Artigos de Grandes Mestres

Tocando o Absoluto: Aikido x Religião e Filosofia
por Peter Goldsbury, presidente da IAF



Primeira parte: Os passos do Mestre

O título deste ensaio foi escolhido, principalmente, por razões estéticas e não dá uma indicação exata de satisfação. Eu proponho considerar o Aikido em oposição à religião e à filosofia somente em um sentido muito amplo e não implicar que eles sejam mutuamente exclusivos. De qualquer maneiras há algumas questões aqui. Muitas exigências têm sido feitas pela eficácia do Aikido e não apenas cmo um sistema de auto-defesa. A prática tem uma dimensão que pode ser chamada de espiritual. Mas algumas questões têm sido afetadas. A prática do aikido pode ajudar Cristãos, Mulçumanos, agnósticos ou até ateu a ser boas pessoas, e se pode, como? Em que sentido a prática do aikido pode ser dita "completar" a vida espiritual e moral de um cristão praticante, por exemplo. Há alguma relação entre o aikido como uma busca espiritual e misticismo? Em que sentido o aikido seria chamado "sacramental"? Em outras palavras, a prática do aikido automaticamente leva a resultados espirituais desejáveis? Faz sentido falar do aikido como uma filosofia ou sistema filosófico? Se não, qual é a diferença?

O Fundador era profundamente religioso e achava que este aspecto era o mais importante do aikido. Aqui, por exemplo, está um de seus pensamentos tirados aleatoriamente de uma revista de aikido:

"Budo é um caminho divino estabelecido por deuses, que conduz à verdade, à bondade e à beleza; é um caminho espiritual, refletindo a natureza ilimitada e absoluta do universo e o grande desígnio da criação". 1

Isso parece bastante espiritual , até religioso, mas este aspecto parece ter recebido pouca ênfase depois da morte do Fundador. A prática é presumivelmente "boa" para as pessoas e nós às vezes ouvimos frases como "auto-realização", ou "compreender o próprio potencial", mas a idéia raramente feita é que o aikido exige um certo compromisso espiritual específico. Em alguns países, o aikido é praticado em centros esportivos ou academias . Deste modo a conexão entre "ter um bom exercício físico" e "ter uma boa prática" é facilmente feita, mas isto é tudo? Não , você provavelmente contestará, mas o que está faltando em um "bom exercício" que uma boa prática não proporcione?

Qual era a religião de Morihei Ueshiba , o Fundador do Aikido? Era uma união de crenças Budistas e Shintoístas e práticas de meditação interpretada pela religião Omoto. Alguns dos discípulos de Morihei Ueshiba diziam que ele preferia o Shinto ao Zen, por exemplo, mas isso não significa necessariamente que ele possa ser chamado de Shintoísta. 2 A "Bíblia" dele era o kojiki e o Nihon-Shoki, coleção de antigos mitos e lendas japonesas e a extraordinária coleção de contos especulativos colocados por Onisaburo Deguchi, conhecido como REIKAI MONOGATARI ("Contos do Mundo Espiritual"). Durante o treino do Fundador, ele costumava discursar longamente sobre "assuntos espirituais" , mas quase nenhum dos discípulos contestaram saber nada sobre o conteúdo destes discursos ou até os relembram. . Desta maneira estes discípulos tinham a tendência de separar as coisas que eles estavam familiarizados, como a prática diária no tatami das coisas que eles não estavam familiarizados, tais como a mitologia Shintoísta e a doutrina Kotodama. Mas o Fundador não as separou e parece ter ficado cada vez mais e mais com eles. Depois da Segunda Guerra Mundial , quando o Aikikai Hombu mudou de volta de Iwama para Tokyo. o Fundador parece ter gasto mito do seu tempo lá ou em Iwama, ou visitando os seus discípulos pelo Japão (com uma visita ao exterior, para o Hawaii). Ele parece ter desempenhado um papel muito pequeno no desenvolvimento atual do Aikido pós-guerra e parece mais ter se tornado um "ícone" do Aikido. A explicação mais comum é que o Fundador estava engajado na sua própria busca espiritual, o que implica que esta busca não nos diz respeito, e que o "verdadeiro" negócio de ensinar e divulgar o aikido como uma arte pós-guerra, foi deixado para o seu filho, Kishomaru Ueshiba. Tem sido até sugerido que o aikido do Fundandor é bem diferente da daquelas outras pessoas. Em um certo sentido, isto é verdade, mas trivial; em outro sentido, essa idéia, se verdadeira, teria maiores consequências para o aikido e seu desenvolvimento. Senso assim, faz-se necessária a seguinte pergunta: até que ponto as buscas espirituais do Fundador são necessárias atingirmos a excelência no Aikido? O Fundador parece ter passado anos falando a todos sobre estas buscas, mas parece que ninguém o ouviu ou o compreendeu. Isso é um problema para pessoas como nós que nunca o conhecemos?

Vários livros de John Steves e vários artigos no TANKYU AIKIDO ("Pesquisa sobre Aikido"), a publicação semestral do Aikido Hombu, proporcionaram o maior estímulo para este ensaio. Steves produziu uma biografia do Fundador e no mínimo três livros, os quais podem ser chamados o "sistema" religioso e filosófico do Fundador. Aikido Tankyu é uma rica fonte de informações que merece uma ampla audiência. Eu também ensinei um curso universitário por muitos anos sobre antigos mitos da criação e estudei o Kojiki e a Bíblia em relação a isso. 5 (as ironias de um estrangeiro ensinar a cultura tradicional japonesa para japoneses não deixou de ser percebida por alguns dos meus colegas japoneses universitários que todos envergonhadamente confessaram que realmente nunca tinham lido o Kojiki.)

Este ensaio trata de uma variedade de assuntos envolvendo aikido e religião dos quais alguns são bastante discutíveis, do ponto de vista de alguém que está do outro lado do espectro: a crença Cristã (Católica, no meu caso) educada na tradição intelectual e espiritual do ocidente. Nenhuma conclusão foi tirada, minha suposição geral, é que a prática de cuidadosamente discutir tópicos e levantar questões, é tão valioso quanto obter respostas. Outros, crentes e descrentes igualmente, podem ser estimulados a concordar, ou mais preferivelmente, a descordar de pontos expressos aqui.

As aparentes diferenças entre Aikido como o próprio Fundador o concebeu e o aikido praticado por seu filho Kishomaru Ueshiba constitui um problema interessante em si mesmo e além da sua extensão é uma razão pela qual eu dividi este ensaio em duas partes. O foco principal da Parte 1 é o Fundador, Morihei Ueshiba. A Parte 2, segue de acordo com o filho dele, Kishomaru Ueshiba e com as questões gerais do aikido como uma filosofia.

As Faces do Divino

No Hombu Dojo havia um kamidama (altar para divindades da família) onde o deus das artes militares TAKE-MIKA-ZUCHI-NOKAMI usava para ser adorado. 6 De qualquer modo, depois o aikido foi conhecido internacionalmente e não-japoneses vieram praticar no Hombu em crescentes números. Esta prática de adoração foi interrompida.

