|
Primeira
parte: Os passos do Mestre
O título deste ensaio foi escolhido, principalmente,
por razões estéticas e não dá
uma indicação exata de satisfação.
Eu proponho considerar o Aikido em oposição
à religião e à filosofia somente em
um sentido muito amplo e não implicar que eles sejam
mutuamente exclusivos. De qualquer maneiras há algumas
questões aqui. Muitas exigências têm
sido feitas pela eficácia do Aikido e não
apenas cmo um sistema de auto-defesa. A prática tem
uma dimensão que pode ser chamada de espiritual.
Mas algumas questões têm sido afetadas. A prática
do aikido pode ajudar Cristãos, Mulçumanos,
agnósticos ou até ateu a ser boas pessoas,
e se pode, como? Em que sentido a prática do aikido
pode ser dita "completar" a vida espiritual e
moral de um cristão praticante, por exemplo. Há
alguma relação entre o aikido como uma busca
espiritual e misticismo? Em que sentido o aikido seria chamado
"sacramental"? Em outras palavras, a prática
do aikido automaticamente leva a resultados espirituais
desejáveis? Faz sentido falar do aikido como uma
filosofia ou sistema filosófico? Se não, qual
é a diferença?
O
Fundador era profundamente religioso e achava que este aspecto
era o mais importante do aikido. Aqui, por exemplo, está
um de seus pensamentos tirados aleatoriamente de uma revista
de aikido:
"Budo
é um caminho divino estabelecido por deuses, que
conduz à verdade, à bondade e à beleza;
é um caminho espiritual, refletindo a natureza ilimitada
e absoluta do universo e o grande desígnio da criação".
1
Isso
parece bastante espiritual , até religioso, mas este
aspecto parece ter recebido pouca ênfase depois da
morte do Fundador. A prática é presumivelmente
"boa" para as pessoas e nós às vezes
ouvimos frases como "auto-realização",
ou "compreender o próprio potencial", mas
a idéia raramente feita é que o aikido exige
um certo compromisso espiritual específico. Em alguns
países, o aikido é praticado em centros esportivos
ou academias . Deste modo a conexão entre "ter
um bom exercício físico" e "ter
uma boa prática" é facilmente feita,
mas isto é tudo? Não , você provavelmente
contestará, mas o que está faltando em um
"bom exercício" que uma boa prática
não proporcione?
Qual
era a religião de Morihei Ueshiba , o Fundador do
Aikido? Era uma união de crenças Budistas
e Shintoístas e práticas de meditação
interpretada pela religião Omoto. Alguns dos discípulos
de Morihei Ueshiba diziam que ele preferia o Shinto ao Zen,
por exemplo, mas isso não significa necessariamente
que ele possa ser chamado de Shintoísta. 2
A "Bíblia" dele era o kojiki e o Nihon-Shoki,
coleção de antigos mitos e lendas japonesas
e a extraordinária coleção de contos
especulativos colocados por Onisaburo Deguchi, conhecido
como REIKAI MONOGATARI ("Contos do Mundo Espiritual").
Durante o treino do Fundador, ele costumava discursar longamente
sobre "assuntos espirituais" , mas quase nenhum
dos discípulos contestaram saber nada sobre o conteúdo
destes discursos ou até os relembram. . Desta maneira
estes discípulos tinham a tendência de separar
as coisas que eles estavam familiarizados, como a prática
diária no tatami das coisas que eles não estavam
familiarizados, tais como a mitologia Shintoísta
e a doutrina Kotodama. Mas o Fundador não as separou
e parece ter ficado cada vez mais e mais com eles. Depois
da Segunda Guerra Mundial , quando o Aikikai Hombu mudou
de volta de Iwama para Tokyo. o Fundador parece ter gasto
mito do seu tempo lá ou em Iwama, ou visitando os
seus discípulos pelo Japão (com uma visita
ao exterior, para o Hawaii). Ele parece ter desempenhado
um papel muito pequeno no desenvolvimento atual do Aikido
pós-guerra e parece mais ter se tornado um "ícone"
do Aikido. A explicação mais comum é
que o Fundador estava engajado na sua própria busca
espiritual, o que implica que esta busca não nos
diz respeito, e que o "verdadeiro" negócio
de ensinar e divulgar o aikido como uma arte pós-guerra,
foi deixado para o seu filho, Kishomaru Ueshiba. Tem sido
até sugerido que o aikido do Fundandor é bem
diferente da daquelas outras pessoas. Em um certo sentido,
isto é verdade, mas trivial; em outro sentido, essa
idéia, se verdadeira, teria maiores consequências
para o aikido e seu desenvolvimento. Senso assim, faz-se
necessária a seguinte pergunta: até que ponto
as buscas espirituais do Fundador são necessárias
atingirmos a excelência no Aikido? O Fundador parece
ter passado anos falando a todos sobre estas buscas, mas
parece que ninguém o ouviu ou o compreendeu. Isso
é um problema para pessoas como nós que nunca
o conhecemos?
Vários
livros de John Steves e vários artigos no TANKYU
AIKIDO ("Pesquisa sobre Aikido"), a publicação
semestral do Aikido Hombu, proporcionaram o maior estímulo
para este ensaio. Steves produziu uma biografia do Fundador
e no mínimo três livros, os quais podem ser
chamados o "sistema" religioso e filosófico
do Fundador. Aikido Tankyu é uma rica fonte de informações
que merece uma ampla audiência. Eu também ensinei
um curso universitário por muitos anos sobre antigos
mitos da criação e estudei o Kojiki e a Bíblia
em relação a isso. 5
(as ironias de um estrangeiro ensinar a cultura tradicional
japonesa para japoneses não deixou de ser percebida
por alguns dos meus colegas japoneses universitários
que todos envergonhadamente confessaram que realmente nunca
tinham lido o Kojiki.)
Este
ensaio trata de uma variedade de assuntos envolvendo aikido
e religião dos quais alguns são bastante discutíveis,
do ponto de vista de alguém que está do outro
lado do espectro: a crença Cristã (Católica,
no meu caso) educada na tradição intelectual
e espiritual do ocidente. Nenhuma conclusão foi tirada,
minha suposição geral, é que a prática
de cuidadosamente discutir tópicos e levantar questões,
é tão valioso quanto obter respostas. Outros,
crentes e descrentes igualmente, podem ser estimulados a
concordar, ou mais preferivelmente, a descordar de pontos
expressos aqui.
As
aparentes diferenças entre Aikido como o próprio
Fundador o concebeu e o aikido praticado por seu filho Kishomaru
Ueshiba constitui um problema interessante em si mesmo e
além da sua extensão é uma razão
pela qual eu dividi este ensaio em duas partes. O foco principal
da Parte 1 é o Fundador, Morihei Ueshiba. A Parte
2, segue de acordo com o filho dele, Kishomaru Ueshiba e
com as questões gerais do aikido como uma filosofia.
As
Faces do Divino
No Hombu Dojo havia um kamidama (altar para divindades da
família) onde o deus das artes militares TAKE-MIKA-ZUCHI-NOKAMI
usava para ser adorado. 6
De qualquer modo, depois o aikido foi conhecido internacionalmente
e não-japoneses vieram praticar no Hombu em crescentes
números. Esta prática de adoração
foi interrompida.
O
que foi tão desagradável sobre a adoração
de divindades da família, no kamidama, que foi abandonado?
