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Uma
noite, logo depis de entrar no dojo, meu sensei me disse
que queria que eu escrevesse o que o Aikido tinha feito
por mim. Eu sorri e disse a ele que para escrever sobre
como o Aikido havia mudado minha vida, eu necessitaria de
compartilhar um pouco do meu passado:
Em
1974, fui diagnosticado como possuindo uma distrofia muscular.
Uma doença misteriosa tinha tirado o ki de minhas
pernas e esta era a única resposta lógica
que os os médicos podiam me dar. Mas vários
meses mais tarde, o que parecia ser distrofia mudou para
um cancer na coluna.
Em
Setenbro de 1974, um tumor do tamanho de uma grande laranja
foi parcialmente retirado do meio de minha coluna. O que
se seguiu nos proximos 20 anos foi uma parte do inferno:
tratamentos de radiação, 13 operaçoes
corretivas e vários testes e exames de raio-X. Em
uma ocasião em 1983, uma infecçaão
hospitalar severa, com febres altas, me deu 5% de chances
de continuar vivendo após aquela noite.
Como
podem perceber eu sobrevivi mas a minha vida havia mudado
para sempre. Não somente a dor de quase ter morrido
mas fui confinado a viver em uma cadeira de rodas.
Em
junho de 1993, entrei em um dojo de Aikido enquanto visitava
meu tio. Sendo sempre fascinado por artes marciais, decidi
dar ao Aikido uma chance, mesmo estando em uma cadeira de
rodas.
A
princípio, o Sensei ficou me olhando e a minha cadeira
de rodas. Mas ele disse que se eu estava querendo treinar,
ele queria me ensinar. O Sensei me disse que o Aikido ensina
que devemos nos misturar com pessoas e que todos devem ter
uma chance. Então comecei a treinar.
Eu
percebi mudanças em meu corpo desde o primeiro dia.
A circulação de minhas pernas aumentou. A
dor em minhas costas parece diminuir durante os treinamentos.
E estou feliz pois eventualmente alguns movimentos retornaram
as minhas extremidades inferiores.
Com
a ajuda de meu sensei e meus amigos estudantes eu aprendi
a mudar meu mundo físico. Aprendi que posso defender-me
apesar de minha deficiência, que posso controlar minha
dor expandindo meu ki e que o Aikido pode ser praticado
por qualquer um e estas são simplesmente as lições
físicas. As lições emocionais que se
seguiram foram mais surpreendentes.
A
principal coisa que percebo quando treino com uma deficiencia
é que não estou realmente em desvantagem.
O-Sensei desenvolveu o Aikido para ser praticado em pé,
sentado, e eventualmente deitado. (Eu já executei
técnicas muito eficientes deitado).
Pessoas
com deficiência enxergam a si mesmo como vulneráveis
quando são atacados e este sentimento de vulnerabilidade
tende a produzir pânico. Então, gasto uma grande
parte do meu treino aprendendo a estar calmo durante um
ataque. Eu tenho treinado a expandir meu ki e pensar , não
em desvantagens, mas nas vantagens e qual técnica
é mais eficiente para mim.
Claro
que tive que fazer algumas alterações nas
técnicas. Deste modo, shihonage é muito interessante.
Eu faço o que chamo de "Pinole shihonage"
, que eu nomeei em homenagem ao meu Dojo, Pinole Aikido.
Ao invés de girar em volta de meu uke, eu agarro
a mão do uke e rolo no chão. Fazendo isto,
pareço um cão rolando, ou como dizem alguns
alunos como um crocodilo tentando se alimentar. Se você
pode imaginar sua mão na boca de um cachorro ou de
um crocodilo enquanto está rolando, você pode
entender o poder desta técnica.
Jo
kata é outro aspecto do aikido que eu modifiquei.
Eu o executo tanto em minha cadeira quanto no chão.
Com a ajuda de meu Sensei e um estudante avançado.
Eu planejei um kata que assemelha-se a canoagem. Aprendi,
indo para baixo e forçando os agressores a abaixar
ou pular sobre a minha cadeira, eu posso expor seus joelhos
e tornozelos. O jo kata que faço é difícil
de explicar mas é muito eficiente para pessoas com
ou sem deficiencias.
Meditação
(Zazen) foi um presente de Deus para mim. Eu tive 14 operaçõese
e a dor permanente é parte de minha vida. Mas, usando
exercícios e técnicas de meditação
Zen, eu aprendi a controlar muito da minha dor. Eu acredito
no que o meu Sensei fala - que a dor é um estado
mental e que controlando a mente podemos controlar a dor.
Minha
filosofia no alongamnento é a seguinte: faço
todos os alongamentos no chão exceto os que necessitam
realmente ficar de pé.
Eu
vi a morte cara a cara. Mas lendo os textos de O-Sensei
e ouvindo meu Sensei, aprendi que a morte é parte
da vida. Nascemos, crescemos e então morremos. Treinando
Aikido aprendi que, enqaunto estamos vivos, podemos tocar
os outros com nossos corações, podemos nos
misturar com os outros, ajudar e amar os outros. Também
aprendi a viver cada dia como se fosse meu último,
parando para ver a beleza de uma flor, o calor do sol e
a compania de amigos e da família.
O
Aikido me ensinou o respeito a mim mesmo e por todas as
coisas vivas. Mesmo sabendo que eu nunca irei caminhar de
novo, o Aikido me mostrou que a medida de uma pessoa é
seu coração e alma, não suas pernas.
Gostaria
de terminar dizendo a todos que leram este artigo, que treinam
Aikido ou não, que continuem a acreditar em si próprios
e que continuem a tentar.
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