O que foi tão desagradável sobre a adoração de divindades da família, no kamidama, que foi abandonado? Se o motivo foi evitar dar a impressão a não-japoneses que o aikido era uma religião ou que era necessário praticar algum tipo de crença religiosa, há um paradoxo aqui. O Fundador do aikido concebeu a arte do aikido como uma atividade religiosa e passou a maior parte da sua vida em comunhão com as várias divindades que ele adorava, entretanto, a "internacionalização" do aikido parece ter causado o abandono, do qual, parece uma parte crucial desta prática no dojo central. Isto importa? Talvez não, mas este paradoxo deve ao menos encorajar entre os praticantes de aikido o re-exame de conceitos do divino profundamente arraigados e há muitos estimados. 7

Antes de ir mais longe, nós precisamos expandir a citação dada acima e tornar um pouco mais claro como o Fundador concebia Deus ou o divino, para a concepção japonesa do divino é muito incomum. Há no mínimo quatro maneiras de considerar o conceito de Deus e do teísmo: (1) teísmo tradicional, (2) panteísmo, (3) panenteísmo e (4) as crenças chamadas Shinto, o Caminho dos Deuses.

(1) Teísmo tradicional (CHOETSU-SHINRON: teísmo transcedente em japonês), presume a existência de um Deus eterno que tudo sabe e que tudo pode, que é ontologicamente separado do mundo que Ele criou. A crença em tal Deus é exclusivista no sentido que não é possível também acreditar em outros deuses. Todavia há algumas diferenças na forma como os crentes em tal Deus entendem a sua relação com o mundo e com os seres humanos. Alguns Cristãos, por exemplo, acreditam em uma relação pessoal totalmente baseada na fé, enquanto outros acreditam em um sistema sacramental com cerimônias que mediam um relacionamento pessoal mais íntimo (através da doutrina da Graça) do que simplesmente baseado na fé. A cerimônia Católica da missa e da Sagrada Comunhão são exemplos de uma relação sacramental. Assim, o fato de que Deus está ontologicamente separado do mundo não implica de forma alguma que esse Deus não tenha relação com os seres humanos. A maioria dos cristãos acredita que Ele tenha e que esta relação é de amor mútuo.

(2) Panteísmo (HANSHINRON em japonês) presume que Deus e o mundo estão de alguma forma no mesmo sentido abstrato. Senso assim, ao universo e suas leis são dadas uma dimensão divina e os seres humanos têm o objetivo de alcançar a harmonia com o universo de uma certa forma. O Panteísmo tem uma história mais longa que a do monoteísmo e toma muitas formas desde a antiga filosofia Grega até a religião Budista e os sistemas filosóficos de filósofos como Spinoza. Neste caso, não existe crença em uma ou mais entidades chamada de Deus.

(3) Panenteísmo (BAN'YU-SHINRON: teísmo da criação total, em japonês) presume que toda criação é, de alguma forma, divina, de tal forma que a humanidade primitiva não distinguia entre um deus no céu e um deus em todas as coisas naturais. Esta forma de teísmo permite a crença na existência de uma variedade de deuses e presume que os crentes realizarão várias atividades de acordo com estas crenças.

(4) O Shintoísmo (KANNAGARA-NO-MICHI, em japonês) presume que Deus está tanto dentro do mundo como fora dele. Em certo sentido o Shintoísmo envolve todos as três formas anteriores de pensamento. Deus está ao mesmo tempo separado de todas as coisas e ao mesmo tempo dentro de todas as coisas como seu centro. Sendo assim, o Shintoísmo parece ter o melhor de ambos os mundos. O problema é que o termo "Deus" é uma tradução recente para o termo japonês "Kami" e não é realmente adequado. Em japonês, o termo "Kami" cobre uma ampla categoria: as divindades que povoam o kojiki e que foram responsáveis pela criação do mundo; as divindades que pensa-se habitarem nas pessoas, lugares e até me tipos de atividades. A propósito, os kamis não são os únicos habitantes do mundo espiritual que têm poder sobre os seres humanos. Considera-se que as almas dos mortos , até de animais como raposas e os cães ou serpentes têm certos poderes espirituais. INARI-SAMA, uma raposa, é adorada como uma divindade. Aqui, como no panenteísmo, esta forma de teísmo pressupõe uma crença em um enorme panteão de divindades e outros seres espirituais, e também pressupõe que os crentes precisarão realizar várias atividades com a finalidade de ter comunhão com estes seres. 8 Há também uma crença que tal comunhão pode ser alcançada por certas pessoas que passaram por algum tipo de treinamento especial.

É preciso que fique claro que neste pequeno resumo que qualquer pessoa que acredite em shintoísmo tem uma visão do divino que é bem diferente da de um cristão praticante, por exemplo. Tomando o exemplo do Catolicismo, do qual eu tenho um bom conhecimento, o Cristão Católico acredita em um Deus triúno, e essa crença tem sido aperfeiçoada através dos tempos pela teologia cristã. Isso pode ser expresso de uma forma de credo e a implicação é de que aqueles que não concordam com o credo, não podem ser chamados de Católicos. Além disso, esta crença leva consigo certas obrigações. O Cristão Católico deve esforçar-se para levar uma vida moral, o que significa uma vida de alguma forma a imitação de Cristo, e esta vida também inclui orações e participação em certos rituais. Monges e outros buscam ir além dos preceitos e chegar a uma união mística com Deus, mas todos têm enfatizado que isto nunca pode ser alcançado somente por esforço humano: é simplesmente um dom e não é limitado a pessoas que tenham passado por um treinamento especial. E preciso também que se enfatize que Catolicismo tem uma certa exclusividade: ser um seguidor do catolicismo parece excluir outras formas de teísmo. Sendo assim, poderia-se entender que um católico deve achar que é muito difícil praticar aikido se este for compreendido como uma forma exterior de religião.

Note que um Cristão Católico não é forçado a ver o mundo como "mau" em certo sentido. Por causa da separação ontológica entre Deus e a criação e dos acontecimentos registrados no Livro de Gênesis, parece por vezes que o mundo é essencialmente perverso. Nossos antepassados cometeram um grave pecado e a criação sofreu em decorrência. É verdade que Gênesis registrou muitas mudanças como resultado da queda: a morte e o sofrimento do parto são exemplos. Entretanto, a visão maniqueísta da natureza presume muito mais do que a evidência bíblica garante e as diferenças entre as visões da natureza japonesa e Cristãs que alguns japoneses têm sugerido não tem um forte fundamento. É frequentemente enfatizado no aikido que nós temos que nos harmonizar com a Natureza, ou com o "Universo", e, pode-se pensar que isso é mais difícil para alguém que acredita na queda e no Pecado Original. Eu não penso assim. 9

As raízes shintoístas do Japão Moderno

Foi sugerido acima que o conteúdo do kojiki é desconhecido por muitos japoneses modernos, mas há muitos vestígios poderosos do Shintoísmo no Japão Contemporâneo. O problema aqui, de qualquer maneira, é que a religião nativa japonêsa foi misturada com o Budismo, o qual, foi trazido da China no século VI, e então, às vezes é difícil distinguir os dois. O processo de sincretização significa, como eu declarei acima, que em muitas casas japonesas há um KAMIDAMA Shintoísta e também um BUTSUDAN budista e isso não é considerado incomum. 10 Senso assim, a ênfase no Shintoísmo e no Kojiki, neste ensaio, em algum sentido reflete o fato de que o Fundador fez uso extensivo do Kojiki quando ele dava explanações sobre o aikido e não se pretende a ser exclusivo.