Se o motivo foi evitar dar a impressão a não-japoneses
que o aikido era uma religião ou que era necessário
praticar algum tipo de crença religiosa, há
um paradoxo aqui. O Fundador do aikido concebeu a arte do
aikido como uma atividade religiosa e passou a maior parte
da sua vida em comunhão com as várias divindades
que ele adorava, entretanto, a "internacionalização"
do aikido parece ter causado o abandono, do qual, parece
uma parte crucial desta prática no dojo central.
Isto importa? Talvez não, mas este paradoxo deve
ao menos encorajar entre os praticantes de aikido o re-exame
de conceitos do divino profundamente arraigados e há
muitos estimados. 7
Antes
de ir mais longe, nós precisamos expandir a citação
dada acima e tornar um pouco mais claro como o Fundador
concebia Deus ou o divino, para a concepção
japonesa do divino é muito incomum. Há no
mínimo quatro maneiras de considerar o conceito de
Deus e do teísmo: (1) teísmo tradicional,
(2) panteísmo, (3) panenteísmo e (4) as crenças
chamadas Shinto, o Caminho dos Deuses.
(1)
Teísmo tradicional (CHOETSU-SHINRON: teísmo
transcedente em japonês), presume a existência
de um Deus eterno que tudo sabe e que tudo pode, que é
ontologicamente separado do mundo que Ele criou. A crença
em tal Deus é exclusivista no sentido que não
é possível também acreditar em outros
deuses. Todavia há algumas diferenças na forma
como os crentes em tal Deus entendem a sua relação
com o mundo e com os seres humanos. Alguns Cristãos,
por exemplo, acreditam em uma relação pessoal
totalmente baseada na fé, enquanto outros acreditam
em um sistema sacramental com cerimônias que mediam
um relacionamento pessoal mais íntimo (através
da doutrina da Graça) do que simplesmente baseado
na fé. A cerimônia Católica da missa
e da Sagrada Comunhão são exemplos de uma
relação sacramental. Assim, o fato de que
Deus está ontologicamente separado do mundo não
implica de forma alguma que esse Deus não tenha relação
com os seres humanos. A maioria dos cristãos acredita
que Ele tenha e que esta relação é
de amor mútuo.
(2)
Panteísmo (HANSHINRON em japonês) presume que
Deus e o mundo estão de alguma forma no mesmo sentido
abstrato. Senso assim, ao universo e suas leis são
dadas uma dimensão divina e os seres humanos têm
o objetivo de alcançar a harmonia com o universo
de uma certa forma. O Panteísmo tem uma história
mais longa que a do monoteísmo e toma muitas formas
desde a antiga filosofia Grega até a religião
Budista e os sistemas filosóficos de filósofos
como Spinoza. Neste caso, não existe crença
em uma ou mais entidades chamada de Deus.
(3)
Panenteísmo (BAN'YU-SHINRON: teísmo da criação
total, em japonês) presume que toda criação
é, de alguma forma, divina, de tal forma que a humanidade
primitiva não distinguia entre um deus no céu
e um deus em todas as coisas naturais. Esta forma de teísmo
permite a crença na existência de uma variedade
de deuses e presume que os crentes realizarão várias
atividades de acordo com estas crenças.
(4)
O Shintoísmo (KANNAGARA-NO-MICHI, em japonês)
presume que Deus está tanto dentro do mundo como
fora dele. Em certo sentido o Shintoísmo envolve
todos as três formas anteriores de pensamento. Deus
está ao mesmo tempo separado de todas as coisas e
ao mesmo tempo dentro de todas as coisas como seu centro.
Sendo assim, o Shintoísmo parece ter o melhor de
ambos os mundos. O problema é que o termo "Deus"
é uma tradução recente para o termo
japonês "Kami" e não é realmente
adequado. Em japonês, o termo "Kami" cobre
uma ampla categoria: as divindades que povoam o kojiki e
que foram responsáveis pela criação
do mundo; as divindades que pensa-se habitarem nas pessoas,
lugares e até me tipos de atividades. A propósito,
os kamis não são os únicos habitantes
do mundo espiritual que têm poder sobre os seres humanos.
Considera-se que as almas dos mortos , até de animais
como raposas e os cães ou serpentes têm certos
poderes espirituais. INARI-SAMA, uma raposa, é adorada
como uma divindade. Aqui, como no panenteísmo, esta
forma de teísmo pressupõe uma crença
em um enorme panteão de divindades e outros seres
espirituais, e também pressupõe que os crentes
precisarão realizar várias atividades com
a finalidade de ter comunhão com estes seres. 8
Há também uma crença que tal comunhão
pode ser alcançada por certas pessoas que passaram
por algum tipo de treinamento especial.
É
preciso que fique claro que neste pequeno resumo que qualquer
pessoa que acredite em shintoísmo tem uma visão
do divino que é bem diferente da de um cristão
praticante, por exemplo. Tomando o exemplo do Catolicismo,
do qual eu tenho um bom conhecimento, o Cristão Católico
acredita em um Deus triúno, e essa crença
tem sido aperfeiçoada através dos tempos pela
teologia cristã. Isso pode ser expresso de uma forma
de credo e a implicação é de que aqueles
que não concordam com o credo, não podem ser
chamados de Católicos. Além disso, esta crença
leva consigo certas obrigações. O Cristão
Católico deve esforçar-se para levar uma vida
moral, o que significa uma vida de alguma forma a imitação
de Cristo, e esta vida também inclui orações
e participação em certos rituais. Monges e
outros buscam ir além dos preceitos e chegar a uma
união mística com Deus, mas todos têm
enfatizado que isto nunca pode ser alcançado somente
por esforço humano: é simplesmente um dom
e não é limitado a pessoas que tenham passado
por um treinamento especial. E preciso também que
se enfatize que Catolicismo tem uma certa exclusividade:
ser um seguidor do catolicismo parece excluir outras formas
de teísmo. Sendo assim, poderia-se entender que um
católico deve achar que é muito difícil
praticar aikido se este for compreendido como uma forma
exterior de religião.
Note
que um Cristão Católico não é
forçado a ver o mundo como "mau" em certo
sentido. Por causa da separação ontológica
entre Deus e a criação e dos acontecimentos
registrados no Livro de Gênesis, parece por vezes
que o mundo é essencialmente perverso. Nossos antepassados
cometeram um grave pecado e a criação sofreu
em decorrência. É verdade que Gênesis
registrou muitas mudanças como resultado da queda:
a morte e o sofrimento do parto são exemplos. Entretanto,
a visão maniqueísta da natureza presume muito
mais do que a evidência bíblica garante e as
diferenças entre as visões da natureza japonesa
e Cristãs que alguns japoneses têm sugerido
não tem um forte fundamento. É frequentemente
enfatizado no aikido que nós temos que nos harmonizar
com a Natureza, ou com o "Universo", e, pode-se
pensar que isso é mais difícil para alguém
que acredita na queda e no Pecado Original. Eu não
penso assim. 9
As
raízes shintoístas do Japão Moderno
Foi
sugerido acima que o conteúdo do kojiki é
desconhecido por muitos japoneses modernos, mas há
muitos vestígios poderosos do Shintoísmo no
Japão Contemporâneo. O problema aqui, de qualquer
maneira, é que a religião nativa japonêsa
foi misturada com o Budismo, o qual, foi trazido da China
no século VI, e então, às vezes é
difícil distinguir os dois. O processo de sincretização
significa, como eu declarei acima, que em muitas casas japonesas
há um KAMIDAMA Shintoísta e também
um BUTSUDAN budista e isso não é considerado
incomum. 10 Senso
assim, a ênfase no Shintoísmo e no Kojiki,
neste ensaio, em algum sentido reflete o fato de que o Fundador
fez uso extensivo do Kojiki quando ele dava explanações
sobre o aikido e não se pretende a ser exclusivo.
