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Doutora
em Psicologia Clínica, Elizabeth Hendricks vive em Lake
Oswego, OR. Ela também treina Aikidô.
Eu gostaria de dividir uma experiência vivida durante uma
visita a um dojo de Aikidô na Costa Oeste.
Durante o treino, eu sentia minha parceira aplicar a técnica
de modo que minha cabeça estava sendo direcionada diretamente
para o tatame. Eu não estava conseguindo cair, então pedi
a minha parceira que deixasse meu braço um pouco para fora,
para que eu pudesse me proteger. Ela respondeu furiosa:
"Como você ousa falar desse modo com uma faixa preta! Se
você disser mais uma palavra para mim, eu irei bate-lo!"
Eu acho que nunca fiquei tão injuriado por causa de simples
palavras. Eu pedi desculpas profusamente, explicando que
eu era de Vermont, que eu não conhecia as etiquetas do dojo
dela, etc. Então continuamos o treino.
Eu ainda estou chocado por causa da reação de minha parceira,
e eu agora estou encontrando dificuldade em dizer coisas
aos meus parceiros de treino por medo de receber uma resposta
parecida.
Como eu deveria ter lidado com essa situação? O que posso
fazer para curar a ferida que está me afetando agora nos
treinos diários?
J.C. Vermont, Aikidô
É sempre perturbador encontrar hostilidade pública, no tatame
ou no dia a dia.
Hostilidade trás uma variedade de questões átona, o que
ultimamente tem haver com o nosso direito de avaliar situações
para nós mesmos e agir de modo a garantir nossa própria
segurança e integridade.
Quando estamos interagindo com estranhos, as questões podem
se tornar complicadas, desde que não temos uma história
de intercâmbios seguros com eles. No início, nós não conhecemos
o caráter da outra pessoa. Quando continuamos a ter interação,
nós podemos achar que aqueles que parecem com touros, na
realidade são inseguros e por isso são touros tempestuosos.
Ou o oposto pode acontecer: nós podemos achar que pessoas
que se mostram hostis podem provar serem bem diferentes
quando as conhecemos. Por exemplo, nós podemos descobrir
que uma pessoa que parece ser indiferente e convencida é
apenas muito tímida.
Nós todos estamos constantemente no processo de interpretar
as informações que chegam a nós e, às vezes, nós as recebemos
erradamente. É comum, por exemplo, existirem lacunas largas
entre a intenção do orador e a percepção do ouvinte. Talvez
J.C. experimentou uma lacuna como esta. Sua intenção foi
de pedir ajuda a sua parceira para que ele pudesse treinar
com segurança. Mas talvez sua parceira tivesse sentido que
J.C. estava a desafiando. A parceira claramente não entendeu
a intenção de J.C.
Nós podemos não ter controle sobre as idéias que outros
tem de nós, mas essas idéias podem determinar como eles
recebem o que dizemos ou fazemos. Exemplo: Um estranho olha
para mim através do quarto. Dependendo do meu "background"
de experiência e minha personalidade, eu posso concluir
qualquer uma das seguintes alternativas:
- "Ela parece amigável, talvez ela queira conversar comigo."
- "Ela está me olhando de forma desprezível. Eu estou certo
de que ela não gosta de mim."
- "Ela parece assustada. Eu gostaria de saber se ela quer
minha ajuda."
- "Ela está me dando um sinal especial de que os marcianos
irão pousar logo. Eles estarão acompanhados pela CIA e com
a ajuda deles, eles irão tentar dominar o planeta."
Na realidade, nenhumas das alternativas acima estarão corretas.
Talvez a pessoa do outro lado do quarto estivesse apenas
entediada; talvez ela estivesse viajando e nem tenha me
notado.
Às vezes podemos esclarecer o que está acontecendo simplesmente
falando sobre o que está nos atormentando. Interações difíceis
acontecem freqüentemente e, às vezes, é difícil pedir por
esclarecimento. J.C. não podia parar no meio do treino,
por exemplo, para discutir o problema com sua parceira de
treino. Mas poderia ter sido útil para ele abordar sua parceira
depois da aula. Ele poderia ter dito, por exemplo, " Eu
não estava tentando ofender você na aula. Eu estava tendo
dificuldade em cair com segurança e eu estava tentando cuidar
de mim " - uma declaração que poderia ter dado a sua parceira
uma oportunidade para refletir. Se J.C. percebesse que sua
parceira estava disposta a conversar sobre o assunto, ambos
teriam a chance de "limpar" uma má interação. Se a parceira
permanecesse brava e defensiva, a discussão futura não seria
produtiva - mas mesmo assim, J.C. iria saber que ele tentou
o seu melhor para concertar as coisas.
Outra questão que surgiu na interação entre J.C. e sua parceira
de treino, é que devemos tomar responsabilidade própria
para nossa segurança.
Se pessoas estão tentando nos fazer mal, o que nós as ensinamos
deixando que elas nos machuquem? E o que ensinamos a nós
mesmos se nós consentirmos de sermos brutalizados e vitimados?
Talvez estamos nos ensinando como ser vítimas!
Pode ser difícil dizer a alguém "Isto não é seguro para
mim, e eu não irei faze-lo!" - especialmente se a outra
pessoa está em uma posição de autoridade. Figuras de autoridade
tendem a extrair imagens parentais em nossas mentes subconscientes
e isto pode tornar difícil dizer "Não" a elas - mesmo quando
acreditamos que dizer "Não" é a coisa certa a ser feita.
Em um mundo ideal, porém, todas as pessoas iriam se responsabilizar
pela segurança dele ou dela.
Por outro lado, em um mundo ideal, nós todos reconheceríamos
as outras pessoas como sendo membros da comunidade humana
e nós iríamos aceitar a responsabilidade de ajudar aqueles
que surgem na nossa vida.
Adotando esta atitude em uma situação após a outra é como
estar enchendo um copo de chá gota por gota. Enquanto cada
interação pode parecer insignificante, seu efeito acumulativo
pode mudar o mundo.
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