Uma vez eu perguntei aos estudantes do curso universitário que eu ministrava, quantas divindades existiam. Houve uma rápida consulta e a turma inteira concordou em responder: Haviam 8 milhões de divindades. Eu resisti a tentação de perguntar como a pessoa que os contou chegou a esse número, pois a pergunta não teria feito sentido. O número de divindades pe de certa forma, incontável e 8.000,000 é uma figura tradicional. 11

Muitos japoneses comem comidas especiais durante o ano novo e tentam visitar um santuário shintoísta no Ano Novo. Muitos em Tokyu vão ao Santuário Meiji em Shinjuku, onde o Imperador Meiji é adorado. Em outras palavras, o Imperador é adorado como uma divindade no santuário. Além da visita no Ano Novo, este santuário é frequentemente visitado por pessoas para orar po um bom parto, ou por sucesso na escola e nos exames universitários. Se o Imperador Meiji tem alguns poderes especiais nestes assuntos é algo que provavelmente os visitantes nunca pararam para pensar. Da mesma maneira, um festival é realizado em Abril todo ano no Santuário Aiki em Iwama, onde o Fundador do Aikido também é adorado como um kami do santuário.

Durante todo o ano há festivais organizados pelos santuários locais, alguns dos quais são muito exóticos. Em um festival local em Okayama , multidão de homens jovens vestidos apenas em tangas, lutam pela posse de uma bola sagrada. Todo o objetivo do festival é para entreter asa divindades do santuário, de uma maneira que eles usam os seus poderes especiais para o bem da comunidade. Alguns destes festivais têm uma natureza fálica explícita e era comum que grandes réplicas de genitália masculina e feminina fossem desfiladas pelas ruas. O Santuário Kanamara perto de Kawasaki, por exemplo, é um dos quarenta santuários dedicados às divindades do sexo e da fertilidade. O santuário divino é o KANA-YAMA-BIKI-NO-KAMI e, junto com sua esposa, foi criado do vômito de Izanami ao dar a luz ao Deus do fogo e o casal é tradicionalmente conhecido por ter tentado cuidar de Izanami e devolver-lhe a saúde12 As alusões sexuais no kojiki serão depois melhor explicadas.

Os festivais de primavera de plantação de arroz e o festival de outono de colheita são separados por um festival de Verão em agosto. Este festival anual Bon provoca um caos altamente organizado nos sistemas japoneses de transporte conforme as pessoas retornam aos seus lares ancestrais. Porque elas fazem isto? Elas fazem isto, porquê os seus antepassados farão a viagem do mundo dos espíritos para seus "lares" e precisam ser recebidos por seus descendentes vivos. Assim, em muitas partes tradicionais do Japão, são acesas lanternas para guiar os espíritos no caminho deles e os festivais Bon são organizados para entretê-los. Estes e outros festivais são altamente "alcoólicos" e provavelmente eram esperados no passado como um alívio das tensões da vida e do trabalho diários.

Fazer comparações objetivas inter-cultural é muito difícil, mas o senso religioso do Japonês Moderno não contém um elemento doutrinal firme. Nenhuma religião é adotada em prejuízo de outras. Jovens japoneses que pretendem se casar normalmente usam um salão de festas com a cerimônia e a recepção em um pacote muito caro. A cerimônia pode ser Shintoísta, Budista ou Cristã, mas isso não quer dizer que eles tenham que acreditar na religião na qual eles fizeram juramento de casamento. Existem muitas razões para isso, mas uma razão importante é que nenhuma religião no mundo ainda permitiu fixar raízes no Japão. O Shogunato japonês tornou-se famoso pelo encorajamento ao desenvolvimento das artes marciais e foi feliz pela prática Zen do samurai reinava pela força militar. Os efeitos potencialmente desestabilizadores de uma religião controlada do exterior eram muito temidos e assim o shogunato jamais permitiu que o Budismo ou o Cristianismo se firmassem como uma religião "nacional".

Não se deve pensar que esta flexibilidade na crença é algum tipo de irreverência. Lidar com o Divino é um assunto sério para japoneses e não-japoneses e as crenças religiosas e atitudes de uma pessoa não são o resultado de algumas escolhas arbitrárias. Por exemplo, quando eu alcancei a idade de 41 anos, uma colega minha , que atualmente é Cristã, fortemente me impulsionou a visitar um santuário (shintoísta) para me preparar para o YAJU-DOSHI, o tradicional ano de má sorte para os homens japoneses. Segui o seu conselho e embora eu não seja japonês, atingi a idade de 42 anos ileso.

Alguns textos Shintoístas

Muitos japoneses aikidoístas estão consciente de que o Fundador abraçou o shintoísmo, 13, mas eles não têm nenhuma idéia sobre o que foram estas crenças. O Fundador considerou o aikido como uma arte marcial baseada no AMOR ("amor" em japonês também é lido como "AI", mas é um caracter diferente do "AI" de "Aikido") e nas explicações costumava utilizar partes do Kojiki. Para aqueles que pouco provavelmente lerão o kojiki, aqui está um breve resumo dos primeiros capítulos.

Diversas divindades se juntaram na "Grande Planície dos Céus" e dois deles foram conhecidos como IZAGAGI-NO-KAMI e a sua esposa IZANAMI-NO-KAMI. As duas divindades foram ordenadas por seus colegas a "completar e solidificar esta terra flutuante" (a terra foi criada muito cedo, mas ela era deslizante como um peixe em água oleosa). Eles receberam uma "lança celestial cravejada de jóias". Eles se posicionaram na "Ponte Flutuante dos Céus" (pela qual os seres divinos viajavam entre o céu e a terra) e agitaram a água e levantaram a lança. A água que pingava da ponta da lança se solidificou e se transformou em uma ilha chamada ONOGORO.

Izanami e Izanagi desceram então para a ilha e construíram um pilar sagrado e um palácio. Eles circularam em volta do pilar com uma espécie ritual de namoro e eventualmente se acasalaram. Eles não tiveram sucesso na primeira vez (porquê Izanami, a divindade fêmea iniciou o ritual de namoro e não Izanagi) e tiveram que repetir o processo , mas finalmente eles deram à luz várias ilhas. Depois do nascimento das ilhas , divindades do fenômeno natural também foram criados, incluindo o Fogo, mas Izanami ficou doente e morreu como resultado do nascimento dessa divindade. Izanagi matou a divindade do Fogo com uma enorme espada e numerosas divindades nasceram do sangue que estava derramado e também dos restos da divindade do Fogo.