Uma
vez eu perguntei aos estudantes do curso universitário
que eu ministrava, quantas divindades existiam. Houve uma
rápida consulta e a turma inteira concordou em responder:
Haviam 8 milhões de divindades. Eu resisti a tentação
de perguntar como a pessoa que os contou chegou a esse número,
pois a pergunta não teria feito sentido. O número
de divindades pe de certa forma, incontável e 8.000,000
é uma figura tradicional. 11
Muitos
japoneses comem comidas especiais durante o ano novo e tentam
visitar um santuário shintoísta no Ano Novo.
Muitos em Tokyu vão ao Santuário Meiji em
Shinjuku, onde o Imperador Meiji é adorado. Em outras
palavras, o Imperador é adorado como uma divindade
no santuário. Além da visita no Ano Novo,
este santuário é frequentemente visitado por
pessoas para orar po um bom parto, ou por sucesso na escola
e nos exames universitários. Se o Imperador Meiji
tem alguns poderes especiais nestes assuntos é algo
que provavelmente os visitantes nunca pararam para pensar.
Da mesma maneira, um festival é realizado em Abril
todo ano no Santuário Aiki em Iwama, onde o Fundador
do Aikido também é adorado como um kami do
santuário.
Durante
todo o ano há festivais organizados pelos santuários
locais, alguns dos quais são muito exóticos.
Em um festival local em Okayama , multidão de homens
jovens vestidos apenas em tangas, lutam pela posse de uma
bola sagrada. Todo o objetivo do festival é para
entreter asa divindades do santuário, de uma maneira
que eles usam os seus poderes especiais para o bem da comunidade.
Alguns destes festivais têm uma natureza fálica
explícita e era comum que grandes réplicas
de genitália masculina e feminina fossem desfiladas
pelas ruas. O Santuário Kanamara perto de Kawasaki,
por exemplo, é um dos quarenta santuários
dedicados às divindades do sexo e da fertilidade.
O santuário divino é o KANA-YAMA-BIKI-NO-KAMI
e, junto com sua esposa, foi criado do vômito de Izanami
ao dar a luz ao Deus do fogo e o casal é tradicionalmente
conhecido por ter tentado cuidar de Izanami e devolver-lhe
a saúde12
As alusões sexuais no kojiki serão depois
melhor explicadas.
Os
festivais de primavera de plantação de arroz
e o festival de outono de colheita são separados
por um festival de Verão em agosto. Este festival
anual Bon provoca um caos altamente organizado nos sistemas
japoneses de transporte conforme as pessoas retornam aos
seus lares ancestrais. Porque elas fazem isto? Elas fazem
isto, porquê os seus antepassados farão a viagem
do mundo dos espíritos para seus "lares"
e precisam ser recebidos por seus descendentes vivos. Assim,
em muitas partes tradicionais do Japão, são
acesas lanternas para guiar os espíritos no caminho
deles e os festivais Bon são organizados para entretê-los.
Estes e outros festivais são altamente "alcoólicos"
e provavelmente eram esperados no passado como um alívio
das tensões da vida e do trabalho diários.
Fazer
comparações objetivas inter-cultural é
muito difícil, mas o senso religioso do Japonês
Moderno não contém um elemento doutrinal firme.
Nenhuma religião é adotada em prejuízo
de outras. Jovens japoneses que pretendem se casar normalmente
usam um salão de festas com a cerimônia e a
recepção em um pacote muito caro. A cerimônia
pode ser Shintoísta, Budista ou Cristã, mas
isso não quer dizer que eles tenham que acreditar
na religião na qual eles fizeram juramento de casamento.
Existem muitas razões para isso, mas uma razão
importante é que nenhuma religião no mundo
ainda permitiu fixar raízes no Japão. O Shogunato
japonês tornou-se famoso pelo encorajamento ao desenvolvimento
das artes marciais e foi feliz pela prática Zen do
samurai reinava pela força militar. Os efeitos potencialmente
desestabilizadores de uma religião controlada do
exterior eram muito temidos e assim o shogunato jamais permitiu
que o Budismo ou o Cristianismo se firmassem como uma religião
"nacional".
Não
se deve pensar que esta flexibilidade na crença é
algum tipo de irreverência. Lidar com o Divino é
um assunto sério para japoneses e não-japoneses
e as crenças religiosas e atitudes de uma pessoa
não são o resultado de algumas escolhas arbitrárias.
Por exemplo, quando eu alcancei a idade de 41 anos, uma
colega minha , que atualmente é Cristã, fortemente
me impulsionou a visitar um santuário (shintoísta)
para me preparar para o YAJU-DOSHI, o tradicional ano de
má sorte para os homens japoneses. Segui o seu conselho
e embora eu não seja japonês, atingi a idade
de 42 anos ileso.
Alguns
textos Shintoístas
Muitos
japoneses aikidoístas estão consciente de
que o Fundador abraçou o shintoísmo, 13,
mas eles não têm nenhuma idéia sobre
o que foram estas crenças. O Fundador considerou
o aikido como uma arte marcial baseada no AMOR ("amor"
em japonês também é lido como "AI",
mas é um caracter diferente do "AI" de
"Aikido") e nas explicações costumava
utilizar partes do Kojiki. Para aqueles que pouco provavelmente
lerão o kojiki, aqui está um breve resumo
dos primeiros capítulos.
Diversas
divindades se juntaram na "Grande Planície dos
Céus" e dois deles foram conhecidos como IZAGAGI-NO-KAMI
e a sua esposa IZANAMI-NO-KAMI. As duas divindades foram
ordenadas por seus colegas a "completar e solidificar
esta terra flutuante" (a terra foi criada muito cedo,
mas ela era deslizante como um peixe em água oleosa).
Eles receberam uma "lança celestial cravejada
de jóias". Eles se posicionaram na "Ponte
Flutuante dos Céus" (pela qual os seres divinos
viajavam entre o céu e a terra) e agitaram a água
e levantaram a lança. A água que pingava da
ponta da lança se solidificou e se transformou em
uma ilha chamada ONOGORO.
Izanami
e Izanagi desceram então para a ilha e construíram
um pilar sagrado e um palácio. Eles circularam em
volta do pilar com uma espécie ritual de namoro e
eventualmente se acasalaram. Eles não tiveram sucesso
na primeira vez (porquê Izanami, a divindade fêmea
iniciou o ritual de namoro e não Izanagi) e tiveram
que repetir o processo , mas finalmente eles deram à
luz várias ilhas. Depois do nascimento das ilhas
, divindades do fenômeno natural também foram
criados, incluindo o Fogo, mas Izanami ficou doente e morreu
como resultado do nascimento dessa divindade. Izanagi matou
a divindade do Fogo com uma enorme espada e numerosas divindades
nasceram do sangue que estava derramado e também
dos restos da divindade do Fogo.
