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Quando
vi as notícias sobre os ataques terroristas na América
pela primeira vez na TV pensei se tratar de um incêndio.
Então chegaram informações que aviões
haviam atingido alguns prédios, e especulações
que seriam ataques terroristas. Em seguida vieram as imagens
do avião atingindo o segundo prédio. Eu não
desgrudava da televisão e das repetidas imagens do
momento do impacto. Eu pensava que algo terrível
acabara de acontecer. Vários dias depois do incidente
dei uma olhada num artigo em um jornal de esportes Japonês.
O comentário feitto por um famoso jogador de baseball
Americano chamou minha atenção. Ele disse:
"Nós jogamos baseball aqui na América,
agradando muitos fãs, e somos vistos como heróis.
Mas nesta tragédia, o que podemos fazer ? Absolutamente
nada."
Este
comentário me fez parar e pensar sobre a minha pessoa.
O que temos feito, e o que estamos tentando fazer?
Violência,
terrorismo, guerra esta não é uma era que
tenha conseguido superar todas estas coisas. Neste exato
momento existem muitas pessoas no mundo envolvidas nestas
crises. Aquelas imagens ao vivo da destruição
do World Trade Center e a perda instantânea de milhares
de vidas nos EUA, símbolo da civilização
moderna, fez com que nós, as pessoas do mundo, percebêssemos
que aquilo era um problema da nossa própria realidade.
Em
1932 houve troca de correspondências entre Einstein
e Freud. Einstein, a pedido da Liga das Nações
( uma organização para a cooperação
intelectual sediada em Paris ), remeteu carta à
Freud questionando se a humanidade poderia se libertar das
opressões das guerras. Ele colocou questões
como: "Porque as pessoas são levadas à
guerra tão facilmente?", "Existe algo de
errado com a mente humana?", "Existem desejos
guiados pelos instintos humanos?" e, "Existe o
desejo, guiado pelo ódio, de se aniquilar os inimigos?"
Usando
sua teoria psicoanalítica do impulso, Freud respondeu:
"No
impulso humano existe o impulso para preservar e unir (Eros)
e um impulso para destruir e matar, sendo que o segundo
possui duas facetas: um instinto para atacar e um instinto
para destruir. Estes impulsos são necessários
em todas as pessoas; eles alimentam um ao outro e se opõe
um ao outro, assim resultando as muitas manifestações
da vida. Se os humanos se engajam em guerras por causa do
impulso destrutivo devemos, então, convocar o impulso
oposto, Eros. Tudo aquilo que promove a união entre
as emoções e as mentes das pessoas é
o que evita a guerra.
Existem dois tipos de laços emocionais. Um é
a ligação com aquilo que é amado e
o outro surge do senso de aproximação e de
pertencer. Se existir uma significativa similaridade e senso
comum entre as pesssoas é possível uma conexão
a nível emocional. Esta conexão é um
suporte poderoso da sociedade humana."
Devido
ao avanço da cultura houveram mudanças significativas
e em grande número para a mente humana. Freud também
escreveu sobre o papel do intelecto.
"Um
dos fenômenos mais marcantes, nascido da cultura humana,
é a elevação do intelecto. Um intelecto
forte controla os impulsos. Rejeição à
guerra não é apenas rejeição
à nível intelectual tampouco apenas ao nível
da emoção. Pacifismo é rejeição
que brota do fundo do corpo e da mente. Eu não sei
quanto tempo levará para que toda humanidade seja
pacifista. Contudo, a mente que pode vir a nascer do progresso
da cultura e cautela quanto a novas crises de guerra estas
me dão a esperança de que a humanidade prosseguirá,
em breve, para um futuro sem guerra. Eu não sei que
tipo nem qual caminho nós tomaremos nesta jornada,
mas espero poder apenas dizer isto se o desenvolvimento
da cultura for encorajado, nós poderemos ver o fim
da guerra!".

O
Fundador Morihei Ueshiba comentou quanto a idéia
do aikido: "O segredo mais profundo do aikido é
nos livrarmos de nossos próprios males, nos harmonizarmos
com o trabalho do cosmos e nos unirmos à este cosmos.
O coração do cosmos é o grande amor
que tudo permeia. Qualquer Budo (arte marcial) que não
possa se harmonizar com o cosmos é destrutiva, não
sendo assim um verdadeiro Budo. O verdadeiro Budo significa
o caminho do amor. O seu objetivo não é lutar
e matar e sim preservar e nutrir a vida. Este é o
caminho do amor; criar e nutrir. Meio século se passou
e o aikido se espalhou por mais de 80 países. Porém,
existe alguém eventualmente tentando realizar a idéia
do fundador? Eu acredito que são poucos.
Anteriormente,
em Cosmos, escrevi que eu havia sido chamado de um "mensageiro
da paz". Eu ainda tenho muito o que fazer para alcançar
o ideal do fundador, e como escrevi em Cosmos, tenho praticado
e explicado, da maneira que compreendo, a concepção
do fundador e a mente do "do". Nada me deixaria
mais feliz do que ter sido capaz de proporcionar um espírito
de união, através da minha prática,
e um ambiente de paz.
Podemos
dizer que a história humana tem sido a repetição
de lutas. Mesmo assim, eu quero acreditar na sabedoria da
humanidade. Freud disse que se elevarmos nosso intelecto
e que se houver similaridades e pontos em comum entre as
pessoas obteremos conexão à nível emocional,
dando suporte, assim, à sociedade humana. Se todos
os akidoka adotarem a concepção de aikido
do fundador, e se engajarem na prática com isto em
comum, poderemos juntar as mãos e mentes numa direção
livre de guerras. Ainda há tempo.

Traduzido
por ERIK MARINELLIShodan Instituto Takemussu Dojo Central
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