Izanagi desceu para o submundo, a terra de YOMI, e encontrou sua esposa. Ele foi recomendado a não encará-la, mas ele desobedeceu e, então, se tornou impuro. Izanagi teve que se purificar cuidadosamente com um banho em um riacho. Muitas divindades foram criadas nesse processo, incluindo AMA-TERASU (a Deusa do Sol) e SUSA-NO-WO (o Deus das Tormentas). Estas duas divindades gradualmente assumem a história. Susa-no-wo se comportou mal de várias maneiras e Ama-terasu se retirou para uma caverna. A desgraça de Susa-no-wo o redimiu por matar um dragão de 8 caudas com uma espada. Ele quebrou a espada dele cortando a cauda do dragão, mas outra espada apareceu, a qual ele deu para Ama-terasu. Por fim, Susa-no-wo se casou e eles e seus descendentes realizam feitos titânicos de procriação. Um dos seus descendentes, por exemplo, foi O-KUNI-NO-NUSHI, que teve oitenta irmãos.

O que podemos entender de tudo isto? Várias coisas se destacaram, tanto nos próprios relatos, como no uso deles pelo Fundador. Uma característica impressionante é a natureza da própria criação. O Livro de Gênesis começa com a simples e poderosa declaração que, "No princípio Deus criou o céu e a terra". Em todas as partes do Gênesis relata que Deus é retratado como sendo totalmente separado do processo da Criação. Ele simplesmente causou isso tudo para se realizar (mas ainda passou um dia se recuperando!).

A criação, no Kojiki, é bem resumida pelo Fundador como John Steves o interpreta:


"Não havia céu, nem terra, apenas um espaço vazio. Neste vasto vazio, um único ponto subitamente se manifestou. Daquele ponto de vapor, fumaça e névoa espiralou adiante em uma esfera luminosa e nasceu o Kotodama SU . Conforme SU expandia circularmente para cima e para baixo, para esquerda para direita, a natureza e o sopro começaram a clarear e descontaminar. O sopro se desenvolveu dentro da vida e o som apareceu. SU é o "Verbo" mencionado na bíblia Cristã. 14

Para evitar qualquer mal-entendido, as reais palavras ditas pelo Fundador (transcritos do japonês original) são:


" Kirisuto ga 'hajme ni kotoba ariki' to itta sono kotodama ga SU de arimasu. Sore ga kotodama no hajimiri de aru." ('No princípio era o Verbo', falado por Cristo [isto é, na Bíblia Cristã] é este kotodama SU. Esta é a origem do kotodama.) 15


Os relatos do kojiki levam a comparações com outros relatos mitológico da criação, e são primitivos somente no sentido de que muitas das divindades são personificações divinas de objetos e fenômenos naturais. Izanagi e Izanami significam, respectivamente, o Macho e a Fêmea e realizam as ações da criação deles literalmente, através da procriação. Em Gênesis, em comparação, Adão e Eva são completamente ofuscados pela diferença de YAHWEH e a procriação da espécie humana não é dada muita importância, além de que um de seus filhos, CAIM, não se deu muito bem. Outra característica do kojiki que deve ser notada é o uso de armas como a lança e a espada, os quais refletem claramente uma cultura marcial primitiva, mas que, algumas vezes, recebem um simbolisno fálico. Como os primeiros livros da Bíblia, este relatos são narrativas escritas de tradições orais muito mais antigas e foram planejados para dar explicações de certos acontecimentos decisivos em termos que seria entendido por seus leitores conteporâneos. Eles também têm um "sabor" político. Por exemplo, Susa-no-wo achou que era uma divindade do clã Izumo e ele geralmente se comporta mal somente na presença de divindades Yamoto. Quando ele está sozinho, gerlamente é corajoso e compassivo.

Há outros três pontos de comparação entre as primeiras partes do kojiki e textos como a Bíblia, por exemplo, e estas são algumas relevâncias para o aikido. Primeiro, eles são textos sagrados e eram estudados como a base de uma religião pessoal. O kojiki tem recebido muita atenção de muitos estudiosos como MOTOORI NORINAGA, mas eu acho que o Fundador usava estas narrativas mais como textos de meditação, como um cristão praticante pode usar o evangelho de São João. Eu acho também que ele levava estas histórias muito à sério. A coleção do DOKA conhecida como "Songs of the way" são uma meditação pessoal nas lições do Fundador tiradas do kojiki. Ele, por exemplo, explica que as jóias na lança simbolizavam amor e misericórdia e embora as divindades usassem a lança, que era o instrumento de controle, o controle era alcançado através do amor e da misericórdia. O Fundador também se considerava a 'Ponte Flutuante Celestial' transmitindo as "divinas" técnicas do aikido. Ele também achava que nós deveríamos seguir o seu exemplo.

O segundo ponto de comparação é que os kami no kojiki são moralmente neutros e, desta forma, quando o Fundador declarou que o aikido era uma arte marcial baseada no amor e se reporta ao kojiki para ilustrar este ponto, ele estava dando a sua interpretação pessoal aqui. Os Cristãos normalmente consideram o Deus deles como um Deus de amor e existe uma enorme importância da teologia que que argumenta que Deus é para ser igualado à Bondade e à Verdade. Nada disso está evidente no kojiki, por exemplo. Os kami podem se manifestar como benignos ou destrutivos segundo o tratamento que eles recebem.

"Trate-os corretamente com a adoração e culto apropriados e com as oferendas corretas e apropriadas e os kami podem, razoavelmente, ser esperados para abençoar, proteger e socorrer a aldeia, para ver o amadurecimento da colheita, desviar inundações e sêcas, prevenir incêndios e pestes. Ofenda-os, por outro lado, também por descuido ou por exposição às poluições do sangue e da morte, e ao mesmo tempo sua benevolência se transformará em fúria que se desencadeará com fogo, esterelidade e doença." 16

O terceiro ponto de comparação é que partes do kojiki foram escritas em um certo tipo de linguagem e a interpretação desta linguagem, conhecida como KOTODAMA, foi uma arte em si mesma. Quando o kotodama é discutido, a comparação é feita frequentemente com textos ocidentais , como as passagens "LOGOS", no início do Evangelho de São João. Eu não acho que a comparação seja totalmente válida, por razões que discutiremos depois.


Peter Goldsbery
6th Dan e presidente da IAF
(INTERNATIONAL AIKIDO FEDERATION)

A Religião Omoto

Eu declarei antes que a religião do Fundador era um amálgama das crenças Shintoístas e Budistas com práticas de meditação enriquecidas com os costumes Omoto. Qual era a influência do Omoto-kyo no ponto de vista religioso do Fundador? Esta questão não é fácil de responder, mas, de qualquer maneira, um amaior explicação do background se faz nacessário.

Em primeiro lugar, o breve esboço do Shintoísmo apresentada antes não faz nenhuma menção aos pontos de contato entre o mundo dos humanos e o mundo do divino. As divindades usavam a 'Ponte Flutuante do Céu" para descer, mas não havia menção quanto aos meios de viajar na outra direção. Para os Cristãos Católicos o ponto "ofocial" de contato entre Deus e o Mundo é o sacerdote, mas não precisava ter poderes pessoais especiais para fazer o batismo, por exemplo, efetivo como um sacramento.