Izanagi
desceu para o submundo, a terra de YOMI, e encontrou sua
esposa. Ele foi recomendado a não encará-la,
mas ele desobedeceu e, então, se tornou impuro. Izanagi
teve que se purificar cuidadosamente com um banho em um
riacho. Muitas divindades foram criadas nesse processo,
incluindo AMA-TERASU (a Deusa do Sol) e SUSA-NO-WO (o Deus
das Tormentas). Estas duas divindades gradualmente assumem
a história. Susa-no-wo se comportou mal de várias
maneiras e Ama-terasu se retirou para uma caverna. A desgraça
de Susa-no-wo o redimiu por matar um dragão de 8
caudas com uma espada. Ele quebrou a espada dele cortando
a cauda do dragão, mas outra espada apareceu, a qual
ele deu para Ama-terasu. Por fim, Susa-no-wo se casou e
eles e seus descendentes realizam feitos titânicos
de procriação. Um dos seus descendentes, por
exemplo, foi O-KUNI-NO-NUSHI, que teve oitenta irmãos.
O
que podemos entender de tudo isto? Várias coisas
se destacaram, tanto nos próprios relatos, como no
uso deles pelo Fundador. Uma característica impressionante
é a natureza da própria criação.
O Livro de Gênesis começa com a simples e poderosa
declaração que, "No princípio
Deus criou o céu e a terra". Em todas as partes
do Gênesis relata que Deus é retratado como
sendo totalmente separado do processo da Criação.
Ele simplesmente causou isso tudo para se realizar (mas
ainda passou um dia se recuperando!).
A criação, no Kojiki, é bem resumida
pelo Fundador como John Steves o interpreta:
"Não
havia céu, nem terra, apenas um espaço vazio.
Neste vasto vazio, um único ponto subitamente se
manifestou. Daquele ponto de vapor, fumaça e névoa
espiralou adiante em uma esfera luminosa e nasceu o Kotodama
SU . Conforme SU expandia circularmente para cima e para
baixo, para esquerda para direita, a natureza e o sopro
começaram a clarear e descontaminar. O sopro se desenvolveu
dentro da vida e o som apareceu. SU é o "Verbo"
mencionado na bíblia Cristã. 14
Para
evitar qualquer mal-entendido, as reais palavras ditas pelo
Fundador (transcritos do japonês original) são:
" Kirisuto ga 'hajme ni kotoba ariki' to itta sono
kotodama ga SU de arimasu. Sore ga kotodama no hajimiri
de aru." ('No princípio era o Verbo', falado
por Cristo [isto é, na Bíblia Cristã]
é este kotodama SU. Esta é a origem do kotodama.)
15
Os relatos
do kojiki levam a comparações com outros relatos
mitológico da criação, e são
primitivos somente no sentido de que muitas das divindades
são personificações divinas de objetos
e fenômenos naturais. Izanagi e Izanami significam,
respectivamente, o Macho e a Fêmea e realizam as ações
da criação deles literalmente, através
da procriação. Em Gênesis, em comparação,
Adão e Eva são completamente ofuscados pela
diferença de YAHWEH e a procriação
da espécie humana não é dada muita
importância, além de que um de seus filhos,
CAIM, não se deu muito bem. Outra característica
do kojiki que deve ser notada é o uso de armas como
a lança e a espada, os quais refletem claramente
uma cultura marcial primitiva, mas que, algumas vezes, recebem
um simbolisno fálico. Como os primeiros livros da
Bíblia, este relatos são narrativas escritas
de tradições orais muito mais antigas e foram
planejados para dar explicações de certos
acontecimentos decisivos em termos que seria entendido por
seus leitores conteporâneos. Eles também têm
um "sabor" político. Por exemplo, Susa-no-wo
achou que era uma divindade do clã Izumo e ele geralmente
se comporta mal somente na presença de divindades
Yamoto. Quando ele está sozinho, gerlamente é
corajoso e compassivo.
Há
outros três pontos de comparação entre
as primeiras partes do kojiki e textos como a Bíblia,
por exemplo, e estas são algumas relevâncias
para o aikido. Primeiro, eles são textos sagrados
e eram estudados como a base de uma religião pessoal.
O kojiki tem recebido muita atenção de muitos
estudiosos como MOTOORI NORINAGA, mas eu acho que o Fundador
usava estas narrativas mais como textos de meditação,
como um cristão praticante pode usar o evangelho
de São João. Eu acho também que ele
levava estas histórias muito à sério.
A coleção do DOKA conhecida como "Songs
of the way" são uma meditação
pessoal nas lições do Fundador tiradas do
kojiki. Ele, por exemplo, explica que as jóias na
lança simbolizavam amor e misericórdia e embora
as divindades usassem a lança, que era o instrumento
de controle, o controle era alcançado através
do amor e da misericórdia. O Fundador também
se considerava a 'Ponte Flutuante Celestial' transmitindo
as "divinas" técnicas do aikido. Ele também
achava que nós deveríamos seguir o seu exemplo.
O segundo
ponto de comparação é que os kami no
kojiki são moralmente neutros e, desta forma, quando
o Fundador declarou que o aikido era uma arte marcial baseada
no amor e se reporta ao kojiki para ilustrar este ponto,
ele estava dando a sua interpretação pessoal
aqui. Os Cristãos normalmente consideram o Deus deles
como um Deus de amor e existe uma enorme importância
da teologia que que argumenta que Deus é para ser
igualado à Bondade e à Verdade. Nada disso
está evidente no kojiki, por exemplo. Os kami podem
se manifestar como benignos ou destrutivos segundo o tratamento
que eles recebem.
"Trate-os
corretamente com a adoração e culto apropriados
e com as oferendas corretas e apropriadas e os kami podem,
razoavelmente, ser esperados para abençoar, proteger
e socorrer a aldeia, para ver o amadurecimento da colheita,
desviar inundações e sêcas, prevenir
incêndios e pestes. Ofenda-os, por outro lado, também
por descuido ou por exposição às poluições
do sangue e da morte, e ao mesmo tempo sua benevolência
se transformará em fúria que se desencadeará
com fogo, esterelidade e doença." 16
O terceiro
ponto de comparação é que partes do
kojiki foram escritas em um certo tipo de linguagem e a
interpretação desta linguagem, conhecida como
KOTODAMA, foi uma arte em si mesma. Quando o kotodama é
discutido, a comparação é feita frequentemente
com textos ocidentais , como as passagens "LOGOS",
no início do Evangelho de São João.
Eu não acho que a comparação seja totalmente
válida, por razões que discutiremos depois.

Peter Goldsbery
6th Dan e presidente da IAF
(INTERNATIONAL AIKIDO FEDERATION)
A
Religião Omoto
Eu declarei antes que a religião do Fundador era
um amálgama das crenças Shintoístas
e Budistas com práticas de meditação
enriquecidas com os costumes Omoto. Qual era a influência
do Omoto-kyo no ponto de vista religioso do Fundador? Esta
questão não é fácil de responder,
mas, de qualquer maneira, um amaior explicação
do background se faz nacessário.
Em primeiro lugar, o breve esboço do Shintoísmo
apresentada antes não faz nenhuma menção
aos pontos de contato entre o mundo dos humanos e o mundo
do divino. As divindades usavam a 'Ponte Flutuante do Céu"
para descer, mas não havia menção quanto
aos meios de viajar na outra direção. Para
os Cristãos Católicos o ponto "ofocial"
de contato entre Deus e o Mundo é o sacerdote, mas
não precisava ter poderes pessoais especiais para
fazer o batismo, por exemplo, efetivo como um sacramento.
