ARTIGOS E ENTREVISTAS

Ensinamentos aos Professores de Aikido
(Teaching excellence)
Por Lauren Basham

Professores e instrutores apresentam diferentes maneiras de ser e com diversos atributos pessoais. Eles podem ser jovens, velhos, masculinos, femininos, experientes, inexperientes, profissionais, amadores, bons, medíocres, ou atrozes.
Diferentes professores têm diferentes forças e fraquezas. Raramente todas as qualidades e atributos vistos como desejáveis em um professor serão encontrados em uma pessoa. Entretanto, se algum deles tiver o desejo de ajudar a alguém a se beneficiar pelo treinamento das artes marciais, poderá aprender a conduzir uma aula e interagir com os alunos, e se tiver os talentos físicos desejados, poderá por fim tornar-se um excelente instrutor.

Na Ásia antigamente, os métodos de ensino das artes marciais freqüentemente não seguiam nenhum programa, ou estrutura; um método intuitivo era seguido por várias das escolas de Budo. Enquanto hoje se considera essencial explicar os mecanismos das técnicas e dos princípios nos quais se apoiam, era normal nos tempos antigos para um professor meramente demonstrar técnicas e esperar dos estudantes a performance sem o benefício de nenhuma explicação. A razão principal para isto era que pouco havia sido escrito ou codificado com relação à instrução das artes marciais. O conhecimento era passado diretamente do professor para o aluno.

Os conceitos de ensino atuais requerem que os bons professores gostem das pessoas e que apreciem a comunicação e a interação. Quando professor e estudante são capazes de trabalhar juntos - interagindo numa fundação de cortesia, respeito, confiança, e compromisso- algo novo é criado. Ambos o professor e o aluno podem alcançar entendimento, ganhar novas perspicácias, e fazer progressos realizando seus objetivos. O encontro desta relação pode requerer que o professor deixe de ter qualquer necessidade pessoal de controle ou dominância nos estudantes. Apesar dos grandes egos nas artes marciais atuais, nós devemos ser criativos, pacientes e colaborar no processo de instrução se desejarmos sobressair como professores.

O relacionamento de estudante e professor deve ser baseado num mútuo conhecimento de que eles são importantes uns para os outros e que eles estão trabalhando visando o mesmo objetivo. Quando professor e estudante trabalham juntos para um ponto comum, eles são energizados, e sentem satisfação em saber que seus treinos e esforços são produtivos. Freqüentemente, uma experiência excepcional é o resultado. Uma das maiores vantagens dos professores pode ser o tempo a devotar atenção a cada estudante e a liberdade de escolher como aquele tempo será usado. Mas tempo e liberdade também levam a uma "armadilha". Há um ditado popular que diz: "Aqueles que falham em planejar, planejam falhar". Portanto, professores que estão sem um plano diante de ávidos grupos de estudantes estão perdendo tanto o seu tempo como o dos estudantes. A falta de um plano, pode destruir o entusiasmo e interesse dos estudantes.

Perfeccionismo pode também ser uma "armadilha". Excelentes professores sabem que, às vezes, eles apenas devem assegurar que os níveis de realizações dos alunos estejam adequados para o momento, não que cada um seja "perfeito". Cada aluno tem seu próprio ritmo de aprendizado. Raramente este ritmo pode ser acelerado por um professor zeloso que tenta levar cada um para a frente num mesmo ritmo.

Um exemplo de estilo de ensino atroz é o autoritarismo. Se um estudante não entende porque uma técnica em particular deva ser realizada de uma certa forma, um professor autoritário apenas diz "Apenas faça como eu falo" ou "Porque este é o modo como ela é feita".

Professores com falta de confiança em suas habilidades de ensino podem empregar técnicas autoritárias. Falhas no julgamento, conhecimento, e na boa relação pessoal com os alunos, causam incertezas no grau de controle que estes professores autoritários podem manter sobre os alunos, caso tenham que lidar até mesmo com a mais tênue responsabilidade do processo de fazer-decidir para o estudante.
Um outro exemplo de estilo cruel é a abordagem auto-centrada, nas quais o professores têm a si mesmos como sendo os mais importantes nas ações com os alunos - pessoas que não podem ser perturbadas por questões insignificantes ou problemas daqueles ao seu redor.