O ponto de vista religioso do Fundador era, antes, diferente. Para começar, o shintoísmo não impõe restrições ao modo pelas quais as divindades e os humanos poderiam interagir e o Fundador vinha de uma área do Japão famosa especialmente pela tal interação. O distrito de Kumano tinha uma importância especial no Shintoísmo, enquanto o complexo mosteiro no Monte Koya ainda é um dos maiores centros do Budismo Japonês. A área era povoada pelos YAMABUSHI e pelos SHAMANS, ambos forma honrados com elos especiais com o divino. NAO DEGUCHI, por exemplo, a fundadora de Omoto-kyo, era uma shaman e acreditava que uma divindade, USHITORA-NO-KONJIN, falava através dela. REIKAI MONOGATARI, o enorme "Contos do Mundo Espiritual", de Onisaburo Deguchi eram supostamente o registro de uma verdadeira viagem espiritual feita durante um estado de transe. 17

A crença geral, por trás disso tudo, era que certas pessoas, após sofrer uma preparação especial, geralmente um treinamento ascético, podiam usar rituais especiais para atrair os kami do mundo deles para o dos humanos (isto é, se os kami não viessem sem serem convidados, o que ocorria muitas vezes) ou para fazê-los escaparem das prisões do corpo e visitar o mundo espiritual. 18

Eu acho que os cristãos do mundo aceitam tudo isso com um variado grau de desconforto, dependendo da aflição deles. O espiritualismo não é estranho ao Cristianismo, mas a revelação de Deus é considerada muito importante para ser colocada nas mãos de certas pessoas. Além do mais, por causa da crença deles na incarnação do Cristo, eu acho que os cristãos católicos encontraram dificuldade em aceitar visões ou profecias que revelassem coisas de importância a qualquer um exceto aos visionários ou aos profetas.


Em segundo lugar, a Omoto era uma das "Novas Religiões" do Japão. Somente como pessoas como os shamãs podiam ter relações especiais com as divindades nos quais eles acreditavam, relações que incluiam reencarnação ou revelações especiais das divindades, havia uma tendência correspondente para estas relações intensas para resultar em uma nova religião. Eu acredito que esta tenência era esperada para os clãs, nos quais está a característica da cultura japonesa. Assim, NÃO DEGUCHI, era originalmente um membro da KONKOKYO, uma religião centralizada em torno de uma divindade conhecida como KONJIN, mas depois que a sua fama crescente começou a atrair discípulos, ela eventualmente deixou esta religião para fundar a OMOTO-KYO. Esta religião se transformou em um grande movimento espiritual com a chegada de Onisaburo Deguchi e, embora não seja mais a força que já foi, existem conhecidos meus do Aikido aqui em Hiroshima que são crentes da Omoto e praticam os seus rituais.

Também não é de se surpreender que nos tempos turbulentos que seguiram à restauração Meiji e o crescimento do Japão como uma potência militar "novas religiões como a Omoto tendiam pregar o utopianismo: a iminente chegada de uma nova idade de ouro, que colocaria um fim nos erros do passado e do presente. Assim, uma característica fundamental da Omoto era a idéia de unir todas as religiões em uma irmandade universal. Este era o conceito primário por trás da Federação Religiosa Universal proposta por Onisaburo Deguchi em 1925.

"Onisaburo afirmava que todas as religiões brotavam do mesmo impulso divino, mas só existia um Desus. Mas este impulso poderia surgir em meios culturais em épocas históricas totalmente distante das outras, produzindo desta forma, religiões de grandes contrastes. Contudo, não importa como eles pareciam tão diferentes, em virtude da sua origem comum, todas as religiões são irmãos e irmãs e devem honrar e respeitar umas às outras. Em verdade, nós devemos apreciar uma variação no jardim das religiões. Quem quer que as flores sejam todas da mesma cor?" Deguchi era também um grande crente no uso do esperanto, "uma linguagem universal para ajudar transcender o imbróglio de linguagens já existentes", que seria o veículo para esta "religião sagrada do amor e irmandade". 19

Há um acerta inocência em tudo isso. Em primeiro lugar, é simplesmente falso que uma pseudo-língua manufaturada como o Esperanto, jamais poderia substituir culturas lingüísticas que tenham se desenvolvido ao longo de milênios, sem falr em "transcendê-las", o que quer que isto signifique. Uma língua não funciona assim. Em segundo lugar, a idéia de "unir" todas as religiões é um sonho impossível. As religiões tendem a serem rigorosamente interligadas com as culturas das quais elas fazem parte e o shintoísmo certamente não é uma exceção. A sugestão que religiões tão diversas como o Catolicismo, Protestantismo e Islamismo se uniram sob a liderança do escritor de uma coleção de contos como o REIKAI MONOGATARI não é levada a sério. Eu acho que um Católico ou um Mulçumano considere a sua religião como uma entre entre muitas espécies de flores. Em terceiro lugar, assumindo que a idéia de 'unir" as religiões sob uma liderança fizesse algum sentido, Omoto-kyo é um mau exemplo para escolher como um "cabeça". Esta mesma seita foi uma derivação da konkokyo e também produziu outras derivações como a SEICHO-NO-IE. 20

Algumas vezes é dito que o Aikido não é uma religião, mas que a prática do aikido "completa" ou "complementa" as crenças e práticas religiosas. Eu me pergunto se este pensamento tipicamente japonês não tem traços da idéia Omoto-kyo descrita anteriormente. A idéia de que a prática do aikdio complementa a atividade religiosa de uma pessoa é bastante inofensiva, mas isto é bem diferente da idéia de que uma religião como o Cristianismo, por exemplo, ou o Islamismo é de alguma maneira "incompleta" e que uma arte marcial, embora baseada no amor, de alguma forma conduzirá à perfeição. Eu não esperaria que um médio Cristão ou Mulçumano aceitasse com facilidade esta forma de pensamento. Há também um problema de terminologia. Pode ser bem verdade que o aikido não seja uma religião no estrito senso de um grupo de pessoas unidas por uma mesma crença sobre o Divino, mas o Fundador considerava claramente que estava engajado em uma atividade que era, para todos os efeitos, religiosa.

Tocando o divino

Há mais um ponto importante para considerar em qualquer estudo das práticas religiosas do Fundador e em sua importância para o Aikido: o uso que ele fazia do que nós podemos livremente chamar, meditação, técnicas como CHINKON-KISHIN e a função da linguagem, ou sons, na meditação. Este último é comumente chamado KOTODAMA ("palavra-espírito") e acredita-se que desempenhava uma função importante no esquema espiritual das coisas do Fundador. CHINKON KISHIN é usualmente praticado antes dos treinos de aikido na forma de FUNA-KOGI ("remar em um bote") e FURITAMA ("sacudindo o espírito") e como um exercício calmante no final do treino, mas encontrei pouca evidência da prática do KOTODAMA no aikido moderno.

Um cristão logo aprende a importância da oração. Desde o tempo em eu era muito jovem, eu fui educado pelos meus pais a me ajoelhar e dizer as minhas orações todas as noites antes de ir para a cama e tenho certeza de que outros têm tido experiências parecidas. Quando eu cresci, reparei que a maioria das orações eram fórmulas,e que as invocações repetidas da fórmula tinham um efeito que era superior e inferior ao significado das palavras. O rosário é um bom exemplo disso. Ainda mais tarde eu compreedi o valor da oração mental, que não usava palavras. O termo "meditação" tem, às vezes, sido usado tanto para a invocação ou para a magia das fórmulas de oração, como para o tipo de oração mental chamada, contemplação. É também usada para o que podemos chamar 'estados elevados da consciência". Contudo, há importantes diferenças que precisam ser esclarecidas.