O ponto
de vista religioso do Fundador era, antes, diferente. Para
começar, o shintoísmo não impõe
restrições ao modo pelas quais as divindades
e os humanos poderiam interagir e o Fundador vinha de uma
área do Japão famosa especialmente pela tal
interação. O distrito de Kumano tinha uma
importância especial no Shintoísmo, enquanto
o complexo mosteiro no Monte Koya ainda é um dos
maiores centros do Budismo Japonês. A área
era povoada pelos YAMABUSHI e pelos SHAMANS, ambos forma
honrados com elos especiais com o divino. NAO DEGUCHI, por
exemplo, a fundadora de Omoto-kyo, era uma shaman e acreditava
que uma divindade, USHITORA-NO-KONJIN, falava através
dela. REIKAI MONOGATARI, o enorme "Contos do Mundo
Espiritual", de Onisaburo Deguchi eram supostamente
o registro de uma verdadeira viagem espiritual feita durante
um estado de transe. 17
A crença
geral, por trás disso tudo, era que certas pessoas,
após sofrer uma preparação especial,
geralmente um treinamento ascético, podiam usar rituais
especiais para atrair os kami do mundo deles para o dos
humanos (isto é, se os kami não viessem sem
serem convidados, o que ocorria muitas vezes) ou para fazê-los
escaparem das prisões do corpo e visitar o mundo
espiritual. 18
Eu acho que os cristãos do mundo aceitam tudo isso
com um variado grau de desconforto, dependendo da aflição
deles. O espiritualismo não é estranho ao
Cristianismo, mas a revelação de Deus é
considerada muito importante para ser colocada nas mãos
de certas pessoas. Além do mais, por causa da crença
deles na incarnação do Cristo, eu acho que
os cristãos católicos encontraram dificuldade
em aceitar visões ou profecias que revelassem coisas
de importância a qualquer um exceto aos visionários
ou aos profetas.
Em segundo
lugar, a Omoto era uma das "Novas Religiões"
do Japão. Somente como pessoas como os shamãs
podiam ter relações especiais com as divindades
nos quais eles acreditavam, relações que incluiam
reencarnação ou revelações especiais
das divindades, havia uma tendência correspondente
para estas relações intensas para resultar
em uma nova religião. Eu acredito que esta tenência
era esperada para os clãs, nos quais está
a característica da cultura japonesa. Assim, NÃO
DEGUCHI, era originalmente um membro da KONKOKYO, uma religião
centralizada em torno de uma divindade conhecida como KONJIN,
mas depois que a sua fama crescente começou a atrair
discípulos, ela eventualmente deixou esta religião
para fundar a OMOTO-KYO. Esta religião se transformou
em um grande movimento espiritual com a chegada de Onisaburo
Deguchi e, embora não seja mais a força que
já foi, existem conhecidos meus do Aikido aqui em
Hiroshima que são crentes da Omoto e praticam os
seus rituais.
Também
não é de se surpreender que nos tempos turbulentos
que seguiram à restauração Meiji e
o crescimento do Japão como uma potência militar
"novas religiões como a Omoto tendiam pregar
o utopianismo: a iminente chegada de uma nova idade de ouro,
que colocaria um fim nos erros do passado e do presente.
Assim, uma característica fundamental da Omoto era
a idéia de unir todas as religiões em uma
irmandade universal. Este era o conceito primário
por trás da Federação Religiosa Universal
proposta por Onisaburo Deguchi em 1925.
"Onisaburo
afirmava que todas as religiões brotavam do mesmo
impulso divino, mas só existia um Desus. Mas este
impulso poderia surgir em meios culturais em épocas
históricas totalmente distante das outras, produzindo
desta forma, religiões de grandes contrastes. Contudo,
não importa como eles pareciam tão diferentes,
em virtude da sua origem comum, todas as religiões
são irmãos e irmãs e devem honrar e
respeitar umas às outras. Em verdade, nós
devemos apreciar uma variação no jardim das
religiões. Quem quer que as flores sejam todas da
mesma cor?" Deguchi era também um grande crente
no uso do esperanto, "uma linguagem universal para
ajudar transcender o imbróglio de linguagens já
existentes", que seria o veículo para esta "religião
sagrada do amor e irmandade". 19
Há
um acerta inocência em tudo isso. Em primeiro lugar,
é simplesmente falso que uma pseudo-língua
manufaturada como o Esperanto, jamais poderia substituir
culturas lingüísticas que tenham se desenvolvido
ao longo de milênios, sem falr em "transcendê-las",
o que quer que isto signifique. Uma língua não
funciona assim. Em segundo lugar, a idéia de "unir"
todas as religiões é um sonho impossível.
As religiões tendem a serem rigorosamente interligadas
com as culturas das quais elas fazem parte e o shintoísmo
certamente não é uma exceção.
A sugestão que religiões tão diversas
como o Catolicismo, Protestantismo e Islamismo se uniram
sob a liderança do escritor de uma coleção
de contos como o REIKAI MONOGATARI não é levada
a sério. Eu acho que um Católico ou um Mulçumano
considere a sua religião como uma entre entre muitas
espécies de flores. Em terceiro lugar, assumindo
que a idéia de 'unir" as religiões sob
uma liderança fizesse algum sentido, Omoto-kyo é
um mau exemplo para escolher como um "cabeça".
Esta mesma seita foi uma derivação da konkokyo
e também produziu outras derivações
como a SEICHO-NO-IE. 20
Algumas
vezes é dito que o Aikido não é uma
religião, mas que a prática do aikido "completa"
ou "complementa" as crenças e práticas
religiosas. Eu me pergunto se este pensamento tipicamente
japonês não tem traços da idéia
Omoto-kyo descrita anteriormente. A idéia de que
a prática do aikdio complementa a atividade religiosa
de uma pessoa é bastante inofensiva, mas isto é
bem diferente da idéia de que uma religião
como o Cristianismo, por exemplo, ou o Islamismo é
de alguma maneira "incompleta" e que uma arte
marcial, embora baseada no amor, de alguma forma conduzirá
à perfeição. Eu não esperaria
que um médio Cristão ou Mulçumano aceitasse
com facilidade esta forma de pensamento. Há também
um problema de terminologia. Pode ser bem verdade que o
aikido não seja uma religião no estrito senso
de um grupo de pessoas unidas por uma mesma crença
sobre o Divino, mas o Fundador considerava claramente que
estava engajado em uma atividade que era, para todos os
efeitos, religiosa.
Tocando
o divino
Há
mais um ponto importante para considerar em qualquer estudo
das práticas religiosas do Fundador e em sua importância
para o Aikido: o uso que ele fazia do que nós podemos
livremente chamar, meditação, técnicas
como CHINKON-KISHIN e a função da linguagem,
ou sons, na meditação. Este último
é comumente chamado KOTODAMA ("palavra-espírito")
e acredita-se que desempenhava uma função
importante no esquema espiritual das coisas do Fundador.
CHINKON KISHIN é usualmente praticado antes dos treinos
de aikido na forma de FUNA-KOGI ("remar em um bote")
e FURITAMA ("sacudindo o espírito") e como
um exercício calmante no final do treino, mas encontrei
pouca evidência da prática do KOTODAMA no aikido
moderno.
Um cristão
logo aprende a importância da oração.
Desde o tempo em eu era muito jovem, eu fui educado pelos
meus pais a me ajoelhar e dizer as minhas orações
todas as noites antes de ir para a cama e tenho certeza
de que outros têm tido experiências parecidas.
Quando eu cresci, reparei que a maioria das orações
eram fórmulas,e que as invocações repetidas
da fórmula tinham um efeito que era superior e inferior
ao significado das palavras. O rosário é um
bom exemplo disso. Ainda mais tarde eu compreedi o valor
da oração mental, que não usava palavras.