Lembrem-se: uma chave na excelência no ensinar é ter o aluno como centro!!! Professores profissionais esforçam-se em envolver seus alunos em todos os aspectos do aprendizado, buscando o ponto de entrada do aluno enquanto "os treina" em direção ao sucesso. Com relacionamento pessoal com os alunos (em níveis adequados), os professores podem efetivamente assegurar um desenvolvimento de atitudes positivas assim como de técnicas corretas.

Um outro exemplo de estilo cruel é o abusivo, no qual o professor usa o ridículo, sarcasmo, insultos pessoais, ou ameaça quando corrigindo os erros dos alunos. Quando a crítica ou o sério aconselhamento for necessário, ele deve ser dado de forma cuidadosa ou em particular. A filosofia de "humilhação antes do elogio" pode ser aplicada em situações de treino de alguns tipos, mas dos professores de artes marciais espera-se o encorajamento à confiança e prudência através do treino de nível profissional. Além do que, o abuso irá destruir qualquer cortesia, respeito, confiança, e compromisso unificado que pode ter sido conseguido de outra forma.

Se nós professores vamos ao local de ensino com caras carrancudas e falando pretensiosamente e bramindo incoerentemente, nós fazemos os estudantes ao nosso redor desejarem que nós, com o nosso ego avantajado, desapareça-mos.

Freqüentemente, o que dá o melhor resultado é o uso apropriado do juízo correto e técnicas de ensino inovadoras envolvendo os alunos em um nível pessoal. Entretanto, professores devem ser cautelosos ao usar inovações técnicas que não tenham sido provadas efetivas - o seu uso pode levar a deslocar a confiança do aluno no momento de necessidade.

Para um bom relacionamento professor/aluno existir, três fatores chaves são fundamentais:

- Um relacionamento próximo, harmonioso, com concordância nos objetivos e métodos.
- Empatia - a habilidadade do professor em "se colocar na pele do aluno" e de "ver com os olhos deste aluno".
- Um relacionamento positivo - aqueles nos quais os alunos se identificam enquanto enxergam ao professor como um líder ou técnico, mais do que um disciplinador ou guardião.

Estes três fatores fazem a fundação.

Outros fatores também são importantes para o sucesso no ensino. Às vezes, o que está sendo ensinado pode, pela sua natureza, ser chato ou repetitivo. O professor deve antecipar o efeito que isso pode ter no aluno e fazer um plano adequado. Uma nova abordagem, novos exemplos, ou outras estratégias de ensino interativas podem freqüentemente suavizar tal matéria e fazê-la mais atraente. O professor deve tentar em não permitir que o estilo de ensino torne-se antiquado e deve esforçar-se para ser dinâmico, entusiasta, e sincero tanto quanto possível.

Especialmente quando ensinando matérias difíceis, o professor deve tentar se assegurar que cada aluno entendeu totalmente cada ponto anteriormente ensinado antes de partir para o próximo, dando o tempo suficiente para a informação ser absorvida.
O professor deve estar atento que duas pessoas não são exatamente iguais. Conhecimento prévio, grau de instrução, idade, experiência, e muitos outros fatores influenciam a atitude do aluno, motivação, aceitação do ensino, e desejo de aprender. Mantendo em alerta estes fatores e estando pronto para eventuais ajustes, o professor deve estar apto a evitar alunos antagonistas, criando e mantendo uma situação de efetivo aprendizado.

