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A Física
Quântica pode ser um interessante tema de estudo para
a compreensão (e confirmação) científica
dos princípios matemáticos do Aikido. A nível
de partículas sub-atômicas, qualquer objeto,
mesmo aparentemente estático a olho nu, na verdade
está com suas moléculas vibrando em uma determinada
freqüência que as mantêm coesas à
sua massa. Transpondo esta análise para o movimento
dinâmico em escala maior, tudo está em desequilíbrio,
e nada é uniforme, retilíneo, simétrico
e idêntico. O fato de caminhar é um exemplo
rotineiro de desequilíbrio: para nos locomover, o
primeiro passo é um rompimento com o repouso da posição
parada, no qual projetamos nosso peso em uma direção
e inconscientemente ajustamos o equilíbrio para não
cairmos, alternando a cada passo o peso com o movimento,
graças a um delicado sistema neural que "nivela"
o corpo em seu eixo, daí a importância do alinhamento
da coluna vertebral em toda sua extensão. Sem este
sensível mecanismo de compensação,
o menor movimento de um corpo hipoteticamente parado e equilibrado,
faria com que a gravidade o atraísse sistematicamente
para o chão e despencasse até se harmonizar
novamente com a pressão recebida.
Ida P. Rouf em seu livro "Roufing - A Integração
das Estruturas Humanas" explica bem este fenômeno:
"Movimento é um termo cujos
limites são quase indefiníveis. Isso também
vale para a palavra imobilidade. Um pássaro
pousado sobre uma bóia no mar aparentemente está
imóvel, no entanto, sua necessidade de ajustamento
contínua às ondulações da maré
mantém seus músculos em constante mudança
interna. No mundo não existe uma completa ausência
de movimento".
No Aikido, matematicamente explicando, também não
existem movimentos retilíneos, pois qualquer linha
reta na verdade é um ponto na tangente de um círculo
imaginário.
Mediante a observação destas leis naturais,
avaliamos o quanto nosso conceito tradicional de equilíbrio,
geometria e estética são superficiais. Nada
no Universo conhecido é simétrico ou idêntico
a outro (Os mestres de Ikebana conhecem profundamente esta
verdade e por isso sempre deixam algum galhinho meio torto
na composição geral e nunca repetem o mesmo
arranjo floral).
Para gerar movimento sempre é preciso gerar desequilíbrio
de peso e transferir o ponto de gravidade no tempo e no
espaço. Na verdade, nenhuma matéria está
em equilíbrio total. Ainda que não existam
instrumentos que meçam a freqüência oscilatória
mínima dos átomos que compõe um objeto
inanimado, sensorialmente compacto e impermeável,
ou capazes de captar a vibração dispersa dos
íons presentes nos gases, tudo está em constante
mudança, tanto a nível micro quanto macroscópico.
Recentemente foi descoberto que tanto a matéria quanto
à cadeia de DNA são formados por espaços
vazios e de condutores inócuos e isso faz lembrar
um velho adágio: a roda só é útil
porque tem um buraco no meio.
Logo, a energia e a matéria, para o Aikido e a ciência
moderna, passam a ser a mesma substância, só
variando o grau de condensação e expansão
dos seus componentes atômicos (E=mc²).
Voltando ao estudo do movimento, o requisito básico
para se alcançar a maestria da técnica paradoxalmente
é o auto-aprendizado intuitivo e experimental das
elementares leis regentes do desequilíbrio, amparadas
matematicamente na Física (atrito, eixo de gravidade,
alavanca, etc).
