ARTIGOS E ENTREVISTAS

A estória dos ideogramas
por Kazuaki Tanahashi

Forma: KATA
Nas artes da Ásia Ocidental tradicional, a forma serve como uma linha mestra para o aprendizado. Para o Mestre uma arte é possuir o total comando de suas formas - e tornar-se livre delas.

Na China, Vietnã, Coréia e Japão, praticantes avançados de caligrafia estudam o antigo trabalho chinês clássico, copiando-os perseverantemente, muitas e muitas vezes. Após alguns anos de prática, eles tornam-se familiares com "a linguagem da caligrafia", e sua forma inerente torna-se inseparável do movimento de seus pincéis.

Um estudante da cerimônia do chá pode despender um grande número de anos fazendo repetidamente bules de chá', como um estudante de Aikido pode manejar um bokken muitas e muitas vezes repetidamente em sua prática diária. Feita com cuidado, a repetição do movimento segue a forma e, a energia torna-se cada vez mais profunda. Assim, as práticas aparentemente mundanas da escrita com pincel, de fazer chá, ou de manejar uma espada tornam-se espirituais - ensinando-nos a habitar na mais profunda parte de nós mesmos. A forma é a passagem para a espiritualidade.

De muitos ideogramas que significam "forma", o acima exibido é o que mais próximo chega do sentido que eu tenho discutido. Este ideograma possui dois lados. As três linhas diagonais na direita que indicam o pilar da luz, funcionam como um radical ou um elemento de classificação, o qual significa brilho, matiz, forma e adorno. O elemento da esquerda, o qual era originalmente um par de linhas verticais e horizontais cruzadas [1], representa uma moldura de madeira no topo e significa: moldura ou formato.

As pronúncias destes ideogramas chineses são transliteralmente como xing ou como hsing; suas pronúncias sino-japonesas são kei e gyô e suas pronúncias japonesas nativas são kata e katachi. A palavra "kata" possui a mesma raiz de "katai" que significa sólido ou duro. Quando este ideograma é pronunciado kata, como eu pretendo aqui, ele significa padrão, forma fixa ou modelo. Quando ele é lido katachi, ele significa a forma de algo particular.

Quando eu me encontrava entre os jovens estudando com o O-Sensei, há quase meio século atrás, o treino era conhecido como keiko [2]; nós recebíamos o keiko do mestre. "Kei" significa "meditar sobre", "comparar com" ou "saudar a" e "ko" significa "o velho", "o antigo" ou "o autêntico". Assim, com a palavra que era usada para treinar, nós indicávamos a reverência para os caminhos mais adiantados e o desejo constante de aprender com eles. A palavra keiko relembra-nos que treinar é um processo para nos tornarmos mais e mais autênticos.

A forma não é algo que alguém realizou. Sendo a essência da maioria dos movimentos lógicos, eficientes e belos, a forma é a acumulação da sabedoria, a qual pode ser aperfeiçoada por séculos. A forma encorpora a autenticidade.

Nascido na Japão, Tanahashi Sensei estudou Aikido com o O-Sensei em Iwama, onde escrevia certificados de graduação. Ele agora ensina caligrafia na Escola de Artes Japonesas da Califórnia e no Monastério Zen Mountain em New York. Seus incluem Essencial Zen, Brush Mind e Moon in a Dewdrop: Writings of a Zen Master Dogen. Ele também é um dos tradutores do livro Aikido do Doshu Kisshomaru Ueshiba. Seu último livro Enlightenment Unfolds (tradução de Zen Master Dogen) foi recentemente relançado por Shambhala Publications.

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

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