Alunos com problemas de aprendizado devem ser advertidos em aceitar certas responsabilidades independente de seus anseios individuais, opiniões ou problemas. Em geral, os alunos devem ser advertidos sobre:

- conformidade com os padrões estabelecidos para o ensino da matéria,
- mostrarem respeito apropriado ao professor e aos alunos tendo uma participação ativa nas atividades requeridas, fazendo o determinado, ajudando aos outros, ou praticando em si próprio com orientado,
- aceitarem que, em vários problemas de aprendizado os alunos devem assumir muito da responsabilidade por aquilo que aprenderam.

Os professores devem aceitar a enorme responsabilidade que acompanha sua carreira profissional. Pelo menos, eles devem almejar a ser um exemplo. Portanto, os professores devem:

- manter um alto padrão de integridade,
- mostrar um comportamento que os alunos desejem reproduzir, evitando a síndrome "faça como eu digo, não como eu faço",
- orientar e supervisionar atividades treino, incluindo aquelas nas quais os alunos estão autorizados a aplicar elementos de ensino,
- continuamente avaliar as situações de aprendizado,
- checar os materiais de ensino inteiramente para a eficácia e eficiência,
- observar e reconhecer o progresso de cada aluno pelas suas realizações individuais, mesmo quando pequenas,
- rever métodos de ensino e técnicas e revisá-las quando acharem falhas, e
- julgar objetivamente a efetividade do ensino e manter um crescimento profissional e ético.

A habilidade de manejar problemas efetivamente vem com a prática e experiência, e os professores devem desenvolver suas próprias técnicas. Entretanto, professores experientes aprenderam a seguir umas poucas regras definidas, tais como estas:
Nunca, nunca, blefe. Se você não sabe a resposta de uma questão ou não se lembra de uma técnica de forma suficiente para mostrá-la, diga. Diga aos alunos que irá revisar o assunto, dê a resposta a eles ou comprometa-se se necessário. Se você está confiante que certo aluno pode participar de uma demonstração efetiva, envolva aquele estudante e ganha respeito como professor.

"Faça para os outros". Nunca menospreze um aluno, individualmente ou em um grupo. Apesar de supostamente o professor saber mais que o aluno acerca do que está sendo ensinado, isto não implica que o professor é superior ao aluno. Sugerir de qualquer forma , mesmo discretamente, que você é superior aos alunos trará logo ressentimentos e afetará seriamente a sua habilidade de ensinar efetivamente.

Ser paciente e compreensivo e tolerante aos erros. Há uma máxima antiga que diz, quando o aluno falha em aprender, o professor falhou ao ensinar. Outra diz, se ninguém que está sendo ensinado sempre falha em aprender, por outro lado alguns apenas param de tentar. Se os alunos são lentos em aprender, os professores devem lembrar das suas próprias experiências como iniciantes tentando aprender uma miríade de técnicas que agora parecem tão simples. Ser paciente, não descompensar, e acima de tudo, desejar descobrir novos caminhos para explicar e demonstrar.

É lamentável que os treinos das artes marciais hoje estão quase inalterados em comparação com aqueles de séculos atrás, a despeito da montanha de pesquisas realizadas na ciência cognitiva.

Aqui têm-se uma lista simplificada de "O que o professor de artes marciais deve ter":

- conhecimento suficiente para saber o que deve ser ensinado,
- capacitação suficiente para demonstrar corretamente o que ele ou ela ensina,
- humildade o suficiente para aprender com aqueles a quem está ensinando,
- julgamento necessário para ajudar àqueles que aprendem mais lentamente,
- sabedoria o suficiente para oferecer prêmios àqueles que merecem prêmios,
- gentileza o suficiente para inibir os mais críticos que o necessário,
- paciência para aceitar que há alguns que aprendem em diferentes velocidades, e
- desejo de ajudar os estudantes a tornarem-se tão bons nas artes marciais quanto eles possam ser.

Um pensamento final: O quanto os alunos podem aprender não é determinado apenas pelo que sabe o professor mas efetivamente pelo que o professor efetivamente pode se comunicar com eles.


Traduzido por Paulo Kharmandayan - Instituto Takemussu Dojo Central



 

 

 

 

 

 


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