Mas, o fator principal para influenciar um corpo a longa
distância ou com o menor contato possível,
reside na maestria do próprio desequilíbrio
interno e externo, no domínio da alternância
de peso, respiração, expansão e contração,
movimento e inércia. Munidos destas leis básicas
do desequilíbrio físico, resta o aprendizado
do seu complemento para abarcar o domínio técnico
total, a ponto de ser desnecessário o uso de movimentos
exagerados para influenciar no redirecionamento de uma força
recebida e ou aplicada. Este complemento, imprescindível
devido a sua poderosa influência capaz de anular a
resistência baseada em peso, força e velocidade,
é o que compreende o aspecto sutil da mente e da
sua interação com o cosmos. O método
da indução mental também tem suas leis
análogas às leis do desequilíbrio físico,
e abrangem a ilusão de ótica e de ritmo, o
domínio do tempo e do espaço. Entretanto,
sem autocontrole é virtualmente impossível
controlar e dirigir o outro. Logo, quanto maior a consciência
dos mecanismos do movimento em si mesmo, maior a capacidade
em influenciar os mesmo mecanismos presentes em outros corpos,
não importando a diferença de volume, massa
ou velocidade.
Praticando e estudando estes fundamentos, Kuzushi e Mussubi,
desequilíbrio psicofísico e redirecionamento
harmônico de energia, é que o praticante de
Aikido consegue compreender o complexo e sofisticado sistema
dos Katas, até alcançar o ponto da ação
condicionada na qual espontaneamente "descobre",
ao menor contato, o ponto e o ângulo ideal a ser atingido
e o vazio a ser preenchido, para gerar ou absorver uma ação.
Sokaku Takeda, a este respeito, dizia que Aiki é
a arte de vencer o inimigo com um simples olhar.
O estudo do Kuzushi no Aikido pode ser verificado na atitude
do Uke que "acompanha" a técnica para compensar
o desequilíbrio acentuado pelo Nague. Por isso, o
Ukemi no Aikido é um meio de manter a integridade
da estrutura humana, facilitando o treino físico
regular que, conforme demonstrado, é primordialmente
a arte de desequilibrar e canalizar energias.
O Aikido ao seguir a Natureza, sempre cultivando e reciclando
a energia estagnada e moldando novas formações,
sem desperdiçar um único elétron, gera
neste processo um sistema natural de purificação
(de decantação com as posturas, de centrifugação
com os movimentos espiralados e de filtragem com a respiração
e a catarse emocional resultantes do aquecimento dos órgãos
internos) e, de forma gradual, ocorre o refinamento das
energias emitidas e receptadas, a ponto de não haver
separação entre sujeito e objeto. O observador
torna-se o observado. Vale ressaltar que a evolução
da qualidade vibratória resulta finalmente em uma
mudança de dimensão existencial, ou seja,
quanto mais potente o raio de ação de uma
onda mental, mais longe sua irradiação irá
alcançar e influir, tal qual o universo em constante
expansão.
Na prática do Aikido, começamos aprimorando
nossos cinco sentidos, mas acabamos percebendo que os sons
mais altos são inaudíveis e as cores mais
vibrantes são invisíveis. Então, surge
o vislumbre de um mundo novo e maravilhoso somente detectável
por meio da desobstrução de um sexto sentido,
uma espécie de radar sensorial instintivo, que se
manifesta normalmente através do pensamento e da
intuição em picos esporádicos.
Com a descoberta do golpe mental, um novo passo é
dado no caminho do Aikido. Os mestres em seus ensinamentos,
sempre salientam o fato de só terem compreendido
melhor o mecanismo das técnicas à medida que
a força física de sua juventude se exauria
com o passar dos anos e era substituída por essa
percepção extra-sensorial. Então aprimoram
esta fonte de poder infinitamente superior a contração
muscular bruta e, ao invés de treinarem golpes e
katas isolados, passam a praticar estratégias, a
exemplo do espadachim Miyamoto Musashi e outros mestres
que transcenderam suas artes. Surge mais tarde um novo dilema:
como ensinar um fato tão óbvio e compartilhar
sua descoberta pessoal com seus alunos e as pessoas de seu
relacionamento? Experimente explicar verbalmente o ato de
abrir e fechar as mãos e já irá encontrar
uma barreira, então tente ensinar como manipular
o Uke com o mínimo esforço e a tarefa se transforma
em um desafio.
E assim, de desequilíbrio em desequilíbrio,
a custa de contradições eloqüentes e
silêncios significativos, os mestres vão ensinando
de forma paradoxal o que não pode ser ensinado.
"O
Tao (Do) que pode ser expresso não é
o verdadeiro Tao"
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Lao Tsé -
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