O termo "meditação" tem, às
vezes, sido usado tanto para a invocação ou
para a magia das fórmulas de oração,
como para o tipo de oração mental chamada,
contemplação. É também usada
para o que podemos chamar 'estados elevados da consciência".
Contudo, há importantes diferenças que precisam
ser esclarecidas.
Vamos
começar com a questão da relação
entre as palavras e o mundo. Na citação dada
anteriormente, o Fundador identificou o som Kotodama SU
com "O Verbo" da Bíblia. O "Verbo"
mencionado, é claro, o termo usado pelo autor do
4º Evangelho , mas São João escreveu
em grego, e desta forma, o termo é normalmente referido
como "LOGOS". Esta palavra tem um contexto cultural
e o escritor do 4º Evagelho não apenas compreendia
este contexto, como também deu ao termo um significado
específico em seu evangelho. LOGOS é o nome
do verbo grego LEGO (dizer) e é muito curioso que
o substantivo tenha uma cadeia maior de significados em
grego que o verbo. LOGOS foi usado pelo filósofo
HERACLITUS (500 AC) como o título do seu discurso,
mas ainda na sua época o termo tinha sido aumentado
para incluir palavras, discurso, a lógica ou a razão
subjacente ao discurso e a própria razão.
Nas primeiras sentenças do 4º Evangelho, o texto
Latin que ainda é provavelmente lembrado por católicos
da minha geração, São João tenta
explicar a Trindade. O Evangelho começa: "No
princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e
o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus...
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós
contemplamos a sua glória do único filho do
Pai , cheio de graça e de verdade." 21
Não
existe referência neste versos à Criação,
embora ele seja referido mais tarde e é também
o trabalho do Verbo. Nos versos citados acima, João
tenta capturar em palavras o processo do auto-conhecimento
e do amor próprio que resultam no Pai, no Filho e
no Espírito Santo. É claro que, em um sentido
amplo "LOGOS" pode ser entendido como KOTODAMA,
porquê o Evangelho é entendido como A PALAVRA
DE DEUS, mas neste caso toda a Bíblia é KOTODAMA
e não apenas o "LOGOS".
Existem
dois problemas que qualquer ocidental deve enfrentar ao
tentar compreender a doutrina do Kotodama. Um é a
suposição cultural do shintoísmo discutida
antes. No shintoísmo não há restrições
impostas pelos kami como a maneira que eles aparecem para
os humanos. Assim, é razoável que um kami
possa se manifestar em palavras. É claro que o contrário,
que palavras entoadas em uma forma particular, indicava
a presença de um kami, não é necessariamente
verdade. O segundo ponto relativo ao significado e é
onde eu devo, respeitosamente, discordar com John steves.
A questão de que as palavras levam o significado
delas intrinsecamente, por assim dizer, é muito antiga.
No diálogo CRATYLUS, de Platão, um dos pontos
de discussão e se uma palavra, "PALAVRA",
por exemplo, leva este significado porquê tem propriedade
únicas e apropriadas para o conceito de que ela designa
ou se é simplesmente um aconvenção.
Após um argumento laborioso, Platão eventualmente
escolhe a última alternativa e foi seguido por Aristóteles
e seus sucessores. Em outras palavras, "LOGOS",
"Verbum", "PALAVRA", "MOT",
"TOD", "KOTOBA", etc., não têm
poderes especiais simplesmente porquê eles representam
um número de conceitos particular e assim, pronunciar
estas palavras não lhe colocará em contato
com o Divino, simplesmente em virtude do significado que
elas têm. 22
O mesmo
se aplica ao idioma Japonês, mas isso é mais
difícil de compreender por causa das características
especiais da língua japonêsa. No japonês
não há sons consonantais puros, com exceção
do "N", e, portanto, cada sílaba é
também uma vogal pura ou uma vogal precedida por
uma consoante. Desta forma, pronunciar qualquer sílaba
japonêsa exige uma exalação. Além
do que, cada sílaba isolada normalmente tem uma enorme
variação de significados. Por exemplo, o som
"SO", pode ser escrito em 128 formas diferentes,
isto é, em 128 caracteres chinêses diferentes
e cada um destes caracteres representam um significado diferente.
23
Assim, não só é possível pronunciar
frases em japonês que tenham apenas vogais, 24
mas também compor pronunciamentos
de partes individuais que também tenham significados
individuais. Por esta razão, eu não acho que
é possível transpor a teoria do kotodama sem
a teologia shintoísta apropriada e em uma linguagem
diferente da japonêsa. O Fundador acreditava no Kotodama
por causa das suas crenças sobre os kami e porquê
ele era japonês. John Stevens acha que o Fundador
estava enganado, mas eu mesmo tendo a apoiar o fundador
aqui. 25
É
claro que não se pode negar que as palavras têm
um poder especial, como qualquer um que escute a ópera
poderá comprovar e eu tenho memórias claras
do efeito hipnotizador do cântico do ofício
divino em latim declamado. Algumas formas de cânticos
normalmente acompanham meditação e eu concluirei
a primeira parte deste ensaio examinando este tópico.
Nao Deguchi
compôs seus escritos FUDESAKI como resultado de um
estado de transe e diz-se que Onisaburo Deguchi recebeu
as experiências registradas no Reikai Monogatari,
como um resultado de um estado parecido. Kyotaro Degunchi
explica em O GRANDE ONISABURO DEGUCHI que há dois
tipos de práticas religiosas shintoístas.
"O
primeiro tipo, KENSAI, consiste de ritos e oferendas formais
diante de uma divindade residente em um santuário
particular: cerimônias formais executadas diante dos
deuses".
O Fundador
passou a maior parte da sua vida ocupado com tais práticas
e um praticante cristão faz o mesmo em iguais circunstâncias.
O segundo tipo é mais intrigante:
"O
outro, YUSAI, é a prática de harmonizar a
nossa alma com o espírito da divindade, sem nenhum
determinado cerimonial, local ou momento. Ele inclui o processo
de CHINKON (acalmar a alma) e KISHIN (abrir um canal de
comunicação com o Divino). Estas são
as técnicas que conduzem o homem em contato com a
divindade, e se dividem em muitas categorias e subdivisões.
Não entrarei em mais detalhes do assunto aqui, exceto
para dizer que existem, ao todo, 362 destas técnicas,
as quais podem ser executadas para o próprio benefício
ou para o benefício dos outros ." 26
Isto
pode causar alguma preocupação para os cristãos,
por não haver provas que tais exercícios coloquem
alguém realmente em contato com Deus. Para explicar
este ponto com mais detalhes, eu preciso das alguns breves
detalhes autobiográficos.
Antes
de eu me dedicar ao Aikido, passei um certo número
de anos em uma ordem religiosa, em um mosteiro, na falta
de um termo melhor. 27
O treinamento era muito severo e nós éramos
ensinados que a consciência da presença de
Deus era uma atividade diária. (Pelo que entendi
sobre a vida de um UCHIDECHI do Fundador, existem muitos
pontos de comparação). Por exemplo, na maior
parte do dia nós tínhamos que manter silêncio
e qualquer conversação necessária tinha
que ser em latim. Havia, é claro, muitas sessões
de meditação e, em tais situações,
uma pessoa rapidamente progride além da simples oração
vocal e alcança um estágio que pode ser chamado
de contemplação. É claro, que nós
tínhamos que ler textos espirituais e, na tradição
cristã havia uma vasta riqueza de literatura. 28
Havia também uma grande riqueza
de informações e conselhos sobre posturas
de meditação e outros exercícios ascéticos
e espirituais, designados para "colocar alguém
à presença de Deus". Nós conhecíamos
o Zen, é claro, porquê muitos monges cristãos
visitaram mosteiros Budistas e se beneficiaram da prática
do ZAZEN. 29
Ass, questões de respiração e postura
tornaram-se muito relevantes e os místicos Cristãos
também deram muitos conselhos sobre a função
da respiração na meditação,
por exemplo. Contudo, eu também descobri muito cedo,
ainda quando eu era noviço, que existe também
uma constante preocupação na literatura espiritual
com o inevitável fato de que tais experiências
do divino são um presente de Deus e, portanto, podem
ser livremente ofertado ou negado, e também com a
inevitável consequência de que a ilusão
é uma possibilidade bem mais provável que
a Iluminação.