Vamos começar com a questão da relação entre as palavras e o mundo. Na citação dada anteriormente, o Fundador identificou o som Kotodama SU com "O Verbo" da Bíblia. O "Verbo" mencionado, é claro, o termo usado pelo autor do 4º Evangelho , mas São João escreveu em grego, e desta forma, o termo é normalmente referido como "LOGOS". Esta palavra tem um contexto cultural e o escritor do 4º Evagelho não apenas compreendia este contexto, como também deu ao termo um significado específico em seu evangelho. LOGOS é o nome do verbo grego LEGO (dizer) e é muito curioso que o substantivo tenha uma cadeia maior de significados em grego que o verbo. LOGOS foi usado pelo filósofo HERACLITUS (500 AC) como o título do seu discurso, mas ainda na sua época o termo tinha sido aumentado para incluir palavras, discurso, a lógica ou a razão subjacente ao discurso e a própria razão. Nas primeiras sentenças do 4º Evangelho, o texto Latin que ainda é provavelmente lembrado por católicos da minha geração, São João tenta explicar a Trindade. O Evangelho começa: "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós contemplamos a sua glória do único filho do Pai , cheio de graça e de verdade." 21

Não existe referência neste versos à Criação, embora ele seja referido mais tarde e é também o trabalho do Verbo. Nos versos citados acima, João tenta capturar em palavras o processo do auto-conhecimento e do amor próprio que resultam no Pai, no Filho e no Espírito Santo. É claro que, em um sentido amplo "LOGOS" pode ser entendido como KOTODAMA, porquê o Evangelho é entendido como A PALAVRA DE DEUS, mas neste caso toda a Bíblia é KOTODAMA e não apenas o "LOGOS".

Existem dois problemas que qualquer ocidental deve enfrentar ao tentar compreender a doutrina do Kotodama. Um é a suposição cultural do shintoísmo discutida antes. No shintoísmo não há restrições impostas pelos kami como a maneira que eles aparecem para os humanos. Assim, é razoável que um kami possa se manifestar em palavras. É claro que o contrário, que palavras entoadas em uma forma particular, indicava a presença de um kami, não é necessariamente verdade. O segundo ponto relativo ao significado e é onde eu devo, respeitosamente, discordar com John steves. A questão de que as palavras levam o significado delas intrinsecamente, por assim dizer, é muito antiga. No diálogo CRATYLUS, de Platão, um dos pontos de discussão e se uma palavra, "PALAVRA", por exemplo, leva este significado porquê tem propriedade únicas e apropriadas para o conceito de que ela designa ou se é simplesmente um aconvenção. Após um argumento laborioso, Platão eventualmente escolhe a última alternativa e foi seguido por Aristóteles e seus sucessores. Em outras palavras, "LOGOS", "Verbum", "PALAVRA", "MOT", "TOD", "KOTOBA", etc., não têm poderes especiais simplesmente porquê eles representam um número de conceitos particular e assim, pronunciar estas palavras não lhe colocará em contato com o Divino, simplesmente em virtude do significado que elas têm. 22

O mesmo se aplica ao idioma Japonês, mas isso é mais difícil de compreender por causa das características especiais da língua japonêsa. No japonês não há sons consonantais puros, com exceção do "N", e, portanto, cada sílaba é também uma vogal pura ou uma vogal precedida por uma consoante. Desta forma, pronunciar qualquer sílaba japonêsa exige uma exalação. Além do que, cada sílaba isolada normalmente tem uma enorme variação de significados. Por exemplo, o som "SO", pode ser escrito em 128 formas diferentes, isto é, em 128 caracteres chinêses diferentes e cada um destes caracteres representam um significado diferente. 23 Assim, não só é possível pronunciar frases em japonês que tenham apenas vogais, 24 mas também compor pronunciamentos de partes individuais que também tenham significados individuais. Por esta razão, eu não acho que é possível transpor a teoria do kotodama sem a teologia shintoísta apropriada e em uma linguagem diferente da japonêsa. O Fundador acreditava no Kotodama por causa das suas crenças sobre os kami e porquê ele era japonês. John Stevens acha que o Fundador estava enganado, mas eu mesmo tendo a apoiar o fundador aqui. 25

É claro que não se pode negar que as palavras têm um poder especial, como qualquer um que escute a ópera poderá comprovar e eu tenho memórias claras do efeito hipnotizador do cântico do ofício divino em latim declamado. Algumas formas de cânticos normalmente acompanham meditação e eu concluirei a primeira parte deste ensaio examinando este tópico.

Nao Deguchi compôs seus escritos FUDESAKI como resultado de um estado de transe e diz-se que Onisaburo Deguchi recebeu as experiências registradas no Reikai Monogatari, como um resultado de um estado parecido. Kyotaro Degunchi explica em O GRANDE ONISABURO DEGUCHI que há dois tipos de práticas religiosas shintoístas.

"O primeiro tipo, KENSAI, consiste de ritos e oferendas formais diante de uma divindade residente em um santuário particular: cerimônias formais executadas diante dos deuses".

O Fundador passou a maior parte da sua vida ocupado com tais práticas e um praticante cristão faz o mesmo em iguais circunstâncias. O segundo tipo é mais intrigante:

"O outro, YUSAI, é a prática de harmonizar a nossa alma com o espírito da divindade, sem nenhum determinado cerimonial, local ou momento. Ele inclui o processo de CHINKON (acalmar a alma) e KISHIN (abrir um canal de comunicação com o Divino). Estas são as técnicas que conduzem o homem em contato com a divindade, e se dividem em muitas categorias e subdivisões. Não entrarei em mais detalhes do assunto aqui, exceto para dizer que existem, ao todo, 362 destas técnicas, as quais podem ser executadas para o próprio benefício ou para o benefício dos outros ." 26

Isto pode causar alguma preocupação para os cristãos, por não haver provas que tais exercícios coloquem alguém realmente em contato com Deus. Para explicar este ponto com mais detalhes, eu preciso das alguns breves detalhes autobiográficos.

Antes de eu me dedicar ao Aikido, passei um certo número de anos em uma ordem religiosa, em um mosteiro, na falta de um termo melhor. 27 O treinamento era muito severo e nós éramos ensinados que a consciência da presença de Deus era uma atividade diária. (Pelo que entendi sobre a vida de um UCHIDECHI do Fundador, existem muitos pontos de comparação). Por exemplo, na maior parte do dia nós tínhamos que manter silêncio e qualquer conversação necessária tinha que ser em latim. Havia, é claro, muitas sessões de meditação e, em tais situações, uma pessoa rapidamente progride além da simples oração vocal e alcança um estágio que pode ser chamado de contemplação. É claro, que nós tínhamos que ler textos espirituais e, na tradição cristã havia uma vasta riqueza de literatura. 28 Havia também uma grande riqueza de informações e conselhos sobre posturas de meditação e outros exercícios ascéticos e espirituais, designados para "colocar alguém à presença de Deus". Nós conhecíamos o Zen, é claro, porquê muitos monges cristãos visitaram mosteiros Budistas e se beneficiaram da prática do ZAZEN. 29 Ass, questões de respiração e postura tornaram-se muito relevantes e os místicos Cristãos também deram muitos conselhos sobre a função da respiração na meditação, por exemplo. Contudo, eu também descobri muito cedo, ainda quando eu era noviço, que existe também uma constante preocupação na literatura espiritual com o inevitável fato de que tais experiências do divino são um presente de Deus e, portanto, podem ser livremente ofertado ou negado, e também com a inevitável consequência de que a ilusão é uma possibilidade bem mais provável que a Iluminação.

