruta, mas ela pode ser substituída pela habilidade.
O que o nague necessita para mover-se de uma forma segura
atrás do uke é uma conexão precisa com ele e um bom senso
de sincronia. Uma vez atrás de uke, nague pode desequilibrá-lo
com muita pouca força se estiver na posição adequada e se
estiver também realizando a movimento adequado com o corpo.
O mais importante, uma vez que nague desequilibra uke, o
arremesso propriamente dito não requer muito esforço: à
medida que uke continua o seu ataque e tenta recuperar o
equilíbrio, nague pode sincronizar com o movimento de uke,
completando o arremesso de acordo com o princípio de Aiki.
Hiroshi Ikeda Sensei
Ikeda Sensei demonstra Irimi Nague a partir de um ataque
com dupla pegada de mão (duas mãos em uma). A medida que
o seu uke se aproxima , Ikeda Sensei entra atrás dele, no
seu "ponto cego" .
Imediatamente, Ikeda Sensei desequilibra uke, abaixando
o seu ombro em direção ao solo .
Se uke não tiver bom equilíbrio, a técnica pode terminar
neste ponto. Contudo, uke pode recuperar o seu equilíbrio,
colocando a sua mão direita ou ambas no tatami. Desta posição
uke pode fazer um movimento circular com as pernas, levantar-se,
virar-se em direção à nague e continuar o ataque .
Se uke continua o movimento desta forma, nague deve estar
preparado para recuperar o controle do movimento. Na seqüência
mostrada, Ikeda Sensei dá um passo à frente com o seu pé
direito enquanto, num movimento circular, leva o seu braço
e ombro direito em direção à uke - completando, desta forma,
o Irimi Nague.
Ikeda Sensei enfatiza que, em técnicas espiralíticas deste
tipo, nague deve permanecer no centro da ação. Como ele
diz em seu vídeo Irimi, nague deve "se transformar no eixo
de uma roda, no vácuo de um vórtice".
Frank Doran Sensei
Aqui, Doran Sensei demonstra uma defesa contra um ataque
complexo: uke agarra seu ombro direito e então tenta atingir
o seu rosto.
Ao invés de aguardar passivamente o desenvolvimento do ataque,
Doran Sensei inicia uma interação estendendo o seu tegatana
em direção a uke . Então, a medida que o ataque se desenvolve,
ele cede à força de uke fazendo um movimento de tenkan escapando
da mão que tenta atingir o seu rosto .
Na variação demonstrada por Ikeda Sensei, a entrada inicial
de nague faz com que ele fique atrás de uke, de frente para
as suas costas. Nesta variação, nague se vira como se fosse
ficar de costas com uke. A seguir, Doran Sensei reverte
a direção da rotação de seu quadril , conduzindo a mão direita
de ataque de uke com o seu próprio braço direito, fazendo
com que o momento do movimento de uke faça-o cruzar à sua
frente .
Para completar esta técnica, Doran Sensei estende o seu
braço direito sobre o ombro esquerdo de uke , completando
o Irimi Nague clássico .
Mary Heiny Sensei
Tal qual Doran Sensei, Mary Heiny Sensei inicia Irimi Nague
estendendo o seu braço esquerdo em direção a uke. Esta "projeção
de energia em direção à linha vulnerável de uke" faz com
que uke se proteja com o seu braço esquerdo .
Contudo, à medida que uke recupera o equilíbrio, nague fica
vulnerável. (Por exemplo, uke pode tentar atingir o lado
esquerdo de nague com a sua mão direita). Logo, Heiny Sensei
move-se atrás de uke, tomando o cuidado de manter a ligação
de centros com uke durante este movimento .
A seguir, Heiny Sensei desequilibra uke postando-se atrás
dele, "criando um buraco" onde uke possa cair. Simultaneamente,
Heiny Sensei abaixa seu quadril e levanta o seu braço, guiando
a cabeça de uke em direção ao seu bíceps esquerdo.
Em algumas variações de Irimi Nague, após entrar atrás de
uke, nague tenta desequilibrá-lo curvando-o para frente
com o seu rosto em direção ao tatami. Heiny Sensei ressalta
que isto não é o que acontece aqui. Ao invés disto, nague
desequilibra uke guiando-o em direção ao seu centro.
Para manter o seu equilíbrio e continuar o ataque, uke gira
e movimenta-se ao redor de nague , postando-se, desta forma,
na posição de arremesso .
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