Particularmente,
nós fomos ensinados que os assim chamados "Estados
elevados de consciência" alcançados através
de respiração e posturas especiais não
podiam nunca ser identificados com "a presença
de Deus". Na minha própria experiência
fui muito atraído pela idéia de que, ao me
sentar em uma postura especial, respirando de uma certa
forma, ao invés de me sentar em uma cadeira e respirar
normalmente, seria mais facilmente posto em contato com
o Divino. Mas eu era sempre lembrado rispidamente pelo meu
mestre espiritual que assuntos como postura e respiração
não significam absolutamente nada. Eles eram exercícios
ascéticos e nada mais. De fato, um tema constante
nos escritos místicos cristãos pode ser resumido
na frase "A noite escura da alma" que significa
total desolação espiritual, mas parece haver
muito pouca evidência disto no material que eu poderei
pesquisar para este ensaio. É claro, que uma oração
mental significa exatamente isto: uma conversa mental com
Deus, mas não tem que ser uma experiência mística
ou especial.
Não
quero, é claro, negar que o Fundador realmente teve
experiências com o Divino, mas Morihei Ueshiba era
também muito mais um homem de seu tempo e viveu em
um daqueles "pontos críticos" na história
do Japão. Contudo, ele não separava a sua
prática do aikido das suas experiências religiosas
e acho que para entender as duas requer um sério
estudo da cultura japonêsa. Por outro lado, eu não
acho que alguém possa negar o profundo abismo entre
estas práticas religiosas e o aikido atual e este
abismo é mais percebido pelos "ocidentais"
na falta de um termo melhor, que pelos praticantes japonêses.
Talvez os últimos estejam muito mais imersos em sua
própria cultura contemporânea para perceberem
isso. Isto deveria ser um assunto importante para aikidoístas
"ocidentais" sérios se e como ele ou ela
podem "reviver" as experiência espirituais
do fundador, ainda que em uma linguagem e conceitos da sua
própria cultura. Pode ser que o Fundador considerasse
suas buscas espirituais como sua própria preocupação
exclusiva e não fez expectativas de que os seus discípulos
o seguissem. Já foi sugerido que o Fundador via o
aikido como uma Arte Divina, enquanto que o seu filho KISSHOMARU
UESHIBA via o Aikido como uma Arte Universal. Se existe
uma diferença e, se sim, qual é, é
algo para ser considerado na Segunda parte deste ensaio.
NOTAS
1. Esta citação ocorre
na página 25 do nº 74, de Aikido Today Magazine
(Março/Abril de 2001). <<
2. Tenho dúvidas se as crenças
de um shintoísta, alguém que supostamente
acredita e algo chamado shintoísmo, podem ser consideradas
exatamente da mesma forma que as crenças de um cristão,
por exemplo. Não acho que nem o objeto nem o modo
de crença sejam comparáveis e espero fazer
isto claramente mais adiante. <<
3. De fato isto pode ser entendido
nestes sentidos: (1) O sentido trivial é que a prática
do fundador é diferente da das outras pessoas, no
sentido de que suas ações são essencialmente
diferentes das minhas simplesmente porquê nós
somos pessoas diferentes. (2) O sentido importante é
que a prática do Fundador é diferente da de
todos os demais porquê ele é o Fundador, isto
é, ele mesmo criou a arte e ninguém mais pôde
praticá-la no mesmo nível. Assim, praticar
como o Fundador é algo que ainda não podemos
atingir. Isto pode ser assim, mas ainda é verdade
que após anos de prática, nós desenvolvemos
de fato nosso próprio aikido e isto é algo
que nós somos apoiados. (3) Há outro sentido
que o aikido como uma arte marcial é considerada
como propriedade da Família Ueshiba. <<
4. Claramente, a prática intensiva
como qualquer atividade física, trará capacitação
ao nível da habilidade física, mas isto normalmente
não é considerado suficiente. <<
5. Os livros citados de John Stevens
são: OS SEGREDOS DO AIKIDO (1995), GUERREIRO INVENSÍVEL
(1997), ambos publicados pela Shambala; A ESSÊNCIA
DO AIKIDO (1993), A FILOSOFIA DO AIKIDO (2001), ambos publicados
pela Kodansha Internacional. Estes trabalhos são
todos extremamente estimulantes, mas são mal interpretados
sem algum conhecimento da cultura no qual o Fundador viveu
e respirou. Este ensaio pretende ser uma contribuição
para tais entendimentos. Eu usei a edição
japonêsa do KOJIKI editada por A . Ogihara e K. Konosu,
publicada por Kogakukan em 1973, e atradução
inglêsa de Donald Philippi (1ª edição
em 1968 pela Editora da Universidade de Tokyo). É
lamentável que a edição de Philippi
seja o único trabalho acadêmico do KOJIKI em
inglês. Não há nenhuma edição
do NIHON-SHOKI, por isso não o mencionei aqui. <<
6. O kamidama (altar shintoísta
familiar) ou butsudan (altar budista familiar) são
características importantes dos lares japoneses e
o fato de que ambos existem não é sem significado.
TAKE-MIKA-ZUCHI-NO-KAMI ("Divindade (macho) valente
do espírito temível) é provavelmente
a divindade que se caracteriza predominantemente na primeira
parte do KOJIKI. A divindade veio a existir depois que Izanagi
matou o Deus do Fogo, cujo nascimento causou a morte de
Izanami, sua esposa, e desempenhou um papel relevante em
'subjugar a terra' (isto é, do Japão). Uma
característica importante desta divindade é
que ele levava uma espada e parece ter subjugado em uma
região inteira do Japão. <<
7. Este relato deve muito a um artigo
na edição 19 do AIKIDO TANKYU escrito por
OKUMURA SHIGENOBU SHIHAN intitulado SHINWA NI TSUITE (Mitos).
Okumura Shihan proporciona um quadro que dá a relação
entre Deus e a humanidade sob cada uma das quatro formas
de Teísmo. O efeito do meu debate ofuscará
de certa forma as distinções feitas por Okumura
Shihan. <<
8. Alguns dos meus colegas japonêses
acham que "deus" não é uma boa tradução
da palavra japonêsa KAMI, porquê "Deus"
tem insinuações teológicas cristãs
que "KAMI" não tem. Eu não estou
certo sobre isto. O latim "DEUS" é uma
derivação do grego "THEOS", o qual
era, é claro, usado para indicar os vários
deuses dos gregos, que pareciam compartilhar muitas características
(humanas!?) com o kami japonês. A Bíblia não
tinha nenhum problema em usar estas palavras para indicar
YAHWEH e CRISTO. <<
9. Eu estou pensando aqui em ISAMU
KURITA, em um livro intitulado SETSU-GETSU-KA-NO-KOKORO,
publicado em 1987 pelo Instituto Fujitsu de Administração.