Particularmente, nós fomos ensinados que os assim chamados "Estados elevados de consciência" alcançados através de respiração e posturas especiais não podiam nunca ser identificados com "a presença de Deus". Na minha própria experiência fui muito atraído pela idéia de que, ao me sentar em uma postura especial, respirando de uma certa forma, ao invés de me sentar em uma cadeira e respirar normalmente, seria mais facilmente posto em contato com o Divino. Mas eu era sempre lembrado rispidamente pelo meu mestre espiritual que assuntos como postura e respiração não significam absolutamente nada. Eles eram exercícios ascéticos e nada mais. De fato, um tema constante nos escritos místicos cristãos pode ser resumido na frase "A noite escura da alma" que significa total desolação espiritual, mas parece haver muito pouca evidência disto no material que eu poderei pesquisar para este ensaio. É claro, que uma oração mental significa exatamente isto: uma conversa mental com Deus, mas não tem que ser uma experiência mística ou especial.

Não quero, é claro, negar que o Fundador realmente teve experiências com o Divino, mas Morihei Ueshiba era também muito mais um homem de seu tempo e viveu em um daqueles "pontos críticos" na história do Japão. Contudo, ele não separava a sua prática do aikido das suas experiências religiosas e acho que para entender as duas requer um sério estudo da cultura japonêsa. Por outro lado, eu não acho que alguém possa negar o profundo abismo entre estas práticas religiosas e o aikido atual e este abismo é mais percebido pelos "ocidentais" na falta de um termo melhor, que pelos praticantes japonêses. Talvez os últimos estejam muito mais imersos em sua própria cultura contemporânea para perceberem isso. Isto deveria ser um assunto importante para aikidoístas "ocidentais" sérios se e como ele ou ela podem "reviver" as experiência espirituais do fundador, ainda que em uma linguagem e conceitos da sua própria cultura. Pode ser que o Fundador considerasse suas buscas espirituais como sua própria preocupação exclusiva e não fez expectativas de que os seus discípulos o seguissem. Já foi sugerido que o Fundador via o aikido como uma Arte Divina, enquanto que o seu filho KISSHOMARU UESHIBA via o Aikido como uma Arte Universal. Se existe uma diferença e, se sim, qual é, é algo para ser considerado na Segunda parte deste ensaio.