O título significa "ESPÍRITO DO SOL,
DA LUA E DAS FLORES". A tradução Inglêsa
do livro tem o título, "Identidade Japonesa".
<<
10. De fato, o Butsudan tornou-se
um item familiar nos lares japonesas, por causa de uma ordem
feitas pelo shogunato Takugawa que exigia que as pessoas
se registrassem no templo Budista local. A ordem era uma
tentativa de erradicar o Cristianismo. <<
11. A figura aparece em uma citação
do Fundador dada na página 13 do livro de John Stevens,
"A Essência do Aikido". É uma pena
que o Sr. Stevens não identifique a origem desta
e de outras citações do Fundador. <<
12. De fato, o nome oficial deste
santuário é "Santuário Kanayama"
e as divindades eram formalmente adoradas pelos ferreiros
locais, que até o período EDO costumavam forjar
espadas. É curioso que as divindades deste santuário
fossem também consideradas como deuses da fertilidade
e fortemente sugere que bem cedo uma íntima relação
foi assumida na imaginação popular entre a
espada e o falo. O capítulo 6, do livro "SAMURAI
COR-DE-ROSA de Nicholas Bornoff, publicado por Harper-Collins
em 1991, deu um relato detalhado dos festivais japonêses
de fertilidade. <<
13. Desde a 2ª Guerra Mundial,
o Shintoísmo, com seu conceito cognato de BUSHIDO
, o Caminho do Samurai, tem tido uma má reputação.
Em alguns pontos da história japonêsa, a coleção
de mitos e crenças folclóricas conhecida como
Shintoísmo, foram sequestradas e transformadas em
um estado de doutrina que enfatizava a importância
de um "japonesamento". YAMATO-DAMASHI. As palavras
foram um tanto alteradas, mas a preocupação
ainda continua entre os políticos mais velhos e causa
muita irritação entre os vizinhos asiáticos
do Japão. É verdade que o kojiki foi escrito
a pedido do clã Yamato, como um meio de declara sua
legitimidade sobre outros clãs, mas algumas partes
da Bíblia também tiveram este tipo de função.
Quero esclarecer que neste ensaio não considero o
Shintoísmo como um instrumento político de
Estado, mas acredito que o Fundador via o Shintoísmo
com uma afirmação de YAMATO-DAMASHI. <<
14. A declaração,
sem origem identificada, aparece na página 17 do
livro "SEGREDOS DO AIKIDO", de John Stevvens.
A narrativa bíblica da "Criação
" está nos capítulos 1 à 3 do
LIVRO DO GÊNESES, onde dois relatos diferentes da
criação são entrelaçadas em
um único relato elegante. Contudo, o Fundador, está
claramente se referindo ao início do Evangelho de
São João. <<
15. As palavras citadas em japonês
aparecem na página 86 do livro TAKEMUSU-AIKI: AIKIDO-KAISO-UESHIBA-MORIHEI-SENSEI-KOJUTSU,
editado por Hideo Takahashi, primeira publicação
em 1976. A tradução inglêsa é
minha. É claro, que eu não pretendo impugnar
as credenciais ou a boa fé do Sr. Stevens. Contudo,
tantas declarações têm sido atribuídas
"diretamente" ao Fundador, em várias ocasiões,
por várias pessoas que em trabalhos acadêmicos
como os seus, que atingem uma grande audiência, eu
acho que importante citar as palavras do próprio
Fundador e as suas fontes.
Devo acrescentar aqui que algumas partes do TAKEMUSU AIKI
foram traduzidas para o inglês por SONOKO TANAKA e
publicada no Aikido Journal (nº 116 a 119). Para aqueles
que não sabem a língua japonesa, estes fascículos
são um valioso recurso. A Senhora Tanaka fez um esforço
heróico para colocar razoavelmente as palavras do
Fundador em inglês, mas existem tantas alusões
ao kojiki que faria sentido para o estudante sério
das visões do Fundador sobre a religião e
Kotodama, estudas este texto primeiro. Eu também
acho que esta é uma razão pela qual o estudante
sério do Aikido do Fundador precisa estudar o idioma
japonês. <<
16. Carmen Blacker, The Catalpa
Bow: A Study of Shamanistic Practices in Japan, London,
Allen & Unwin, 2ª edição, 1986),
p. 41. <<
17. Carmen Blacker fez um breve
relato da viagem visionária de Onisaburo Deguchi
no livro "The Catalpa Bow" (pp. 202-207). Eu acho
que o livro de Blacker é indispensável para
a compreensão da religião Omoto e sua influência
sobre Morihei Ueshiba. <<
18. Carmen Blacker, The Catalpa
Bow, 1º capítulo. <<
19. As frases e a extensa citação
são tiradas do "The Religion Called Omoto",
em "The Great Onisaburo Deguchi", por Kyotaro
Deguchi, Tokyo, Aiki News, 1998, p.x. É importante
acrescentar que as declarações são
de William Gilkey, ex-editor de OMOTO INTERNATIONAL e não
de Kyotaru Deguchi. <<
20. Os detalhes são de Yoshiro
Tamura, em "Japanese Buddhism: A Cultural History",
Tokyo, Kosei Publishing Co., 2000, pp. 197-200. Veja também
"Shinto", capítulo 9 de "On Understanding
Japanese Religion", por Joseph Kitagawa, Princeton
University Press, 1987. <<
21. Evangelho de São João,
cap. 1, versículos 1,2,14. A tradução
está na versão "King James" de 1611.
<<
22. A crença que as palavras
têm poderes mágicos é muito antiga e
forma a base de rituais religiosos. Os mais antigos oráculos
falavam em enigmas, mas foi necessário uma cultura
como a dos gregos, com sua ênfase na dialética,
para alcançar a distinção entre LANGUE
e PAROLE: entre as declarações e as convenções
usadas para expressá-las. <<
23. As 128 formas diferentes estão
listadas na página 1349 do THE NEW NELSON JAPANESE-ENGLISH
CHARACTER DICTIONARY, publicado por Charles Tuttle em 1997.
<<
24. Um exemplo é "Ooo,oooo,oo,ooo",
que significa, "O rei corajoso esconde a sua calda
quando sai" e para as pessoas que acham que estou inventando
isso, estes e outros exemplos aparecem na página
51, do livro THE JAPANESE BRAIN, por Tadanobu Tsunoba. Tokyo,
Taishukan, 1985. <<
25. John Stevens apresenta seus
argumentos nas páginas 15-20 do livro OS SEGREDOS
DO AIKIDO. <<
26. As duas citações
são de THE GREAT ONISABURO DEGUCHI, p. 20. <<
27. A ordem religiosa era a Sociedade
Jesus ou os Jesuítas. <<
28. Os textos com os quais eu mais
me familiarizo são o CLOUD OF UNKNOWIN, escrito por
um místico medieval inglês desconhecido, os
EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE INÁCIO DE LOYOLA,
e os escritos de Teresa d'Ávila e de São João
da Cruz. <<
29. Que tal intercâmbio frutífero
é possível estar evidente em um livro intitulado
MYSTICS AND ZEN MASTERS, do monge trapista THOMAS MERTON
(publicada pela primeira vez em 1961 por Farrar Strauss
e Giroux, new York). Em dois capítulos, "Monasticismo
Zen Budista" e "O Koan Zen" (pp. 215-254),
Merton apresenta um relato sucinto e elegante das principais
diferenças entre o Zen e o monástico Cristão.
<<
Traduzido por Sheyla Campos
- Insituto Takemussu Maceió
|