NOTAS
1. Esta citação ocorre na página 25 do nº 74, de Aikido Today Magazine (Março/Abril de 2001). <<
2. Tenho dúvidas se as crenças de um shintoísta, alguém que supostamente acredita e algo chamado shintoísmo, podem ser consideradas exatamente da mesma forma que as crenças de um cristão, por exemplo. Não acho que nem o objeto nem o modo de crença sejam comparáveis e espero fazer isto claramente mais adiante. <<
3. De fato isto pode ser entendido nestes sentidos: (1) O sentido trivial é que a prática do fundador é diferente da das outras pessoas, no sentido de que suas ações são essencialmente diferentes das minhas simplesmente porquê nós somos pessoas diferentes. (2) O sentido importante é que a prática do Fundador é diferente da de todos os demais porquê ele é o Fundador, isto é, ele mesmo criou a arte e ninguém mais pôde praticá-la no mesmo nível. Assim, praticar como o Fundador é algo que ainda não podemos atingir. Isto pode ser assim, mas ainda é verdade que após anos de prática, nós desenvolvemos de fato nosso próprio aikido e isto é algo que nós somos apoiados. (3) Há outro sentido que o aikido como uma arte marcial é considerada como propriedade da Família Ueshiba. <<
4. Claramente, a prática intensiva como qualquer atividade física, trará capacitação ao nível da habilidade física, mas isto normalmente não é considerado suficiente. <<
5. Os livros citados de John Stevens são: OS SEGREDOS DO AIKIDO (1995), GUERREIRO INVENSÍVEL (1997), ambos publicados pela Shambala; A ESSÊNCIA DO AIKIDO (1993), A FILOSOFIA DO AIKIDO (2001), ambos publicados pela Kodansha Internacional. Estes trabalhos são todos extremamente estimulantes, mas são mal interpretados sem algum conhecimento da cultura no qual o Fundador viveu e respirou. Este ensaio pretende ser uma contribuição para tais entendimentos. Eu usei a edição japonêsa do KOJIKI editada por A . Ogihara e K. Konosu, publicada por Kogakukan em 1973, e atradução inglêsa de Donald Philippi (1ª edição em 1968 pela Editora da Universidade de Tokyo). É lamentável que a edição de Philippi seja o único trabalho acadêmico do KOJIKI em inglês. Não há nenhuma edição do NIHON-SHOKI, por isso não o mencionei aqui. <<
6. O kamidama (altar shintoísta familiar) ou butsudan (altar budista familiar) são características importantes dos lares japoneses e o fato de que ambos existem não é sem significado. TAKE-MIKA-ZUCHI-NO-KAMI ("Divindade (macho) valente do espírito temível) é provavelmente a divindade que se caracteriza predominantemente na primeira parte do KOJIKI. A divindade veio a existir depois que Izanagi matou o Deus do Fogo, cujo nascimento causou a morte de Izanami, sua esposa, e desempenhou um papel relevante em 'subjugar a terra' (isto é, do Japão). Uma característica importante desta divindade é que ele levava uma espada e parece ter subjugado em uma região inteira do Japão. <<
7. Este relato deve muito a um artigo na edição 19 do AIKIDO TANKYU escrito por OKUMURA SHIGENOBU SHIHAN intitulado SHINWA NI TSUITE (Mitos). Okumura Shihan proporciona um quadro que dá a relação entre Deus e a humanidade sob cada uma das quatro formas de Teísmo. O efeito do meu debate ofuscará de certa forma as distinções feitas por Okumura Shihan. <<
8. Alguns dos meus colegas japonêses acham que "deus" não é uma boa tradução da palavra japonêsa KAMI, porquê "Deus" tem insinuações teológicas cristãs que "KAMI" não tem. Eu não estou certo sobre isto. O latim "DEUS" é uma derivação do grego "THEOS", o qual era, é claro, usado para indicar os vários deuses dos gregos, que pareciam compartilhar muitas características (humanas!?) com o kami japonês. A Bíblia não tinha nenhum problema em usar estas palavras para indicar YAHWEH e CRISTO. <<
9. Eu estou pensando aqui em ISAMU KURITA, em um livro intitulado SETSU-GETSU-KA-NO-KOKORO, publicado em 1987 pelo Instituto Fujitsu de Administração. O título significa "ESPÍRITO DO SOL, DA LUA E DAS FLORES". A tradução Inglêsa do livro tem o título, "Identidade Japonesa". <<
10. De fato, o Butsudan tornou-se um item familiar nos lares japonesas, por causa de uma ordem feitas pelo shogunato Takugawa que exigia que as pessoas se registrassem no templo Budista local. A ordem era uma tentativa de erradicar o Cristianismo. <<
11. A figura aparece em uma citação do Fundador dada na página 13 do livro de John Stevens, "A Essência do Aikido". É uma pena que o Sr. Stevens não identifique a origem desta e de outras citações do Fundador. <<
12. De fato, o nome oficial deste santuário é "Santuário Kanayama" e as divindades eram formalmente adoradas pelos ferreiros locais, que até o período EDO costumavam forjar espadas. É curioso que as divindades deste santuário fossem também consideradas como deuses da fertilidade e fortemente sugere que bem cedo uma íntima relação foi assumida na imaginação popular entre a espada e o falo. O capítulo 6, do livro "SAMURAI COR-DE-ROSA de Nicholas Bornoff, publicado por Harper-Collins em 1991, deu um relato detalhado dos festivais japonêses de fertilidade. <<
13. Desde a 2ª Guerra Mundial, o Shintoísmo, com seu conceito cognato de BUSHIDO , o Caminho do Samurai, tem tido uma má reputação. Em alguns pontos da história japonêsa, a coleção de mitos e crenças folclóricas conhecida como Shintoísmo, foram sequestradas e transformadas em um estado de doutrina que enfatizava a importância de um "japonesamento". YAMATO-DAMASHI. As palavras foram um tanto alteradas, mas a preocupação ainda continua entre os políticos mais velhos e causa muita irritação entre os vizinhos asiáticos do Japão. É verdade que o kojiki foi escrito a pedido do clã Yamato, como um meio de declara sua legitimidade sobre outros clãs, mas algumas partes da Bíblia também tiveram este tipo de função. Quero esclarecer que neste ensaio não considero o Shintoísmo como um instrumento político de Estado, mas acredito que o Fundador via o Shintoísmo com uma afirmação de YAMATO-DAMASHI. <<
14. A declaração, sem origem identificada, aparece na página 17 do livro "SEGREDOS DO AIKIDO", de John Stevvens. A narrativa bíblica da "Criação " está nos capítulos 1 à 3 do LIVRO DO GÊNESES, onde dois relatos diferentes da criação são entrelaçadas em um único relato elegante. Contudo, o Fundador, está claramente se referindo ao início do Evangelho de São João. <<
15. As palavras citadas em japonês aparecem na página 86 do livro TAKEMUSU-AIKI: AIKIDO-KAISO-UESHIBA-MORIHEI-SENSEI-KOJUTSU, editado por Hideo Takahashi, primeira publicação em 1976. A tradução inglêsa é minha. É claro, que eu não pretendo impugnar as credenciais ou a boa fé do Sr. Stevens. Contudo, tantas declarações têm sido atribuídas "diretamente" ao Fundador, em várias ocasiões, por várias pessoas que em trabalhos acadêmicos como os seus, que atingem uma grande audiência, eu acho que importante citar as palavras do próprio Fundador e as suas fontes.
Devo acrescentar aqui que algumas partes do TAKEMUSU AIKI foram traduzidas para o inglês por SONOKO TANAKA e publicada no Aikido Journal (nº 116 a 119). Para aqueles que não sabem a língua japonesa, estes fascículos são um valioso recurso. A Senhora Tanaka fez um esforço heróico para colocar razoavelmente as palavras do Fundador em inglês, mas existem tantas alusões ao kojiki que faria sentido para o estudante sério das visões do Fundador sobre a religião e Kotodama, estudas este texto primeiro. Eu também acho que esta é uma razão pela qual o estudante sério do Aikido do Fundador precisa estudar o idioma japonês. <<
16. Carmen Blacker, The Catalpa Bow: A Study of Shamanistic Practices in Japan, London, Allen & Unwin, 2ª edição, 1986), p. 41. <<
17. Carmen Blacker fez um breve relato da viagem visionária de Onisaburo Deguchi no livro "The Catalpa Bow" (pp. 202-207). Eu acho que o livro de Blacker é indispensável para a compreensão da religião Omoto e sua influência sobre Morihei Ueshiba. <<
18. Carmen Blacker, The Catalpa Bow, 1º capítulo. <<
19. As frases e a extensa citação são tiradas do "The Religion Called Omoto", em "The Great Onisaburo Deguchi", por Kyotaro Deguchi, Tokyo, Aiki News, 1998, p.x. É importante acrescentar que as declarações são de William Gilkey, ex-editor de OMOTO INTERNATIONAL e não de Kyotaru Deguchi. <<
20. Os detalhes são de Yoshiro Tamura, em "Japanese Buddhism: A Cultural History", Tokyo, Kosei Publishing Co., 2000, pp. 197-200. Veja também "Shinto", capítulo 9 de "On Understanding Japanese Religion", por Joseph Kitagawa, Princeton University Press, 1987. <<
21. Evangelho de São João, cap. 1, versículos 1,2,14. A tradução está na versão "King James" de 1611. <<
22. A crença que as palavras têm poderes mágicos é muito antiga e forma a base de rituais religiosos. Os mais antigos oráculos falavam em enigmas, mas foi necessário uma cultura como a dos gregos, com sua ênfase na dialética, para alcançar a distinção entre LANGUE e PAROLE: entre as declarações e as convenções usadas para expressá-las. <<
23. As 128 formas diferentes estão listadas na página 1349 do THE NEW NELSON JAPANESE-ENGLISH CHARACTER DICTIONARY, publicado por Charles Tuttle em 1997. <<
24. Um exemplo é "Ooo,oooo,oo,ooo", que significa, "O rei corajoso esconde a sua calda quando sai" e para as pessoas que acham que estou inventando isso, estes e outros exemplos aparecem na página 51, do livro THE JAPANESE BRAIN, por Tadanobu Tsunoba. Tokyo, Taishukan, 1985. <<
25. John Stevens apresenta seus argumentos nas páginas 15-20 do livro OS SEGREDOS DO AIKIDO. <<
26. As duas citações são de THE GREAT ONISABURO DEGUCHI, p. 20. <<
27. A ordem religiosa era a Sociedade Jesus ou os Jesuítas. <<
28. Os textos com os quais eu mais me familiarizo são o CLOUD OF UNKNOWIN, escrito por um místico medieval inglês desconhecido, os EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE INÁCIO DE LOYOLA, e os escritos de Teresa d'Ávila e de São João da Cruz. <<
29. Que tal intercâmbio frutífero é possível estar evidente em um livro intitulado MYSTICS AND ZEN MASTERS, do monge trapista THOMAS MERTON (publicada pela primeira vez em 1961 por Farrar Strauss e Giroux, new York). Em dois capítulos, "Monasticismo Zen Budista" e "O Koan Zen" (pp. 215-254), Merton apresenta um relato sucinto e elegante das principais diferenças entre o Zen e o monástico Cristão.
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Traduzido por Sheyla Campos - Insituto Takemussu Maceió




 

 

 

 

 

 


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